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Utslippsberegningene

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3.2 Beskrivelse av utslipps- og spredningsmodellen

3.2.2 Utslippsberegningene

A materialidade que não refrata e mantém o seu significado situado em si mesmo não pode ser considerado como um signo ideológico e nem como linguagem. Bakhtin/Voloshinov.

Para atingir o nosso objetivo e responder as nossas questões, esse capítulo foi organizado em três seções. Na primeira, metodologia para a composição do corpus de análise, retomamos o nosso objetivo e perguntas de pesquisa, expomos os procedimentos de montagem do nosso corpus e da nossa análise.

Na segunda parte, descrição da novilíngua, descrevemos a novilíngua segundo o próprio autor com base no posfácio da obra, recortamos a presença da novilíngua na narrativa em todos os capítulos e elaboramos quadros para uma melhor visualização de sua construção, e por fim nesse parte, também fizemos um miniglossário da novilínguaque define os termos e as suas respectivas classes de palavras.

Na terceira parte, Novilíngua e a redução da capacidade de expressão, analisamos o

processo de composição e derivação das palavras, presentes em nosso corpus, como uma das estratégias linguísticas utilizada pelos idealizadores da novilíngua para restringir a expressão humana. Nessa parte também efetuamos diálogos entre os discursos trazidos pelo léxico da

novilíngua e os discursos que circulam em torno do governo stalinista no que tange a

perseguição política, a restrição da liberdade de pensamento e a deturpação do marxismo. Por fim estabelecemos relações diálogicas entre a novilíngua e a linguística marrista dentro do contexto da Rússia das décadas de 1920 e 1930 em que se buscava a língua nacional proletária.

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3.1.1 Metodologia para a composição do corpus e da análise.

Nossa pesquisa tem por objetivo descrever, analisar e interpretar, por meio da materialidade linguístico-discursiva, os discursos históricos que atravessam a constituição da

novilíngua na obra 1984 de Orwell e assim verificar o seu conceito de língua/ linguagem, e

responder quatro questões: (1) Qual é o conceito de língua/linguagem da novilíngua e da linguística oficial russa das décadas de 1920/1930? (2)Quais relações dialógicas podem ser estabelecidas entre o conceito da novilíngua e esse mesmo conceito da linguística oficial russa dos anos 1930? (3) Quais relações dialógicas podem ser estabelecidas entre o léxico da

novilíngua, que trata o pensamento discordante ao sistema totalitário como crime, e a

sociedade stalinista no que diz respeito à restrição da liberdade de expressão? (4) Quais conhecimentos sobre a linguagem humana nossa análise vai de encontro?

A metodologia utilizada para atingir o objetivo, responder às perguntas e delimitar o nosso corpus seguiu a respectiva dinâmica; descrevemos a novilíngua com base na descrição do autor existente no posfácio constitutivo da obra original, Orwell (1977) e em duas versões para o português do Brasil, Orwell (2004) e Orwell (2009); investigamos a presença do termo

novilíngua e do léxico em novilíngua na narrativa em todos os capítulos da Obra.

Recortamos o termo novilíngua e o léxico em novilíngua porque ambos trazem consigo os discursos que atravessam a obra sobre a língua/linguagem. Além da descrição baseado no autor; construímos um glossário que engloba o léxico pertencente à novilíngua contendo as respectivas definições dessas palavras apontadas na narrativa, suas respectivas classes de palavras e a quantidade de ocorrência na narrativa.

Por meio da nossa descrição da novilíngua foi possível estabelecer o seu conceito e a nossa categoria de análise. A nossa categoria de análise e respectivamente o conceito da

novilíngua é o da construção de uma língua monossêmica capaz de reduzir o posicionamento

ideológico que é múltiplo em apenas um. Após o estabelecimento de nossa categoria de análise e do conceito da novilíngua confrontamos esse conceito com o conceito de língua/linguagem da linguística oficial russa das década de 1920 e 1930.

Começamos nossa descrição da novilíngua pelo posfácio porque nele contém informações sobre a novilíngua não existentes na narrativa. Essas informações dizem respeito aos critérios que deveriam ser seguidos para a sua elaboração em seus aspectos fonológicos e

112 morfológicos. O critério que seguimos para descrever a novilíngua no posfácio foi o de fazermos um resumo dos conceitos que foram criados para a sua elaboração. Após o resumo desses conceitos, elaboramos quadros que mostram como ocorre a construção da novilíngua por meio da indicação do autor. Esses quadros apontam as novas configurações de marcas de plural, verbos irregulares e a destruição de adjetivos e advérbios através da adição de prefixos e sufixos.

Para descrevermos a presença da novilíngua na narrativa, utilizamos o programa Wordsmith versão 5.0. Esse programa é usado na linguística de corpus e na linguística sistêmica funcional, ambas possuem seu próprio método e procedimento para utilização do programa. Entretanto, não utilizamos o programa com os pressupostos teóricos dessas disciplinas, o programa foi usado por nós apenas em duas funções básicas: a lista de palavras e o marcador de suas ocorrências.

