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Utdanningsforskning etter institusjonstype

Para explicar a relação entre metáfora e cultura, recorremos a Kövecses (2005). Em seus postulados, ele explica a universalidade e a variação do pensamento metafórico, afirmando que metáfora e cultura estão relacionadas em muitos aspectos. Um deles diz respeito à ligação entre metáfora e literatura.

Com base em alguns pensadores da Antropologia, o autor afirma que podemos pensar a cultura como um conjunto de entendimentos compartilhados, que caracterizam pequenos ou grandes grupos de pessoas. Esse entendimento compartilhado sobre as coisas, afirma o autor, está relacionado com o pensamento metafórico, descrito por Lakoff e Johnson (1980). Ele afirma que “os entendimentos compartilhados sugeridos pelos antropólogos como uma grande parte da definição de cultura muitas vezes podem ser entendimentos metafóricos.” (KÖVECSES, 2005, p. 2). Dessa forma, a metáfora passa a ser inerente à cultura.

Kövecses (2005) defende que as metáforas primárias, como, por exemplo, AFEIÇÃO É CALOR, são as primeiras candidatas a serem universais, pois são metáforas baseadas na experiência corporal. A metáfora primária AFEIÇÃO É CALOR é apreendida ainda na infância, quando os abraços amorosos dos pais são relacionados ao calor

reconfortante do corpo que os acompanha. Dessa ligação, surgem expressões como “Temos uma relação calorosa”, afirma o autor. Ele acrescenta que metáforas como essa são vivenciadas na grande maioria, senão em todas as culturas. A conceptualização do AFETO em termos de CALOR não é uma escolha, mas feita inconsciente e automaticamente. Por isso, as experiências primárias universais produzem metáforas primárias universais, conclui.

Por outro lado, há uma grande variação no uso das metáforas complexas, que surgem das primárias, como é o caso do conceito amor, que atualiza metáforas como: AMOR É VIAGEM, AMOR É UNIDADE, AMOR É CAÇA, dentre outras, em muitas culturas, incluindo a inglesa, a húngara e a chinesa, mas, em certos dialetos do chinês, AMOR É EMPINAR PIPA (Yang, 2002 apud KÖVECSES, 2005).

Já o conceito de raiva é entendido como um fluido ou gás em muitas culturas, mas em Zulu é entendido como objetos no coração (Taylor e Mbense, 1998 apud KÖVECSES, 2005). E o conceito vida é comumente visto como viagem ou luta, mas em Hmong é entendido como uma corda (Riddle, 2000, apud KÖVECSES, 2005).

O autor afirma que as culturas influenciam muito no tipo de metáfora conceptual complexa que emerge das metáforas primárias e acrescenta que:

 Experiências universais não conduzem necessariamente a metáforas universais;  A experiência corporal pode ser usada seletivamente na criação de metáforas;  A experiência corporal pode ser ultrapassada tanto pela cultura como por processos

cognitivos;

 Metáforas primárias não são, necessariamente, universais;

 Metáforas complexas podem ser potencialmente ou parcialmente universais;

 Metáforas não são, necessariamente, baseadas na experiência corporal – muitas são baseadas em considerações culturais e processos cognitivos de vários tipos.

O teórico acredita que as metáforas conceptuais, tanto as primárias quanto as complexas, têm um ou vários focos de significado, ou seja, cada domínio de origem contribui com materiais conceituais predeterminados para uma gama de domínios de destino a que se aplica. Este material conceitual é acordado por uma comunidade de falantes e representa o conhecimento básico e central sobre o domínio fonte. Em outras palavras, o autor afirma que a maioria dos domínios fonte que se aplica a uma variedade de alvos se relaciona com um tema principal. Por exemplo, o domínio viagem como um domínio fonte tem como tema principal a ideia de progresso. Então, pode-se aplicar à vida

ou ao amor; calor como fonte é normalmente usado para indicar intensidade; e construção é mais comumente aplicado a algumas estruturas abstratas, como longevidade e criação.

O autor discute sobre o foco ou tema principal do significado, baseado na sensibilidade cultural. Segundo ele, a noção de sensibilidade cultural nos permite falar de ideias associadas a um domínio de origem acordado por uma comunidade de falantes, além de captar mudanças transculturais interessantes em domínios de origem e que estão conectados no alvo.

