• No results found

Problemstilling

In document Lekkende kropper som tabu i tekst (sider 21-24)

Kapittel 1: Bæsj og brudeblonder

1.4 Problemstilling

O Correio do Povo compreende um jornal impresso diário que circulou pela primeira vez na cidade de Mossoró e em cidades circunvizinhas no dia treze de maio de mil novecentos e vinte e cinco, de quando foi lançado seu primeiro número. Àquela época, era proprietário e diretor do jornal o senhor José Octávio, escritor e jornalista de renome da cidade. Como redatores, assinavam as matérias do jornal os senhores Jeremias Limeira e Manoel Rodrigues, e como gerente, o senhor Cícero A. de Oliveira, conhecido artista tipográfico de Mossoró.

Conforme informou José Octávio logo no primeiro número do Correio do Povo, os organizadores pretendiam a criação de um jornal independente, dedicado à causa do município de Mossoró e das demais cidades da região Oeste potiguar. Desse modo, a escolha do nome do jornal já indicava a sua própria ideologia: tratava-se eminentemente de um jornal voltado exclusivamente para o povo, que tinha como objetivo dar-lhe oportunidade a voz, priorizando, portanto, suas necessidades básicas, seus desejos, suas intenções. Por isso, o slogan apresentado pelo jornal era: “Mossoró acima de tudo”.

Durante seu período de circulação, o Correio do Povo abordou vários temas, em sua maioria, bastante polêmicos para a época, tais como saneamento básico, saúde (hospital), funcionamento da diocese, calçamento, arborização, segurança, costumes, estrada de ferro e, principalmente, o problema da energia elétrica de Mossoró. Sim, porque àquela época não havia em Mossoró iluminação pública, mesmo esta sendo uma das cidades do estado mais desenvolvidas economicamente. Segundo conta o próprio José Otávio, em uma das edições do jornal de data não identificada, “não havia iluminação pública, e sim um simulacro, com cento e vinte lâmpadas de trinta watts, um motor a óleo cru, fornecendo energia e claridade igual à luz dos pirilampos".

Graças principalmente a “pena flamejante” do redator Jeremias Limeira, a campanha empreitada pelo Correio do Povo foi fundamental para que se oferecesse à população de Mossoró um serviço de energia elétrica de qualidade, o que aconteceu em mil novecentos e vinte se seis, de quando assume a Prefeitura de Mossoró o Coronel Rodolfo Fernandes – um dos personagens principais na história do combate travado pela cidade com Lampião e seu bando. Segundo consta da

edição comemorativa do jornal O Mossoroense, “dessa forma, o município se livrou das cláusulas de um contrato que o escravizaria por noventa e nove anos, se não fosse essa campanha encabeçada pelo jornal Correio do Povo”.

Figura 11: Fac-símile de edição do jornal “Correio do Povo”. Fonte: Nonato (2012).

O jornal Correio do Povo também cobriu com detalhes um dos mais importantes acontecimentos da história da cidade de Mossoró, o ataque “do maior grupo de cangaceiros do Nordeste”, aos treze de junho de mil novecentos e vinte e sete, àquela cidade – temática central dos textos coletados no corpus de nossa pesquisa e, portanto, objeto desta investigação. Especialmente em duas de suas edições, conforme veremos a seguir, o Correio do Povo comentou detalhadamente a empreitada realizada pelo bando, desde sua passagem pela cidade de Apodi (Rio Grande do Norte), até a invasão à cidade de Mossoró e a resistência nas “trincheiras heroicas” dos que ali residiam.

Depois de mais de três anos de efetiva atuação, em meados do ano de mil novecentos e vinte e oito, o jornal Correio do Povo deixou temporariamente de circular, de acordo com seu proprietário, em função de “acontecimentos deploráveis de arbítrio do poder", não especificados pelo próprio jornal. Trata-se de momento de adormecimento, mas também de amadurecimento para o jornal, que volta a ser produzido e a circular na cidade de Mossoró dois anos depois, em mil novecentos e trinta, mas agora com uma proposta ideológica bastante diferente daquela inicial. O Correio do Povo volta a circular como órgão de apoio à Aliança Liberal, partido apoiado pelo jovem advogado e político potiguar Café Filho. Desde então, as edições publicadas pelo jornal focalizaram aspectos de interesse exclusivo do partido político da Aliança Liberal. Diante esta postura, pouco tempo depois, o Correio do Povo perde bastante sua credibilidade em relação ao povo mossoroense, sendo obrigado a parar definitivamente de circular no dia dois de dezembro de mil novecentos e trinta e quatro por falta de leitores interessados nas matérias publicadas.

Deste jornal, considerando os critérios aqui estabelecidos para coletado do corpus, foram selecionadas três notícias. A primeira delas foi publicada entre os dias dez e treze de maio de mil novecentos e vinte sete (data específica não identificada), um mês antes da incursão do bando a Mossoró, quando os primeiros cangaceiros começaram a adentrar o estado do Rio Grande do Norte. Conta do incêndio, dos roubos e assassinato de que foram vítimas as cidades de Apodi, Itaú e Gavião. Esta notícia faz parte de nosso corpus secundário. A segunda notícia, a qual pertence ao corpus de análise, foi publicada em dezenove de junho e descreve o assalto do bando a Mossoró, conforme se pode ver no quadro seguinte. Finalmente, a terceira

notícia, publicada ao final do mês de junho de mil novecentos e vinte e sete, de dia não identificado, comenta a fuga do bando de Lampião para o estado do Ceará e possíveis ameaças futuras. Esta última notícia também foi anexada ao corpus secundário da pesquisa.

JORNAL TÍTULO DA

NOTÍCIA LIDE DATA

Correio do

Povo Avé, Mossoró! O maior grupo de cangaceiros do Nordeste assalta nossa cidade, sendo destroçado após 4 horas de renhida luta! A bravura dos nossos civis! Os bandidos são

chefiados por

Lampião, Sabino, Massilon e Jararaca. Como morreu o bandido Colchête e como foi ferido e aprisionado Jararaca, o maior sicário do Nordeste – Notícias e notas diversas. Edição publicada em 19 de junho de 1927.

Quadro 09: Notícias do jornal “Correio do Povo”. Fonte: Autor.

In document Lekkende kropper som tabu i tekst (sider 21-24)