3 Metodebeskrivelse av spredningsberegningene
3.6 Usikkerheter i beregningene
O Primeiro Congresso Mundial de Comunicação para o Desenvolvimento aconteceu nas dependências da FAO, em Roma, Itália, em outubro de 2006. Foi organizado pelo Banco Mundial, pela FAO e pela Iniciativa de Comunicação, reunindo mais de 900 participantes vindos de todas as partes do mundo para expor ideias, apresentações e projetos e fazer recomendações para futuras práticas.
O evento global congregou, pela primeira vez, os três principais grupos com participação em Comunicação para o Desenvolvimento – os profissionais, os acadêmicos, os criadores de políticas e tomadores de decisão. Estiveram reunidos mais de 200 jornalistas e representantes da mídia local, nacional e internacional que divulgaram o evento ao redor do mundo. O congresso reuniu trabalhos de pioneiros, profissionais atuantes e acadêmicos, além de políticos interessados na Comunicação para o Desenvolvimento.
Apesar de Comunicação para o Desenvolvimento ser estabelecida como uma disciplina e ser reconhecido que, em muitos níveis, a comunicação é essencial para o desenvolvimento, o público em geral e decisores de políticas ainda desconhecem o que ela envolve. Uma das propostas do congresso mundial de Comunicação para o Desenvolvimento para minimizar essa falha foi demonstrar como e por que a Comunicação para o Desenvolvimento deve ser introduzida em políticas e processos de desenvolvimento. Para isto, os organizadores do World Congress on Communication for Development (WCCD) e os membros dos diversos comitês concordaram em elaborar sete princípios que descrevem o que é a disciplina de Comunicação para o Desenvolvimento49, que relatarei a seguir.
1. É, em primeiro lugar, e como mais importante, sobre pessoas e o processo necessário de facilitar o seu compartilhamento de conhecimento e percepções para possibilitar uma mudança e desenvolvimento positivo. Mídia e tecnologia são ferramentas para isso, mas não um fim em si mesmas.
2. É baseada no diálogo e na necessidade de promover a participação de todos os stakeholders. Cada participação é necessária para entender as percepções dos demais stakeholders, perspectivas, valores e atitudes, e praticas que podem ser incorporadas no esboço e na implementação das iniciativas de desenvolvimento.
o49 A versão final do estudo foi revisada e editada pelos três mebros da secretaria: Mario Acunzo, Chris Morry, e Paolo Mefalopulos.
3. È significativo haver duas vias, um modelo horizontal e não o tradicional modelo vertical de uma via, Emissor-Mensagem-Canal-Receptor, e incrementar o uso de formas emergentes e interativas de comunicação, possibilitadas pelas novas tecnologias. Sempre que utilizado o modelo unidirecional (por exemplo, em campanhas) a comunicação deverá ser facilitada e seu entendimento deverá levar em conta as percepções, prioridades e conhecimento das pessoas.
4. É dar voz para aqueles mais afetados pelas questões do desenvolvimento para seu crescimento, ajudando-os a participarem diretamente na definição e implementação de soluções, e na identificação de diretrizes para o desenvolvimento.
5. É reconhecer que a realidade é socialmente construída de forma abrangente. As implicações são: que pode haver diferentes realidades (ou diferentes percepções da mesma realidade) para a mesma situação, de acordo com percepções e necessidades de grupos específicos. Assim, a base do desenvolvimento - e por extensão da comunicação – não é “impor” a correta realidade, mas fomentar o diálogo para facilitar o entendimento mútuo sobre diferentes perspectivas. Comunicação para o Desenvolvimento, por isso, respeita e trabalha com diferentes fundamentos sociais, religiosos e culturais das pessoas, das comunidades, e de nações engajadas no processo do desenvolvimento.
6. Comunicação é contextual. Isto é, não há uma fórmula universal capaz de adaptar-se a todas as situações; por isso necessita ser aplicada de acordo com os contextos cultural, social e econômico.
7. Utiliza inúmeras ferramentas, técnicas, mídias a métodos para facilitar o entendimento mútuo e definir e construir diferentes percepções. Proporciona ações direcionadas à mudança, de acordo com as necessidades particulares das iniciativas de desenvolvimento. Essas ferramentas e técnicas poderão ser utilizadas em um trajeto integrado e são mais efetivas quando usadas no início das iniciativas de desenvolvimento.
