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utdanningsnivå Gjennomsnittlig andel inngifte

A necessidade de comunicar está intimamente ligada à condição social do

homem. Comunicar significa “tornar comum”, “pôr em comum”. Para que haja

comunidade é necessário que exista “algo” de comum entre os indivíduos que a

constituem. A comunidade nasce do próprio ato em que os homens, livre e

conscientemente, lançam entre si um conjunto de coisas que partilham: conhecimentos,

hábitos, usos, costume, crenças, histórias, desejos, expectativas.

Não é fácil dar uma definição exata de “discurso”. Pode querer dizer uma fala

longa e fastidiosa, assim como um raciocínio ou uma locução qualquer. Porém, para que

haja “discurso” exige-se enunciação, predicação, proposição, isto é, emissão de juízo.

Todo o “discurso” é informado por uma rede possível de conceitos.

O “discurso” moral expressa-se segundo uma rede conceptual própria, isto é,

utiliza um sistema de princípios, normas e leis vigentes numa dada sociedade e cultura.

Como em todo o discurso, também o discurso moral é constituído por juízos. Porém,

estes juízos distinguem-se dos juízos factuais. Estes últimos descrevem a realidade ou

informam sobre factos concretos, livres de apreciações ou preferências valorativas.

Dizemos que são verdadeiros ou falsos conforme se ajustem ou não à realidade,

podendo, mesmo, sujeitarem-se à verificação empírica.

Os juízos morais valoram e julgam as ações em função de valores morais. Dizer

a verdade, ajudar os deficientes e amar a sinceridade enquanto virtude moral são juízos

morais. Afirmar que António é alto, que a Terra gira em volta do sol, que hoje a

temperatura do ar atingiu os 20 graus, são juízos de factos.

Todo o juízo moral é ou tem implícito um juízo de valor e não são

empiricamente verificáveis. Apresentam-se como princípios ordenadores das condutas

humanas, quer na esfera individual, quer na esfera social e pública. Dizem-se corretos

ou incorretos e não verdadeiros ou falsos, relativamente aos valores ou normas de

referência. O discurso moral traduz um código moral constituído por um sistema de

princípios, leis, normas morais próprias de uma dada sociedade e cultura.

É bom ter presente que todo o discurso apresenta uma dimensão linguística, uma

vez que se apresenta como uma atualização da língua em palavras. O discurso

concretiza-se também numa expressão pessoal e subjetiva, feita de emoções, pontos de

vista, convicções íntimas, razões e argumentos. Além desta perspetiva, há ainda as

dimensões: intersubjetiva, lógico-argumentativa e ética. A dimensão lógico-

NUMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA PORTUGUESA

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argumentativa é aquela que interessa à Ética e pretende fundamentar a validade das

opiniões e raciocínios que hão-de suportar a pretensão de verdade, justiça e exatidão das

proposições expressas.

O raciocínio é a operação mental que parte de uma ou mais proposições

consideradas como premissas verdadeiras para chegar a conclusões consideradas

também verdadeiras. O que distingue os raciocínios éticos dos demais é a presença em

cada raciocínio de, pelo menos, um juízo moral. Em toda a argumentação ética há

valores, preferências, cálculos valorativos.

Para ilustrarmos a natureza do raciocínio ético, nada melhor do que analisarmos

a situação vivida por Sócrates após ter sido condenado à morte pelos seus concidadãos,

acusado de ter corrompido a juventude com os seus ensinamentos, tal como Platão faz

referência nos diálogos “Apologia” e “Críton”.

A “Apologia” é uma exaltação ao dever que Sócrates assumiu em consagrar a

vida ao ensino, cumprindo a obrigação que lhe foi confiada pela divindade: o exame de

si mesmo e dos outros para alcançar a via do saber e da virtude. No “Críton”, Sócrates

debate-se com o dilema: ou aceita a morte pelo respeito que o homem justo deve às leis

do seu país ou foge da prisão, conforme proposta dos seus amigos, desmentindo, assim,

a substância do seu ensino.

Sócrates era tido como uma pessoa “boa”, cumprindo o que entendeu ser o seu

dever e fazendo bem aos seus concidadãos. Mas, muitos desses concidadãos

reprovavam o seu comportamento, embora não apresentassem provas concludentes para

fundamentar a acusação de que era alvo. Sócrates foi julgado e condenado à morte,

conduzido à prisão, onde aguardava a hora da execução. Porém, muitos amigos, entre

eles encontrava-se Críton, consideravam a condenação injusta e, na base dessa

suposição, propunham a Sócrates a possibilidade de fuga e exílio. Esta proposta era

consensual entre os concidadãos de Sócrates. Que fazer? Sócrates deveria aceitar a

proposta ou recusá-la?

Sócrates começa por apresentar algumas considerações, a partir das quais

explana o seu raciocínio. Refere que não devemos permitir que as decisões a tomar

sejam afetadas pela emoção; que os dilemas (conflito de deveres) não devem ser

solucionados recorrendo ao consenso geral, e não devemos agir de modo que seja

moralmente errado. Com efeito, moralmente, só nos cabe indagar se o que fazemos é

certo ou errado, e não quais serão as consequências que temos de enfrentar, o que

pensarão os outros de nós e como nos sentimos face ao ocorrido.

Após estas considerações, Sócrates apresenta o seguinte raciocínio moral: não

devemos lesar ninguém (e a fuga de Sócrates lesaria as leis do Estado); devemos manter

as nossas promessas e, em termos de conclusão, devemos obediência e respeito aos

nossos pais e mestres (o Estado é virtualmente o nosso pai e mestre). Ora, se Sócrates

fugisse, violaria a moral do seu povo. As três premissas, isto é, as três regras morais

conduzem à mesma conclusão: não fugir e obedecer às leis do Estado.

Porém, nem sempre duas ou mais regras morais aplicadas à mesma situação,

convergem para a mesma solução. A maioria dos problemas de carácter moral, derivam

de situações em que há conflito de deveres; um princípio moral aponta numa direção e

outro princípio moral, partindo da mesma situação, aponta para outro sentido diverso.

Da leitura da “Apologia” de Sócrates, verificamos que o Estado poupa a vida a Sócrates

se este deixar de ensinar. Porém, tendo por base este requisito, Sócrates jamais poderá

obedecer. Porquê? Porque o deus “Apolo” atribuiu a Sócrates a tarefa de ensinar e

porque os seus ensinamentos são necessários ao “bem” do Estado. Como tal, se Sócrates

obedecer ao Estado, desobedece a “Apolo”. Que fazer? O dilema não se resolve pelo

simples recurso a regras morais. É necessário ir mais além e determinar as regras às

quais deve ser dada precedência. No caso em apreço, Sócrates atribui precedência à

regra “Sócrates deve ensinar e obedecer a Apolo” e à regra “porque os seus

ensinamentos são necessários ao Estado”. A solução do problema será: Sócrates não

deve fugir da prisão, mas aceitar a morte. Este é um exemplo de raciocínio ético.