• No results found

4.1 Hvordan opplever lærerne at de er rustet til å tilpasse og tilrettelegge

4.1.6 Utfordringer knyttet til ressurser og rammer

Como pôde ser observado, não foram evidenciadas discrepâncias entre os casos anali- sados ao ponto de merecerem destaque no que se refere ao processo da CA (adquirir, assimilar, transformar e explorar). No entanto, constatou-se uma diferenciação, considerando os resulta- dos alcançados pelos sojicultores, em termos das bases sobre as quais os resultados assentam- se. A unidade de produção A, que adota o sistema de cultivo baseado em lavouras de sucessão, aposta nas tecnologias embarcadas e nos insumos, enquanto os demais se apoiam em práticas diferenciadas de cultivo, tendo nas tecnologias embarcadas um apoio, mas não um alicerce principal. Embora todos tenham se mostrado satisfeitos com os resultados atingidos, a produti- vidade e a lucratividade maior estão nas unidades de produção B e C.

Por que isso merece atenção na perceptiva gerencial? Faz-se necessário, primeiramente, resgatar algumas afirmações mencionadas nos capítulos anteriores. Uma delas é o fato de que a produtividade média da soja por hectare em Mato Grosso, mesmo com uso intensivo de tec- nologias, não aumenta há 15 safras, estando entre 51 a 53 scs/ha. Um dos fatores a que se atribui essa estagnação é a prática da monocultura e das lavouras de sucessão por causarem problemas no solo; em um deles, a principal preocupação é o nematoide, que afeta a produtividade. Se há estagnação da produtividade, em contrapartida os custos estão cada vez maiores. Se os insumos

com alta tecnologia não mais resolvem, qual seria a alternativa? Instituições como a FUNDA- ÇÃO-MT e a APROSOJA-MT têm preocupação nesse sentido e são categóricas em afirmar que isso passa pela mudança de atitude por parte dos sojicultores, tal mudança implica em ado- tar sistemas de produção nos quais haja rotação de culturas (como faz o produtor da unidade de produção B) ou sistemas de produção integrados (ILPF, adotado pelo produtor da unidade de produção C), uma vez que, além de outros benefícios, isso contribui para melhorar a qualidade do solo e, consequentemente, ameniza o problema com os nematoides. A importância dada aos sistemas de produção (como SR e SI) é determinante para a produtividade da soja, tanto é que o gestor de pesquisa da FUNDAÇÃO-MT, ao ser indagado sobre tecnologias de maior impor- tância no cultivo grão, citou que uma delas é trabalhar na forma de sistemas de produção (não pensando em um único cultivo – a monocultura).

Se há demanda latente quanto à mudança do sistema de cultivo, em contrapartida existe dificuldade em modificar a postura dos produtores de soja, uma vez que buscam resultados imediatos e essas práticas alternativas não fornecem resultados no curto prazo. Soma-se a isso a proximidade das empresas revendedoras de insumos com os produtores (mais evidenciado na unidade de produção A), as quais, por conta dos interesses comerciais envolvidos, oferecem soluções imediatas, mas que podem comprometer os resultados em longo prazo. Além dessas críticas, o gestor de pesquisa da FUNDAÇÃO-MT ainda destaca que a transição do atual sis- tema de cultivo predominante no estado (e já superado em decorrência dos problemas) constitui um desafio muito maior do que o de fazer o Cerrado produzir na década de 1980, uma vez que isso exigia somente a aplicação de insumos, o que atualmente não resolve mais. A mudança da postura do produtor é que fará a diferença.

O que pode ser desprendido dessas afirmações? Inicialmente, que os sojicultores preci- sam rever suas práticas de cultivo para manterem-se em atividade e também quais as alternati- vas podem adotar para garantirem produtividade em longo prazo. Embora os resultados aqui possam ser auferidos para somente três casos, ficou evidente a diferença de produtividade e lucratividade, sendo os melhores resultados para as unidades de produção B e C, que adotam sistemas de produção que se diferenciam da unidade de produção A, a qual faz suas apostas nas tecnologias embarcadas. Diferenças também foram observadas quanto às relações interorgani- zacionais, uma vez que a unidade de produção A tem áreas de pesquisas dos fornecedores de insumos na propriedade e presença de consultorias, ao contrário da unidade de produção B, que tem área de experimentos da FUNDAÇÃO-MT, UFMT e proximidade com a EMBRAPA, ins- tituições sem interesses comerciais.

Outra questão que merece atenção é o fato de que a tecnologia para a produção de soja em termos de avanços e demanda parece estar resolvida; no entanto, na área de gestão, as uni- dades de produção ainda carecem de atenção. Nesse sentido, observou-se que, na área de gestão de pessoas, há pontos que precisam evoluir. O produtor da unidade A citou que a forma como atualmente avalia seus funcionários não está adequada; o produtor da unidade B precisou rever a forma de remuneração e o produtor da unidade C pretende elaborar um plano de carreiras. Soma-se a isso também a dificuldade dos colaboradores de aprender pela pouca formação for- mal, situação recorrente em todas as unidades. Outro aspecto observado, além da gestão de pessoas, porém não menos importante, é a falta de formalização dos procedimentos (somente a unidade de produção C apresentou), uma vez que a ausência tem implicações na forma como o trabalho é aprendido e realizado.

Considerando a relevância da CA organizacional, constatada também no contexto do agronegócio da soja, o fato das práticas de gestão pessoas e a formação (conhecimento prévio), a formalização de procedimentos para facilitar o compartilhamento de informações que favo- recem a absorção de conhecimentos externos, os quais são determinantes para o cultivo desse grão, faz-se necessária atenção maior a esses elementos.