4. Empiri, analyse og drøfting
4.5 Utforming av den nasjonale sykkelstrategien
4.1 – A noção de espaço e tempo e o cotidiano da tropa.
Durante as atividades de campo, realizamos vinte e duas entrevistas, além de descrições etnográficas e observações constantes sobre a rotina das tropas, os hábitos, valores e crenças manifestos pela comunidade e as diferentes formas de exercício da atividade entre Campos Novos de Cunha, Fragária e Serra Negra. O traço de homogeneidade ao desempenhar atividade tropeira dessas comunidades refere-se à situação geográfica e à forma de trabalho, desde os paramentos à forma como transportam a carga; no mais, há diferenças significativas, como o valor da carga, o tempo e o espaço de transporte, além da finalidade e impacto que produzem nas comunidades ao redor.
Encontramos, durante a execução da pesquisa, pessoas que foram indispensáveis para a viabilidade da coleta de entrevistas e depoimentos que possibilitariam elucidar as questões norteadoras deste trabalho. Chamamos esses depoentes de “informantes preferenciais”. Com essa terminologia, não queremos dizer que seus depoimentos tenham sido preponderantes, mas que, a partir deles, um novo olhar sobre as questões presentes nas comunidades foi possível. No caso de Campos Novos de Cunha, o depoente foi o senhor Jair de Amorim, filho de um antigo tropeiro da região dos Campos da Bocaina que, ao contar histórias sobre a região, abordando as jornadas de tropa, foi indicando outros indivíduos que pudessem nos dar informações sobre a influência tropeira ou mesmo que fosse possível chegar até os tropeiros que ainda desempenham essa função na região da Serra da Bocaina e do Indaiá.
Jair é testemunha viva das transformações pelas quais o bairro rural passou nas ultimas cinco décadas, como a abertura da estrada de rodagem ligando o bairro à sede municipal e a municípios vizinhos; a chegada da energia elétrica à localidade e o processo de migração de inúmeras famílias do bairro para cidades como Lorena, Guaratinguetá e Cachoeira Paulista.
Na região da Serra da Mantiqueira, o “informante preferencial” também se chama Jair, Jair Fernandes da Fonseca. Tropeiro ainda em atividade no bairro da Fragária, herdou a profissão de seu pai e do avô, cresceu em uma região onde tropas foram uma presença constante devido a localização e topografia, sendo também descendente direto da família povoadora do bairro. A partir de sua entrevista, surgiram nomes de outros potenciais depoentes, com a curiosidade de terem alguns bairros
vizinhos a Fragária a mesma origem, pois foram irmãos de uma mesma família que se estabeleceram na região e fundaram os bairros de Fragária, Campo Redondo, Capivara e Monte Belo; por isso quase todas as famílias carregam o mesmo sobrenome ancestral: Fonseca.
Com relação aos moradores, quase todos têm, em certa medida, algum parentesco com alguém que tenha sido tropeiro ou que ainda exerça essa profissão. As transformações pelas quais passaram esses bairros são bastante semelhantes ao observado em Campos Novos de Cunha e causaram impactos na mesma proporção: a abertura da estrada de rodagem entre o povoado e a rodovia que liga os municípios de Itamonte e Alagoa, a chegada da energia elétrica e a migração de grandes contingentes em busca de melhores oportunidades de trabalho em cidades como Resende (RJ), Cruzeiro (SP) e Pindamonhangaba (SP).
O sentido da migração, quando tratamos de Campos Novos de Cunha, é semelhante. A população tem no Bairro da Cruz, em Lorena (SP), nas cidades de Guaratinguetá (SP) e São José dos Campos (SP), seus principais destinos, quando buscam melhores oportunidades de trabalho. Esse fenômeno verifica-se em quase todas as regiões e nos mostra o quanto a vida no meio rural, embora conserve em suas características traços culturais tradicionais, é posta em segundo plano em relação aos atrativos que as grandes cidades oferecem.
