Para a coleta de dados primários os/as entrevistados/as foram escolhidos conforme os seguintes critérios:
Bloco 1 – IPG: órgãos públicos responsáveis por políticas de emprego no Rio Grande do Sul (Brasil) e um médico geriatra;
Bloco 2 – IPE: sindicatos de trabalhadores/as, patronais, associações de empregadores, escolas de hotelaria, cursos profissionalizantes em Hotelaria e funcionários de departamento de Recursos Humanos de Hotel;
Bloco 3: trabalhadores/as em Hotéis da região e estudantes de cursos de Hotelaria com mais de 45 anos;
Sempre em discussão com as orientadoras, optamos por iniciar a coleta de dados por aquelas entrevistas sobre a situação do mercado de trabalho para trabalhadores/as mais velhos/as no Brasil em todos os setores da economia que permitiriam que nos aproximássemos da problemática em geral para depois tratar do setor em específico. Assim, realizei um mapeamento dos diversos atores envolvidos no mercado de trabalho de Hotelaria e, após analisarmos quais seriam os/as entrevistados/as chave, iniciei os contatos para marcação de entrevistas. Posteriormente, realizei as entrevistas com os/as trabalhadores/as e estudantes em Hotelaria. Algumas entrevistas pertencentes aos blocos dois e três ocorreram simultaneamente, conforme disponibilidade dos/as entrevistados/as.
Desta forma, os dados primários foram coletados na cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul. Sete entrevistas com informantes privilegiados/as transcorreram entre Outubro de 2011 e Agosto de 2012. Uma entrevista ocorreu em novembro
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de 2013. As entrevistas com os 12 trabalhadores/as e estudantes ocorreram nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2012.
As entrevistas com informantes privilegiados/as generalistas e especialistas permitiram que melhor nos apropriássemos e apreendêssemos a diversidade de aspectos e de perspectivas que influenciam na construção do mercado de trabalho no setor para, na sequência, realizar as entrevistas com os/as trabalhadores/as e estudantes do setor.
Os/as IPG e IPE foram contatados/as via telefone ou e-mail, com exceção de um onde o primeiro contato ocorreu pessoalmente. Quando me apresentava, explicava a pesquisa e solicitava a participação. No caso dos/as trabalhadores/as estudantes de Hotelaria o contato para apresentação da pesquisa e solicitação de participação se deu presencialmente na instituição de ensino, conforme autorização do coordenador do curso superior de tecnologia em Hotelaria. Outras duas entrevistadas o contato ocorreu por telefone.
3.1.1.1 Aproximação do campo
Em primeiro lugar identificamos os atores envolvidos no mercado de trabalho na região estudada, primeiramente aqueles/as que poderiam, em um primeiro momento, descrever a situação dos/as trabalhadores/as mais velhos/as na economia como um todo e, posteriormente, aqueles que discorreriam sobre a participação dos/as trabalhadores/as mais velhos/as no setor Hoteleiro em específico.
Os/as entrevistados/as que aceitaram participar da pesquisa e concederam entrevistas estão listados na Figura 10. Buscamos que houvesse representantes do Estado, dos/as trabalhadores/as, dos empregadores e de entidades de formação e qualificação. As entrevistas ocorreram na ordem citada na figura18.
A fim de preservar a identidade dos/as respondentes decidimos omitir os seus cargos, sendo utilizado em substituição o termo “responsável”. Salienta-se, no entanto, que os/as entrevistados/as desempenhavam funções que remetem a status e conhecimento nas
18 Além dos/as informantes citados na figura 10, outros/as foram contatados/as, porém não aceitaram participar,
são eles: Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre e Sistema Nacional do Emprego (SINE) da cidade de Porto Alegre/RS.
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instituições. Os nomes da Instituição de Ensino Superior (IES) e do Hotel também foram mantidos em sigilo para atender à solicitação da instituição, sendo utilizado o nome de ‘IES S’ para referir-se a ela e quanto ao hotel menciona-se apenas ‘departamento de recursos humanos de hotel’.
