• No results found

Utvalgte døgn i perioden 29. januar - 20. februar 1999

In document 37-2001-lhs-stl.pdf (1.360Mb) (sider 27-36)

4 Beregningsresultater

4.1.1 Utvalgte døgn i perioden 29. januar - 20. februar 1999

Dados sobre a contribuição da comunicação para a garantia da Segurança Alimentar

15. Como pode contribuir a Comunicação para o Desenvolvimento para a percepção do Direito à cidadania em sociedades pós-conflito?

16. Poderá a Comunicação para o Desenvolvimento contribuir para a consolidação de a Segurança Alimentar em sociedades pós-conflito?

Entrevistas realizadas em Portugal

APÊNDICE B – Entrevista com Pedro Krupenski – 20/11/2009

Advogado e Diretor da Amnistia Internacional - Portugal

CLARA: Bom dia. Eu gostaria de saber alguns dados referentes à ajuda prestada pela Amnistia Internacional. Qual o escopo das intervenções de ajuda humanitária e desenvolvimento realizadas por sua organização?

PEDRO: Bom, antes de mais, gostaria só de fazer aqui uma contextualização do tipo de trabalho que a Amnistia desenvolve. Eu estava lendo aqui o questionário e vi que fala muito em projetos, que fala muito em doadores. E em relação a essas duas vertentes pelo menos, a Amnistia é bastante atípica. É uma organização que serve – e para isso nasceu – para promover os direitos humanos e denunciar a sua violação, e como tal, para garantir alguma independência, imparcialidade relativamente às denúncias que vai fazendo, optou desde o primeiro dia por não obter fundos de doadores coletivos, vive, e centra basicamente nas doações e nas cotas pagas pelos membros associados pelo mundo afora. E, portanto, não temos uma relação direta com a maior parte das organizações (...) particularmente as que trabalham em ajuda humanitária.

Em comparação, há uma relação de doadores, e de beneficiários, através da elaboração de projetos, de acordo com as headlines feitas por estes doadores, para recorrermos a qual financiamento para nossa ação. E, portanto, nessa medida, somos bastante atípicos, isto para dizer que não funcionamos com base em projetos e não funcionamos com base em co-financiamento público. E como é óbvio, temos programação do nosso trabalho e que é feito, não só em escala nacional, mas cada vez mais de forma concertada com todo o movimento, com as outras facções que existem em 56 outros países e também com o Secretariado Internacional, que leva a cabo aquilo que são as campanhas globais.

Falamos muito em campanhas e não tanto em projetos, embora no âmbito das campanhas (...) vários projetos e esses são implementados por países que entendem implementá-los, pois há projetos, que chamamos de Projetos WOOC, que é Work on Own Country, portanto trabalhando no próprio país e que tem muito a ver com a realidade dos direitos humanos em cada país. Em suma, todas essas campanhas têm a ver com áreas dos direitos humanos que foram, consensualmente, entre as várias facções e o Secretariado Internacional, consideradas como prioritárias.

Portanto, temos uma grande campanha sobre a violência contra as mulheres, temos uma grande campanha de controle das armas, temos uma grande campanha relacionada agora com a pobreza enquanto violação dos direitos humanos. E essas campanhas, são campanhas normalmente plurianuais, normalmente de 5 a 6 anos. E, no âmbito dessas campanhas, vão se levando a cabo várias atividades: atividades de sensibilização da opinião pública, de lobby direto com as instituições políticas envolvidas nisso, de campanhas de comunicação, de ativismo puro e simples. E naturalmente, todas essas atividades são como dizia, feitas no

cumprimento de uma planificação previamente feita e financiada pelas cotas pagas pelos membros associados.

