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2   Teoretisk  grunnlag

2.4   Lesing,  leseforståelse  og  balansert  leseopplæring

2.4.2   Leseforståelse

Segundo Gargallo (1993), a Análise Contrastiva mantém uma comparação sistemática entre uma língua materna e uma língua estrangeira, em todos os níveis de suas estruturas, tendo também a função de detectar as áreas de dificuldade na aprendizagem de idiomas, propondo ações metodológicas com a finalidade de facilitar o processo de ensino-aprendizagem. É evidente que a meta da AC consiste em construir uma gramática contrastiva, que possa estabelecer uma hierarquia de dificuldade e elaborar materiais de ensino capazes de evitar erros, algo que inicialmente foi considerado extremamente negativo e que, posteriormente, passou a ser natural em qualquer processo de aprendizagem.

O objetivo era predizer os erros e explicar o motivo pelo qual se cometiam, assim como construir provas de avaliação adequadas para valorizar a competência adquirida pelo aluno e traçar uma programação exaustiva do material utilizado na sala de aula. Fries (1945, p. 9) afirma: “The most effective materials are those that are based upon a scientific description of the language to be learned, carefully compared with a parallel description of the native language of the learner”. 6

Nesse panorama histórico, é importante destacar o estruturalismo/ distribucionalismo norteamericanos, de Bloomfield, e sua obra pinoneira, Language (1933). Este autor colocou a linguagem em um nível de observação puramente objetivo, das formas linguísticas, da mesma maneira que os behavioristas tentaram fazer com as ações humanas. Essa teoria influenciou a AC, já que Fries (1945) desenvolveu sua teoria estrutural funcional a partir das ideias bloomfieldianas e buscou na psicologia behaviorista a explicação para a aprendizagem de línguas. O behaviorismo teve muita influência sobre a Linguística e, durante muitas décadas, serviu de base para o ensino de línguas estrangeiras. Entre seus pressupostos, está a afirmação de que se adquirem os conhecimentos através das experiências vividas ou de que a aprendizagem se dá por meio de repetidas exposições que há no entorno (estímulos), de forma que os indivíduos respondem imitando-os e associando-os com outras informações. Através de tais imitações, provocam retroalimentação positiva ou negativa, convertendo- as em hábitos. Os paradigmas têm que ser exageradamente aprendidos ou reiterados, até convertê-los em hábitos inconscientes, sem levar em consideração o significado, o que seria, desde o ponto de vista atual, uma de suas grandes deficiências.

Além disso, na Análise Contrastiva se considerava que as diferenças entre a LM e a LE que se aprende acarretavam dificuldades, na medida em que a LM podia interferir na LE. Destacam que a distância entre ambas as línguas e a interferência são os fatores responsáveis pelos erros produzidos na aprendizagem de uma LE. Assim, a análise contrastiva entre as duas línguas é imprescindível, já que é a única forma de pesquisar quais serão as dificuldades do aluno ao aprender o novo idioma. De acordo com James (1980, p. 66), o ensino contrastivo implica na apresentação simultânea das estruturas do sistema linguístico da língua meta, contrastada com seus correspondentes na língua

6 Os materiais mais efetivos são aqueles que são baseados numa descrição científica da linguagem que vai

nativa. Na seguinte citação, Lado (1957, p. 2) nos ilustra sobre a vantagem do contraste linguístico entre uma LM e uma LE,

we assume that the student who comes in contact with a foreign language will find some features of it quite easy and others extremely difficult. Those elements that are similar to his native language will be simple for him, and those elements that are different will be difficult. The teacher who has made a comparison of the foreign language with the native language of the students will know better what the real learning problems are and can better provide for teaching them. 7

Concordamos com esse autor, quando afirma que um aluno que aprende uma língua estrangeira já tem em sua mente estruturas gramaticais de sua língua materna. O estudante tem conhecimentos prévios e tende, portanto, a estabelecer parâmetros de comparação e relação entre as duas línguas, às vezes com êxito, outras não. O aprendiz brasileiro, embora nunca tenha estudado espanhol, possui uma grande capacidade potencial, já que existem muitas experiências similares entre as duas línguas. Nesse contexto, também concordamos com Lado (op.cit.), quando afirma que é importante conhecer a estrutura da LM para atuar de um modo mais eficiente quando se ensina uma LE.

A partir de 1960, começaram as primeiras críticas com relação à AC, devido às suas dificuldades e por sua falta de fundamentos teóricos. As publicações comparativas entraram em decadência ao não levarem em consideração fatores que são relevantes como, por exemplo, o fato de que nem todos os erros que se produzem na aprendizagem de uma língua estrangeira se devem à interferência da LM. Além disso, em algumas áreas nas que se previa que se cometeria um erro, este não se apresentava e, contudo, em outras áreas onde o erro não era previsível, se manifestava. Por outro lado, há erros que se repetiam em grupos de alunos de línguas maternas diferentes e só se levava em

7Assumimos que o estudante que tem o contato com a língua estrangeira achará alguns traços muito fáceis

e outros bastante difíceis. Aqueles elementos semelhantes à sua língua nativa serão fáceis para ele, e aqueles elementos que são diferentes serão difíceis. O professor que compare a língua estrangeira com a língua nativa dos estudantes saberá mais os problemas reais da aprendizagem e providenciará um melhor ensino deles.

consideração o conhecimento gramatical do aluno e não sua função comunicativa. Em resumo, obviamente, além da interferência, há outras causas que provocam o erro.

Fernández (2005, p.15) destaca algumas críticas que recebeu a AC em 1970 que marcaram, de certa forma, sua decadência: as pesquisas empíricas levadas a cabo para validar a teoria demonstram que a interferência da LM não explica a maioria dos problemas dos aprendizes e as contribuições das novas correntes em linguística lançam críticas às diretrizes básicas da AC.

Outro ponto criticado na análise contrastiva é o fato de não levar em consideração a criatividade do estudante, ou seja, não há um interesse pela expressão livre e espontânea do aprendiz. Por isso, as críticas ao estruturalismo defendem que o ensino da LE não pode centrar-se em atividades mecanicistas, já que deve ocupar-se da linguagem real.

Embora a AC tenha sofrido muitas críticas, é importante reconhecer alguns de seus resultados. Foi o ponto de partida para o surgimento da Análise de Erros e os estudos atuais de Interlíngua. O aluno passa a ser o centro no processo de ensino/aprendizagem de línguas, já que adota um papel ativo, e o professor não é mais o personagem principal da sala de aula.