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7.4 Tverrgående oppmerking

7.4.2 Utleggingsutstyr

Nas cidades virtuais de constantes fluxos comunicativos contam mais os processos que as coisas, a ubiqüidade e a instantaneidade da informação ou da decisão via telefone celular, a partir do computador pessoal, a facilidade e a rapidez comunicacional. Essa realidade constitui a força e a eficácia da cidade virtual, entretecida pelos fluxos informáticos e pelas imagens televisivas.

No entanto, a eficácia da mensagem colaborativa não é apenas verbal, mas, sobretudo visual e sonora, na forma como a informação é construída no telejornal

com seus critérios de noticiabilidade. Isso inicialmente ocorre quando o indivíduo adquire pela observação, interesse nos assuntos da linha editorial do jornal, e, assim, reproduz simbolicamente outros textos numa relação mimética de desejo e poder entre destinadores e destinatários, que podem se alternar em funções comunicativas.

Nesse jogo de trocas enunciativas, instaura-se um esquema de opinião ou de retroação, seguindo, a exemplo dos modelos circulares da Teoria da Informação. O receptor pode tornar-se emissor ao realimentar a comunicação e dirigir-se a um destinatário, mas focado em outro. O interagente direciona a sua mensagem não ao público do jornal, mas ao telejornal, responsável pela veiculação da mensagem, que em seguida, como destinador, informa sobre o conteúdo colaborativo ao seu público. O colaborador, ao responder ao telejornal com a gravação dos enunciados, teve a intenção de passar de destinatário do discurso para destinador-manipulador, papel exercido pela mídia e intermediado pelo telejornal, que o convocou a assumir a função de destinatário nesse jogo de desejo e poder. O destinatário se identifica com a visibilidade das imagens colaborativas enunciadas pela TV.

O interagente confia no papel assumido pela televisão de abrir-se à participação do público, quando o estimula ao envio de imagens do cotidiano. Ao participar desse ambiente midiático, os interagentes estão conscientes da mediação social proposta pela televisão, manipuladora da imagem e do discurso dos sujeitos no meio de comunicação. Para uma compreensão de como acontece o poder concedido ao público, Michel FOUCAULT (1999), explica que essa transferência de poder de forma total ou parcial, funciona como um ato jurídico ou um ato fundador de direito, seja por cessão ou contrato.

O poder seria o que todo o indivíduo detém e cede, total ou parcialmente, para a constituição de um poder soberano politicamente. As notícias narradas pelos apresentadores dos telejornais criam esses efeitos de poder como realidade, pois como afirma Diana Luz Pessoa Barros (2003, p. 59), ―por efeitos de realidade ou de referente entendem-se as ilusões discursivas de que os fatos contados são coisas ocorridas, de que seus seres são de carne e osso, de que seu discurso copia o real. São ilusões criadas, efeitos de sentido produzidos no discurso graças a procedimentos diversos‖.

No discurso, o destinador (público) cede palavra aos interlocutores (TV), quando no interior do texto, reconstrói-se a cena do flagrante com edições e textos acompanhados de dados sobre o fato narrado pelos apresentadores no telejornal. Cria-se assim, uma ilusão de situação real dialógica entre destinador e destinatário, novamente invertida as funções. Ao ser narrada pelo destinador (TV), a imagem colaborativa repete a maioria dos dados fornecidos pelo destinatário (público) que, supostamente, presenciou o fato. Se realmente os fatos aconteceram como as imagens foram mostradas nos telejornais não importa, a ilusão de verdade está garantida.

―Os efeitos de realidade ou de referente são, no entanto, construídos mais frequentemente por meio de procedimentos da semântica discursiva e não da sintaxe, ao contrário do que ocorre com os efeitos de enunciação. O recurso semântico denomina-se de ancoragem. Trata-se de atar o discurso a pessoas, espaços e datas que o receptor reconhecemos como ―reais‖ ou ―existentes‖, pelo procedimento semântico de concretizar cada vez mais os atores, os espaços e o tempo do discurso, preenchendo-os com traços sensoriais que os ―iconizam‖, os fazem ―cópias da realidade‖. Na verdade, fingem ser ―cópias da realidade‖, produzem tal ilusão‖. (Barros, 2003. P 60).

Estes documentos audiovisuais colaborativos mesmo reproduzindo essas cópias da realidade quanto ao seu conteúdo e forma, no entanto, utilizam, em muitas coberturas, planos tremidos e imagens de baixa qualidade registradas pelo suporte de microcâmeras, câmeras de vigilância, amadoras e de telefones celulares, buscando imprimir ao enunciado, ainda que de maneira limitada, um efeito de cópia real, algo bem distante da realidade das imagens estáveis e bem enquadradas profissionais. O enunciador (TV) cumpre o papel de fazer persuasivo, responsável por manipular as imagens do interagente e levar o público ao fazer interpretativo que o leva a reconhecer e a crer na cópia do real.

Tanto a persuasão do enunciador (TV), quanto à interpretação do público se realizam no e pelo discurso. Estabelece-se um contrato entre o destinador (TV) e seu destinatário (público) e os meios empregados na persuasão e na interpretação das imagens colaborativas. Pelo contrato entre os sujeitos, o público deve interpretar o discurso, de ler a verdade e registrá-la em dispositivos tecnoditgitais. O enunciador (TV) constrói um dispositivo, que determina marcas de veridicção com as imagens tremidas, amadoras e não profissionais, com o intento em participar. Mais do que julgamentos de valor desta verdade na produção do interagente, estas escolhas refletiriam esta tentativa do anônimo em sair da condição de invisibilidade rumo a uma possível visibilidade, mesmo que manipulada pela imprensa, que não amplia ou

complexifica a situação inicial dos fatos registrados como denúncias e não busca as possíveis conexões entre os diferentes fatos relacionados aos acontecimentos revelados pelo interagente.