CLARA: Existem algumas dificuldades que sejam recorrentes nessas campanhas? PEDRO: Há, de fato, algumas dificuldades, e em um movimento como da Amnistia, que é um movimento de ativismo, em que o valor acrescentado dessa organização seria o envolvimento individual de cada pessoa, enfim, de alguma forma, com a sua consciência social inquieta, vir para a rua e, como cidadão, exigir o cumprimento dos direitos humanos por quem o esteja violando. O que muitas vezes sentimos, e isso é uma tendência sentida em todo movimento, é que o ativismo, no sentido tradicional, está mudando de configuração. Hoje em dia, as pessoas envolvem-se, querem envolver-se, mas envolvem-se de uma maneira muito mais distanciada, não aparecem fisicamente, não querem fazer manifestações de rua e estão muito mais disponíveis para aquilo que já chamamos de “ativismo eletrônico”, ou seja, procurarem re-encaminhar cartas para as instituições políticas, como por exemplo, para um governador qualquer dos Estados Unidos, cujo poder de decisão pode evitar que alguém que esteja na iminência de ser executado no âmbito da pena de morte, não o seja. Estão muito mais disponíveis para pegar uma minuta de uma carta que tínhamos nós feito, nós a Anistia, assinar a carta e re-encaminhá-la para outros destinatários. Estão mais disponíveis para isso do que propriamente se envolverem ativa, física e presencialmente naquilo que é o ativismo.

CLARA: Mas isso não seria um novo ativismo, uma vez que a gente vê que o presidente dos Estados Unidos foi eleito, basicamente, baseando a sua campanha em comunicação na internet?

PEDRO: Não há dúvida, não há dúvida. É uma dificuldade, mas ao mesmo tempo, uma oportunidade. Uma dificuldade, no sentido de que, em quase 50 anos da historia, o ativismo na Anistia foi feito muito com a presença voluntária e ativa dos, enfim, dos membros da anistia e dos simpatizantes da anistia, e agora já não tanto. E, portanto, isso exige de nós – e nessa medida, uma oportunidade – exige de nós um reajuste do nosso modo de fazer as coisas. E a verdade é que o impacto e os resultados que são obtidos por essa forma de ativismo eletrônico, a verdade é que, muitas vezes, não substitui o impacto que tem um conjunto de pessoas na porta de uma Embaixada reclamando do cumprimento dos direitos humanos.

CLARA: O impacto, por que de alguma maneira fica maior a visibilidade perante a opinião pública ou por causa da cobertura dos meios de comunicação social?

PEDRO: Sem dúvida, embora também os próprios meios de comunicação social também estão cada vez mais digitalizados também. Nosso entendimento, por exemplo, há uma publicação anual do Relatório da Anistia, que refere-se à situação dos direitos humanos em todo o mundo, em quase todo o mundo, e esse é um momento que tem que continuar a ter imensa visibilidade junto da mídia. Nós, antigamente, organizávamos – há dois anos que não o fazemos – organizávamos sempre uma Conferência de Imprensa, e uma Conferência de Imprensa presencial, com a presença efetiva dos jornalistas e tinha uma adesão massiva dos jornalistas. Há três anos fizemos, quando começou a mudar o modo de agir, relativamente a essas questões, fizemos uma Conferência de Imprensa e apareceram três

jornalistas, um dos quais era de uma agência noticiosa que recolheu a informação e depois espalhou por todos os meios de comunicação, portanto teve um imenso impacto, mas mais uma vez, sem a presença física das pessoas. É outro modo de fazer as coisas, também eficaz, mas não há aquela relação humana, não há o face to face, aliás, o face to face é o nome do nosso projeto de angariação de membros na rua, de chamarmos mesmo face to face e está experimentado quase por todo mundo que há a Anistia, como tendo justamente um valor a acrescentar, o fato de ser uma conversa cara a cara, nas ruas, as pessoas, devidamente informadas por esse (...) da Anistia, abordam diretamente as pessoas na rua, apresentam a Anistia e mostram às pessoas a vantagem que há para elas próprias e para o mundo em geral, elas se tornarem ativistas da Anistia, tanto que para nós é muito crível, muito desejável esta presença física e ativa das pessoas. No entanto, em termos de impacto nos direitos humanos, tem tanto a mais, porque envolve mais gente, a verdade é essa hoje em dia, com as comunidades sociais virtuais, consegue-se chegar à gente numa velocidade espantosa, que age e age em função daquilo que estamos a pedir, sem se deslocar ao outro lado do mundo.

CLARA: Quando a gente fala em comunicação e fala em doadores, apesar de serem doadores individuais, também são doadores da Anistia. Qual a importância, vocês tem um levantamento ou uma percepção de qual a importância atribuída pelos doadores à comunicação? Digamos assim, especificamente em cima das divulgações das campanhas que são feitas? Campanhas, as ações feitas, na divulgação dessas ações, que os doadores saibam o que estão construindo?

