• No results found

HO-utgifter og offentlige finanser

6. Offentlige finanser i ulike scenarier for HO-sysselsetting mot 2060

6.4. HO-utgifter og offentlige finanser

A condição de permanência social das benzedeiras, também chamada de cultura residual9 a que se refere esta tese, passa também pelo viés econômico, vertente a esta que também se mostra importante na transversalidade das estruturas que ora analiso.

A respeito da condição econômica das benzedeiras ora entrevistadas para esta tese, foram propostas quatro perguntas, e todas as benzedeiras entrevistadas declararam possuir residência fixa; apenas três têm função de trabalho fora de casa, embora se deva aqui ressaltar que apenas duas das dez benzedeiras entrevistadas denotaram viver exclusiva e cotidianamente para sua prática, dado que as demais são aposentadas ou pensionistas e não têm a prática da benzeção como rotina nem cotidiana, nem de subsistência.

Sete delas somente são donas de casa além de serem benzedeiras. Nenhuma das benzedeiras declarou cobrar pela benzeção, entretanto três disseram receber presentes com certa frequência em retribuição à sua prática, das quais, duas disseram que já receberam presentes, inclusive de grande valor. O fato de receberem algo em troca de sua prática não representa também que sejam mulheres abastadas de presentes e retribuições financeiras, ao contrário, são simples e demonstram simplicidade em sua fala, movimentos, vestimentas, olhar e trato, casa, móveis, conforme menciono no depoimento a seguir:

9 Por "residual# quero dizer que algumas experiências, significados e valores que não podem ser verificados ou não podem ser expressos nos termos da cultura dominante são, todavia, vividos e praticados como resíduos ! tanto culturais como sociais ! de formações sociais anteriores. [...] Por "emergente# quero dizer, primeiramente, que novos significados e valores, novas práticas, novos sentidos e experiências estão sendo continuamente criados (WILLIAMS, 2011, p.56-57).

Sempre chega gente com menino ou erado mesmo, daí pede pra benzê, eu benzo e a pessoa pergunta: Dona quanto é a reza? Eu falo, minha fia, não benzo por dinheiro, benzo por Deus que me dá força e saúde, por dinheiro é pecado, o rezador perde as forças se fizer isso. Mas eu não recuso oferta não, se quiser ajudar, quer dá um dinheiro, uma cesta, um brinquedo eu pego. O que não for do meu uso eu repasso (ENTREVISTA COM D. MARLY RESENDE, 13/09/2014).

Para D. Marly, a força de Deus vai sustentá-la, e isso se manifesta na generosidade das pessoas. Identifiquei ainda seis das dez benzedeiras entrevistadas que disseram já ter ido até uma residência ou fazenda para ali realizar sua prática de benzeção. Tal dado foi considerado de cunho econômico, infiro que tal visita, caso seja retribuída, seria ainda mais bem remunerada. Nesse sentido, nenhuma das entrevistadas disse ter alugado um espaço para exercer sua prática, o que indica não verem a própria prática como um negócio como foi possível observar no folheto abaixo que encontrei por acaso no centro da cidade e fui até o endereço sugerido em janeiro de 2015. Trata-se de um ponto de comércio alugado para tal finalidade.

FIGURA 05: Panfleto de propaganda Fonte: Acervo de Gilson Azevedo

O panfleto faz promessas que giram em torno da questão abstrata e relativa da felicidade e a relaciona com seu inverso. Ressalto a frase na qual a benzedeira em questão, se mostra como única no ramo e se posiciona como profissional.

Assim, de início, esse primeiro aspecto do tópico, situa em relação às condições de sobrevivência das benzedeiras, o que em tese, torna-se suporte para sua prática, já que todas as entrevistadas atendem em casa. Ter uma casa ou poder pagar por uma, dá-lhes uma situação confortável para exercer a benzeção.

Sobre os aspectos da condição religiosa, sete benzedeiras se declararam essencialmente católicas, sendo que dessas, cinco disseram participar com frequência das missas; uma disse não participar e outra declarou participar pouco. Sobre as outras três, duas se declararam espíritas e outra de prática candomblecista de mesa branca, sendo que ambas participam sempre de suas escolhas religiosas.

Segundo o que expressa a fala de uma delas:

Menino eu sou católica desde a minha mãe, nunca mudei, nunca fui in nada qui num fosse católico. Tenho força na igreja, mesmo na roça quando nois morava na fazenda paredão, eu rezava o terço duas treis veis no dia. Moro aqui tem 5 anos, tenho meus santo minhas devoção e graça a deus minha casa sempre foi guardada (ENTREVISTA SEBASTIANA, 11/09/2014).

No tocante às relações sincréticas, as duas benzedeiras espíritas disseram participar da igreja católica, sendo que, duas das que se declararam católicas disseram ter participado do espiritismo por um tempo. Nenhuma disse frequentar denominações pentencostais, evangélicas ou protestantes o que pode indicar forte influência do catolicismo em suas práticas.

O aspecto sincrético parece desaparecer quando pergunto sobre a relação entre a religião professada e a prática realizada por elas, benzedeiras, dado que as católicas declararam que sua prática tem relação com sua religião, o mesmo aconteceu com as benzedeiras espíritas e com a candomblecista.

Conforme se abordou, todas as benzedeiras têm uma ligação com algum tipo de credo, confissão ou campo religioso (BOURDEIU, 2004). Tal prerrogativa liga-as, de alguma forma, ao que poderíamos chamar aqui de religião formal. Concomitantemente, sua aparente estabilidade econômica lhes confere, num contexto capitalista, condições de desenvolver sua prática. E é justamente nesse ponto que se pode inferir como tese, que ter família, esposo e certa condição econômica, também pode ser apontado como um fator de permanência social das benzedeiras e suas práticas em um cotidiano urbano e racionalizado de modo a dar sentido existencial a esse cotidiano, conforme ressaltou-se em Bourdieu.

Nesse sentido, pretende-se abordar, a seguir, a questão da presença das benzedeiras enquanto uma representação histórico social de práticas de convívio.