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Principalmente instaladas nas metrópoles brasileiras, conquanto haja iniciativa privada na área da saúde em parte no interior do país (desde planos médicos

particulares, cooperativas médicas, clínicas e hospitais como já se disse), a realidade é a de que o número de pessoas jurídicas que exsurgiram na área médica para suprir o papel do estado onde ele é insuficiente, ou porque simplesmente há clientela para tanto, proliferou-se enormemente no Brasil (GOLDANI, 2011).

Contudo, a visão empresarial que sobre eles recaem faz com que, de modo geral, o atendimento, considerando qualquer fase do serviço hospitalar, costuma ser muito mais ordenado, funcional. Isto inclui, também, aspectos humanitários, rol de equipamentos etc.

Embora haja também discrepâncias, igualmente justificadas pelo olhar empresarial dos hospitais particulares que objetivam lucros ou superávits e que, enfim, querem dispender o menos possível com seus pacientes, o nível de suas instalações são superiores do que os hospitais públicos.

Ilustração 2: Exemplo de Centro de Imagens de Hospital Particular.

Figura 4 - Exemplo de Centro de Imagens de Hospital Particular Fonte: Google Imagens.

Pois que os hospitais, ressalta-se, desempenham em realidade centros a congregar atividade negocial, humanitária, social, médica etc., sempre exigindo administradores cada mais cientes de seu papel (DAMASCENA e ALENCAR, 2007).

Mães, Cunha e Olinquevitch (2006) discorrem sobre a atividade hospitalar: A atividade hospitalar difere-se de outras atividades econômicas existentes pelo fato de estarem diretamente ligadas à manutenção de vidas humanas e consequentemente, além de todos os aspectos administrativos e financeiros, estas instituições hospitalares tem que trabalhar com outras variáveis importantes que requer um tratamento de saúde, como por exemplo, a reação do organismo humano aos procedimentos e medicamentos utilizados, o que impacta diretamente nos custos dos serviços prestados. Variáveis com que trabalha os outros tipos de negócios, no âmbito administrativo e financeiro, não são aplicáveis as atividades das instituições hospitalares, porém muitos aspectos que afetam diretamente estas instituições, não afetam as outras atividades econômicas. (MÃES; CUNHA;

OLINQUEVITCH, 2006, p.4).

Nesta perspectiva Ribeiro Filho (2005, p. 18) afirma que:

De fato, os serviços de saúde são produzidos em um mercado bastante diferenciado, especialmente devido ao fato de que o cliente [paciente que deseja se livrar da doença] não detém o poder da negociação, porque não está em condições de discutir o caminho terapêutico prescrito, o que elimina qualquer discussão em torno do serviço demandado, até mesmo sobre o custo.

Ainda Mães, Cunha e Olinquevitch (2006) mencionam alguns fatores que diferenciam as instituições hospitalares dos outros negócios que podem ser elencados como segue:

a) A concorrência entre as instituições hospitalares não é fator preocupante devido à escassez de hospitais frente ao número populacional.

b) Existe a impossibilidade de padronizar o custo do produto final do hospital que é serviço prestado, pelo fato de que um mesmo tipo de serviço prestado em dois pacientes distintos pode variar, dependendo da reação dos organismos vitais de cada paciente.

c) O preço do serviço prestado não é determinado pelo hospital, mas sim pelos convênios ou pelo Sistema Único de Saúde, que possuem tabelas fixas previamente definidas, ficando à controle do hospital somente os custos e despesas, que são definidos pela necessidade de cada paciente. d) Os gastos com materiais e medicamentos necessários ao tratamento do paciente na maioria dos casos não podem ser discutidos nem negados pelo hospital, pois a utilização ou não de um determinado material ou medicamento pode resultar na vida ou na morte do paciente.

e) Os médicos, que são na verdade quem determina em parte os gastos com o paciente, o período de internação, internação ou não do paciente, ou seja, possui a maioria das variáveis de custos em suas mãos, não possuem cultura administrativa e resistem a qualquer tentativa de controle que possa aparentemente interferir em seus trabalhos.

f) O consumo de materiais e medicamentos necessita ser apurado durante ou logo após o serviço prestado, porque após o serviço prestado, não é mais possível mensurar a maioria dos materiais e medicamentos utilizados, pois os mesmos ou são absorvidos pelo organismo do paciente, ou foram descartados como materiais infecciosos. (MÃES; CUNHA; OLINQUEVITCH, 2006, p.4).

Por outro lado, no caso de atendimentos de pacientes que são conveniados aos planos de saúde, o preço já está predefinido por meio de tabelas de preços que são negociadas com os convênios no momento em que se firma o contrato com os mesmos.

Assim, os pacientes são atendidos e o valor deve ser cobrado da operadora do plano conveniado, não sendo, em hipótese alguma, praticados preços diferentes dos estipulados pela tabela de preços, sob a pena do convênio não efetuar o pagamento do serviço ou efetuar o pagamento pelo valor contratado, desconsiderando o valor apresentado pelo hospital.

Quando os atendimentos são efetuados a pacientes através do Sistema Único de Saúde (SUS), os valores devem ser cobrados por procedimentos efetuados, ou seja, para cada tipo de serviço prestado existe um código de cobrança que define o valor a ser pago de material, de medicamento, de dias de internação, de taxas, etc. Se o hospital necessitar da utilização de mais materiais, medicamentos ou dias de internação além daqueles pagos pelo SUS, estes deverão ser utilizados, pois deles dependem a manutenção da vida do paciente e tais custos igualmente serão arcados pelo hospital.

Sob o nome de gestores, os administradores hospitalares detêm grandes problemas em mãos: atender com eficiência sua clientela, esta que pode se dar por caminhos diversos no caso dos hospitais particulares; coadunar receitas e despesas, gerenciar pessoas de níveis educacionais e funções diferentes e fiscalizar sua atuação, prover à aquisição e manutenção de equipamentos médicos, compra de remédios e produtos vários, cumprir leis e normas jurídicas aplicáveis ao setor, desenvolver políticas internas, manter a conduta ética de seus subordinados, responder a outras tantas demandas constantemente importantes etc., e, ainda, lutar pela geração de superávit financeiro (DAMASCENA e ALENCAR, 2007).

No caso dos diretores financeiros dessas unidades hospitalares privadas, nada mais podem fazer (como há muito assim se apresenta tal realidade) no tocante à gestão econômica, financeira e contábil, sem se valer de conceitos aplicados com excelência, o que se dá com o emprego de profissionais de todas estas áreas afins citadas e sistemas computacionais avançados (LEONE, 2000).

Antes de se mergulhar mais profundamente na atividade do gestor financeiro e ainda mais peculiarmente nas ações e instrumentalização provida pelo gestor de custos, há de se rever conceitos-chave atinentes à temática – é o caso de se saber o que são custos diretos, indiretos etc.