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Kapittel 6: Artikkelløshet i stedsnavn i Rogaland

7.2 Utmerkingsledd

Para a análise textual, utilizaremos o Sistema de Avaliatividade da Linguística Sistêmico-Funcional, LSF. Assim, através de suas categorias léxico-gramaticais, veremos como o discurso do governo federal, da mídia e da representação da pobreza se articulam. A escolha por este viés teórico é respaldada pelo objetivo geral desta pesquisa, que visa a identificar a forma com que a imagem do pobre e a pobreza é retratada e refratada pelos três domínios discursivos citados.

De acordo com Vian Jr. (2011), através da linguagem, fazemos juízo de valor a respeito do outro e selecionamos o quanto queremos, por exemplo, aumentar ou diminuir o grau da avaliação que damos. Para tanto, utilizamos diversos recursos léxico-gramaticais ou grafo-fonológicos, que nos auxiliam a impingir no discurso proferido valores e impressões que temos do outro ou que simplesmente queremos transmitir. Este é o foco do Sistema de Avaliatividade em LSF, que se encontra no cerne da semântica discursiva. Em nosso trabalho, uma vez que teremos majoritariamente textos escritos, trabalharemos apenas questões léxico- gramaticais.

Para que possamos compreender essa escolha, faz-se necessário que digamos que o Sistema de Avaliatividade é subjacente à Metafunção Interpessoal da LSF, que é a metafunção responsável por manifestar textualmente mecanismos de interação, e, ainda, por desempenhar papéis sociais em interação dialógicas (ALMEIDA, 2010). Nessa interação, informações são trocadas, e essas informações/significações/crenças estão repletas de carga avaliativa, por isso o nome do sistema que estuda esses fenômenos: Avaliatividade.

Ao mesmo tempo, a Avaliatividade pode se dar a partir de três recursos. São eles: a) Atitude, que, de acordo com Martin e White (2005), é responsável pela emoção, e se divide em três subcategorias, afeto, julgamento e apreciação; b) Gradação, que engloba questões que atenuam ou asseveram sentidos valorativos; e c) Engajamento, que negocia os sentidos de valor através da expansão ou redução do potencial dialógico.

Figura 02 - Recursos do Sistema de Avaliatividade e do Sistema de Atitude (VIAN JR, 2011, p. 20).

1.4.1 Atitude

A atitude é descrita por Martin e White (2005) como o sistema da Avaliatividade relacionado aos sentimentos manifestos nos textos. Este subsistema é dividido, pois “envolve três áreas semânticas englobando o que é tradicionalmente chamado de emoção, ética e

estética” (idem, p. 42). Nesse aspecto, a emoção seria o centro dessas três áreas, chamado

pelo autor de afeto.

O afeto, ao contrário de como popularmente é utilizado, não diz respeito apenas aos

sentimentos positivos, mas também aos negativos. No período “Famílias gaúchas que sofrem

com estiagem terão cisternas” (BRASIL, 2012b), por exemplo, há atribuição de um sentimento negativo das famílias gaúchas, o sofrimento, representado pela oração subordinada adjetiva restritiva “que sofrem”.

O julgamento, por sua vez, reflete o comportamento humano, porque “constrói

linguisticamente as avaliações do comportamento das pessoas” (ALMEIDA, 2011, p. 106). Por exemplo, no sintagma “delinquentes da periferia” (VEJA, ed. 2255, 2012), há uma

valoração negativa, ou melhor, um julgamento negativo sobre os que vivem nas zonas menos abastadas de uma cidade, no caso, Curitiba. Esta categoria será a mais explorada nas análises deste trabalho, pois comporta melhor seu objetivo geral.

A apreciação é responsável pela criação das avaliações sobre coisas, objetos e fenômenos. Por exemplo, o título de uma das notícias do governo federal analisadas no capítulo 04 é: “Dilma: tarefa mais importante do governo é acabar com a miséria”. Tarefa, neste caso, é valorado como algo muito positivo através de ‘mais importante’.

1.4.2 Gradação

Outro subsistema da Avaliatividade é a gradação9, que alude à utilização de recursos que expressam, ajustam e descrevem o grau de intensidade dos recursos do sistema de atitude, ou seja, afeto, julgamento e apreciação, além dos recursos do sistema de engajamento.

Figura 03 - O Sistema de Gradação (SOUZA, 2011, p. 192).

