O custeio variável ou direto tem por fundamento a problemática da correspondência entre produtos, serviços e custos fixos, ambiente propício a distorções interpretativas.
Contrariamente ao custeio por absorção, no custeio direto os elementos a compor os custos são obrigatoriamente qualificados em variáveis e fixos, isto segundo seu desempenho diante dos volumes de produção.
Importante realçar que os custos fixos não sofrem variação em razão da produção, permanecendo, assim, de conformação estática em determinado lapso temporal. Deste modo, pouco colaboram na elucidação de causas que levam à variação dos custos devido a fatores operacionais que ocorrem em razão do processo produtivo, como atendimentos e cirurgias, dentre outros.
Ao se considerar os rateios, que de modo geral se ligam aos custos fixos, mínima informação é obtida acerca dos fatores que interagem, novamente por exemplo, quando da produção de cirurgias (PADOVEZE,1997).
Outrossim, há pouca validade em se ponderar sobre os custos fixos, uma vez que estes muito pouco dizem acerca dos fatores que se relacionam à produção.
É de se verificar também que a partir da análise dos custos fixos unitários, fundados na quantificação produtiva, a organização adquire competência para decidir pela redução de determinado serviço ou produto que apresenta pouco lucro. Pode ocorrer também que o custo de um determinado tipo de produto ou serviço pode mudar em função da contrafação verificada quanto ao volume de outro produto, minando sua própria solidez.
Pode-se ainda realçar que, ao se observar custos hospitalares, importante é ter-se em conta o nível de complexidade dos produtos e serviços em cada unidade hospitalar, que se distingue, dentre outros elementos, em função da característica do corpo médico e dos pacientes acolhidos, além da classificação que o hospital recebe das esferas governamentais (DAMASCENA, 2007).
O custeio variável por sua vez desconsidera os custos fixos, permanecendo os custos fixos fora desta metodologia (procedimental), vez que podem desvirtuar resultados concernente às operações e à rentabilidade dos serviços e produtos. Contudo, este método apresenta a importante vantagem de ter o sistema de cálculo facilitado por não compreender rateios (IUDÍCIBUS, 2009).
Embora, como adverte Iudícibus (2009), faltem elementos empíricos para a devida comprovação de sua praticidade, muitas sociedades têm utilizado este sistema, com destaque para hospitais.
Destarte, este é uma técnica que fornece ferramentas de análise gerencial no contexto dos acordos comerciais típicos, como são as parcerias entre hospitais privados e operadoras de saúde.
Cabe aqui lançar luzes sobre a constatação de que, não obstante a noção de que os custos diretos são na sua totalidade variáveis, almejando transformar a grande
parte dos valores em custos diretos e melhor compreender a operação de serviços, tal relação não é exatamente direta. Por outras palavras, os custos diretos não são sempre variáveis, bem como os indiretos nem em todos os momentos são fixos (IUDÍCIBUS, 2009).
São as instituições hospitalares (e outros entes também) classificadas em função dos níveis de atendimento. A organização clássica da contabilidade e das finanças dispõe as sociedades em primário, secundário e terciário, segundo o grau de inclusão das diversas tecnologias e materiais (PADOVEZE, 1997).
No caso dos nosocômios, estes são configurados partindo-se do nível secundário, uma vez que a complexidade dos atendimentos e notadamente das cirurgias, eleva, como consequência, os custos (FIPECAPI, 2010). Ainda no que concerne à classificação dos custos em variáveis e fixos, estes incluem a classificação dos chamados custos mistos, havendo parte fixa e também parte variável; são estes igualmente denominados semi-variáveis ou semi-fixos.
Algumas técnicas ou mecanismos de análises relativos à gestão de custos podem fazer grande diferença quando se pensa em tomada de decisão a orientar o custeio variável.
É o caso do ponto de equilíbrio, como verificação do nível produtivo em que os custos se igualam as receitas e o referido ponto é zero. Para Famá (2009), ter ciência do ponto de equilíbrio é preocupação constante dos gestores em muitos mercados, implicando, novamente, no controle exíguo e permanente acesso às planilhas a compreender receitas e despesas, incluindo os centros de custos etc.
CONCLUSÃO
Após a exposição e análise acerca da teoria concernente à Contabilidade e Economia Hospitalar, especialmente falando sobre a Gestão de Custos Hospitalares, e diante da realidade vivenciada pelo setor, a par de pesquisa de campo engendrada, pode-se listar as seguintes considerações finais, além de algumas recomendações para um eficiente gerenciamento de hospitais.