Na declaração final do congresso, as mesas redondas endossaram a ideia de que fossem identificadas pelo WCCD as seguintes assertivas como questões- chave:
Como expandir comunicação nos níveis local e nacional nos processos e políticas de desenvolvimento
Como demonstrar a adição de valor e o impacto da Comunicação para o Desenvolvimento e como incorporá-la nas políticas governamentais, internacionais e dos doadores
Como adaptar para as novas e rápidas mudanças do meio ambiente resultantes da globalização, privatização, pressão ecológica, descentralização dos serviços, explosão da mídia, e emergência de novos atores sociais
Como equilibrar a rápida expansão das tecnologias da informação e da comunicação (ICTs) [referente à designação na língua inglesa, information and communication Technologies] com a distância contínua entre conhecimento e informação – e a participação relativamente limitada dos mais pobres no processo de desenvolvimento
Cinco principais questões emergiram como áreas prioritárias para colaboração entre as agências das Nações Unidas, Organizações não Governamentais e acadêmicas: (i) advocacy, (ii) conhecimento e capacitação, (iii) construção de alianças, (iv) pesquisa, monitoramento e avaliação e (v) compartilhamento de informação (FAO, World Bank, 2007).
4.3.1 A FAO e a Comunicação para o Desenvolvimento em Projetos de Ajuda Humanitária
A agenda da FAO é muito clara sobre levantar questões relacionadas aos direitos e deveres dos cidadãos de um país, em torno dos recursos naturais que pertencem ao espaço público. Reconhecimento das terras de comunidades que estão nelas há séculos, o que é a base para a construção de qualquer hipótese de recuperação em conflitos e desastres naturais. Assistir a populações afetadas por essas circunstâncias são as atividades básicas da FAO. A organização trabalha com comunidades inteiras e atende grupos desfavorecidos, mulheres, indígenas e cidadãos marginalizados, o que reduz o custo individual.
As dificuldades recorrentes nos projetos relacionam-se com envolver os parceiros governamentais nas atividades, dificuldades logísticas e conseguir que a comunicação seja incorporada desde o início do projeto como fator estratégico. Presente desde a fase do diagnóstico, passando pelo planejamento, implementação e a avaliação. Outro problema é a falta de clareza sobre a diferença entre comunicação como informação e gestão do conhecimento; e a Comunicação para o Desenvolvimento como um processo de empoderamento, de gestão local do conhecimento, de informações e dos processos informacionais. São âmbitos diferentes, outros aspectos da comunicação, complementares. E, é claro, a sustentabilidade econômica, pois os próprios ministérios dos países atendidos não incorporam nas próprias políticas recursos, fundos, para financiar as atividades de Comunicação para o Desenvolvimento.
Outra questão relevante é o fato de que as intervenções precisam de tempo, o que dificilmente é adequado em termos de visibilidade ao doador. É preciso tempo para construir relações de confiança e para sensibilizar os governos a abrirem a Caixa Preta do assunto Terra. Apesar do direito à alimentação ser um direito humano – protegido pelo pacto de 66 - não existe uma verdadeira visão de direitos humanos dentro da FAO. A unidade Right to Food foi criada há apenas seis anos, o que é considerado sintomático.
Não existe uma linguagem de direitos humanos dentro da FAO. E hoje não deve ser dito mais target beneficiary, falar de beneficiários. Hoje devemos nos referir às pessoas como rights holders. E na FOA essa é uma linguagem totalmente
estranha. Existe na organização um documento que fala de values e não aparecem os direitos humanos.
Uma organização das Nações Unidas que não insere em seus valores os valores humanos exibe um problema de cultura organizacional. A FAO em sua essência é uma organização técnica. E, por isto, em sua cultura a técnica é o fator predominante. As demais questões como comunicação, gestão de projetos ou comunicação, são vistas como secundárias, apesar da longa tradição e o pioneirismo da FAO no assunto.
Será preciso desenvolver uma atitude positiva em relação à comunicação dentro da própria FAO. E uma parceria no sentido de trabalhar a própria visibilidade com as demais agências das Nações Unidas, será bem vista. A FAO não é muito orientada para a comunicação como podem ser a UNICEF ou o Programa Mundial de Alimentação (PMA), por exemplo. Mas está sendo iniciada uma reflexão em nível global na FAO sobre a comunicação. Não só para o Desenvolvimento, mas também para a Emergência. No caso de distribuição de alimentos, por exemplo, é fundamental a comunicação já nessa fase da emergência.