Para quem estude temas relacionados à Sociologia Rural ou cuja temática circule por esse ambiente, há que se considerar as interfaces desse ramo do conhecimento com outros campos, como a Antropologia, a Geografia e a História. De acordo com Henri Mendras (1969), a terra é o meio natural de subsistência do homem rural, essa relação influencia desde o meio de produção e manutenção da vida até as práticas culturais e formação da identidade desses indivíduos. Portanto, é a partir dessa consideração que incorporamos ao estudo sobre atividade tropeira contemporânea reflexões multidisciplinares, buscando melhor compreender o papel dessa atividade e o contexto cultural e espacial em que ela se desenvolve atualmente.
A questão do espaço ocupa papel de grande relevância nessa discussão. Pereira de Queiroz (1978) considera que a relação entre o espaço rural e o urbano produz uma relação dialética, a cidade se afirma como espaço urbano, atrativo ao desenvolvimento industrial, às modernas técnicas de produção e à acumulação de capital, em contraposição ao meio rural, vinculado ao tradicionalismo quanto às técnicas produtivas, à utilização de equipamentos menos sofisticados, porém, adaptados à aspereza do ambiente e precariedade aparente de recursos.
Mesmo nos dias atuais, essa diferenciação ainda se faz evidente. A sobrevida da atividade tropeira é um exemplo marcante desse descompasso no ritmo de desenvolvimento, em certas regiões interioranas, dentre as quais os bairros rurais onde desenvolvemos nosso trabalho. A partir de algumas entrevistas realizadas para esta pesquisa, cujas falas ilustram essa situação, percebemos qual é o sentimento que populações rurais nutrem sobre a ideia do progresso que, na zona valeparaibana, concentra-se, sobretudo, ao redor da Rodovia Presidente Dutra. O entrevistado Jair Amorim, ao refletir sobre essa situação considera: “os mais ricos vão procurar gente para trabalhar no Bairro da Cruz19, porque sabe que o cunheiro é bom pra
trabalhar”.(AMORIM, Jair. Entrevista. fev.2014. O arquivo digital com transcrição integral consta no Anexo II)
A população do município de Cunha, notadamente aquelas oriundas de bairros pertencentes ao distrito de Campos Novos, migrou para as cidades maiores da região; devido à baixa qualificação de parcela do grupo, estes se empregam em atividades braçais, como construção civil, serviços domésticos e limpeza pública. São pessoas conhecidas regionalmente pela desenvoltura no trabalho, além de ser uma mão de obra mais barata em relação a outras cidades, fazendo com que sejam requisitados para trabalhar. O Bairro da Cruz, por ser o local de maior concentração de cidadãos cunhenses, nas cidades à beira da Via Dutra, é o local onde esses trabalhadores são geralmente recrutados.
Cidade e campo, nessa premissa, devem ser entendidos como formas sociais em que se verifica que as transformações históricas apresentam continuidades e descontinuidades, para que se possa compreender os motivos de sobrevivência de algumas características, como na cidade de Lorena, às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Via Dutra, simbolizando o desenvolvimento e melhores oportunidades de trabalho, e na região de Cunha, por ser distante do eixo rodoferroviário e, por isso, menos desenvolvida, permanecendo associada à imagem de atraso.
Pereira de Queiroz (1978) considera que a migração da população de áreas rurais para adensamentos mais desenvolvidos é um fato tradicional não apenas do Brasil, como em toda a América Latina, ou mesmo das antigas nações Europeias.
19 Os habitantes do Distrito de Campos Novos de Cunha (SP) têm nesse bairro, situado no
município de Lorena (SP), seu principal destino de fixação, quando migram. É comum a referência ao local, entre os moradores de Lorena, como sendo uma região de famílias humildes, oriundas da cidade de Cunha (SP), cuja baixa escolaridade favorece a contratação dessa mão de obra para serviços braçais.
Quase sempre, uma característica comum a esse processo é a formação de bairros pobres, periféricos, ou mesmo bairradas ou favelas, locais onde se instalam os recém- chegados em busca de alguma possibilidade de trabalho e para onde se dirigem pessoas em busca de mão de obra barata e pouco especializada.