Atores Gênero Localidade Áudio
1. Médico Geriatra Masculino Porto Alegre Não
2. Departamento do Trabalho (Detrab) na Secretaria do
Trabalho e do Desenvolvimento Social (STDS) Feminino Porto Alegre 46’57” 3. Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social
(FGTAS) Masculino Porto Alegre Não
4. Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro e
Similares de Porto Alegre (SECHSPA) Masculino Porto Alegre 51’03”
5. Sindicato Intermunicipal da Hotelaria no Rio Grande
do Sul (Sindihotel) Masculino Porto Alegre 46’02”
6. Cursos profissionalizantes em Hotelaria via Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC)
Feminino Porto Alegre 22’10”
7. Tecnólogo em Hotelaria – IES S Masculino Porto Alegre 1◦03’10’’ 8. Departamento de RH de Hotel 3 Estrelas Feminino Porto Alegre 51’22”
Figura 10 - Informantes Privilegiados/as - Brasil
Fonte: elaborado pela autora
Na trajetória da tese o início do trabalho de campo se deu com três entrevistas realizadas, nesta ordem, com informantes privilegiados/as, qualificados/as como generalistas:
1) Médico geriatra aposentado legalmente e que segue em atividade cujo objetivo foi o de conhecer a situação das pessoas mais velhas face ao envelhecimento e, além disto, como o envelhecimento biológico se entrecruza com o trabalho (Apêndice A);
2) Responsável do Departamento do Trabalho (DeTrab) na Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social (STDS) do Estado do Rio Grande do Sul a fim de conhecer a posição das instituições públicas e governamentais no tocante ao envelhecimento da força de trabalho de forma geral e especificamente para o Estado do Rio Grande do Sul (Apêndice B);
3) Como braço executor das políticas públicas de emprego foi entrevistado o responsável da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) para verificar que ações estariam sendo empreendidas em relação ao mercado de trabalho para trabalhadores/as mais velhos/as (Apêndice C).
Como passo seguinte, iniciamos as entrevistas com os atores diretamente envolvidos no mercado de trabalho no setor Hoteleiro.
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3.1.1.2 A entrada em Campo
A primeira entrevista com um ator considerado chave no mercado de trabalho no Setor Hoteleiro foi com o responsável do Sindicato Intermunicipal da Hotelaria no Rio Grande do Sul (Sindihotel) com o objetivo de conhecer a situação do emprego no setor e se o envelhecimento da população já está refletindo no envelhecimento da força de trabalho e mercado de trabalho de trabalho para este grupo etário (Apêndice D). Como o entrevistado é, também, dono de uma rede hoteleira com mais de uma dezena de estabelecimentos na região sul do Brasil a segunda parte da entrevista buscou vislumbrar a sua avaliação de mercado de trabalho e gestão de pessoas relativa aos/as trabalhadores/as mais velhos/as (Apêndice E).
Em seguida, a partir do levantamento das escolas que ofereciam cursos superiores ou superiores tecnólogos de Hotelaria na região estudada, fui pessoalmente a uma IES de Porto Alegre. Nesta instituição entrevistamos o responsável do Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria (Apêndice F). O objetivo foi conhecer o perfil do aluno que busca o curso e a visão do coordenador sobre o mercado de trabalho, especialmente para aqueles/as acima dos 45 anos.
Por sugestão do responsável do curso superior de Hotelaria entrevistamos, também, nesta mesma instituição, a responsável pelos cursos profissionalizantes via Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), uma vez que alguns cursos oferecidos são na área estudada (Apêndice G). Essa entrevista permitiu conhecer os cursos realizados e as expectativas de inserção profissional para este público encaminhado principalmente pelo Sistema Nacional de Emprego (SINE) e como, neste contexto, se dá a procura e consequente (re)inserção profissional dos/as maiores de 45 anos.
Como representante dos empregadores foi entrevistada a responsável pelo setor de recursos humanos em um hotel 3 estrelas em Porto Alegre. Por meio desta entrevista foi possível explorar o perfil de trabalhador/a desejado pelas organizações hoteleiras e como percebem a idade e o gênero do/a trabalhador/a (Apêndice E).
Quando da volta do doutorado sanduíche realizei a entrevista com o responsável do Sindicato de trabalhadores/as do Setor em Porto Alegre. Havia tentado por inúmeras vezes a realização desta entrevista antes da viagem, o que não foi autorizado. Com esta entrevista foi possível, além de explorar os temas relativos ao mercado de trabalho conforme a percepção
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do sindicato, confrontar alguns elementos que emergiram do campo quanto a gênero e envelhecimento do/a trabalhador/a no mercado de trabalho (Apêndice H).
Na seção seguinte é apresentada a etapa seguinte da investigação e caracterizados os/as trabalhadores/as e estudantes entrevistados/as.