5 CONCLUSÃO
“Para haver participação tem que haver comunicação
.”
Jacques Diouf apontava a importância decisiva da comunicação para promover o desenvolvimento humano. O Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação afirmava, em 1994, que os programas de desenvolvimento poderiam ter resultados promissores se os conhecimentos e tecnologias fossem efetivamente compartilhados com uma população empenhada e motivada em alcançar o êxito comum.A população deveria ser a força motriz de seu próprio desenvolvimento na conquista de uma melhora permanente em seu nível de vida. A comunicação seria decisiva ao serem formulados os programas de desenvolvimento e permitir nesse processo a consulta à população. E, também, perceber suas necessidades e atitudes para a valorização dos seus conhecimentos tradicionais. A existência de denominadores comuns às questões relacionadas com o desenvolvimento, defendida por Fraser e Villet (1994) apontava como prioritário o fator humano. A participação da população definiria o resultado positivo, mais que o aporte científico ou material que um projeto poderia viabilizar. Esse discurso foi datado quase quinze anos após a divulgação do Relatório MacBride, mas a concretização das recomendações da Comissão ainda esperava por se fazer.
A pergunta que me impus agora, quando se passaram já trinta anos da divulgação do Relatório, é se essa discussão ainda seria atual. E a resposta que encontrei foi a de que enquanto uma questão do nosso tempo não foi resolvida, continuará sendo atual. Ouso afirmar que o tema da Comunicação para o Desenvolvimento, a comunicação que pressupõe a participação religa-se ao da Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação. E que, essa, após todos esses anos em compasso de espera, está se concretizando. Chega num processo revolucionário e espontâneo. Simplesmente aconteceu. Contra tudo e contra todos. Os membros visionários da Comissão acreditavam que ela só aconteceria se fundamentada nos direitos individuais à livre expressão e informação. E que estes teriam como pressuposto básico o direito à associação, à participação, à organização para a busca de uma nova sociedade (MacBride, 1983).
O mundo assistiu a um processo que mobilizou milhões de pessoas e que vingou apesar de não ter tido possibilidade ou direito à associação, à liberdade e a livre expressão.
Com a força de um tsunami a comunicação eclodiu a princípio frágil sem outro poder que o da vontade popular, em sociedades em conflito latente. E com palavras de ordem pela liberdade, pela justiça e pelos direitos humanos derrubou regimes e instaurou a comunicação planetária a serviço da democracia. Concretizada pelas redes sociais e pelas ondas de celulares. Apesar das proibições e das restrições técnicas. A Nova Ordem surge nos países do sul, portanto, de forma verticalizada, mas agora partindo da base. Foi uma conquista e não uma permissão. Os países que representavam as antigas colônias libertas que eram os mitigantes do acesso paritário à comunicação junto à UNESCO nos anos 1960, viraram o jogo. Foram esses a instituírem esta nova forma de usar a comunicação como instrumento de luta no ano 2011. O que se constitui, a meu ver, em uma nova ordem. Essa nasceu do conflito, da luta, fez mártires. E não da paz, como imaginaram seus postulantes há trinta anos. Uma nova ordem que eu já havia pressentido ao realizar a entrevista com o diretor da Amnistia Internacional em Lisboa.
Há uma tendência sentida em todo o movimento, disse-me Pedro Krupenski, de que o ativismo no sentido tradicional está mudando de configuração. Nas campanhas globais da Amnistia - simultâneas nas entidades congêneres existentes em outros 56 países - a participação hoje se dá pelo que nós chamamos de “ativismo eletrônico” com o re-encaminhamento de cartas e abaixo assinados que percorrem em poucos minutos o mundo inteiro. “As comunidades virtuais conseguem chegar à gente numa velocidade espantosa, que age e age em função daquilo que estamos a pedir, sem se deslocar ao outro lado do mundo” afirmou o dirigente. Apesar de não contar mais com a pressão de um grupo protestando na porta de uma embaixada, reclamando o cumprimento dos direitos humanos, o impacto do ativismo eletrônico é muito maior.
