Kommunesektorens inntekter og tjenesteproduksjon
Boks 4.2 Modell for utgiftsutjevningen i dagens inntektssystem
4.7 UTVALGETS VURDERING
A formação de uma cultura das classes trabalhadoras, articulada estreitamente com o desenvolvimento dos meios de comunicação de massas será, agora, objecto de atenção. A cisão entre duas culturas, a cultura inte - lectual do modernismo, e a cultura das massas, analisada por John Carey em
The Intellectuals and the Masses, encontra-se já parcialmente clarificada.37
Importa, contudo, contextualizar de modo mais preciso as condições de cons - tru ção de novas identidades, na primeira metade do século. A formação do Partido Trabalhista, a consolidação das Trade Unions, a expansão de novas formas de associativismo, nomeadamente para finalidades de lazer, são evi - dên cia de novas formações culturais, distintas da cultura erudita. As transfor - ma ções sofridas pela economia britânica e as novas direcções da produção industrial, a instabilidade do Império, a questão da Irlanda e um novo estatuto social reclamado pelas mulheres merecerão referências. A expansão da im pren - sa popular e o aparecimento do cinema e da rádio, como meios de comunicação de massas, vêm re-colocar os problemas de análise já focados, em teoria, no primeiro semestre.
Estes problemas serão, agora, encarados na óptica da produção e recep- ção como actividades relacionadas, mas não necessariamente deter mi na das uma pela outra. O tratamento sistematizado destas questões, que envolvem a imprensa, a literacia, as distinções entre cultura erudita e cultura popular, a rádio e a televisão, terá como base o estudo intitulado “Popular Culture and UM ENSAIO SOBRE A DISCIPLINA DE CULTURA INGLESA I NA FACULDADE DE LETRAS DE LISBOA 91
the Mass Media”, de Celia Lury, publicado em Social and Cultural Forms of Modernity, editado por Robert Bocock e Kenneth Thompson.38
O desenvolvimento e a difusão dos meios de comunicação de massas, entendidos na relação problemática entre a produção e a recepção, será arti - cu lado na prática com o estudo intitulado “The Context, Performance and Meaning of Ritual: The British Monarchy and the ‘Invention of Tradition’, c. 1820-1977”, de David Cannadine.39Este estudo vem perspectivar as modalidades de con -
tro lo da opinião pública, e a formação de identidades colectivas, através da manipulação dos órgãos de comunicação, entre outros instrumentos eficazes para a construção de representações colectivas. Tomando como ponto de partida a criação de uma imagem nacional de monarquia, Cannadine apre senta e des - creve as circunstâncias concretas de criação de rituais destinados a dignificar a imagem dos monarcas britânicos em finais do século XIX e ao longo do século XX, a fim de se reforçarem diversos elementos de identidade nacional.
A consolidação e a expansão da cultura de massas, com as suas raízes populares e associadas às classes trabalhadoras e à baixa classe média, modifi - cada pelos fenómenos de solidariedade patriótica precipitados pela Segunda Guerra Mundial, vêm impor novas perspectivas de análise da cultura. As inovações contidas nas obras de Richard Hoggart e de Raymond Williams serão agora tratadas com maior pormenor, ilustrando a recuperação, para a análise da cultura, de formas diversas de expressão cultural.
O texto de Williams já referido no primeiro semestre, “Culture is Ordinary”, voltará a ser tratado, agora em contexto do desenvolvimento dos estudos culturais. O próprio título indica, desde logo, uma posição contrária ao exclusivismo da cultura erudita, ao situar a cultura no plano comum, do dia a dia. Em termos de teorização evidencia a vontade de conjugar as duas linhas de concepção de cultura, a cultura erudita da Universidade de Cambridge mar - ca da pela influência de Leavis, e a cultura das classes trabalhadoras, transportada pela experiência pessoal de Williams e teorizada por Marx. Este texto, de 1958, representa, assim, uma convergência e um novo rumo na análise cultural. Mas, nos anos sessenta, a síntese entre a tradição e a inovação tornar-se-ia impos sí vel. Não será, no entanto, possível entender estes desenvolvimentos sem primeiro LUISA LEAL DE FARIA 92
perspectivar as mudanças ocorridas no tecido social e político.
O enquadramento das questões políticas, económicas, sociais, ideológicas e das questões relacionadas com as artes, a literatura e as indústrias de entre - tenimento, incluindo a televisão, na segunda metade do século XX, será propor - cio nado através do capítulo “The Cultural and Social Setting”, contido no volume 9 de The Cambridge Cultural History of Britain, intitulado Modern Britain.40Embora existam numerosas fontes para o tratamento destes enqua -
dra mentos, parece-nos que esta síntese percorre todas as temáticas relevantes, de modo claro, conciso e acessível aos estudantes. A problematiza ção em termos de análise cultural só poderá adquirir sentido se forem, primeiro, descritas as circunstâncias de mudança das últimas décadas deste século.
O Welfare State, o advento da sociedade de consumo, os fenómenos da cultura de juventude, a sociedade permissiva dos anos sessenta, as reformas educativas, a formação da New Left, as angústias quanto à ameaça nuclear, o novo conservadorismo dos anos oitenta até à vitória landslidedos Trabalhistas em 1997 são as condições esquematizadas em que se situam os desenvol - vimentos dos estudos culturais no Reino Unido e que deverão ser indicadas como pano de fundo sobre o qual se vai desenvolver, de seguida, a análise.
Uma vez clarificado o enquadramento socio-político do contemporâneo britânico, importa rever a concepção de identidade cultural britânica que se apreende nas últimas décadas. A análise desta questão não poderá deixar de problematizar a tensão que necessariamente se gera recentemente, entre os novos regionalismos politicamente sancionados pelos povos do Reino Unido em 1998, por decisões referendadas, de iniciativa do recém-eleito governo trabalhista, e as tensões da globalização. A apresentação e debate destes pontos serve, também, como sistematização dos temas anteriormente tratados.