Kapittel 2: En reise utenfor allfarvei
2.6 Utvalg av tekster som biopsi av en diskurs
A representação discursiva de horda assaltante é evidenciada no enunciado seguinte:
Ao seu lado, vimos os Majores Julio Maia, José de Oliveira Costa, José Martins Fernandes e grande número de cavalheiros de representação a despejar a fuzilaria contra a horda assaltante (E49CP).
a) Analogia
No enunciado acima é estabelecida uma analogia entre o referente horda assaltante, que designa os cangaceiros de Lampião, e tribos nômades francesas identificadas como hordas. Essas tribos eram, na verdade, grupos de aventureiros conhecidos por praticarem atos indisciplinados e por invadirem cidades em busca de dinheiro, alimento e outros bens de valor. Os cangaceiros de Lampião são, pois, comparados aos membros dessas tribos, tendo em vista a semelhança entre as atividades praticadas por ambos.
6.1.3 Representações discursivas do bando de cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste
Na notícia publicada pelo jornal O Nordeste são construídas as seguintes representações discursivas para o bando de cangaceiros de Lampião: grupo, bandidos, bando, feras e selvagens. Essas representações são evidenciadas, principalmente, nos conjuntos de enunciados abaixo identificados. Como se pode perceber, mais uma vez, algumas delas se repetem, considerando as
representações analisadas, o que revela uma simetria entre os pontos de vista dos enunciadores das três notícias. No entanto, os elementos linguísticos responsáveis por assinalar essas representações são marcados por especificidades distintas na notícia do jornal O Nordeste e, por isso, devem ser considerados nesta análise. 6.1.3.1 Grupo
A representação discursiva de grupo é construída nos seguintes enunciados da notícia do jornal O Nordeste:
O bandido lampião e seu grupo (E01N).
[Lampião] divide-se nas alturas do Apodi, força um pequeno grupo esta cidade e o outro se dirige para aqui, visando aquele ataque a Apodi nos tranquilizar quanto à aproximação dos canibais (E07N).
Sabino Gomes – 1º Tenente. “13 de junho de 1927 – Meu caro Rodolfo Fernandes. Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião o qual está aqui aquartelado aqui bem perto da cidade, manda porem um acôrdo para não atacar mediante a soma de quatrocentos contos de réis - ... 400.000$000. Posso adiantar sem receio que o grupo é numeroso, cerca de 150 homens bem equipados e munidos a farta. Creio que seria de bom alvitre você mandar um parlamentar até aqui que me disse o próprio Lampião seria bem recebido. Para evitar o pânico e o derramamento de sangue, penso que o sacrifico compensa, tanto que êle promete não voltar mais a Mossoró. Diga sem falta ao Jaime que os 21 contos que pedi ôntem para o meu resgate não chegaram até aqui e se vieram o portador se desencontrou, assim peço por vida de Iolanda para mandar o cobre por uma pessoa de confiança para salvar a vida do pobre velho. Devo adiantar que todo o grupo me tem tratado com muita deferência, mas eu bem avalio o risco que estou correndo. Creia no meu respeito. Antonio Gurgel do Amaral” (E46N).
a) Referenciação e modificadores
Os referentes e os modificadores que categorizam o bando de Lampião como grupo estão destacados em negrito nos enunciados acima apresentados, além da retomada anafórica realizada pelo referente o outro. O referente o grupo designa os cangaceiros e é modificado pelos adjuntos adnominais pequeno, numeroso e pela locução de Lampião, que funcionam como modificadores do referente.
Cabe ressaltar que o modificador pequeno não sugere necessariamente a quantidade dos cangaceiros do grupo de Lampião, identificados no enunciado E46N
e noutros enunciados desta notícia como numeroso, mas diz respeito a uma divisão estratégica do grupo realizada pelo próprio Lampião (uma parte do grupo investiu no ataque em Apodi e a outra se dirigiu para Mossoró), tendo em vista distrair a atenção dos mossoroenses em relação ao provável ataque.