3.1.1.3 O Campo: os/as trabalhadores/as e estudantes do setor Hoteleiro
O foco principal desta investigação são os próprios/as trabalhadores/as do setor hoteleiro ou, ainda, aqueles que, já inseridos ou não em hotéis, qualificam-se em cursos superiores ou de tecnologia em Hotelaria para trabalhar neste setor.
Cabe salientar que para essa etapa da tese foi de fundamental importância a autorização do responsável do curso de Hotelaria na IES S para entrevistar seus/uas alunos/as e profissionais de Hotelaria, sendo que à pesquisadora foi permitido circular nos espaços desta instituição e conversar com os/as alunos/as inclusive em horário de aula. Todas as entrevistas aos/as alunos/as-profissionais ocorreram nas instalações físicas desta instituição. Em uma das vezes a pesquisadora pode entrar em uma sala de aula, explicar a pesquisa, escutar as opiniões e responder às perguntas dos/as alunos/as e convidar aqueles/as com mais de 45 anos a participarem. Em outros casos era o próprio responsável que consultava os/as alunos/as apresentando a pesquisadora.
Assim, foram entrevistados 12 trabalhadores/as e/ou estudantes em Porto Alegre (Apêndice I), conforme pode ser consultado na Figura 11. Na IES S foram entrevistados/as 10 alunos/as. Destes, dois são do sexo masculino justamente os únicos dois que são trabalhadores efetivos em hotéis na cidade de Porto Alegre. Outras duas estudantes estavam estagiando ou já tinham cumprido estágios dentro de hotéis; uma havia trabalhado em hotel por alguns anos e no momento da entrevista trabalhava em outro setor e cinco delas nunca trabalharam nem estagiaram em hotel.
Fora da IES S foram entrevistadas duas trabalhadoras. Uma delas ativa em hotel e outra que havia trabalhado até pouco tempo como camareira e que apesar de não estar mais trabalhando em hotel no momento da pesquisa aceitou participar.
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Nome Gênero Idade Instrução Grau
Tempo Setor (anos)
Tempo Hotel
(anos) Cargo Áudio
1 Ana Clara F 67 Sup.
incompleto - -
Estud. Hotelaria/ Aposent./Busca
ocupação 34’40”
2 Nadine F 60 Assistente
Social - - Estud. Hotelaria/ Busca ocupação 49’08”
3 Eliane F 49 Contabilist
a - - Estud. Hotelaria/ Busca ocupação 42’15”
4 Sérgio M 49 Incompleto Sup. 30 3 Estud. Hotelaria/ Gerente Geral 48’45”
5 Jaqueline F 48 Sup.
Incompleto 1 1
Estud. Hotelaria/ Estagiária em A&B e
recepção 24’34”
6 Norah F 49 Incompleto Sup. 4 4
Estud. Hotelaria/ Trabalhou como recepcionista/ atual recepção de escrit. 28’41” 7 Eleonora F 52 Sup.
Incompleto - - Estud. Hotelaria/ Artesã e artista 40’42”
8 Fernanda F 54 Sup. incompleto - - Estud. Hotelaria Aposent./Busca ocupação 44’20” 9 Gilmar M 47 Sup. incompleto 20 15 Estud. Hotelaria /Gerente noturno 48’59” 10 Carolina F 50 Sup.
incompleto 1/4 1/4 Estud. Hotelaria /Cozinheira 31’10”
11 Giane F 67 fundament3 série
al 30 25
Camareira/Aux. Serviços gerais
/Aposent. 46’32”
12 Maria Luiza F 50 incompleto Médio 1/4 1/4 cuidadora crianças Camareira. Atual 44:39
Figura 11 – Trabalhadores/as e Estudantes entrevistados/as no Brasil
Fonte: elaborado pela autora
Notas: F = Feminino; M = Masculino; Estud. = Estudantes; Desemp. = Desempregados/as; Aux. = Auxiliar; Aposent. = Aposentado/a; Sup. = Superior
A autorização do responsável do curso superior de Hotelaria para entrevistar os/as alunos/as foi crucial uma vez que estávamos com muita dificuldade de acesso aos/as trabalhadores/as de hotéis em Porto Alegre. Há que se ressaltar que nem sempre o problema era apenas a autorização, mas também o fato do hotel informar que não contava com trabalhadores/as acima dos 45 anos em seu quadro. Houve casos em que o/a entrevistado/a não quis participar ainda que o hotel permitisse. Mesmo na IES S nem todos/as os/as estudantes abordados/as aceitaram conceder a entrevista.