• No results found

Dataanalysen

In document BRANDING  ALONE? (sider 40-44)

3   METODOLOGI  –  SITUERT  KUNNSKAP

3.4   Dataanalysen

Dada a importância das micro e pequenas empresas no crescimento económico e na criação de emprego, o desafio, hoje, para os Governos, é a criação de estratégias que apoiem a emergência e o crescimento deste segmento através, por exemplo, do desenvolvimento de programas adequados de crédito e formação profissional (Schmidt e Kolodinsky, 2007). No entanto, é importante encontrar formas também eficazes de satisfazer outras necessidades deste segmento, como as praticadas, por exemplo, pela SBA-Small Business Assistance, uma agência governamental americana, que utiliza parcerias público-privadas com Universidades,

Câmaras de Comércio e Associações Comerciais, para prestação de apoio às pequenas empresas (Durkin, 1984).

São objetivos desta Agência: melhorar o ambiente de negócio nas diferentes localidades; identificar, recrutar e desenvolver um amplo conjunto de recursos para assistência técnica às pequenas empresas; implementar um plano de comunicação que permita uma ampla divulgação dos serviços disponíveis para micro e pequenas empresas; desenvolver um mecanismo de acompanhamento que permita avaliar os pontos fortes e fracos das medidas que são implementadas (Durkin, 1984).

O SBA tem um papel catalisador: criação, através de parcerias, do Centro de Desenvolvimento de Pequenas Empresas e do Instituto para Pequenas Empresas, para: disponibilização de programas de aconselhamento e formação, bem como de programas para grupos específicos como seja de veteranos, mulheres, exportadores, inventores, etc.; criação de incubadoras, ou seja, espaços de acolhimento de pequenas empresas, normalmente em fase de constituição ou de crescimento, que fornecem acesso, de uma forma centralizada e partilhada, portanto, a custo reduzido, a serviços contabilísticos e administrativos, comunicações, transporte, salas de reuniões, informática e assistência técnica; montagem de programas de compras; identificação de oportunidades de internacionalização das pequenas empresas.

A ênfase é colocada na prestação de serviços de apoio ao desenvolvimento empresarial, que não o apoio financeiro, para a criação de um clima em que as necessidades das pequenas empresas são satisfeitas de forma rápida e eficaz, considerando que, assim como as necessidades deste segmento são diferentes das necessidades das grandes empresas, também é preciso que as estratégias de desenvolvimento o sejam. O motor desta estratégia, concebida para fortalecer o ambiente de negócio das pequenas empresas, é a convicção de que, se as instituições de apoio ao desenvolvimento empresarial trabalharem em parceria, a sinergia criada vai permitir um maior impacto dos resultados junto das pequenas empresas do que a que resultaria do trabalho independente dessas mesmas instituições (Durkin, 1984).

Mandelman e Montes-Rojas (2009) são de opinião que, apesar de não haver muitos estudos que abordem de forma específica os benefícios do empreendedorismo nos países em vias de desenvolvimento, pode-se afirmar que estes países também podem extrair benefícios do empreendedorismo, faltando saber até que ponto os modelos dos países desenvolvidos podem ser aplicados com sucesso por aqueles. Relativamente a este aspeto, estes autores chamam a atenção para a necessidade de os responsáveis políticos dos países em vias de

desenvolvimento terem cuidado na utilização de teorias e modelos concebidos em países desenvolvidos pois, devido às diferenças existentes, essa utilização pode estar destinada ao fracasso.

Nesta mesma linha de raciocínio, Kolo (2006) também chama a atenção para o insucesso de alguns paradigmas de desenvolvimento implementados na África Ocidental, região dominada por microempresas, de que fazem parte Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Chade, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné Conacri, Guiné Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. Defende este autor que novos e mais relevantes instrumentos são necessários para reduzir a pobreza em África, objetivo que, acrescenta, será conseguido através de esforços conjuntos de quatro parceiros, nomeadamente, o setor público, o setor privado, as ONG e a sociedade civil.

Dando como exemplo o financiamento ao setor das microempresas, Kolo (2006) apresenta os seguintes argumentos para a adoção de uma abordagem específica na montagem de um sistema financeiro para o desenvolvimento de microempresas na África Ocidental: a existência de fatores políticos, socioculturais e psicológicos que favorecem o micro empreendedorismo; o insucesso do desempenho das instituições financeiras convencionais; o insucesso das políticas de ajustamento estrutural e de desenvolvimento humano defendidas pelas organizações internacionais e governos africanos durante os anos 80 e 90; a preparação das microempresas para enfrentar a globalização, considerando que as oportunidades de negócio estão a deslocar-se, cada vez mais, do nível local para o regional e deste para o internacional.