b) Predicação
A maioria dos processos verbais identificados nos enunciados acima apresentados não aciona o próprio Lampião como agente das ações verbais: manda, atacar (modificado pelo termo circunstante não) e tem tratado (modificado pelo termo circunstante com muita deferência). Apenas o verbo dirige aciona o referente grupo como agente: indica o rumo seguido por parte do grupo depois de ordem do chefe Lampião. O verbo de estado está é empregado para descrever a posição geográfica do grupo, conforme depoimento do senhor Antonio Gurgel do Amaral em bilhete escrito ao coronel Rodolfo Fernandes.
c) Localização espacial e temporal
Os elementos linguísticos que assinalam a operação semântica de localização espacial e que favorecem a construção da representação discursiva de grupo para os cangaceiros de Lampião estão apresentados no quadro abaixo:
Locativo espacial Número de
ocorrência Código
As alturas do Apodi 01 E07N
Esta cidade 01 E07N
Aqui [Mossoró] 01 E07N
Apodi 01 E07N
Aqui [Cativeiro] 03 E46N
Aqui bem perto da cidade [Cativeiro] 01 E46N
Mossoró 01 E46N
Quadro 37: Locativos espaciais que favorecem a construção da representação discursiva de grupo para os cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste.
Fonte: Autor.
Além dos locativos espaciais frequentemente mobilizados no texto das notícias, como, por exemplo, Mossoró e Apodi (este último retomado também pelo
locativo esta cidade), cidades onde o grupo de cangaceiros de Lampião realizaram assaltos, convém considerar nestes enunciados o recurso frequente ao dêitico aqui. Em E07N, o dêitico retoma anaforicamente o locativo Mossoró, que corresponde ao lugar de onde fala o enunciador – o jornal O Nordeste. Em E046, o enunciador não é mais o jornal, mas sim o senhor Antonio Gurgel do Amaral, que estava mantido em cativeiro pelo grupo de cangaceiros. Neste caso, o locativo aqui se refere justamente ao lugar do cativeiro onde era mantido Antonio Gurgel.
Há apenas três locativos temporais presentes nos enunciados: 13 de junho de 1927, desde ôntem e ôntem (E46N). O primeiro locativo funciona como marcador temporal da data de escrita do bilhete de Antonio Gurgel. Os outros dois locativos sugerem o dia em que Antonio Gurgel foi levado para o cativeiro pelo grupo dos cangaceiros de Lampião, ou seja, dia dose de junho daquele mesmo ano – um dia antes do assalto a Mossoró. Portanto, os locativos temporais demarcam situações bastante específicas, relativas, especialmente, ao sequestro do senhor Antonio Gurgel pelo grupo de cangaceiros.
6.1.3.2 Bandidos
Assim como ocorre nas notícias dos jornais O Mossoroense e Correio do Povo, na notícia do jornal O Nordeste também é construída a representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião, especialmente nos enunciados abaixo apresentados:
Os bandidos, entretanto, o tinham preparado com sagacidade (E08N). Cada um trazia dois fuzis para armar possivelmente aquêles que se quisessem acompanhar visando principalmente os trabalhadores da estrada de ferro Mossoró, conforme declararam ao Coronel Moreira, dêles prisioneiro (E09N).
Os bandidos surgem em São Sebastião (E10N).
No domingo, 13, de 23 para 24 horas, eis que nos surgem inopinadamente os bandidos em S. Sebastião, a sete léguas distante de nós (E11N).
Em São Sebastião, os bandidos se entregam ao saque, ao roubo, ao incêndio e a depredações (E12N).
Na manhã de segunda-feira, 13, vem descendo, saqueando, aprisionando, exigindo dinheiro, tomando algodão a freteiros e incendiando, trocando montadas, arrebanhando animais (E14N).
A uma légua desta cidade, cêrca de meio dia, mandam um portador com a intimativa ao Coronel Rodolfo Fernandes, infatigável chefe do executivo municipal, para lhes enviar quatrocentos contos de réis, sob pena de se assenhorarem, imediatamente, da cidade (E15N).
O céu havia-se toldado. Nevoeiros pesados se formavam e a chuva se avizinhou debaixo de trovoadas! Sombrias pareciam as horas, mas era a saudação que Deus nos mandavam das alturas! Seriam aproximadamente dezesseis horas, quando tivemos o primeiro contacto com os bandidos (E19N).
