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Utfordringer

In document Bedre likestilling i fiskeriene (sider 34-37)

Para Goethe, a morfologia se apresenta como a ciência das formas orgânicas em constante transformação. A natureza não é somente um campo onde atuam forças contraditórias de atração e repulsão, mas um todo em constante formação, que se expressa por meio de suas partes ou formas. Estas não são somente organismos individualizados enquanto formas, mas formas que se autoproduzem e se transformam incessantemente. A morfologia de Goethe visa compreender o que é peculiar à natureza, como a força que é imanente à forma, “forza que se muestra como proceso orgánico de formación” (MECA, 1997, p. XXXIII).

A natureza, enquanto força criadora, se manifesta dando vida e forma aos fenômenos diversos e múltiplos. Cada ser, ou organismo particular, contém em si o movimento de formação da natureza. Para Goethe (1997a), quando se depara com a natureza vivente, é preciso ter uma visão do conjunto do seu ser e do seu processo. Pode-se conhecê-la mediante a decomposição de suas partes analisando suas particularidades. Porém, esse conhecimento analítico não é satisfatório. Para ele, um ser vivo depois de decomposto jamais pode ser composto novamente, devolvendo-o à vida. Isto pode valer para a natureza inorgânica, mas não para a orgânica.

Das artes e das ciências, sem distinções, surge a doutrina da morfologia. Em alemão, a palavra gestalt designa a forma de determinado complexo real. Contudo, para

Goethe este termo abstrai o movimento ao fixar-se em algo estabelecido em um dado momento. As formas orgânicas nunca se encontram estáticas e acabadas, mas sempre em movimento. Todas flutuam em constante devir. É, por isso que, na língua alemã, ele prefere o termo bildung, formação, para designar tanto o processo de produção quanto aquilo que já foi produzido. “Así pues, puesto que queremos introducir una Morfología, no debemos hablar de formas, y si usamos esta palabra será pensando solo en una noción o en algo que se fija en la experiencia sólo durante un momento” (GOETHE, 1997a, p. 7).

O que está formado na natureza se transformará novamente, e para alcançá-lo por meio da intuição como um todo vivo é preciso que a subjetividade acompanhe esse movimento. Dividindo os corpos vivos em partes e, depois, dividindo-as novamente nas partes em que se quer decompor, pode-se alcançar o que Goethe denomina “partes similares”. Mas todo ser vivo é, em verdade, uma pluralidade, e não apenas uma individualidade. Ainda que se mostre como um indivíduo, ele é também o conjunto de seres que são iguais, com base em um atributo ou uma série de atributos análogos, e que, portanto, se diferenciam de outros que formam outros conjuntos. Estes seres encontram-se originariamente unidos, depois se separam e de novo tendem a se aproximar, gerando uma constante transformação, em múltiplas direções e formas. As sementes, por exemplo, parecem ser uma unidade particular, mas, em verdade, são a reunião de seres iguais ou análogos (GOETHE, 1997a).

Para Goethe (1997a), nenhuma vida pode proliferar sobre a superfície por si mesma, segundo sua própria força produtiva, sem um invólucro que a proteja dos fenômenos externos, de modo que ela possa cumprir o que está determinado em seu interior. Esse invólucro pode aparecer como pele, córtex ou concha. Portanto, tudo que vive exteriormente tem que estar coberto por uma estrutura protetora e mesmo assim, aos poucos, se decompõe tendendo à morte.

Goethe rechaça as teorias da preformacão, seja a dos “ovulistas”, em que o novo ser já está contido no óvulo, seja a dos “espermatistas”, em que o novo está no espermatozóide antes mesmo da fecundação. Desse modo, ambas negam a ideia de germinação e de geração. Para os espermatistas, o papel da fêmea se limita a formar o embrião para o desenvolvimento do espermatozóide, enquanto que para os ovulistas o macho somente põe em movimento o processo evolutivo já contido na fêmea. Nos dois casos não há a geração de um ser novo, mas apenas o deslocamento de um indivíduo já constituído em si mesmo. Se todo ser vivo está contido previamente em uma semente de outro ser vivo, então este deverá conter outro ser vivo menor ainda do que ele e este, portanto, deverá conter outro ser menor ainda, e assim sucessivamente. Dessa maneira, tanto os óvulos quanto o

espermatozóide deveriam estar contidos uns dentro dos outros até o mais ínfimo ser. Expressão desse pensamento encontra-se em Leibniz.40

As investigações dos modernos têm mostrado, e a razão confirmado, que as coisas vivas, cujos representantes, isto é, as plantas e os animais, não surgem da putrefação ou do caos, como os antigos acreditavam, mas de sementes pré-formadas e, portanto, da transformação de seres vivos preexistentes. Há pequenos animais nas sementes dos grandes, que por meio de um processo de concepção assume um novo envoltório do qual se apropriam e que lhes dá os meios de alimentar-se e cresce, a fim de passar para uma grande etapa e assim reproduzir o animal maior (LEIBNIZ, 2009, p. 46-47).

As observações de Goethe tanto sobre as plantas quanto sobre os animais o levaram a aprofundar seus estudos sobre a natureza, assim como sobre a formação do humano. Seu método usado para compreender os insetos e as plantas também foi usado para a análise dos animais. Em outras palavras, Goethe estabeleceu um modelo tanto para as plantas quanto para os animais. Para as plantas, denominou “planta primordial” (urpflanze) e para os animais, “animal primordial” (urtier). São tipos ideais, que remetem ao ideal platônico e servem de referência para examinar todos os seres segundo suas similitudes ou discrepâncias.

Foi a partir das conversas e das cartas trocadas com Herder que Goethe se inspirou para elaborar sua teoria do organismo:

Pero mi ardua y fatigosa investigación se vió aliviada y endulzada con la obra de Herder, Ideas sobre la historia de la humanidad. Nuestras conversaciones diarias versaban sobre los comienzos originarios del agua-tierra, y sobre las criaturas orgánicas que más antiguamente se desarrollaron a partir de ella. Discutíamos siempre sobre el origen primero y la evolución incesante, y los conocimientos que ya poseíamos se enriquecían así y se precisaban diariamente mediante la confrontación de ideias (GOETHE, 1997a, p. 17).

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