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Utfordringer knyttet til registreringen av servitutter

Del 3. Empiri

3.3 Utfordringer knyttet til registreringen av servitutter

Após compreender os critérios utilizados na seleção do repertório desenvolvido no Projeto UCCC, dediquei-me ao mapeamento (apêndice E) e análise das canções desenvolvidas entre os anos de 2002 e 2014. O mapeamento revelou que o Projeto desenvolveu durante treze anos de atividades o total de 128 canções, enquanto que a análise das peças corais demonstrou a efetivação dos critérios já mencionados (extensão vocal, dificuldades técnicas, divisão de vozes, conteúdo poético e diversidade cultural). A altura

mais grave nas canções desenvolvidas localiza-se no sib2 (si bemol)31 e a altura mais aguda

localiza-se no fá4. Essas alturas (sib2 e fá4) apresentam-se como notas de passagem e de

maneira geral o repertório concentra-se entre o ré3 e o ré4.

O repertório desenvolvido no Projeto UCCC traz predominantemente estruturas melódicas em graus conjuntos, poucos cromatismos, pequenos saltos com intervalos de terças maiores e menores e dificuldades técnicas passíveis de serem solucionadas ocasionando, de acordo com o contexto e objetivos, execuções em nível técnico satisfatório. Os procedimentos metodológicos utilizados no desenvolvimento do repertório e resolução de dificuldades

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específicas serão abordados mais adiante. Observa-se que as dificuldades técnicas características do repertório concentram-se na execução de saltos, de fraseados e de articulações vocais. As canções “Garibaldi não foi à missa” e “Superfantástico”, por exemplo, trazem saltos de oitava ascendente:

FIGURA 16 – Fragmento da peça “Garibaldi Não Foi à Missa”.

FIGURA 17 – Fragmento da peça “Superfantástico”.

Já as canções “Carimbó”, “Os sinos de Belém” e “Okina Kurino” apresentam dificuldades relativas a saltos de quarta ascendente:

FIGURA 18 – Fragmento da peça “Carimbó”.

FIGURA 20 – Fragmento da peça “Okina Kurino”.

A melodia de “Trenzinho Caipira” traz um salto de quarta ascendente e em seguida de quinta descendente, enquanto “O Music” apresenta dificuldades com um salto de sexta descendente em uma região grave, localizada entre os extremos da voz infantil, de acordo com a perspectiva da regente Doreen Rao e da monitora e coordenadora Oleide:

FIGURA 21 – Fragmento da peça “Trenzinho Caipira”.

FIGURA 22 – Fragmento da peça “O Music”.

O “Hino à Londrina”, executado nos anos de 2006 e 2014 traz também alguns desafios técnicos, como diversos saltos, um texto longo e palavras que remetem a detalhes históricos que necessitaram de contextualização como, por exemplo, “pálio anil”, “espigas dobradas” e “se os brios lhe ofuscam”:

FIGURA 23 – Fragmento do “Hino à Londrina”.

O conteúdo poético das canções vem abranger outra dificuldade técnica, relacionada à articulação das palavras. A realização de concertos gerais com a participação de uma quantidade grande de alunos evidencia a necessidade de exercícios técnicos para que o texto possa ser executado com clareza. Assim, os planejamentos dos ensaios traziam exercícios próprios para o desenvolvimento da projeção e da articulação.

Além da identificação das estruturas sonoras, a análise do repertório possibilitou a identificação das origens das canções. Algumas peças traziam essas informações na própria partitura, enquanto que outras exigiram a realização de pesquisas em sites de buscas da web. Observou-se que até então o Projeto UCCC trabalhou com peças de origem brasileira, norte americana, alemã, austríaca, argentina, israelita, japonesa, ganesa, russa, francesa, italiana, de origem hebraica, sul africana, inglesa, húngara, tailandesa, uruguaia, búlgara, liberiana, australiana e gaulesa. Não foi possível identificar a origem de três peças desenvolvidas e entre as 128 canções oito foram consideradas de “origem diversificada” tendo em vista a estrutura

elaborada em formato de pot-pourri32 ou medley e a diversidade de origens de melodias e

idiomas. Foram encontradas peças corais voltadas para a exploração de sonoridades corporais e textos ritmados, confirmando as falas dos educadores sobre a utilização de timbres e movimentos corporais no contexto da prática coral.

A diversidade de origens evidencia, além dos estilos das canções, a nacionalidade dos compositores, arranjadores e as adaptações das peças para os mais diversos idiomas. A canção “Haida”, por exemplo, é de autores norte-americanos, porém traz elementos da cultura judaica. A canção “Kookaburra”, originária do folclore australiano foi executada a partir de

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Pot-pourri e medley: produção musical formada por diversos fragmentos ou canções do mesmo autor ou de autores diferentes.

uma adaptação para o espanhol. O mesmo ocorreu com “The Little Birch Tree” de origem russa, que foi trabalhada com os alunos do Projeto UCCC a partir de uma versão para o espanhol. A melodia de compositores norte-americanos “Do-Re-Mi” e muito conhecida por causa do filme “The Sound of Music” (A Noviça Rebelde) foi executada em português, bem como “Saturday Night”, originária de Ghana, foi trabalhada a partir de uma versão em inglês. Com relação à divisão de vozes, 57 canções foram desenvolvidas em uníssono e 71 a duas vozes, seja na forma de cânone, melodias independentes, perguntas e respostas ou ostinatos. A canção “Escondido”, de origem argentina, é a única cuja organização das vozes é com sobreposição de terças, considerada uma dificuldade técnica no trabalho com coros infantis iniciantes:

FIGURA 24 – Fragmento da peça “Escondido, No Te Escondas”.