Após essa construção, procedemos da seguinte forma para recortar a presença da

novilíngua no romance com auxílio do programa Wordsmith 4.0, dividimos o livro em

arquivos separados por capítulo, utilizamos a função lista de palavras e por meio dela foi possível ter acesso ao léxico da novilíngua. Recortamos também o contexto em que a palavra

novilíngua aparece para sabermos os discursos que atravessam a sua constituição, ou seja,

para montar o nosso corpus seguimos dois critérios, recortar o termo em novilíngua e seus respectivos contextos e recortar o termo novilíngua e seus respectivos contextos.

Entendemos por termo novilíngua a palavra novilíngua por si mesma citada pelo narrador ou por alguma personagem como no exemplo:

- O que eu de fato queria te dizer, a propósito do artigo, é que notei o uso de duas palavras obsoletas. Que se tornaram obsoletas muito recentemente. Já viste a décima edição do Dicionário de Novilíngua? Não. Não creio que já tenha sido publicado. No Departamento de Registro ainda usamos a nona. - Creio que a décima edição só será publicada daqui a alguns meses. Mas foram preparados alguns exemplares especiais, de amostra. E eu recebi um. Talvez gostasse de examiná-lo?- Apreciaria imenso - disse Winston, percebendo imediatamente aonde levava a conversa, (ORWELL, 2004, p.153).

A passagem acima mostra o contexto em que o termo novilíngua aparece e também mostra qual o conceito de língua/linguagem esse termo traz uma vez que confirma que a

113 A próxima citação ilustrará o recorte sobre o termo em novilíngua que entendemos como sendo uma palavra já aceita e pertencente ao léxico dessa nova língua em construção:

Em princípio, um membro do Partido não tinha horas vagas, e não ficava nunca só, exceto na cama. Supunha-se que quando não estivesse trabalhando, comendo ou dormindo, devia participar de alguma recreação comunal; era sempre ligeiramente perigoso fazer qualquer coisa que sugerisse o gosto pela solidão, mesmo que fosse apenas passear sozinho. Em Novilíngua havia uma palavra para isso: proprivida, e significava individualismo e excentricidade (Orwell ,2004, p. 83)

Percebemos nessa passagem acima que há ocorrência do termo em novilíngua uma vez que a palavra proprivida não existe e o próprio narrador aponta como sendo um léxico desse novo idioma. Recortamos todos os capítulos da obra recorrendo a esse mesmo procedimento.

Para a construção do nosso glossário a partir da narrativa e a definição das palavras, a citação acima também se faz útil. A cada léxico em novilíngua que o autor introduz na narrativa ele também dá a sua definição. Dessa forma o nosso glossário se constitui de uma lista do léxico em novilíngua que é introduzido pelo autor cuja definição é dada pelo próprio Orwell.

Na parte do glossário que indica a classe de palavra recorremos aos mesmos recortes do texto e depreendemos a classe de palavras a partir do contexto em que elas estão inseridas. No que concerne à frequência de cada palavra na narrativa, utilizamos um procedimento um pouco diferente. Para obtermos essa informação também recorremos à ferramenta Wordsmith 4.0. Não ultilizamos capítulos separados como anterioriormente, construímos um arquivo apenas contendo todo o texto de 1984, com exceção do posfácio, e submetemos a análise do Wordsmith 4.0, tal procedimento nos possibilitou aferirmos a ocorrência de cada palavra em

novilíngua por toda obra toda.

Após o processo de descrição, escolhemos duas das diversas marcas linguísticas que a

novilíngua possui, assim analisamos, respectivamente: o processo de formação de palavras

por composição e derivação. Para analisamos a novilíngua, recorremos a gramática de Bechara (2006) para analisar o processo de derivação, já o processo de composição de palavras, além da gramática de Bechara (2006) utilizamos os estudos linguísticos de

114 Benvenist (2006) que relacionam os compostos com o caráter sintático e enunciativo da língua.

Uma vez entendido como se opera essas duas marcas linguísticas dentro do léxico da

novilíngua, escolhemos o léxico que associa a ideia discordante do regime com o crime.

Recuperamos as expressões sintáticas desses compostos a fim de reconstruirmos quais discursos os constituem. Esses discursos apontaram que o conceito da novilíngua é o da tentativa de construção de uma língua monossêmica em que, através da destruição do léxico e da criminalização das ideias opostas chegar-se-ia a essa língua que refletiria apenas a ideologia do partido.

Após esse diálogo entre a novilíngua e a repressão stalinista, estabelecemos relações dialógicas entre o conceito da novilíngua depreendido através da descrição, com o conceito da língua única mundial de Marr. Inserimos esse diálogo dentro de um diálogo maior que as teorias estavam tendo entre si e que remete a língua nacional que seria utilizada no período pós revolucionário da união soviética.

Para chegarmos aos nossos resultados os conceitos teóricos de Bakhtin e o Círculo perpassam todo o trabalho, mais especificamente estes conceitos são os de quadro axiológico, ideologia, signo ideológico, dialogismo e forças centrítepetas e forças centrífugas.

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