3 METODOLOGI – SITUERT KUNNSKAP
3.3 Utvalg
Nos países em vias de desenvolvimento, o empreendedorismo é visto como uma forma de estimular o crescimento económico, no seguimento da privatização de empresas públicas ineficazes, muitas delas herdadas da dominação colonial. O empreendedorismo é também visto como uma forma de empoderamento de segmentos marginalizados da população, através da implementação, em vários países do mundo, de programas governamentais de apoio ao financiamento e à formação profissional (Thomas e Mueller, 2000).
No que diz respeito aos pequenos países insulares, destacam-se dois aspetos que lhes são específicos, que têm a ver precisamente com estas suas duas principais características: a pequena dimensão e a insularidade. Refere Baldacchino (2002) que a pequena dimensão e a insularidade têm sido sinónimos de ausências de economias de escala, de mercados viáveis, de mão-de-obra qualificada, de expertise e de business know-how, o que faz com que os países com estas caraterísticas sejam vistos como condenados ao fracasso económico.
Hoje, entretanto, defende este autor, muitas evidências refutam esta posição, na medida em que vários países pequenos têm conseguido desenvolver vantagens que extravasam a sua dimensão territorial ou populacional e atingido um elevado nível de desenvolvimento económico, através da transformação dos constrangimentos geográficos em fontes de benefícios, através, por exemplo, do desenvolvimento de produtos e serviços de nicho, de alto valor acrescentado, em vários setores, como seja no setor financeiro, no turismo e nos transportes (Baldacchino, 2002). São exemplo destes países a Islândia, na área das pescas, Luxemburgo e Liechtenstein, na área das finanças, Maldivas e Seychelles, no setor do turismo e Maurícias, na indústria têxtil.
Outros recursos que têm sido utilizados pelos pequenos países para a sua sustentabilidade económica são o uso e o aproveitamento de instituições supranacionais, como é o caso da União Europeia, bem como de recursos locais de interesse para os grandes países, como petróleo, gás, produtos minerais, zonas de pesca, bases estratégicas, ou apenas lealdade política (Baldacchino, 2006a).
O que se verifica, no entanto, na maioria dos pequenos países insulares, critica Baldacchino (2008), é uma ausência de espírito empreendedor no seio da população local. Os investidores são, na sua maioria, estrangeiros e o setor de manufatura é normalmente pouco competitivo, na medida em que, quer as matérias-primas, quer os mercados, encontram-se no exterior, fazendo com que as empresas se dediquem fundamentalmente ao comércio, dada a facilidade de entrada, mas que é uma atividade de baixo valor acrescentado.
Baldacchino (2008) coloca, perante os muitos constrangimentos que afetam a criação e gestão de pequenas empresas em pequenos estados insulares, as seguintes questões: Qual o peso dos constrangimentos? Podem estes ser ultrapassados? Se sim, como? Qual o perfil dos empreendedores nos pequenos países insulares? Pode o empreendedorismo ser promovido nos pequenos países insulares? Ou será melhor e mais barato importar empreendedores? A educação pode desempenhar algum papel na promoção do empreendedorismo neste contexto?
As respostas foram fornecidas por um estudo sobre cinco regiões insulares europeias, nomeadamente, Ilhas Aland, Islândia, Malta, Saaremaa e Ilhas Escocesas.
Relativamente a constrangimentos, Baldacchino (2008) observa que, nos pequenos países insulares, prevalecem as indústrias de serviços, constatando-se uma permanente falta de competitividade relativamente aos bens importados. Medidas protecionistas do Governo, diz este autor, encorajam às vezes as empresas a produzir para o mercado nacional, que é pequeno, como por exemplo nas indústrias alimentares e de bebidas, mas que são indústrias que não conseguem tornar-se competitivas. Mesmo quando os pequenos países têm produtos de boa qualidade e competitivos, há dificuldades no acesso a tecnologia, recursos humanos qualificados, financiamento em condições adequadas e tecnologia, resultando destes factos uma crescente deterioração da posição competitiva das empresas locais e a consequente perda de mercado a curto ou médio prazo (Baldacchino, 2008).