Como exemplo, ele apresenta a bem conhecida metáfora primária DESEJO SEXUAL É CALOR, como estudada em Inglês por Lakoff (1987). De acordo com os postulados da metáfora primária, o mapeamento que caracteriza essa metáfora deve ser universal, com o domínio calor mapeando para a intensidade do desejo sexual. Porém, os estudos de Emanatian (1995 apud KÖVECSES, 2005) em outras línguas, tais como Chagga, comprovaram que essa metáfora não funciona dessa forma: o calor não mapeia para a intensidade do desejo sexual. Em vez disso, ele mapeia para as qualidades desejáveis da parceira. Portanto, o autor acredita que a noção de foco principal do significado parece ser mais sensível culturalmente do que a noção de metáfora primária.

Para explicar a universalidade de alguns conceitos metafóricos, o autor recorre à nossa conceptualização de intensidade como calor. Segundo ele, se uma pessoa trabalha duro ou faz alguns exercícios físicos rigorosos ela começa a ficar com calor, pois tais atividades produzem um aumento na temperatura do corpo. Da mesma forma, quando alguém está muito zangado ou tem fortes sentimentos sexuais, ou mesmo quando está sob forte pressão psicológica, seu corpo também pode produzir esse aumento na temperatura. Em todos esses casos, o aumento na intensidade de uma atividade acompanha o aumento da temperatura. É uma mudança automática, não podemos impedir essa correlação entre o aumento na intensidade da atividade, por um lado, e a produção de calor do corpo, por outro. Consequentemente, temos a metáfora conceptual baseada nessa experiência corporal, INTENSIDADE É CALOR, que está tanto no corpo como na linguagem e no pensamento (KÖVECSES, 2005).

Outro tipo de experiência corporal é o que dá origem aos esquemas imagéticos, que se originam da repetição constante de certos movimentos. Tais experiências corporais estruturadas incluem contenção, força, movimento ao longo de um caminho, simetria e equilíbrio. Essas experiências dão origem a metáforas, como ESTADOS SÃO RECIPIENTES, EMOÇÕES SÃO FORÇAS e VIDA É UMA VIAGEM. Esses exemplos

mostram como as experiências humanas básicas e repetidas com uma estrutura limitada fornecem uma compreensão de abstrações, como estados, emoções, ou vida.

Além desses casos de experiência corporal que são comumente evocados nas discussões sobre a hipótese da incorporação, há vários outros, como discute Gibbs (2003a, 2003b apud KÖVECSES, 2005).

A ideia principal é que o pensamento metafórico na Linguística Cognitiva é baseado na experiência corporal e atividade neuronal no cérebro. Dessa forma, as pessoas tendem a pensar que a maioria das metáforas conceptuais é universal. A explicação para essa universalidade surge a partir do seguinte pensamento: se a metáfora se baseia na forma de funcionamento do corpo e do cérebro humano e se os seres humanos são iguais no nível desse funcionamento, então a maioria das pessoas que usa metáforas também o faz de forma bastante semelhante, isto é, universal no nível conceitual. No entanto, o autor argumenta também que as metáforas variam consideravelmente em todos os níveis de sua existência tanto entre culturas distintas como na mesma cultura e que se pode dar uma explicação coerente dessa variação.

No primeiro momento, o autor apresenta algumas metáforas que se repetem em diversas culturas, bem distintas umas das outras, mostrando, dessa forma, uma possível universalização da ocorrência dessas metáforas. As mais recorrentes são as metáforas das emoções como felicidade e raiva, por exemplo. Estudos realizados pelo autor demostraram que há várias metáforas conceptuais para o conceito de felicidade em inglês, das quais três se destacam: FELICIDADE É PARA CIMA, atualizada por expressões como “Estou me sentindo para cima"; FELICIDADE É LUZ, atualizada, dentre outras, pela expressão “Ela se animou” (She brightened up); e FELICIDADE É UM LÍQUIDO EM UM RECIPIENTE, subjacente a “Ele está explodindo de alegria”. Essas metáforas se repetem em húngaro e também em chinês. Nesta última língua, foram encontradas pelo linguista chinês Ning Yu (Yu, 1995, 1998 apud KÖVECSES, 2005). São línguas bem diferentes, pertencentes a famílias distintas e representando culturas diferentes do mundo e que, segundo Kövesces, não tinham muito contato uma com a outra quando essas metáforas conceituais evoluíram. Essa semelhança na conceituação de felicidade pode ter acontecido por acidente, uma língua pode ter pegado emprestadas as metáforas de outra ou pode haver alguma motivação universal para as metáforas surgirem nas três culturas, explica o autor. A última possibilidade é a mais plausível, segundo ele, se concordarmos que as metáforas primárias são motivadas por correlações universais na experiência corporal.