PEDRO: Claro, é verdadeiramente fundamental e passou a ser ainda mais, a partir do momento em que nós começamos a associar a angariação de membros da Anistia a campanhas específicas. Até a relativamente pouco tempo, desafiávamos as pessoas a juntar-se a essa luta pelos direitos humanos em abstrato. E chegamos à conclusão que haveria pessoas que estariam muito mais interessadas em fazer parte da Anistia para lutar por uma causa específica no âmbito de uma campanha, do que simplesmente fazerem parte da Anistia pelos direitos humanos em geral... CLARA: Segmentação de marketing...

PEDRO: Exatamente, é isso mesmo. E então ainda se torna mais necessário do que já era, a comunicação dos resultados. Ou seja, as pessoas não só se tornam membros, mas dão do seu tempo, dão inclusivamente do seu dinheiro, cota e, portanto, temos a estrita obrigação de dar conta às pessoas, de como é que estamos a administrar o seu dinheiro e como é que estamos a envolver. E temos o cuidado de fazer, há uma comunicação muito próxima com os 12.000 membros que temos e que não é fácil, justamente porque são 12.000, mas temos seis diferentes newsletters eletrônicas, uma das quais especificamente para questões de accountability, e essa é bimensal; portanto, em cada dois meses mostramos a evolução da situação financeira: quantos membros angariamos o que isso representa em termos de income, de receitas, o que vamos fazer o que já fizemos. Uma newsletter muito simplificada, não é um relatório financeiro massador, chato, mas com os gráficos a explicar muito bem o que é feito com o dinheiro.

PEDRO: Normalmente digital, mas normalmente, no processo do tal face to face de angariação de membros, os membros que consentem em aderir a Anistia preenchem uma ficha e nessa ficha, que é a ficha de membro, escolhem a forma como querem receber toda a informação que lhes enviamos. A grande maioria tem escolhido receber por e-mail, mas se alguém porventura, diz que prefere receber por correio postal, nós temos essa indicação na base de dados e, portanto, toda essa informação que sai vai por correio postal.

CLARA: Como descreveria a receptividade dos beneficiários às campanhas que foram implementadas nos últimos dois anos pela Anistia?

PEDRO: Eu diria que um dos pontos fracos da Anistia é conseguir olhar o impacto junto dos beneficiários. A Anistia começou muito por trabalhar apenas em casos individuais: eram prisioneiros de consciência, prisioneiros políticos, pessoas concretas, senhor A, B, C. A Anistia continua a fazer isso, e, nesse caso, é muito fácil acompanhar a evolução da situação e naturalmente avaliar a satisfação e a receptividade realmente dos beneficiários. Em outras áreas, que também é um trabalho que ocupa muito dos recursos e dos esforços da Anistia, é um trabalho muito de lobby para construção de legislação internacional, de tratados e convenções internacionais, e isso não só o ritmo – e a evolução disso – é muito mais lento, como também os resultados são mais intangíveis, é mais difícil de avaliar. Portanto, estamos em construção de alguns mecanismos de avaliação de impacto para conseguirmos ter uma corretíssima avaliação do impacto junto aos beneficiários. Muitas vezes temos um feedback muitíssimo satisfatório, conhecemos casos concretos, e temos isso comentado em cartas enviadas por um prisioneiro qualquer que esteve injustamente preso em El Salvador e que esteve isolado durante não sei quanto tempo e disse que nos anos em que esteve na prisão, a única coisa que lhe chegava às mãos eram as cartas dos membros da Anistia dizendo: não se preocupe, nós estamos a tratar do seu caso e não vamos esquecer. E ele depois, viu resolvido o seu caso e fez de dar conta disso à Anistia, dizendo que aquilo foi lhe dando esperança, aquilo foi lhe dando ânimo na situação em que estava, foram as cartas que os membros da anistia lhe faziam chegar, tanto que temos realmente apreciação do que os beneficiários da nossa ação vão sentindo relativamente ao nosso trabalho, mas há áreas em que isso é mais difícil de avaliar e quantificar.

