3 Metode
3.2 Utvalg, reliabilitet og validitet
relacionadas com os temas tratados no nosso trabalho: aquisição de língua estrangeira e variação linguística; estudos contrastivos entre o português e o espanhol e Interlíngua.
Lima (2008), autora da dissertação de mestrado Interlíngua: Aspectos fonéticos e
fonológicos na aprendizagem do espanhol como língua estrangeira, discute sobre os
aspectos fonéticos-fonológicos que o aprendiz brasileiro de espanhol enfrenta, diante das dificuldades provenientes das duas línguas e/ou pela interferência da língua materna na aprendizagem da língua estrangeira. Dessa forma, baseada na proposta da Linguística Aplicada, leva em consideração as hipóteses de aquisição e aprendizagem da LE e o que isso significa em termos de interlíngua. A autora faz reflexões sobre as semelhanças e diferenças fonológicas, em determinados contextos de aquisição, realizando considerações importantes sobre as características e particularidades da interlíngua de alunos brasileiros do espanhol. A partir de questões históricas entre os sistemas fonológicos das duas línguas, empreendeu um estudo comparativo, particularmente, sobre a origem das vogais e suas diferenças nos dois sistemas. Foram então discutidas questões sobre as vogais em posição pretônica e postônica, finalizando com a autora sugerindo propostas didáticas para auxiliar professores e alunos na superação das dificuldades encontradas no aprendizado de línguas próximas.
González (1994) escreveu a tese de doutorado denominada Cadê o pronome?- O
gato comeu. Os pronomes pessoais na aquisição/aprendizagem do espanhol por brasileiros adultos, na qual analisou como ocorre o surgimento na interlíngua de
brasileiros adultos aprendizes de espanhol. Descreveu um conjunto muito grande de construções que supõem o uso de uma forma pronominal, tônica ou átona, plena ou nula (uma categoria vazia) e de formas pronominais átonas e/ou sintagmas (pronominais e nominais) preposicionados (formas duplicadas ou não). Esses binômios concentram algumas das questões cruciais no ensino/aprendizagem do espanhol por parte de falantes do português brasileiro. Esta pesquisa assume uma hipótese contrastiva, na medida em que levou em consideração o papel que o português detém no processo de assimilação dos pronomes complementos átonos na língua espanhola e como se dá a interferência nesse processo.
Celada (2002), na sua tese de doutorado O espanhol para o brasileiro. Uma língua
singularmente estrangeira, propõe uma discussão sobre a relação que o brasileiro vem
estabelecendo com a língua espanhola. Determina como o discurso desse idioma vem funcionando no Brasil, nos vários aspectos, sob a ideia pré-construída de que a língua espanhola é parecida com o português e, portanto, fácil. Essa ideia passou ao campo dos
estudos sobre essa língua, formando parte de um gesto que fundou uma maneira de interpretá-la, que se conservou como um obstáculo epistemológico.
A autora detalha o complexo processo que passaram a língua espanhola e portuguesa (modalidade brasileira) a um “efeito de indistinção”. Explica como o espanhol é um idioma singularmente estrangeiro para o brasileiro, embora historicamente lhe pareça muito familiar. Essa familiaridade, em muitos casos, o dispensou de estudá-lo. Os brasileiros tratavam o espanhol, portanto, como uma extensão espontânea de sua própria língua, por isso, se difundiu o portunhol, uma língua na qual se projeta um espanhol imaginário, uma forma de se dizer brasileiro. A autora explica, em uma perspectiva histórica, o motivo pelo qual o brasileiro tem a falsa ideia de que os dois idiomas são iguais e desfaz a crença de que não é necessário estudar a língua espanhola, como muitos ainda acreditam.
Durão (2004), no seu livro Análisis de errores en la interlengua de brasileños
aprendices de español y de español aprendices de portugués, se ocupa de sistemas
linguísticos utilizados e produzidos por lusofalantes aprendizes de português em contextos educativos formais, a partir dos princípios da Linguística Contrastiva. Nos capítulos de sua obra, a autora explica sobre a história dos modelos de pesquisa de ensino de línguas estrangeiras: Análise Contrastiva, Análise de Erros e Interlíngua. Depois, analisa os erros de brasileiros aprendizes de espanhol e de espanhóis aprendizes de português, para tentar determinar as fontes que os provocaram. Na análise dos dados destes dois grupos da pesquisa, a autora classifica os erros em ortográficos, fonológicos, morfológicos, sintáticos, morfossintáticos e léxico-semânticos. A autora analisa a interlíngua tanto de brasileiros estudantes de espanhol como de espanhóis aprendizes de português e classifica os erros segundo o critério gramatical.
González (1994), Celada (2002), Durão (2004) e Lima (2008) são trabalhos que tratam da interlíngua dos estudantes brasileiros de espanhol. Ao analisar sua interlíngua, tais obras nos auxiliaram a compreender as principais dificuldades que enfrentam os alunos brasileiros. Além disso, esses estudos nos permitiram refletir sobre os diversos aspectos que podem interferir no caminho percorrido pelo aluno, desde o nível básico até o avançado, levando em consideração a semelhança do espanhol e do português.
Essas pesquisas também fazem uma reflexão sobre as particularidades diferenciais entre esses idiomas, ajudando-nos a entender a interferência linguística. Esse fenômeno,
comum na aprendizagem de línguas estrangeiras, torna-se mais relevante quando tratamos de idiomas afins, como é o nosso caso. A proximidade entre os dois favorece a sensação de que a língua-alvo (o espanhol) é muito fácil de ser compreendida e falada. Contudo, na medida em que o contato com a língua vai sendo aprofundado, as afinidades podem se transformar em divergências, tornando a vantagem inicial uma fonte de dificuldade. Assim, esses estudos nos possibilitaram entender a evolução do trajeto de aprendizagem da língua espanhola dos nossos informantes, enquanto constroem seu território linguístico da interlíngua. De forma que, quanto maior o nível do aluno (como veremos na análise dos resultados), mais ele se aproxima da língua espanhola.