Os bandidos recuam, voltam ousadamente à carga e são novamente repelidos. E24N. Deixam mortos e feridos e organizam a fuga (E23N). Cessado o forte tiroteio, irrompe pelas ruas, o povo, em delirantes brados de vivas a Mossoró, ao Prefeito, ao Presidente do Estado, ao Chefe de Polícia, aos nossos soldados, desafiando Lampião e os seus sequazes: Sabino, Massilon e tôda caterva de bandidos que fugiam diante de nossas armas vitoriosas, sem o derrame de uma só gota de sangue do povo citadino (E25N).
Êste número, entretanto, está em desacôrdo com o que se verificou em Limoeiro, no Estado do Ceará, de 41, conforme a fotografia que ali tiraram os bandidos! (E27N).
a) Referenciação e modificadores
Considerando a operação de referenciação, a representação discursiva de bandidos se constrói a partir da ocorrência (sete vezes) do referente os bandidos. Esse referente é acionado como agente das proposições e designa os cangaceiros de Lampião, considerando, conforme se verá na operação de predicação, principalmente, as ações por eles realizadas. Em E25N, o referente é modificado pela expressão tôda caterva, que sugere um grupo de indivíduos desordeiros, caracterizados por praticarem atos de vadiagem e de mau comportamento.
b) Predicação e termos circunstantes
A operação de predicação compreende os processos verbais que acionam o referente os bandidos como agentes da proposição, expressos no quadro seguinte:
Predicação Número
de ocorrência
Termo Circunstante Código
Tinham preparado 01 Com sagacidade E08N
Trazia 01 - E09N
Surgem 02 Inopinadamente E10N E11N
Entregam 01 - E12N
Vem descendo 01 - E14N
Saqueando 01 - E14N Aprisionando 01 - E14N Exigindo 01 - E14N Tomando 01 - E14N Incendiando 01 - E14N Trocando 01 - E14N Arrebanhando 01 - E14N Mandam 01 - E15N
Assenhorarem 01 Imediatamente E15N
Recuam 01 - E24N
Voltam 01 Ousadamente E24N
São 01 Novamente repelidos E24N
Deixam 01 - E23N
Organizam 01 - E23N
Fugiam 01 Diante de nossas armas
vitoriosas E25N
Quadro 38: Predicação e termos circunstantes que constroem a representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste.
Fonte: Autor.
A cadeia semântica construída pelo conjunto de verbos acima apresentados permite a construção da representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião. Especialmente verbos como armar, saqueando, aprisionando, exigindo, incendiando, arrebanhando, assenhorarem, dentre outros, sugere ser os cangaceiros sujeitos que praticam atividades socialmente consideradas como desordeiras ou díscolas. A maioria desses verbos está no gerúndio e sugere que as ações expressas estavam sendo descritas conforme iam ocorrendo.
Os verbos surgem, vem descendo, recuam, voltam, deixam e fugiam descrevem os movimentos de entrada e de saída à cidade de Mossoró pelos cangaceiros de Lampião. Nesse ponto, convém considerar os efeitos provocados pelos termos circunstantes, que modificam esses verbos, atribuindo-os circunstâncias, especialmente, de modo. Os termos inopinadamente e ousadamente modificam os verbos que sugerem a entrada dos cangaceiros à cidade de Mossoró: como fossem bandidos, eles entram na cidade de forma discreta, para depois iniciarem o ataque ousado. Por sua vez, os termos novamente repelidos e diante de nossas armas vitoriosas correspondem ao modo como os cangaceiros, como fossem bandidos, foram expulsos e deixaram a cidade.
c) Localização espacial e temporal
Os seguintes locativos situam os processos verbais que acionam o referente os bandidos como agente das proposições e, portanto, contribuem para a construção da representação discursiva de bandidos para os cangaceiros do bando de Lampião:
Locativo espacial Número de
ocorrência Código
A estrada de ferro Mossoró 01 E09N
São Sebastião 01 E10N
Em São Sebastião, a sete léguas
distante de nós 01 E11N
A uma légua desta cidade 01 E15N
A cidade 01 E15N
As ruas 01 E25N
Mossoró 01 E25N
Limoeiro, no Estado do Ceará 01 E27N
Quadro 39: Locativos espaciais que favorecem a construção da representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste.
Fonte: Autor.
