3. TEORETISK FUNDAMENT
4.6 Utvelgelse av deltakere uten forankring i plandokumenter
4.4.1 Diagnóstico
Acorreu basicamente de duas formas: individual e coletiva. Na primeira utilizávamos geralmente a entrevista semiestruturada, para conhecermos a demanda dos agricultores de forma específica. O diálogo sobre algumas temática foi uma maneira que encontramos, de aproximarmos dos agricultores, que não conhecíamos. As pessoas escolhidas eram previamente indicadas ou pelo MST e INCRA, ou pelos próprios agricultores. O perfil eram pessoas que já trabalhavam com alguma forma de cultivo sustentável, ou que tinha muito interesse em aprender.
Franco (2005) acredita que os diagnósticos não devem ser realizados a princípio dos projetos e sim, em uma etapa do processo onde o grupo composto por técnicos e agricultores já possuam conhecimento um sobre o outro, ou confiança, mas a mesma autora destaca o desafio em se construir relações de franqueza mútua.
Discordando desse posicionamento, ressaltamos que foi exatamente o diagnóstico, que propiciou o inicio da relação de confiança, principalmente o de forma direta no individual, onde o técnico foi até a casa do agricultor e passou todo o tempo com ele, sem pressa, respeitando seu tempo de trabalho, que foi se estabelecendo a relação de confiança, é como os próprios agricultores da Pirituba algumas vezes afirmavam: “é a fase de namoro, onde estamos nos conhecendo”.
O momento da entrevista era o momento do diálogo com o agricultor, o técnico não chegava com uma prancheta e um monte de perguntas e sim se apresentava e buscava conversar através de temáticas como o solo, a casa, a família, os sonhos, o significado de plantar de forma
convencional ou alternativa, buscava-se aqui aplicar principalmente o diálogo de saberes descrito por Tardim ( 2008).
Em relação aos agricultores que exerceriam um papel chave no projeto, como multiplicadores, experimentadores ou irradiadores, um tema muito questionado por grupos de outros projetos; era como o processo poderia ser participativo, se nós escolhemos os agricultores que vão receber a unidade de observação participativa?
E a resposta era simples, nós não escolhíamos, nunca foi uma escolha nossa, os agricultores que receberam a unidade de observação participativa foram aqueles que acompanharam todas as atividades durante o ano todo e no final acreditavam no processo e queriam experimentar, sendo uma iniciativa mais deles do que nossa.
Já o diagnóstico coletivo foi praticado principalmente para que os agricultores tivessem uma idéia de planejamento do lote, focando temáticas que fazem parte dessa organização como: questão econômica, produção, qualidade de vida, relações sociais, casa, entre outros.
Esse processo, também era utilizado para o planejamento coletivo das atividades no assentamento, porque propiciava que os agricultores que participavam do diagnóstico, comparassem a situação do agricultor que recebia a visita com sua própria situação e assim, escolhiam juntos as demandas a serem trabalhada.
4.4.2 Avaliação
Mesmo concordando com Gomes (2012), que nem todos os agricultores têm a mesma facilidade para participar, percebia-se que a maioria dos assentados sentia liberdade para opinar, isso era resultado principalmente das vivências desses agricultores em processos políticos, dentro dos movimentos sociais, onde foram estimulados a realizarem essas atividades.
Esses momentos eram onde eles manifestavam futuras demandas que podiam ser imediatas ou não, relacionadas ou não com o projeto. Os
agricultores que participavam pela primeira vez se encontravam mais inibidos nesses momentos e não participam muito nessa atividade.
Uma dificuldade da equipe foi realizar a avaliação do projeto durante os anos, com as comunidades nas quais estavam inseridas no projeto. Isso aconteceu, principalmente devido à questão financeira e também porque as demandas em relação aos grupos que estavam sendo formado foram considerados como prioridade em relação à avaliação.
4.4.3 Planejamento
O planejamento sempre ocorreu no início do ano. No Sepé, acontecia com a reunião de todos os agricultores. Em Itapeva, era com o agricultor da unidade de observação e com o movimento social.
Isso acontecia devido às divergências de participação política entre a família do agricultor referência e o movimento social. Estes diziam que a unidade de observação participativa do agricultor não dialogava com o assentamento. Logo, buscávamos intermediar aquilo que o movimento e a escola tinham como referência agroecológica e o que a família do agricultor considerava como agroecologia .
Isso aconteceu em um primeiro momento, posteriormente nas atividades que se seguiram, juntamos as propostas de ambas às partes, que foram discutidas e escolhidas pelo grupo de agricultores que estavam participando.
No Sepé, durante os momentos de planejamento sempre haviam pessoas que estavam vindo pela primeira vez, o que gerava certo impasse. As discussões eram a respeito das ações, se estas se voltariam para envolver os assentados mais novos ou se os esforços seriam para consolidar as experiências mais antigas. Chegou-se ao consenso que tentaríamos trabalhar nas duas vertentes, ou seja, a partir da consolidação das experiências, envolveríamos os agricultores menos experientes.
No Assentamento Pirituba, percebemos que as divergências entre o agricultor referência e o movimento, não era em relação à técnica agroecológica, mas principalmente em relação à consideração sobre
qualidade de vida. Para a maior parte dos assentados militantes a qualidade de vida estava relacionada ao poder de compra e ao acesso aos lazeres que a cidade proporciona.
Para a família do agricultor o importante era comer bem, com alimentos de qualidade e dar uma boa educação aos filhos, mas não necessariamente uma educação formal, mas sim uma educação da moral campesina. Para eles deveríamos ter cuidado com a escola formal, principalmente de nível superior da área de agrárias, porque essa ensina aos próprios filhos de agricultores familiares, a atuarem contra sua forma de vida educando-os a agirem contra o ambiente, com a utilização de veneno, monocultura e os incentivando a criação de dividas, ou seja, desconstruía tudo o que eles já haviam ensinado.
Quando perguntávamos sobre seus sonhos, esses estavam muito ligados à permanência da família na terra e a volta da diversidade dos animais e plantas ao lote, ao prazer de poder praticar suas tradições. Algumas vezes ele nos chamou a atenção para a lógica campesina, que deveríamos nos esforçar para entendê-la.
Isso não quer dizer que não tinham ambições materiais, como por exemplo, a questão de transporte, da qual tinham muita dificuldade de acesso, mas sim que não era a prioridade, estando à questão da integridade ética em relação à questão ambiental, social e política em primeiro plano.
Com esse exemplo, pode-se discordar do que afirma Gomes (2012), quando esse menciona que os agricultores que participam não são os agricultores pobres e sim aqueles que possuem condições mínimas, como facilidade para escrever, entender, investigar. Pode ser que em determinado contexto, isso seja real, no entanto no nosso, não é possível concordar com essa afirmação, já que essa família em relação aos outros agricultores na Pirituba eram os que possuíam menos condições econômicas, políticas e até sociais. Como eles outros agricultores tanto no Sepé Tiaraju como em Andradina, não sabiam ler nem escrever e construíram e participavam das unidades de observação participativa, aliás, eram os que mais acreditavam no sistema.