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5. STORIES FROM SOLDATI

5.3 F UTURE PROJECTS

O estudo contou com a participação de 120 pacientes portadores de IRC submetidos à HD, cuja faixa etária variou de 22 a 84 anos, com média de idade de 53 anos (desvio padrão de 13,17). Outros estudos também verificaram média de idade semelhante em pacientes com IRC em tratamento hemodialítico (MACHADO et al., 2004; TERRA, 2007; YANG et al., 2005).

A prevalência de pessoas mais velhas nesse tipo tratamento pode ser explicada pelo crescimento da população idosa no Brasil e pelo aumento da expectativa de vida,

acompanhado também pelo aumento significativo de doenças crônicas nessa população (VORATO; TRUZZI; PARVARINI, 2004).

A população do presente estudo demonstrou ser homogênea em relação ao sexo e, em relação ao grau de escolaridade, prevaleceu o ensino fundamental incompleto (57,5%), sendo que somente 10% dos participantes completaram o ensino médio e apenas 5,8%, o ensino superior, o que confirma uma baixa escolaridade dos sujeitos (Tabela 14). Este resultado foi semelhante ao de Terra (2007), que avaliou a qualidade de vida de 30 pacientes com IRC em HD, no mesmo Município. O autor verificou que 80% dos participantes de seu estudo apresentavam baixa escolaridade, demonstrando a importância do investimento dos profissionais da saúde na educação desses pacientes para uma melhora no nível de saúde e, conseqüentemente, na qualidade de vida.

Além disso, uma relação positiva entre escolaridade e aspectos emocionais tem sido observada em portadores de IRC em HD, sugerindo que pacientes com maior escolaridade possuam recursos intelectuais para uma melhor adaptação às dificuldades enfrentadas pela doença e seu tratamento (CASTRO et al., 2003).

No que diz respeito ao estado civil, foi observado o predomínio de pacientes casados, o que corrobora com dados de outras publicações (SAUPE; BROCA, 2004; YANG et al., 2005). Aspecto que também tem sido considerado favorável em estudo visando identificar os modos de enfrentamento de pessoas com IRC, uma vez que foi constatado que a presença de um companheiro na vida dessa população pode contribuir para um melhor suporte social relacionado às complicações decorrentes da doença, do tratamento e de co-morbidades (BERTOLIN, 2007).

Com relação à renda familiar mensal, verificou-se que a metade da população (50%) tinha uma renda mensal igual ou inferior a três salários mínimos, enquanto 23,3% recebiam apenas um salário mínimo, demonstrando uma condição sócio-econômica muito

baixa (Tabela 14). O estudo de Terra (2007), citado anteriormente, também confirmou que pacientes com IRC apresentam uma renda familiar mensal baixa. O autor menciona que este é um importante fator de estresse emocional para a população, já que, além da dificuldade do portador de doença renal crônica desenvolver alguma atividade profissional remunerada, ainda existe aumento de gastos com medicamentos e alimentação especial, entre outras despesas.

Tabela 14 - Distribuição dos participantes do estudo, segundo sexo, grau de escolaridade, estado civil e renda familiar mensal, Ribeirão Preto, 2008 (N=120)

VARIÁVEIS DE ESTUDO Freqüência %

Sexo Feminino 61 50,8 Masculino 59 49,2 Escolaridade Nunca estudou 12 10,0 Fundamental incompleto 69 57,5 Fundamental completo 9 7,5

Ensino médio incompleto 6 5,0

Ensino médio completo 12 10,0

Ensino superior incompleto 4 3,3

Ensino superior completo 7 5,8

Pós - graduação completa 1 0,8 Estado civil Casado 63 52,5 Solteira 24 20,0 Divorciado 15 12,5 Viúvo 13 10,8 Outro 5 4,2

Renda familiar mensal

Um salário mínimo 28 23,3

De 2 a 3 salários mínimos 60 50,0

Até 5 salários mínimos 16 13,3

De 5 a 10 salários mínimos 15 12,5

Acima de 10 salários mínimos 1 0,8

Ao questionar sobre atividade profissional atual, observou-se que 70 pacientes são aposentados; 28 dependem de auxílio doença14, 14 não desenvolvem nenhuma atividade remunerada e dependem da ajuda de familiares e apenas oito pacientes desempenham alguma atividade profissional, entre elas: comércio, direito, agricultura e atividade política. Para

14 Benefício concedido ao segurado impedido de trabalhar por doença ou acidente por mais de 15 dias

Borges e Martins (2001), essa diminuição da produtividade, comum ao portador de IRC, provoca um sentimento de inutilidade, como se o paciente estivesse privado de dar contribuições à vida e ao mundo; o que, muitas vezes, influência na sua qualidade de vida.