Os locativos descrevem espaços já comentados anteriormente e que fazem parte do cenário do acontecimento principal narrado na notícia: o assalto dos cangaceiros de Lampião a Mossoró. É possível construir uma cadeia semântica que se organiza em torno das regiões inicialmente percorridas pelos cangaceiros antes de entrarem em Mossoró (São Sebastião, Em São Sebastião, A sete léguas distante de nós, A uma légua desta cidade), da própria cidade de Mossoró (A cidade, As ruas, A estrada de ferro Mossoró, Mossoró) e da cidade para onde fugiram os cangaceiros após encontrarem resistência em Mossoró (Limoeiro, no Estado do Ceará).
Os locativos temporais são apresentados a seguir:
Locativo temporal Número de
ocorrência Código
No domingo, 13, de 23 para 24
horas 01 E11N
Na manhã de segunda, 13 01 E14N
Cêrca de meio dia 01 E15N
horas
Quadro 40: Locativos temporais que favorecem a construção da representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste.
Fonte: Autor.
Esses locativos situam no tempo os processos verbais que constroem a representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião. Eles referem-se exatamente ao dia (domingo, treze de junho) e à hora (manhã de segunda-feira) de início do assalto dos cangaceiros à cidade de Mossoró.
d) Conexão
Além dos conectores e (que estabelece relações de adição entre partes dos enunciados) e que (que estabelece relações de coordenação entre os enunciados ou mesmo retoma, na função de pronome relativo, o agente da ação verbal), interessante considerar o conectivo entretanto, em E08N. Esse conectivo indica contrariedade, adversidade. No enunciado, sugere que os bandidos de Lampião realizaram o ataque à cidade do Apodi como forma de ludibriar os mossoroenses, fazendo-os acreditar não ser mais do interesse do grupo atacar Mossoró. No entanto, estavam, na verdade, fazendo um prenúncio do assalto que seria realizado em Mossoró.
6.1.3.3 Bando
A representação discursiva de bando é construída nas porções de texto abaixo apresentadas:
O bando se aproxima (E17N).
Já então se vinha aproximando o bando, o que era distinguido perfeitamente pelas vedetas das tôrres da Matriz e de São Vicente e outros pontos altos (E18N).
O bando se tinha dividido (E21N).
O bando sinistro conforme depoimento de Jararaca compunha-se dos facínoras seguintes e outros de quem não se recordava o Jararaca (E40N).
Como se vê de um retrato tirado em Limoeiro, logo que ali chegou o bando de Lampião, há mais os nomes seguintes: NAVIEIRO, VALATÃO, FELIX, MIUDO, MOURÃO, BENEVITO, JATOBÁ, ALAGOANO, PINHÃO e MIGUEL (E41N).
a) Referenciação e modificadores
O referente o bando, mobilizado nos enunciados acima, designa os cangaceiros que acompanhavam Lampião em suas empreitadas pelo sertão nordestino. Como já visto anteriormente, recebem essa nominalização pelo fato de andarem todos reunidos, vestidos de forma semelhante e guiados pelo chefe do cangaço, Lampião. O referente é modificado pelo emprego dos especificadores sinistro (E40N) e de Lampião (E41N). O primeiro apresenta uma característica do bando, conhecido por seus atos obscuros e nefastos. O segundo associa o bando ao cangaceiro Lampião, estabelecendo entre eles uma relação de posse, pertencimento, ao mesmo tempo em que funciona como um identificador do bando dos cangaceiros, considerando que, àquela época, existiam cangaceiros que se organizavam em outros bandos no Nordeste brasileiro – como, por exemplo, o bando do cangaceiro Jesuíno Brilhante.
b) Predicação
Os verbos que aparecem nas proposições que constroem a representação de bando para os cangaceiros de Lampião são os seguintes: aproxima (E17N), vinha se aproximando (E18N), tinha dividido (E21N), compunha-se (E40N) e chegou (E41N). Esses verbos acionam o referente o bando como agente dos processos por eles indicados. Referem-se ao momento em que o bando se aproxima da cidade de Mossoró (aproxima, vinha se aproximando, chegou), como se organizou para entrar na cidade (tinha dividido) e à composição do bando (compunha-se).
c) Conexão
Além das conjunções aditivas, que estabelecem nexos entre os enunciados antes apresentados, convém considerar o emprego da conjunção conformativa conforme, em E40N. Esse conectivo é mobilizado para atribuir a assunção da responsabilidade enunciativa de E40N ao cangaceiro Jararaca, capturado em Mossoró. O enunciado trata sobre a composição do bando de Lampião e recorre à
fala de Jararaca como um argumento de autoridade, para sustentar a informação transmitida.