A missão dos hospitais em salvar vidas implica em elevada complexidade de atividades, envolvendo instalações ricas em detalhes, material tecnológico e
medicamentos, além de amplo conjunto de pessoal (como enfermeiros e médicos) que implicam em grandes gastos.
Nem sempre as receitas detêm fluxos capazes de suportar tanta despesas mas, que, enfim, devem – tem que ser assim – serem administradas de modo que o empreendimento tenha superávits, e aponte para sua viabilidade. E há experiências de sucesso, em que dirigentes muito bem qualificados são capazes de gerenciar os fluxos de caixa, comprar com inteligência, promover contratados factíveis.
A definição da estratégia que o hospital define quanto a Gestão de Custos acaba por impactar diretamente na redução de custos, ou, no mínimo, de sua boa administração, o que depende do comprometimento de todos que, em algum momento, operam com os lançamentos relativos aos centros de custos.
A produção e a análise dos relatórios atinentes aos custos precisam ter periodicidade mensal, mesmo que o sistema adotado seja o método de apuração por rateio ou por absorção, tendo por implicação o maior controle possível sobre os custos (variáveis, operacionais, fixos etc.) que recaem sobre a atividade hospitalar.
Cabe chamar a atenção para a necessidade de investimento em tecnologia da informação no sentido de automatizar com eficiência os processos atuais da cadeia que envolve os custos.
Mais relevante ficou, no entanto, mesmo sem a questão empírica, mas bibliográfica, da eleição, em tese, do sistema ABC como o sistema de gestão de custos mais eficiente ao se pensar na administração deste aspecto econômico- financeiro em hospitais.
Pois que a importância que se dá à utilização do sistema de custeio ABC é em virtude do mesmo não ser somente um sistema que dá valor ao estoques, mas também proporciona dados gerenciais que auxiliam os tomadores de decisão, como por exemplo, os custos das atividades, que proporcionam aos gestores atribuírem responsabilidades. Trata-se de um diferencial do sistema de custeio ABC, ou seja, a sua própria utilização por exigir controles pormenorizados, proporcionando o acompanhamento e correções devidas nos processos internos da empresa, ao mesmo tempo em que permite a implantação e aperfeiçoamento dos controles internos da entidade.
Assim, o grande volume de informações devem ser bem trabalhadas a partir de sistema de informação bem sedimentado na unidade hospitalar. Sabe-se que, a
médio prazo, o uso de softwares para gerir custos elevam a performance financeira dos hospitais, não sendo opção diferente a escolhida pelos entrevistados.
Seja pela obrigatoriedade legal, seja pela necessidade, a Gestão de Custos é uma realidade para a contadoria hospitalar, tendo por implicação – irretroativa – da melhoria da saúde financeira de tal segmento.
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ANEXO
ANEXO I – TERMOS HOSPITALARES DE ACORDO COM A
PADRONIZAÇÃO DA NOMENCLATURA DO CENSO HOSPITALAR
MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Assistência à Saúde Departamento de Sistemas e Redes Assistenciais
PADRONIZAÇÃO
DA NOMENCLATURA
DO CENSO HOSPITALAR
Série A. Normas e Manuais Técnicos2.a edição revista
Brasília – DF 2002
2002. Ministério da Saúde.
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Série A. Normas e Manuais Técnicos
Tiragem: 1.a Edição. Previsão de 10.000 exemplares, execução de 2.000 exemplares – Maio 2002.
2.a Edição revista – 8.000 exemplares – Junho 2002.