Outros constrangimentos ainda têm a ver com os custos de transportes, telecomunicações e seguro. Assim, de uma forma geral, não é o setor industrial mas sim o setor do comércio importador que apresenta o maior número de empresas, que dão preferência a produtos estrangeiros relativamente a produtos nacionais, sendo esta preferência também partilhada por uma parte dos consumidores. Por estas razões, são poucos os pequenos países que têm um setor de manufatura importante e quando ele existe, é normalmente suportado por incentivos fiscais, medidas protecionistas ou ainda acesso privilegiado a mercados, medidas que, no entanto, colocam o setor com pouca capacidade para enfrentar a liberalização económica. Normalmente, o setor de manufatura nos países pequenos insulares resulta do investimento estrangeiro e o que se verifica é que muitos têm evitado uma fase de industrialização, passando diretamente de uma economia agrícola para uma economia de serviços, com aposta em áreas como turismo, banca, prestação de serviços a navios e comunicações (Baldacchino, 2008).
No que diz respeito à classe empresarial, Baldacchino (2008) apresenta algumas sugestões. Por um lado, devem ser desenvolvidos esforços no sentido de atrair os nacionais residentes na emigração para a criação de empresas empreendedoras, que funcionarão também como centros de transmissão de conhecimento. Por outro lado, em vez de proceder à formação tradicional de empresários, os Governos dos pequenos países devem promover a saída destes do país, para descobrirem novos mercados e potenciais clientes, trabalhar com empresas internacionais e encontrar novas ideias de negócio.
Um outro aspeto importante para a promoção de empreendedorismo nos países pequenos é os Governos assegurarem a instalação e a manutenção de um bom nível de qualidade de vida, caraterizada, entre outros aspetos, por uma baixa taxa de criminalidade, pouca burocracia, estabilidade económica e boa qualidade ambiental (Baldacchino, 2008).
Baldacchino (2006b) refere-se ao facto de que vários países pequenos têm adotado uma estratégia de desenvolvimento designada por MIRAB-MIgration, Remittances, Aid, Bureaucracy (migração, remessas, ajuda, burocracia), sendo Cabo Verde um dos quatro países africanos classificados neste grupo, que integra ainda as Comores, Mayotte e S.Tomé e Príncipe. De um grupo maior de 22 economias MIRAB, fazem parte também as Ilhas Cook, Marianas, Guadalupe e Martinica, Tonga e Samoa.
A proposta do autor é a da implementação de uma outra estratégia de desenvolvimento, que designa por PROFIT-People considerations, Resource management, Overseas engagement, Finance, Insurance and taxation, Transportation (recursos humanos, gestão dos recursos, engajamentos externos, finanças, seguros e impostos, transportes), estratégia que envolve outro conjunto de recursos, que os pequenos países podem utilizar, com uma orientação política mais pró-ativa. Esta estratégia, seguida por países como Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman, Bermudas, Bahrain, Bahamas, Madeira, Chipre e Malta, envolve cinco áreas de intervenção, de um forte desenvolvimento de capacidades específicas: a área financeira, especialmente banca, seguros e impostos; política ambiental, particularmente de recursos naturais; acessibilidade, particularmente marítima e aérea; mobilidade de pessoas; para- diplomacia (Baldacchino, 2006b).
Finalmente, Baldacchino, Cassar e Caruana (2008), num estudo sobre Malta, pequeno país insular do Mediterrâneo, analisam, entre outros aspetos, se a pequena dimensão do país é uma condicionante ou uma vantagem na criação de novas empresas, tendo os resultados apontado para a influência negativa da insularidade, pela barreira do mar e pela pequena dimensão do mercado. Este mesmo estudo aponta, no entanto, um conjunto de aspetos que favorecem o desenvolvimento de pequenas empresas em Malta, tais como: os fortes laços familiares entre os empresários; a proximidade física; as redes pessoais; word of mouth; reputação; qualidade dos produtos e serviços; recursos humanos; cash flow; educação e experiência; marketing; tecnologia; localização; aconselhamento profissional; criatividade e inovação.