CLARA: Essas campanhas promovidas pela Anistia, elas tem uma verba para ser investida em comunicação? Existe um percentual destinado?

PEDRO: Para a comunicação, é concreto, sim, definitivamente, sim. Eu diria que o trabalho da Anistia se assenta em dois eixos fundamentais: um dos eixos parte da investigação. Há muito esforço dedicado à investigação, investigação essa que no fundo passa um bocado pela monitorização da implementação dos direitos humanos. Por um lado olhamos para o que os estados se comprometeram via tratados internacionais, via legislação internacional, o que se comprometeram a fazer em termos de direitos humanos; depois confrontamos isso com a prática, e se não houver coerência entre uma coisa e outra, nós estamos perante um abuso, a uma violação dos direitos humanos e, portanto, agimos em inconformidade. Mas sempre baseados em casos concretos, não em coisas etéreas e abstratas, é sempre em casos muito assim, concretos. E depois dessa investigação, partimos para a

ação. E a ação que segundo, eu acho importante, passa muito pelo setor da comunicação, não só pela comunicação direta com o nosso target nesse momento, mas justamente com a comunicação para envolver o maior número de pessoas nesta luta, na pressão que estamos a fazer, para a resolução da situação em caso, e isso é verdadeiramente fundamental. Temos um contato, muito assim, regular e muito ágil com os meios de comunicação social e com pessoas em concreto, quer dizer, não temos apenas os e-mails ou os faxes das relações, há pessoas em concreto com quem mantemos uma relação muito próxima, com a mídia em geral, incluindo todos os meios. E depois também, uma comunicação muito ágil com os nossos membros, em particular com aqueles que manifestaram e tem manifestado interesse em participar ativamente nestas várias ações. Porque há pessoas que de fato são consideradas membros da Anistia, mas que escolhem ter um papel mais pacífico, quer dizer, querem ser informadas, pagam a sua cota, mas não tem disponibilidade, ou às vezes interesse, em intervir mais diretamente. Mas sim, isto para dizer que a comunicação é uma das componentes fortíssimas e, portanto, há de fato, muito investimento nesta parte. Felizmente, temos, no âmbito das campanhas, temos tido o apoio de muitas empresas ligadas ao setor, e é uma parceria win-win, como se costuma dizer. Estas empresas de publicidade também, pois, podem concorrer aos festivais que (...), e, portanto, com os portfólios deles com este segmento de publicidade para os direitos humanos ou publicidade, e é um pouco isso é aquilo que lhes damos em troca, para, obviamente, podermos passar os tais recibos ao abrigo da lei de mecenato, que lhe dá benefícios fiscais. Mas a grande catch, além do interesse que eles têm em pessoalmente produzir campanhas para questões humanitárias e por questões de direitos humanos e não para vender margarina, que também é a função deles, dá-lhes mais gozo criativamente, pensar numa campanha para vender uma causa do que vender um produto. Portanto, eles se sentem mais estimulados nisso e temos tido um excelente apoio nesse nível para divulgar as campanhas. Portanto, essa é uma outra vertente da comunicação, é uma comunicação em massa, a par da comunicação mais direcionada para os meios de comunicação por um lado e para os membros por outro.

CLARA: Percebe-se alguma prioridade de divulgação quando é iniciada uma nova campanha? Se existe, qual é a mais frequente?

PEDRO: A mais frequente, normalmente, justamente através dos meios de comunicação social, porque é o que chega, de fato, ao maior número de pessoas e de alguma forma, depois remete-se novamente para nós, se as pessoas têm interesse em envolver-se, mesmo que não sejam membros da Anistia. Até porque as mensagens e os apelos que a Anistia faz são normalmente apelos a ação de cidadania. O problema dos direitos humanos é um problema de todos nós e, portanto, aquilo que nós fazemos normalmente é chamar a consciência das pessoas justamente para essa (...) das coisas, a dignidade de alguém concreto está a ser atentada, isso significa que a minha própria dignidade enquanto ser humano também está a ser atentada, nessa medida eu próprio também devo agir para superar essa situação. E, portanto, sendo os meios de comunicação social aqueles que mais eficazmente chegam ao maior número de pessoas, muitas vezes, na maior parte das vezes, nos utilizamos dessa forma. Agora, depende justamente da finalidade, depende do tema, depende às vezes, da sensibilidade da questão; muitas vezes não podemos divulgar, sob o risco de agravar ainda mais a situação da pessoa em concreto, cujos direitos estão sendo violados, e, portanto, depende muito

de caso para caso, mas genericamente, diria que o principal recurso são os meios de comunicação social.