As parcerias atrás referidas, entre os setores público e privado, ONG e sociedade civil, devem ser acompanhadas por mudanças radicais de conceitos e de paradigmas de desenvolvimento, devendo ser realizados estudos e pesquisas, por instituições e investigadores africanos, para aquisição de conhecimentos e conceção de modelos que possam ser implementados na África Ocidental (Kolo, 2006).

O resultado final, sustenta o autor, de mudança de paradigma e de institucionalização de um sistema financeiro virado para as necessidades das microempresas da África Ocidental, é a formação de “cidadãos envolvidos em atividades produtivas e rentáveis, patrióticos e cívicos, o que contribuirá para a redução de instabilidade política, da estratificação social, da opressão, do crime, da corrupção, do analfabetismo e do desemprego, que continuam a minar a qualidade de vida das populações da África Ocidental” (Kolo, 2006, p. 604).

Ouedraogo (2007) é um outro autor que questiona até que ponto as teorias, conceitos e métodos tradicionais de gestão têm aplicabilidade no contexto africano, defendendo, após um estudo em que analisou as estratégias de gestão em empresas africanas, a necessidade de uma abordagem diferente, nascida da realidade concreta dos países africanos.

Por seu turno, num estudo sobre Trinidad e Tobago, país que tem apostado no desenvolvimento de microempresas como uma das principais estratégias para a redução da pobreza e do desemprego, com vista à dinamização do crescimento económico, Karides (2005) chama a atenção para o facto de, apesar de ONG, instituições financeiras, agências internacionais de desenvolvimento, incluindo o Banco Mundial, estudiosos e especialistas defenderem o apoio às microempresas como uma solução para a pobreza no Terceiro Mundo e de os dirigentes de Trinidad terem vindo a implementar essas estratégias durante mais de cinquenta anos, a pobreza e o desemprego continuam a afetar grandemente essa região. No seu estudo, a autora defende que fatores culturais, de género e de raça, têm contribuído significativamente para o insucesso dos programas de desenvolvimento que têm vindo a ser implementados naquele país.

Em Trinidad e Tobago, a ajuda internacional tem-se verificado principalmente nas áreas de formação e microcrédito, especialmente no setor informal, composto por pessoas em autoemprego ou com até cinco trabalhadores, sendo sobretudo dirigida a mulheres. Sustenta Karides (2005) que uma combinação de discriminação racial e de género, de que está imbuída a agenda internacional de programas para microempresas, faz com que essa ajuda não chegue às mulheres caribenhas africanas, que têm como alternativa tornarem-se trabalhadoras independentes, na maioria dos casos como vendedoras ambulantes.

Para que os programas de apoio às microempresas satisfaçam as necessidades dos microempresários dos países em vias de desenvolvimento, é necessário, conclui Karides (2005), que haja uma mudança ideológica no pensamento internacional sobre o desenvolvimento.

O empreendedorismo, defendem Khavul, Bruton e Wood (2010), pode ter um papel vital no desenvolvimento económico do continente africano e no combate à pobreza mas, para que este desenvolvimento aconteça, é preciso conhecer a realidade e as caraterísticas específicas dos países. Referem, por exemplo, a partir de um estudo realizado sobre o setor informal em dois países da África Oriental, o Uganda e o Quénia, que as agências de promoção do empreendedorismo devem estar atentas à influência dos laços familiares existentes entre os

membros de uma comunidade, sobretudo no que diz respeito ao impacto nos negócios criados por mulheres e que fazem com que estas muitas vezes prefiram fazer negócio com membros da comunidade do que com os seus familiares.

Defendendo o papel das pequenas empresas no desenvolvimento local e regional, Malecki (1993) faz duas recomendações relativamente aos cuidados na promoção do empreendedorismo. Uma, que os Governos devem, mais do que promover a criação de novas empresas, promover os setores que apresentem, à partida, menos barreiras à entrada, facilitando o crescimento e o fortalecimento das empresas existentes. Outra, que é necessário dar uma atenção especial à qualificação dos recursos humanos em várias áreas de conhecimento e competências, bem como às telecomunicações, às incubadoras e aos centros de investigação.

In document BRANDING  ALONE? (sider 40-44)