E na própria relação com a imprensa também se repetiu o fenômeno. As “Conferências de Imprensa” que eram organizadas pela anistia, com o comparecimento massivo e efetivo dos jornalistas, não são mais realizadas desde 2007. Krupenski relatou que em 2004 foi feita a última conferência de imprensa, pois ficou nítido que havia mudado o sistema. “Apareceram apenas três jornalistas e uma agência noticiosa que recolheu a informação e espalhou por todos os meios de
comunicação. Teve um imenso impacto, mas, mais uma vez, sem a presença física das pessoas. É outro modo de fazer as coisas, sem o face-to-face”.
Assim, mais uma vez, a participação física e a livre associação não acontecem, mas a comunicação se dá de forma portentosa em outra forma de participação, que em meu entendimento materializa uma Nova Ordem Mundial de Comunicação e Informação. Essa tem o poder de driblar os meios de comunicação de massa tradicionais, que têm o poder de cercear, bloquear ou censurar a informação. E assim impedir a comunicação.
E para que o objetivo da Nova Ordem possa ser conquistado e sacramentado será necessária a adoção nesse processo de outro modelo comunicação, humanizado, não elitista, democrático e não mercantil, como pregava Luis Ramiro Beltrán, já se referindo à ligação entre o desenvolvimento rural e Comunicação para o Desenvolvimento. Uma forma que se constitui em germe de uma comunicação participativa e associativa como caminho para a construção de sociedades mais humanas e solidárias. A Comunicação para o Desenvolvimento inclui a mídia livre, plural e o direito à informação e à comunicação a serviço da resolução de questões globais de interesse público. Como o preconizado pela comissão MacBride que colocou aos olhos do mundo a comunicação como um dos direitos humanos, não sem provocar polêmicas internacionais por isso. [...] “O direito à comunicação constitui um prolongamento lógico do progresso constante em direção à liberdade e à democracia” (MacBRIDE, 1983, p. 287). O relatório traz associada ao conceito Comunicação uma nota relativa ao comentário feito, na época, por Sergei Losev, o representante da ex-União Soviética: “o direito à comunicação não é um direito reconhecido, nem no plano nacional, nem no plano internacional. Por conseguinte, não deveria ser examinado tão amplamente nem abordado desse modo no nosso relatório.” Os Estados Unidos foram mais proativos. Por discordarem do conteúdo que constituía o Relatório MacBride retiraram-se da UNESCO em 1980, seguidos da Grã-Bretanha. Obviamente o dinheiro que aqueles países aportavam para a organização e que significavam cerca de noventa por cento da verba total, foi retirado também.
Os elementos integrantes do direito à comunicação foram formulados pela comissão como sendo o direito de reunião, de discussão, de participação; o direito de questionar, de ser informado. E ainda outros direitos como o de associação, o
direito de fazer perguntas e que não foram contemplados no norte da áfrica e no Oriente Médio. Mas a comunicação derrubou regimes, mesmo assim. Nesse processo revolucionário, a comunicação das novas tecnologias, feita em rede, mediou a liberdade, o acesso, a participação, o diálogo e o equilíbrio de poder. Em um mundo onde a comunicação seja mais democrática, seja um direito e seja formativa e de voz aos despossuídos, os horizontes dos homens se ampliarão rumo a equidade. Ideais de uma outra ordem de comunicação. A ordem da Comunicação para o Desenvolvimento.
Considerações finais e limitações desta tese
Apesar de atuar há décadas como jornalista, foi muito difícil escrever esta tese. Aliás, para mim passou a ser difícil escrever quando entrei em meu primeiro mestrado, no final dos anos 1990. Descobri como era difícil ler. Logo para mim que me alfabetizei lendo a coleção inteira de Monteiro Lobato, há muito esquecida numa prateleira em meu esconderijo na casa da infância. Os donos dos livros já eram adultos e eu, criança, encontrei a Emília, o Visconde de Sabugosa, o Pedrinho e a Narizinho, muito antes de se tornarem personagens em programas infantis. Mas a leitura técnica, em um volume enorme e com prazo curto, era diferente também daquela da graduação. Não mais ler para saber ou para lazer. E quando descobri o quanto eu ignorava de tanta coisa que havia para saber, parei de escrever. Pois escrever se tornou um sofrimento. Escrever para alguém avaliar. Não mais escrever para informar a opinião pública. Ou escrever para registrar meus pensamentos. Passou a ser escrever para sistematizar o meu conhecimento sobre um campo.