CLARA: Houve divulgação aos beneficiários dos resultados das últimas campanhas que foram realizadas? De comunicação, nos últimos dois anos?

PEDRO: Sempre, há de fato, sempre essa preocupação e até, mais uma vez, enfim, de marketing aplicado a essas questões, chegamos um pouco à conclusão de que o registro comum das nossas comunicações era, por um lado sempre apelativo, estávamos sempre a pedir que as pessoas se envolvessem que as pessoas participassem que as pessoas doassem, e por aí afora e normalmente, com uma carga um bocado negativa, porque era sempre aqui uma situação de violação dos direitos humanos, aqui uma situação de abuso. Portanto, sentíamos que a nossa comunicação estava um pouco pesada e que quebrava ao meio, porque as tantas depois, não dávamos o feedback relativamente a isso, e justamente, tendo tomando consciência disso, sequenciamos o processo de comunicação. Continuamos, naturalmente, a fazer o apelo. O apelo normalmente inclui, não só a adquirição da situação em causa, mas já inclui proposta de solução, portanto já há ali, um aspecto mais positivo. E depois, num segundo momento, quando houver resultados, damos tempo para o feedback, damos sempre a conhecer o que aconteceu ou o que não aconteceu depois do envolvimento das pessoas nesse trabalho.

CLARA: Existem limitações referentes à comunicação nessas campanhas que sejam recorrentes?

PEDRO: Sim, eu diria que sim. E as limitações são, normalmente, ou a agenda midiática está ocupada com assuntos, enfim, se há um campeonato de futebol, por exemplo, não há espaço para mensagens da Anistia.

CLARA: Pensei que fosse só no Brasil, isso...

PEDRO: Não, não, é universal, mundial, essa é de fato uma limitação. E outra é nossa própria dificuldade em perceber o que poderá acolher entre esse público, e somos surpreendidos às vezes, por coisas que nós achamos que não vai acolher com aquele interesse público de jornalistas, já alguns temas que são talvez mais ligados à legislação internacional, a grandes tratados e tal e achamos que são matérias técnicas e, portanto não terão grande apetência do público, mas às vezes tem. Ou por outro lado, questões que nós achamos que no contexto português não terão muito interesse e acaba por ter, muitas vezes somos surpreendidos por isso. Lembro, por exemplo, o ano passado, quando houve o ataque, aquele problema que houve na Ossétia do Sul, uma pequena guerra entre Rússia e a Geórgia a propósito justamente dos territórios da Ossétia do Sul, eu pensei que era uma questão que, enfim, que teria espaço em algumas páginas de jornais, mas que não acolhesse o interesse que acolheu e foi durante praticamente duas semanas diariamente de entrevistas e a televisão, rádios, jornais, sobre a questão nossa aqui do sul, eu pensei que a Ossétia do Sul não era assim um tema muito sexy em Portugal, mas aparentemente, foi definitivamente foi. Às vezes há essa dificuldade, percebermos o que pode interessar ou não ao público e, às vezes com a convicção de que interessa bastante, sermos confrontados com a agenda midiática ocupada com outras coisas.

CLARA: Quando vocês são surpreendidos positivamente pelo interesse, existe um trabalho conjunto em divulgação da própria Anistia e angariação de membros nessas ocasiões?

PEDRO: Não propositadamente, mas, ou seja, não capitalizamos esse interesse... CLARA: Não deveriam?

PEDRO: Naturalmente, sim, mas não o fazemos de uma forma tão imediata porque não queremos naturalmente também passar a imagem, porque não corresponde à realidade, de que tiramos proveito de algumas questões mais preocupantes do ponto de vista dos direitos humanos para capitalizar isso a favor da organização. O que, pois, procuramos fazer é se determinada situação teve fatos (...), demonstrar que assim como podemos agir e agimos nessa situação, com impacto, de modo a

In document 37-2001-lhs-stl.pdf (1.360Mb) (sider 27-36)