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Utsikter 18

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Nessa etapa final da intervenção procuramos obter dados sobre a aprendizagem conceitual – o estágio de desenvolvimento dos conceitos, e/ou de elementos destes – dos alunos, após o término do que denominamos de etapa de desenvolvimento da intervenção/curso de evolução. Considerando que nesta etapa seriam encerrados os contatos com os alunos do curso e, portanto, com os participantes da pesquisa, além da função de obtenção de dados sobre a aprendizagem desenvolvida – equivalente, neste trabalho, para o ensino e a pesquisa em desenvolvimento – , era necessário garantir a obtenção de dados relacionados exclusivamente aos objetivos da pesquisa. Assim, nas questões propostas aos alunos, procurou-se solicitar o estabelecimento de relações entre os conceitos, objeto da Avaliação de Aprendizagem, e as oportunidades de aprendizagem oferecidas pelo instrumento de ensino. Um exemplo deste tipo de questão é apresentado mais à frente.

Portanto, nestas aulas foram propostas atividades nas quais os alunos tiveram de explicitar suas idéias e realizar operações de pensamento. A última etapa da intervenção, o Diagnóstico Final, constou de apenas duas aulas. As atividades objetivaram incluir todos os princípios e conceitos abordados no curso e articulá-los, principalmente, com as operações de pensamento relacionadas à síntese e generalização, diretamente envolvidas ou demandadas quando são solicitadas conceituações. Devido a problemas operacionais, o fim do curso teve de ser antecipado e tivemos de priorizar algumas operações de pensamento, já que não seria possível abordar todas. Decidimos priorizar as atividades mais relacionadas à síntese e generalização, baseados em nossos referenciais teóricos. Desta forma, a aula 14 – penúltima aula – constituiu-se na resolução individual das atividades descritas em um roteiro (Anexo 4), que articulavam os conteúdos abordados, as operações de pensamento priorizadas e atividades com o instrumento. Por exemplo, foi proposto aos alunos: “O que é, para você, a seleção natural? O instrumento a evidencia? Se sim, como?”. O questionário final (Anexo 5), respondido na última aula, não mencionava o instrumento de ensino e continha situações problema, que articulavam solicitações de aplicação de fatos e princípios a novas situações e definição de alguns princípios e conceitos centrais abordados durante o curso.

4 – MÉTODO

Procurando responder à questão de pesquisa apresentada na Introdução e, conseqüentemente, atingir os objetivos desta investigação, foram definidas categorias de análise relativas ao desenvolvimento conceitual dos participantes da pesquisa sobre a variabilidade intraespecífica e seu papel e importância no processo evolutivo. As categorias foram: presença de diferenças entre indivíduos de um mesmo grupo (espécie); conceito de espécie; geração da variação é aleatória; relação entre variação e mutação; princípio da herança dos caracteres; relação entre variação e adaptação; relação entre variação e ambiente; relação entre variação e processo evolutivo.

A essas categorias de análise procuramos relacionar dados sobre as condições oferecidas pelas intervenções do professor/pesquisador e a participação do instrumento de ensino no processo de aprendizagem. Para tanto, foram coletados dados sobre o processo de ensino e aprendizagem desenvolvidos na intervenção realizada, descrita no capítulo anterior. Mais especificamente, considerando as categorias definidas para a análise, coletamos dados sobre o processo de desenvolvimento conceitual dos alunos, dos produtos finais de aprendizagem, assim como do papel do professor e do instrumento de ensino no contexto em pauta.

A coleta de dados foi distribuída nas mesmas etapas definidas para a intervenção que foi materializada no Curso “Evolução das Espécies”. Desta maneira, foram coletados dados ao início do curso, antes do desenvolvimento de atividades de ensino – etapa de Avaliação Diagnóstica – , durante o curso – etapa desenvolvimento – e ao seu final – etapa Avaliação de Aprendizagem.

Assim, pudemos coletar dados processuais relacionados à aprendizagem dos conceitos abordados e sobre os procedimentos do professor/pesquisador no desenvolvimento das atividades e dados sobre a função do instrumento de ensino.

PARTICIPANTES

São considerados participantes da pesquisa, o professor e dois dos alunos que participaram do Curso “Evolução das Espécies”: Fábio e Vanessa (os nomes dos participantes são fictícios). Assim, além dos dados sobre as intervenções do professor e

contribuições do instrumento de ensino utilizado, para efeito da análise do processo e dos produtos de aprendizagem, serão considerados apenas os dados destes dois alunos.

A decisão de analisar os dados destes dois alunos baseou-se no critério de freqüência ao curso. Dos 16 alunos que participaram do curso, Fábio e Vanesa foram os que tiveram maior freqüência, tendo faltado a apenas uma das aulas, o que possibilitou uma análise processual mais completa, com poucas lacunas de registros.

A média de participantes presentes em cada aula do curso foi de seis alunos, e este número variou de três até dez. Na verdade, dos dezesseis alunos citados, oito participaram de apenas uma aula, a primeira, e não mais compareceram ao curso. O curso contou com seis alunos regularmente presentes, dos quais quatro participaram com uma freqüência maior do que 75% das aulas (menos que 4 faltas) e responderam aos questionários de avaliação inicial e final. Dois participaram de apenas quatro aulas, e dois participaram durante todo o curso mas de forma irregular, faltando em mais de cinco aulas e não respondendo ao questionário de avaliação inicial.

Devido, então, à freqüência dos participantes e ao tipo de análise que desenvolvemos no estudo, decidimos considerar como sujeitos da pesquisa, e nos dedicar à análise dos dados destes, apenas os dois participantes que freqüentaram 14 das 15 aulas desenvolvidas. Os outros dois participantes tiveram apenas duas faltas, mas estas se deram em momentos importantes de avaliação, o que dificultaria a análise dos dados deles na pesquisa. Esperamos que os dados de todos os participantes possam ser utilizados em trabalhos futuros.

Os dois alunos participantes da pesquisa apresentavam características socioeconômicas5 muito parecidas com a média dos alunos ingressantes no ‘Cursinho’ da UFSCar no ano de 2002. Os dois realizaram toda sua escolaridade em escolas públicas da cidade de São Carlos. Fábio (22 anos) considerou-se, em questionário para levantamento de características socioeconômicas, como de cor branca e Vanessa declarou-se parda. Nenhum dos dois estava trabalhando no período de desenvolvimento do curso. Fábio estava iniciando o segundo ano de participação no projeto, sendo que no ano anterior havia cursado a modalidade de 01 ano. Vanessa (16 anos) ainda estava cursando o ensino médio e freqüentava o curso pré-vestibular pela primeira vez. Ambos

demonstraram grande interesse pelas atividades do curso e também participavam ativamente nelas.

PROCEDIMENTO

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