Com referência ao Município onde residem os sujeitos estudados, 42 (35%) são da cidade sede do estudo e 78 (65%) moram em cidades circunvizinhas, cuja distância varia entre 30 e 150 Km da clínica de terapia renal substitutiva. Portanto, a maioria dos pacientes depende do transporte, oferecido pela prefeitura do Município de origem, para locomoção até o serviço de HD. Segundo Terra (2007), essa distância entre o serviço médico e a residência é uma das dificuldades enfrentadas para a realização da HD, pois além de aumentar o gasto de tempo com o tratamento, torna o paciente dependente do transporte oferecido pelo serviço público.

Em relação à crença religiosa, a maior parte dos sujeitos (79, 2%) mencionou ser católico, assim como a maioria da população brasileira (IBGE, 2003). A religião foi considerada importante ou muito importante para 75% dos participantes do estudo (Tabela 15).

Tabela 15 - Distribuição dos participantes do estudo, segundo as variáveis: tipo de crença religiosa e sua importância, Ribeirão Preto, 2008 (N=120)

VARIÁVEIS DE ESTUDO Freqüência %

Crença religiosa

Católico 95 79,2

Evangélico 15 12,5

Sem religião específica, mas acredita em Deus 3 2,5

Ateu 2 1,7

Espírita 2 1,7

Outro 3 2,5

Importância da religião na vida

Muito importante 62 51,7

Importante 28 23,3

Um pouco importante 20 16,7

Não é importante 10 8,3

responderam que sim, 28 (23,3%) responderam que não participam das atividades religiosas relacionadas à sua crença e cinco pacientes (4,2%) não responderam esta pergunta, por não possuírem crença religiosa. Esses resultados também apóiam o estudo de Terra (2007), em que os 83,3% dos participantes informaram praticar sua religião, enquanto apenas 16,7%, responderam que não. Referido contexto leva a concluir que a religião e a espiritualidade desempenham um papel importante na vida desses pacientes.

No que diz respeito ao tempo de descoberta da doença e de tratamento em HD (Tabela 16), neste estudo foi observado média de sete anos e seis meses de descoberta da doença e de quatro anos e oito meses de tratamento hemodialítico. Alguns pacientes faziam tratamento há 18 anos e apresentavam a doença há 38 anos, outros tinham apenas dois meses de descoberta da doença e um mês de tratamento. Apesar da grande variação no tempo de descoberta da IRC e da HD entre os pacientes, parte deles convive com a doença há muito tempo, assumindo uma árdua rotina imposta pelo tratamento.

Tabela 16 - Distribuição dos participantes do estudo, segundo o tempo de descoberta da doença e tempo de tratamento, gerados em meses, Ribeirão Preto, 2008 (N=120)

VARIÁVEIS DE ESTUDO Média Mediana Desvio

Padrão Mínimo Máximo

Tempo de tratamento em HD 57,4 45 49,7 1 216

Tempo de descoberta da doença 90,7 66 82,4 2 456

Para Bertolin (2007), quanto maior o tempo de HD, maior o uso de modos de enfrentamento da doença, como: autocontrole, reavaliação positiva e aceitação das responsabilidades, isso porque tem sido percebido que, com o tempo, aumenta o número de estressores, sejam psicossociais ou fisiológicos. Também Batista et al. (2007) verificaram que quanto maior o tempo de HD, menor é a qualidade de vida, em seu componente de saúde física. Esses autores consideraram também que, com o passar do tempo, é observado um maior conformismo do paciente em relação ao tratamento.

Almeida (2003) coloca que o início do tratamento é para o paciente portador de IRC a fase mais difícil. Entretanto, no presente estudo, não foi observada diferença estatisticamente significante em relação ao tempo de tratamento (p=0,646) ou tempo da descoberta da doença (p=0,379) e a presença do diagnóstico de Espiritualidade prejudicada na população estudada. Também não foi observada significância em qualquer um dos testes estatísticos realizados para: estado civil (p=0,341), escolaridade (p=0,123), prática da religião (p=0,067) e importância da religião (p=0,078).

A variável mais próxima da significância foi a prática da religião, em que a proporção dos pacientes com Espiritualidade prejudicada que praticam religião (21,8%) é menor do que dos pacientes que não praticam (39,3%). Também, a importância da religião foi próxima à significância, mas a proporção de pacientes com Espiritualidade prejudicada não variou com a sua intensidade.

5.3.2.2 Identificação do diagnóstico de enfermagem Espiritualidade prejudicada em