Barjas Negri
Ministro de Estado da Saúde
Renilson Rehem de Souza
Secretário de Assistência à Saúde
Alberto Beltrame
Diretor do Departamento de Sistemas e Redes Assistenciais
Jorge Raimundo Nahas
Coordenação-Geral da Coordenação de Gestão Hospitalar Elaboração, distribuição e informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Assistência à Saúde
Departamento de Sistemas e Redes Assistenciais Coordenação-Geral de Gestão Hospitalar
Esplanada dos Ministérios, bloco G, 9.° andar, sala 915 CEP: 70058-900, Brasília – DF
Tel.: (61) 315 2162
Colaboradores:
Elfa Maria Gomes Meinecke Eloíza Andrade de Almeida Rodrigues Lícia Galindo Ronald de Almeida Cardoso Rodrigo Rodrigues Miranda
Consultoria Técnica:
SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE (SAS) Portaria n.°312 de 30 de abril de 2002*
O Secretário de Assistência à Saúde, no uso de suas atribuições, Considerando o crescente uso de parâmetros de assistência e cobertura no planejamento das ações do Sistema Único de Saúde (SUS);
Considerando a necessidade de obtenção de dados confiáveis sobre a disponibilidade e utilização de leitos hospitalares em todo o País;
Considerando a importância do censo hospitalar diário como fonte primária destes dados e para a obtenção de indicadores correlatos;
Considerando que a variedade de termos utilizados para designação de situações comuns a todos os hospitais e a não uniformização da nomenclatura usada nos censos dificultam a formulação das pesquisas, a interpretação das informações geradas e a realização de estudos comparativos entre os diversos serviços existentes no País;
Considerando a desejável padronização das definições/nomenclaturas a serem utilizadas na realização dos censos hospitalares, e
Considerando a Consulta Pública n.° 04, de 17 de se tembro de 2001, e as contribuições recebidas nesta consulta, resolve:
Art. 1.° - Estabelecer, para utilização nos hospita is integrantes do Sistema Único de Saúde, a Padronização da Nomenclatura do Censo Hospitalar constante do Anexo desta Portaria.
Parágrafo Único – a Nomenclatura ora padronizada bem como os conceitos nela definidos devem ser utilizados pelos hospitais integrantes do Sistema Único de Saúde na elaboração de seus respectivos Censos Hospitalares e na apresentação de dados estatísticos ao Ministério da Saúde.
Art. 2.° - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
*Publicado no DOU de 2 de maio de 2002.
1. INTRODUÇÃO
As estatísticas hospitalares são fundamentais para as atividades de planejamento e avaliação da utilização de serviços de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Estas estatísticas, no entanto, podem ser distorcidas em virtude da variedade de definições/nomenclaturas utilizadas pelos diversos hospitais integrantes do SUS e que são empregadas ao se preencher o censo hospitalar. A não unificação da nomenclatura utilizada dificulta a formulação das pesquisas, a interpretação das informações geradas e a realização de estudos comparativos entre os diversos serviços existentes no País.
O presente documento é fruto de trabalho desenvolvido pela Secretaria de Assistência à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde, através da Coordenação de Gestão Hospitalar do Departamento de Sistemas e Redes Assistenciais, e tem como objetivo padronizar a linguagem utilizada na confecção de censos hospitalares no âmbito do Sistema Único de Saúde, em todo o País.
Vários hospitais brasileiros desenvolveram, isoladamente, esforços no sentido de adotar sua nomenclatura padrão – para uso interno – a ser empregada na confecção de seus respectivos censos hospitalares. Na formulação deste trabalho, estas experiências foram levadas em conta, assim como experiências anteriores do próprio Ministério da Saúde sobre o assunto, o Glossário de Termos Comuns nos Serviços de Saúde do MERCOSUL, o Glossário para Produção de Estatísticas em Saúde do Ministério da Saúde de Portugal e outras referências disponíveis sobre censo hospitalar.
Uma versão inicial desta padronização foi submetida à Consulta Pública n.° 04, de 17 de setembro de 2001, durante 60 dias, que teve como objetivo promover uma ampla discussão do tema, possibilitando a participação dos gestores do SUS, hospitais, profissionais de saúde e demais interessados no assunto, na elaboração do texto final desta padronização. A versão final levou em conta as sugestões encaminhadas por diversos hospitais e instituições de saúde brasileiras.
Temos a expectativa de que as definições apresentadas auxiliem na formulação de indicadores a serem utilizados por diversos setores do hospital, por entendermos que a análise de dados resultantes de indicadores claramente definidos é uma poderosa ferramenta de gestão.
2 GLOSSÁRIO DE TERMOS HOSPITALARES 2.1. MOVIMENTO DE PACIENTES
2.1.1 Observação hospitalar
Pacientes que permanecem no hospital sob supervisão médica e/ ou de enfermagem, para fins diagnósticos ou terapêuticos, por período inferior a 24 horas.
Termos relacionados: internação hospitalar.
Notas técnicas: o limite de 24 horas é o limite máximo para a observação hospitalar.
Idealmente um paciente deve permanecer em observação apenas pelo tempo