Penso que na escritura da tese voltei ao princípio da trajetória e à insegurança de pensar se o que produzi poderá ser válido, ter utilidade, contribuir, de alguma forma. Posso dizer que eu sempre quis ficar em uma zona de conforto. No entanto, sempre fui levada a ter que enfrentar o desconhecido, o novo. Descobri com o passar do tempo, que a única coisa que é segura e definitiva é o processo da mudança. Do mundo, dos outros, de nós mesmos. E que a vida é um exercício contínuo da busca pelo equilíbrio na adversidade, no crescimento, na impassividade.
Sim, porque este incessante transformar permite que o novo se apresente e se transforme. Ou, nos transforme. E que seriam aborrecidos os dias, os meses, os anos, se tudo fosse estanque, passivo, igual.
É engraçado como o processo de construção desta tese parece que confirmou este meu sentimento de insatisfação com o usual, com o comum. Ela se tornou um elemento com vida própria e foi me guiando no registro de mudanças que foram ocorrendo à nossa volta. Ela exigiu que eu fosse ampliando minha visão e o meu repertório de vida. E, por fim, ela me levou a um resultado que eu não esperava quando começamos a conviver, quando passei a escrever as minhas ideias na luz. Até o final ela me exigiu, pela própria transformação do mundo nestes cinco anos e, principalmente, neste mês de março de 2011. Exigiu que eu transformasse o meu olhar e ampliasse a análise. E quando me deparei com a dúvida de ser pertinente ou não a abordar um assunto datado de 30 anos - as recomendações do Relatório MacBride - a tese me reservou duas surpresas. A primeira, foi entender que por mais tempo que tenha se passado, se um assunto não foi resolvido, continua atual. A segunda, foi ter vislumbrado que a questão há décadas no compasso de espera, em meu entender agora se resolve e de forma inusitada.
O direito a uma Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação defendido - ao final de forma consensual - pela Comissão MacBride como um direito a ser concedido pelos países hegemônicos, ou a ser conquistado pelos países do Sul, na verdade tomou um caminho não previsto. Em uma ação revolucionária, imprevisível, países africanos subjugados criaram uma Nova Ordem Mundial de Informação e Comunicação de forma vertical a partir da base da sociedade. E da periferia para o centro. Dos países periféricos para o mundo civilizado. Aproveitando a instauração, ou a consolidação tardia da tecnologia de comunicação - que burla censuras, proibições e ameaças, se propagando pelas redes sociais em micro- ondas – as sociedades em rede iniciaram um processo histórico de mudanças socio- políticas, apoiadas pela comunicação interpessoal, que ainda não sabemos como irá reordenar o mundo.
Mas o fato está posto. Nem a atitude autoritária do governo egípcio, de retirar a rede mundial do ar, evitou a sua queda. Pelas ondas simples do celular a comunicação se concretizou e a força da mudança emergiu. E se estende ainda. Ouso dizer que o que era pregado por Sean MacBride tornou-se real. E, convém ressaltar, sem a paridade da comunicação nos países do mundo. O que está a
ocorrer no norte da África e que se propaga pelo oriente médio, acredito, vem a confirmar essa teoria. Essa tese se limita quanto ao desenrolar dos acontecimentos na esfera política internacional, pois foi concluída em 29 e março de 2011.
REFERÊNCIAS
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ADRA. Angola: Construindo a Cidadania num país em reconstrução. Luanda: ADRA (no prelo).
ANAYEGBUNAM, Chike et al. Participatory Rural Comunication Appraisal:Starting with the people, a handbook. 2nd edition. Rome, Italy: SADC. Center of Comunication for Development Harare and Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2004
ARANGUREN, José . Sociologia della Comunicacione. Milano: Il Sagiatore.
Technical Center for Agricultural and Rural Cooperation (CTA) (2006), Assessment of Agricultural Information Needs in African, Caribean ans pacific States for CTA’s Productsand Services. Paper, 1967.
BELTRÁN, Luis Ramiro. Desarrollo rural y communicación social: relaciones y estratégias. Simpósio Internacional Cornell-Ciat, New York, Cornell University apud MacBride, 1974.
BOBBIO, Norberto. O conceito de sociedade civil. Rio de Janeiro: Graal, 1982.