O espaço, que dita a rotina das famílias tanto no âmbito da vida privada quanto das relações sociais, é algo entranhado na cultura local, perceptível desde quando tratamos da jornada de tropas, dos caminhos percorridos, dos locais de pouso, até a chegada da modernidade, orientando o sentido migratório da população. Ele é uma categoria relevante, pois se refere inclusive a algo fortemente presente no imaginário das localidades em que a atividade tropeira se deu de modo mais efetivo, visto que, a tropa devido a sua dinâmica é um convite constante à caminhada.
A atividade tropeira diz respeito a um sistema da esfera domiciliar, pessoal. Impõe certo nível de relação entre o transportador e o proprietário da carga, cujos laços vão para além do fornecimento da mercadoria, estende-se pela relação de confiança mútua, para a garantia do transporte correto e mesmo para a comercialização dos produtos transportados.
Essa importância se verifica com o próprio caminho percorrido, a localização estratégica das paradas, a configuração das residências de tropeiros, o material transportado, entre outros, sendo um símbolo, nas palavras de Maia (2008), constituir- se espaço aquilo que possibilita dar sentido às experiências sociais; o espaço não seria simplesmente a representação física do lugar, mas também orientador das relações sociais e fator determinante quanto sentido do desenvolvimento das localidades. Exemplificamos, a partir dessa consideração, que ao tropeiro, enquanto agente social, seria facultada a propulsão de desenvolvimento econômico e propagação de um modelo cultural próprio, que influenciaria decisivamente essas localidades.
Quando pensamos na noção de espaço no Brasil, esta é intrínseca a nossa própria construção social, posto que estava ligado ao processo colonizador do território e à novidade que isso representava para a expansão mercantil lusitana à época. O sentido da colonização brasileira, conforme já tratamos em outro momento, deu-se a partir da costa litorânea rumo ao sertão desconhecido, fazendo com que, além dos nativos, posteriormente bandeirantes e tropeiros que, embora tivessem objetivos e funções históricas e sociais diferentes, se lançassem aos confins do território, dando origem a novos tipos de vida e práticas culturais, adaptadas devido à provisoriedade que o caminho exigia.
Com as tropas, essa relação se mantém. Descendentes dos sertanistas, tropeiros se lançam em primeira hora aos caminhos que convidam ao desconhecido e ao futuro incerto; suas maiores contribuições foram a consolidação dos caminhos terrestres, que conectariam o país posteriormente, e a manutenção da vida econômica e social dos locais onde trafegavam.
Maia (2008) considera que o processo formador brasileiro, por ter-se dado a partir de uma noção territorialista, influenciou a experiência cultural de forma que os estudos sobre imaginário, cultura e temas correlatos devem considerar essa dimensão do debate. A noção espacial das tropas, evidenciada pela própria dinâmica dessa atividade, influenciou as localidades por onde trafegavam, sendo perceptíveis até os dias atuais alguns traços, como a disposição das cidades, nome das paragens, estradas e formações geográficas cujos nomes fazem referência à passagem das tropas como Serra da Quebra-Cangalha, Pouso Alto, Pouso Seco, Passa Três, Passa Quatro, entre outros.
Nos dias atuais, embora a revolução tecnológica no campo tenha possibilitado o acesso a formas mais modernas de plantio, colheita e transporte, ou mesmo à mudança de ramo quanto à atividade econômica de muitas regiões, em localidades como Campos Novos de Cunha, Fragária e Serra Negra
O espaço continua a impor suas submissões à sociedade rural, mas sua escala se modificou pela diminuição da densidade humana e pelo desenvolvimento dos transportes. Importa sempre ao rurícola o fato de ser de tal distrito ou de outro, e seu universo social fica limitado pelas fronteiras geográficas, mais que pelas sociais. (MENDRAS, 1969, p. 47)
Seria essa uma das grandes justificativas para a sobrevivência da atividade tropeira contemporaneamente, que aparece ressignificada quanto ao conteúdo transportado, mas conserva, em sua essência, o mesmo estilo e emprego de técnicas no transporte.
Mendras (1969) coloca que a sociedade rural tem na família a base de sua estruturação econômica. O pai – chefe da família – é também o responsável pela empresa familiar e, por consequência, da aprendizagem dos filhos. À mãe cabe a função contábil, de administrar o dinheiro, a rotina e os afazeres da propriedade. Os filhos, criados sob essa dinâmica, identificam-se com o trabalho dos pais e, desde cedo, partilham responsabilidades para a viabilidade desse intento.
