4 Evaluation et utilisation des données sur la qualité de l’air
4.5 Utilisation des IQA dans différents pays
Instado a comentar se, ao escolher um livro didático para uso de seus alunos, leva-se em consideração a forma pela qual os textos matemáticos são explorados ou prefere os livros que são mais diretos, com pouco texto, as respostas foram as mais variadas, dependendo das crenças e concepções dos(as) professores(as), como passamos a analisar.
Entre os(as) professores(as) que preferem livros mais diretos aos assuntos da matemática, apóiam-se na crença de que o aluno tem mais familiaridade com esses textos:
“Geralmente, a gente usa os livros que são mais diretos aos assuntos, pois os alunos preferem assim. Caso contrário, eles alegam que não tem nada a ver, não entenderam, etc.” (PRE3)
No entanto, o que podemos analisar é que provavelmente não se trata de familiaridade, mas de o(a) professor(a) entender que há uma dificuldade cultural do aluno de entender outras possibilidades de expressar as idéias matemáticas, não pelo excesso de simbologia:
“Geralmente, a gente usa os livros que são mais diretos aos assuntos, pois os alunos preferem assim. Caso contrário, eles alegam que não tem nada a ver, não entenderam, etc.” (PRE3)
“No entanto, acredito que um dos maiores problemas, hoje em dia, é o entendimento, a compreensão, mas o aluno não vê assim!!!” (PRE6)
“Atualmente, tendo em vista que os alunos são semi-analfabetos o interessante e utilizar livros com pouco texto e introduzir a leitura através de pesquisa para trabalhos.” (PRE18)
“Gosto de livros mais diretos que trazem muitos exercícios, pois acredito que a matemática tem que ser além de estudada, treinada e podemos complementar a parte textual com outras bibliografias que sirvam apenas como apoio.” (PRE8)
Essa fala é representativa, por expor uma concepção de ensino de matemática que inúmeras pesquisas da comunidade de Educação Matemática têm questionado: a matemática como conhecimento que exige apenas treinamento.
O(A) professor(a) que prefere textos matemáticos mais elaborados expõe a percepção de que os autores de livros didáticos têm tido o cuidado de abordar os assuntos de maneira a valorizar o suporte textual, com textos mais cuidados em relação aos conteúdos matemáticos:
“Nos últimos tempos, tenho observado os livros que apresentam jogos, pois os alunos parecem querer se envolver mais com estes livros, que aprendem a matemática de forma mais gostosa.” (PRE4)
“Prefiro os livros que trazem textos relacionando os conteúdos de matemática com outras disciplinas e além dos textos os exercícios também.” (PRE5)
“Procuro sempre escolher livros que pela qual os textos matemáticos são explorados, como o conteúdo é apresentado, atividades e os problemas propostos.” (PRE9)
No entanto, trabalhar com esse tipo de texto exige mais do aluno e do(a) professor(a), como observam alguns:
“Particularmente acho mais interessante os livros que têm mais textos, eles demandam um trabalho muito maior em sala de aula pelas
dificuldades que eles têm de leitura, mas precisamos de alguma forma, ir quebrando aos poucos estas barreira.” (PRE11)
“Eu, particularmente, prefiro os livros que trazem textos matemáticos, pois assim os alunos conseguem fazer a contextualização do conteúdo.” (PRE13)
O(a) professor(a) apontou a banalização do processo de escolha do livro didático na escola, bem como a divergência entre a escolha e o recebimento dos livros didáticos enviados pelo governo federal dentro do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD):
“A escolha dos livros é algo complicado, pois normalmente fala-se “Olhem os livros e façam a escolha”, sem ter um tempo para fazer uma análise. Infelizmente os livros que são escolhidos nem sempre são os mesmos enviados.” (PRE13)
“Prefiro os livros onde os textos matemáticos são explorados para promover sempre debates sobre os temas, mais a nossa maior dificuldade é que nem sempre os livros escolhidos são os que o governo manda para nós.”(PRE21)
É oportuno observar que um professor argumentou mesclar os dois tipos de textos, embora os livros com textos mais elaborados coloquem a dificuldade de leitura do aluno como algo a ser superado:
“Procuro trabalhar ambos os livros, por quê? Porque em primeiro lugar os alunos reclamam de muito texto e pouco cálculo. E em segundo lugar, se nós não explorarmos os livros mais diretos, com pouco texto como que estes jovens vão entender e montar sistemas matemáticos – entender vários tipos de cálculos matemáticos, como vão responder questões de cálculos em concurso públicos e vestibulares, e em seu
cotidiano como vai sobressair. Enfim, gosto muito dos livros com “textos” e até entendemos melhor a matemática e prefiro a eles, o problema maior é a dificuldade de leitura dos alunos.” (PRE2)
A análise que fazemos da questão do texto em matemática diz respeito à concepção de conhecimento matemático valorizado pelo trabalho do(a) professor(a): quanto mais direto for esse texto, menor a dificuldade do aluno em relação à interpretação do texto.
3.4 – A pesquisa de campo, com o grupo de professoras
da REDE MUNICIPAL DE ENSINO
3.4.1 Instrumentos de coleta de dados
A entrevista com três professoras de matemática da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, que realizam a formação continuada “Ler e Escrever”, leram o documento Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no Ciclo II do Ensino Fundamental e estão desenvolvendo atividades de leitura e escrita com alunos do ensino fundamental Ciclo II, teve como objetivo levantar concepções e crenças, a prática docente com leitura e a incorporação da metodologia da formação ler e escrever. Este foi o roteiro de questões que balizaram a entrevista:
Roteiro de Entrevista
1. Quais os hábitos de leituras?
2. Qual o papel do professor de matemática no desenvolvimento da competência leitora?
3. Quais atividades que desenvolvem a competência leitora o professor leva para sala de aula?
Pelas entrevistas procuramos captar os hábitos de leitura das professoras, de forma a retomar aspectos encontrados no primeiro momento da pesquisa.
O questionamento sobre o papel do(a) professor(a) de matemática no desenvolvimento das competências leitoras teve como objetivo trazer as concepções dos(as) professores(as) que participam da formação “Ler e Escrever”.
Para ter uma noção de como os professores(as) de matemática trabalham a competência leitora, foi solicitado que descrevessem atividades de leitura realizadas com os alunos, de forma a termos uma idéia da metodologia empregada.
Essas entrevistas trazem para a investigação como os(as) professores(as) de matemática estão elaborando um trabalho que vise ao desenvolvimento das competências leitoras, uma função para a qual eles também podem contribuir.
Após o trabalho de transcrição das entrevistas, estas foram identificadas da seguinte maneira: PRMn (n = 1, 2, 3), para indicar que se trata de professora da rede municipal de educação