Este sistema apresenta dois subsistemas:

a) Força

O subsistema de força provê recursos capazes de avaliar a qualidade e o processo. Tem dois subsistemas subjacentes:

a) intensificação, que se refere à “gradação de processos, quantidades e indicadores de

modalidade” (SOUZA, 2011, p. 192). Isso se dá através de:

 fusão, em que o grau de um item lexical é graduado, como pode ser visto em “Curitiba

saltou da vigésima para a sexta posição no ranking das capitais com maiores índices de homicídios. [...] Curitiba subiu tanto no ranking porque dobrou sua taxa de

homicídios” (VEJA ed. 2255, 2012);

 isolamento, que, através de um adjunto adverbial em conjunto com a qualidade ou

processo, aumenta ou diminui a intensidade do que o falante deseja gradar (SOUZA,

9 Mesmo não utilizando todo o subsistema de gradação nas análises, cremos ser importante citá-lo neste capítulo

2011), como no exemplo “Esses recursos vão beneficiar famílias extremamente

pobres” (BRASIL, 2012b);

 repetição, que consta da repetição do mesmo item lexical ou do mesmo campo

semântico, tal qual temos em “[as pessoas] não mais precisam se deslocar por longas distâncias para buscá-la em açudes, poços e barreiros (exemplo nosso)”

b) quantificação, que diz respeito à gradação de entidades concretas ou abstratas. Este subsistema, por sua vez, possui recursos para aumentar ou diminuir o número de entidades concretas ou abstratas, o que chamamos de quantidade. Como exemplo, podemos tomar um trecho da CUFA MA (2012) já citado: “muitos deles [jovens assistidos pelo projeto] já possuem a responsabilidade de sustentar filhos”.

A quantificação também grada a noção de tamanho, altura, peso, espessura e luminosidade, que se chama volume, por exemplo: O seguro de um automóvel no Batel, bairro de alto padrão de Curitiba, é mais caro do que em bairros equivalentes de capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Além da quantidade e do volume, a quantificação também diz respeito aos graus da avaliação de elementos ligados ao tempo e ao espaço, que chamamos de extensão.

b) Foco

Outro subsistema da gradação é o foco, que atenua ou acentua as avaliações. É importante postular que os elementos gradados por foco não são passíveis de serem gradados.

Por exemplo, “Quando estamos tratando de desenvolvimento, é fundamental entendermos que

o que se desenvolve de fato são as pessoas” (CUFA DF, 2012), ‘de fato’ está acentuando que quem se desenvolverá são as pessoas, não outras coisas. Esta locução não é uma exigência gramatical, e sim semântica, que, ao ser utilizada pelo locutor, automaticamente aumenta o

foco naquilo que ele pretender por luz sobre.

Como o sistema de gradação é irredutível dos outros sistemas e a utilização dos seus

mecanismos “nos permite, entre outras coisas, dizer o quão comprometido o produtor de um

texto se coloca com relação aos valores que expressa em suas avaliações” (SOUZA, 2011, p. 203), utilizaremos a gradação nas análises como forma de complementar o que está sendo textualmente avaliado a partir do sistema de atitude.

1.4.3 Engajamento

O engajamento lida com as vozes marcadas textualmente. Este sistema retoma e adapta os conceitos bakhtinianos de heteroglossia e monoglossia (expansão ou redução dialógica). A heteroglossia, na avaliatividade, representa a troca de vozes marcada textualmente. Por exemplo, alguns de seus subsistemas são: negação, endosso,

reconhecimento etc. A monoglossia, por sua vez, trata da afirmação, apenas. Como não

utilizaremos este subsistema neste trabalho, não se faz, por ora, necessário que nos debrucemos sobre esta questão.

A partir da Avaliatividade, com as categorias que este sistema possui, faremos a análise textual, primeiro passo da metodologia de análise adotada por este trabalho. A análise social é o foco da ACD e, consequentemente, da ASCD. No entanto, como análise textualmente orientada, necessita de ancoragem para esmiuçar a materialidade linguística, que elucidará as questões sociais dispostas nas questões de pesquisa.

Neste capítulo, apresentamos as bases da ACD e, consequentemente, da ASCD, que nos permitem desenvolver as análises e embasar os nossos objetivos. Tentamos, aqui, mesmo com as proporções particulares de uma dissertação acadêmica, mostrar um pouco das estórias e especificidades da ACD, além das contribuições de sua mais nova corrente, a ASCD. No próximo capítulo, veremos as concepções de pobreza e a categorização que nortearão nossas análises.

2 IDENTIDADES EM POBREZA: DA MAZELA À TEORIA

Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome. - Mahatma Gandhi

Neste capítulo, iremos contextualizar o pobre e a pobreza no cenário atual, e traçaremos um paralelo com as teorias de identidade utilizadas para a feitura das análises. Para entendermos melhor como se dá a pobreza, principalmente nos discursos das instituições escolhidas para este trabalho, iremos, além de apontar esclarecimentos sobre os pobres e as dificuldades de consumo e socialização, tecer o perfil do governo federal, da Veja e da CUFA, e proporcionar uma cama propícia para fazer a análise social aflorar dos discursos selecionados.

O governo brasileiro, e a sociedade como um todo aqui no Brasil, utiliza, no senso comum, pobreza extrema como sinônimo de miséria10; por isso, também utilizaremos dessa forma. Antes de mais nada, precisamos esclarecer a diferença entre pobreza e miséria. Assim, para o governo federal, encontra-se em situação de miséria ou pobreza extrema a família que vive com renda per capita de até setenta reais mensais, e pobre a família que tem renda de setenta reais e um centavo até cento e quarenta reais por pessoa no mês (BRASIL, 2012).