Vemos, assim, representada a estrutura básica que rege também as relações nas famílias de tropeiros. Esse ofício é transmitido do chefe da família ao filho, de
modo tradicional, para que esse ciclo não se interrompa. Mesmo em regiões como a que tratamos nesta pesquisa, inseridas na lógica de mercado típica da modernidade, a atividade tropeira ainda se orienta nesse sentido.
A abordagem em torno do meio rural enquanto espaço físico teve seu lugar também na literatura. Euclides da Cunha, na obra “Os sertões”, retrata o episódio da Guerra de Canudos se valendo de expressivas observações quanto à importância da terra e a figura do homem sertanejo. Nessa premissa, a história se desenvolve considerando mais do que a concretude da terra, alcançando inclusive a metalinguagem entre o lugar e a palavra. Neste estudo, consideramos a dimensão do lugar, porém o enfoque se concentra no ato concreto dos preparativos para a jornada tropeira, e a jornada em si.
Com a retração da agricultura e do próprio meio rural, a atividade tropeira viu seu papel modificado espacial e também temporalmente. Quanto à questão do tempo, variável constante na passagem das tropas, houve uma ressignificação devido à diminuição das jornadas, da carga transportada e da urgência em estabelecer um prazo para a realização dessa ação. A tropa de outrora saía do arraial e ficava longos períodos afastada, percorrendo grandes caminhos. A partir do ciclo do café, as jornadas diminuíram, mas igualmente demandavam períodos mais longos de viagem. Apenas a partir da chegada das estradas de ferro é que houve uma retração significativa no tempo de viagem; o mesmo se verificou com o avanço das rodovias sobre as regiões mais afastadas, até o ponto em que nos encontramos atualmente.
A redução das jornadas da tropa se deve a causas temporais e espaciais. A partir da chegada da autoestrada de rodagem, as tropas paulatinamente deixaram de circular pelas cidades valeparaibanas cortadas pela rodovia, sendo que essa redução do caminho impactou diretamente no tempo da jornada. As tropas passaram a transportar menor quantidade de carga e a trazer o material apenas das áreas mais afastadas ao centro mais próximo, onde veículos poderiam acessá-las em pontos de coleta.
Com essa diminuição no fluxo das tropas, o tempo gasto para a utilização dos animais, bem como sua própria disponibilidade foram otimizadas; também sofreram modificação as ações que envolviam a prática tropeira nas áreas mais afastadas, fato causado não apenas pela chegada dos automóveis, como também pela busca de atividades agrícolas mais rentáveis.
As tropas que outrora cruzavam a região e ficavam fora de suas residências por dias passaram a realizar tarefas menores, cujo tempo de viagem raramente ultrapassa um dia de jornada (aproximadamente oito horas), como transporte de madeira, milho, materiais de construção. Mesmo no caso dos tropeiros que cruzam a Mantiqueira, levando queijos, ovos, frutas, geleias e mel, sua jornada se situa nessa referência temporal.
Após a década de 1970, automóveis passaram a chegar com maior frequência tanto a Campos Novos de Cunha quanto a Fragária e Serra Negra; isso fez com que as tropas retrocedessem à áreas onde o acesso automotivo permanecesse dificultado. No primeiro caso, as tropas sofreram maior retração a partir da abertura da estrada, ainda sem asfalto, entre a sede do distrito e a sede municipal de Cunha. A essa altura, o bairro já havia se convertido, como em outras parte do Vale do Paraíba, em bacia leiteira, assim os pequenos caminhões poderiam adentrar no distrito sem maiores prejuízos. Como afirma em entrevista o senhor Jurdelino Aires, o leite passou a ser mais lucrativo do que as tropas; com a construção de um laticínio na vila, as famílias que tinham melhores condições aderiram a essa prática. “Tirar leite era muito mais vantagem (...) lá por 1963 que eu passei a tirar leite”. (AIRES, Jurdelino. Entrevista. fev.2014. O arquivo digital com transcrição integral consta no Anexo II).