6.1.3.4 Feras e selvagens
Também é construída para os cangaceiros de Lampião a representação discursiva de feras ou selvagens:
[Lampião] divide-se nas alturas do Apodi, força um pequeno grupo esta cidade e o outro se dirige para aqui, visando aquele ataque a Apodi nos tranquilizar quanto à aproximação dos canibais (E07N).
As feras investem e procuravam abrir passagem (E20N).
Após essa fuga, na tarde do dia seguinte, 14, chegam-nos tropas da Paraíba e destacamentos de Porta Alegre, dêste Estado, que estivessem aqui mais cedo, teriam conosco exterminado os selvagens (E29N).
a) Referenciação
A representação discursiva se constrói a partir do emprego dos referentes abaixo indicados: Referente (Categorização) Número de ocorrência Modificador Código Os canibais 01 - E07N As feras 01 - E20N Os selvagens 01 - E29N
Quadro 41: Referentes e modificadores que constroem a representação discursiva de bandidos para os cangaceiros de Lampião em notícia do jornal O Nordeste.
Fonte: Autor.
Os três referentes designam os cangaceiros como canibais, feras e selvagens. Não há registros na literatura sobre o cangaço de que os cangaceiros do bando de Lampião praticavam canibalismo, por isso, acreditamos tratar-se aqui de uma analogia entre os cangaceiros e certas tribos de canibais, tendo em vista a semelhança da violência das atitudes praticadas por ambos. Em E20N, os cangaceiros são designados de feras e em E29N de selvagens. Esses dois referentes constroem uma representação discursiva animalesca para os
cangaceiros, como se esses vivenciassem um processo de animalização, quando entram para o cangaço.
b) Analogia
Ao passo em que designam os cangaceiros, os referentes também estabelecem comparações entre os cangaceiros e animais selvagens ou tribos canibais. A analogia estabelecida favorece de forma determinante a construção da representação discursiva de feras e selvagens para os cangaceiros de Lampião. 6.1.3.5 Companheiros
Ainda encontramos nos enunciados da notícia do jornal O Nordeste a construção da representação discursiva de companheiros, para os cangaceiros de Lampião, conforme se verifica no enunciado a seguir:
Na manhã de terça-feira soube-se que Lampião que trazia 52 companheiros, seguira apenas, ao fechar da noite do tiroteio, com 48, rumo do Jaguaribe, em demanda de Limoeiro, Estado do Ceará (E26N). a) Referenciação e modificadores
O referente companheiros, modificado pelo numeral indicador de quantidade, designa os cangaceiros de Lampião como aqueles que acompanhavam o chefe do cangaço. O termo companheiros sugere o fato dos cangaceiros seguirem Lampião por todos os lugares por onde andava, obedecendo as suas ordens e cumprindo os seus mandos. Portanto, estabelece uma relação de fidelidade e servidão entre os cangaceiros e o chefe Lampião.
6.1.4 Síntese
Os referentes empregados para designar os cangaceiros de Lampião compreendem vários substantivos e expressões lexicais que constroem imagens pejorativas para o bando. Considerando os referentes e as demais operações
semânticas, de modo mais recorrente, são construídas, nas notícias analisadas, as seguintes representações discursivas para os cangaceiros de Lampião: grupo, bando, bandidos, companheiros, matilha sanguinária, bandoleiros, cangaceiros, facínoras, horda assaltante, feras e selvagens. Os modificadores da referenciação dos cangaceiros, com função prioritariamente especificadora, atrelam a imagem do bando à Lampião: chefiados por Lampião, de Lampião, chefiado por Virgolino Ferreira, um dos elementos de confiança de Lampião. Este procedimento reforça ainda mais a construção da representação discursiva de Lampião como chefe ou líder do grupo de cangaceiros que invadiu a cidade de Mossoró. Na verdade, parece que a identidade do grupo se sustenta na figura de Lampião: bando de Lampião.
CAPÍTULO VII: SÍNTESE DOS RESULTADOS DAS ANÁLISES E