As canções brasileiras desenvolvidas caracterizam-se por melodias do folclore como “Sambalelê”, “Mulher Rendeira” e “Sapo Jururu” e algumas com arranjo de Heitor Villa- Lobos como “O Anel”, “Rosa Amarela” e “Que Lindos Olhos”, encontradas no Guia Prático. Melodias conhecidas, sobretudo por intermédio da mídia, como “É preciso saber viver”, “Superfantástico”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo” e “Amanheceu, peguei a viola” também foram trabalhadas durantes esses anos. Observa-se que ritmos e estilos regionais brasileiros como o choro, a ciranda e o cacuriá foram abordados a partir das melodias de “Caranguejo”, “Carimbó”, “Duas Cirandas do Recife” e “O Chorinho”.

Em geral, os arranjos escolhidos ou elaborados por monitores possuem o piano como o instrumento principal. A utilização desse instrumento contribui na manutenção do pulso em peças que exploram timbres corporais e sequências rítmicas como, por exemplo, “Cânone Rítmico” e “Numerologia, Um Canto e Hit Percussivo”. Nos concertos gerais e apresentações nas Escolas, foi possível observar a utilização de instrumentos de percussão, da flauta doce soprano, da viola caipira e da escaleta, instrumentação esta que nem sempre estava indicada na partitura, o que demonstra flexibilidade nas execuções de acordo com os instrumentos disponíveis e habilidades dos monitores.

A análise do repertório aponta para a diversidade como uma característica marcante na escolha das canções, ao mesmo tempo em que evidencia gêneros e estilos que ainda podem ser trabalhados, conforme os objetivos e critérios são estabelecidos na seleção das peças corais. Outro aspecto que fica explícito através da compreensão das características do repertório do Projeto UCCC e sua análise é a utilização da instrumentação. Como já mencionamos, o instrumento principal é o piano. Considerando que o Projeto tem por objetivo a ampliação da experiência musical, proporcionando o contato com melodias e sonoridades de culturas diversas, a utilização de instrumentos típicos ou semelhantes aos usados em determinadas manifestações musicais, bem como a ausência de acompanhamento instrumental, poderia enriquecer ainda mais essa experiência artística.

O mapeamento das canções trabalhadas ao longo dos treze anos de atividades do Projeto, bem como o acompanhamento das atividades no ano de 2014 evidenciam o processo de enculturação (MERRIAM, 1964). Quando a maioria dos alunos (666 entre os 751 que responderam o questionário) opina que “gosta muito” das músicas que são ensinadas e essas canções caracterizam-se por sua diversidade cultural como vimos, penso que o Projeto gera um tipo de enculturação no qual os alunos são estimulados a aprenderem, por meio da execução vocal, a sua própria cultura. Se “cada cultura modela o processo de aprendizagem para estar de acordo com os seus próprios ideais e valores”, como aponta Merriam (1964), posso então refletir sobre os ideais e valores culturais, no qual o Projeto UCCC insere-se e a sua transmissão por meio de ações pedagógicas musicais. Tais valores culturais são evidenciados por meio da ampliação da experiência musical mediante o contato com a diversidade cultural imbricada aos idiomas, estilos e origens das canções que compõe o repertório desenvolvido.

O Projeto está inserido em uma cultura que valoriza o ensino de música e cria mecanismos para que este seja efetivado, nesse caso, na instituição escolar. O repertório escolhido, visando uma experiência musical diversificada, vem ao encontro de anseios de diretores e professores que enxergam nos procedimentos pedagógicos e nas canções a possibilidade de ampliar a visão de mundo dos alunos. As canções desenvolvidas trazem a possibilidade de reforçar uma cultura que aprecia o desenvolvimento da percepção auditiva, do contato com outros idiomas, de conteúdos poéticos que colaboram na construção de conhecimentos pertinentes à sociedade e que podem ser transferidos para as demais situações e espaços sociais, além da vivência de produções musicais consideradas de valor histórico e estético.

Por intermédio do conceito de cultura adotado nessa pesquisa, compreendo que os fios que compõe a teia de significados no qual os personagens da rede de diálogos do Projeto UCCC estão amarrados, vêm perpetuar um ensino de música voltado para o desenvolvimento do repertório coral ancorado na ideia de diversidade que abrange desde diferentes nacionalidades e sonoridades até períodos históricos, formas e estruturas musicais. O processo de enculturação também é evidenciado quando as canções desenvolvidas fundamentam-se no ensino alicerçado em procedimentos que consideram as especificidades da voz e do universo infantil. As características do repertório desenvolvido no Projeto UCCC e os ensinos e aprendizagens inerentes a ele, podem estar ligadas às necessidades da sociedade no qual o Projeto insere-se, refletindo a sua cultura, representando os conhecimentos acumulados, aprendidos e transmitidos entre as gerações.

4.2 Situações de formação