O número de pessoas que trabalhavam com mulas diminuiu sensivelmente, inclusive, pois os animais envelheceram e não havia grande disponibilidade de novos muares em substituição. A prática tropeira passou a ser a de transportar a produção leiteira das propriedades afastadas aos pontos de coleta. Em paralelo, com a criação do Parque Nacional da Serra da Bocaina, foi proibida a abertura ou mesmo conservação das estradas, bem como realizar benfeitorias significativas ou construir novas edificações, o que ocasionou um movimento migratório maciço na região; entretanto, aos que permaneceram ficou facultada a utilização de mulas para serviços domésticos e pequenos fretes contratados por vizinhos.
Conversamos com moradores de pequenos bairros vizinhos, que ilustram essa necessidade, como os tropeiros Lucimar Vaz, de Bocaininha da Boa Esperança e José Tolino, da Serra do Indaiá. Atualmente, cada um deles possui uma média de três a cinco mulas e transportam a produção de suas propriedades, como leite, milho e feijão, além de materiais de construção, quando solicitados. Em Fragária e Serra Negra, devido à própria localização, em meio às áreas mais altas da Serra da Mantiqueira, a tropa se mantém como elo socioeconômico desses bairros.
Do ponto de vista hidrológico, ambas as regiões são privilegiadas pela abundância dos cursos d’água, sendo alguns rios da região de importância não só para o abastecimento local, como regional ou mesmo nacional, além de ter contribuído historicamente com a ocupação do solo. Campos Novos de Cunha é servida em seu território pelo Rio Paraitinga – um dos formadores do Rio Paraíba do Sul – e seus afluentes. Fragária e Serra Negra são cortadas pelo Rio Aiuruoca – afluente do Rio Grande – cujas margens serviram de caminho natural para as lavras de ouro desde o século XVIII.
Assim como em Campos Novos de Cunha, Fragária e Serra Negra também viram a chegada do gado leiteiro e a entrada de automóveis a partir da década de 1970, porém a precariedade estrutural dos adensamentos e seus caminhos de acesso no interior da Mantiqueira impuseram maiores restrições ao tráfego de veículos do que na área dos Campos da Bocaina. Uma diferença entre os dois casos se dá na escala de produção quanto aos derivados de leite, comuns em ambos os bairros. Campos Novos de Cunha possui dois laticínios, que produzem em escala industrial, enquanto em Fragária e Serra Negra predomina a produção artesanal e caseira, assentada na mão de obra familiar.
Um de seus principais produtos é o queijo fresco e, além deste, notabilizou-se outro tipo cujo modo de preparo e aparência lembram o queijo parmesão e, por essas características, fora batizado como “queijo parmesão da Mantiqueira”, que é transportado nas tropas para Visconde de Mauá (RJ) ou vendido para uma cooperativa rural do bairro vizinho de Campo Redondo, que o revende para comerciantes da região do Circuito das Águas.
As tropas de Campos Novos de Cunha atualmente realizam trabalhos pequenos, cujas jornadas levam entre vinte minutos e duas horas, restritas às áreas mais escarpadas e afastadas, simbolizando que essa atividade na região dos Campos da Bocaina permanece em locais chamados de “sertão”. As tropas de Fragária e Serra Negra, embora sejam também utilizadas para os mesmos serviços residuais já mencionados, destaca-se pela jornada semanal que transporta os gêneros produzidos pela comunidade aos turistas e comerciantes, o que representa uma distinção quanto aos congêneres paulistas.
O envolvimento dos tropeiros com essa prática é anterior à ida para a trilha, começa ainda durante a semana, quando, em suas casas, realizam o preparo dos queijos e, na véspera da viagem, vão até as propriedades vizinhas para adquirir outros produtos que não possuem ou que possuem tem em menor quantidade, caso de
queijos, ovos, frutas, geleias e mel. O caminho que utilizam é, de acordo com os próprios tropeiros, uma rota bastante antiga e sempre foi a principal via de comunicação entre os bairros rurais da região e o município de Resende, já no estado do Rio de Janeiro, que era o centro mais próximo onde era comercializada a produção local e as tropas eram abastecidas com os bens de consumo necessários à manutenção da vida serra acima.