A terceira metáfora, FELICIDADE É UM LÍQUIDO EM UM RECIPIENTE, não parece ser uma metáfora primária, mas ainda assim ocorre nos três idiomas. A razão para isso pode emergir do fato de os mapeamentos principais que a compõem basearem-se em experiências universais e percepções metafóricas, como seguem: as emoções estão dentro do nosso corpo recipiente, elas estão correlacionadas com os líquidos corporais, como o sangue. Por fim, o controle é manter a substância no interior do recipiente. Sendo assim, não só metáforas simples ou primárias podem ocorrer em línguas e culturas muito diferentes, mas também aquelas metáforas conceituais complexas que têm mapeamentos baseados em experiências e percepções amplamente compartilhadas, conclui Kövecses (2005).

Já o conceito de raiva, na metáfora PESSOA COM RAIVA É UM RECIPIENTE PRESSURIZADO, ocorre em diversas culturas, incluindo inglês, chinês, japonês, húngaro, dentre outras. Nessas diversas culturas, o domínio fonte recipiente foi encontrado, pressurizado, com ou sem calor38.

O autor acredita que são as características fisiológicas conceituadas, ou seja, as metonímias conceptuais, que fornecem a motivação cognitiva para as pessoas conceituarem uma pessoa com raiva, metaforicamente, como um recipiente pressurizado (Kövecses, 2000 apud KÖVECSES 2005).

Ainda acrescenta que, se as respostas fisiológicas conceituadas incluem um aumento da pressão interna como uma resposta importante em uma dada cultura, as pessoas nessa cultura utilizarão as metáforas do recipiente pressurizado naturalmente. O processo fisiológico que ocorre com os seres humanos quando estão com raiva tende a ser, dessa forma, universal. No entanto, o autor adverte que essas mudanças fisiológicas podem se sobrepor com alterações fisiológicas em outras emoções, por exemplo, para expressar felicidade, uma vez que também podemos ter a metáfora recipiente pressurizado para essa emoção, atualizada pela expressão linguística "explodindo de alegria". Apesar de não conter o elemento calor, que caracteriza a raiva em sujeitos falantes do Inglês, essa expressão atualiza também a metáfora do recipiente. Sendo assim, uma metáfora conceitual mais geral, que poderia ser responsável por esses casos, seria UMA PESSOA EM UM ESTADO EMOCIONAL INTENSO É UM RECIPIENTE PRESSURIZADO, defende Kövecses.

Outro conceito que tende a ser universal é o de tempo. Kövesces (2005) afirma que a principal maneira utilizada para conceptualizar esse conceito é entendê-lo em termos de espaço. Ora ele é entendido como estático, ora como dinâmico.

Quando o tempo é conceituado em termos estáticos, temos a utilização dos tempos presente como o espaço que está no local do observador, o passado como o espaço que está atrás do observador e o futuro como o espaço que está à frente dele. (LAKOFF; JOHNSON, 1999 p. 140, apud KÖVECSES, 2005). Esses autores afirmam que essa metáfora é encontrada em muitas línguas diferentes, incluindo a língua dos índios Puri, inglês e húngaro.

Dessa conceptualização, surgem as expressões linguísticas “O tempo virá em que não haverá mais máquinas de escrever. A hora de agir chegou. O prazo está se aproximando. O tempo para começar a pensar sobre a decadência ambiental irreversível está aqui. Ação de Graças está vindo em direção a nós. O tempo está voando. O tempo para as vendas de fim de verão já passou”, dentre outras. Todas essas expressões atualizam a metáfora TEMPO É UM OBJETO EM MOVIMENTO.

Outra forma de conceituar o tempo é conceptualizar o observador em movimento e o TEMPO COMO UM OBJETO ESTÁTICO. Sendo assim, encontramos expressões como “Estamos chegando no Natal”, “Eu estarei lá em um minuto”, “Ele vai ter o seu diploma no prazo de dois anos”, “Chegamos a junho já.” (LAKOFF e JOHNSON, 1999 apud KÖVECSES, 2005).

Em suma, o autor conclui que estudos de caso detalhados confirmaram que certas metáforas conceptuais são potencialmente universais ou quase universais. Essas metáforas são metáforas primárias ou metáforas complexas.

Em seus estudos sobre a universalização e a variação no uso da metáfora, o autor explica que a metáfora varia, não só entre culturas distintas, mas também dentro da própria cultura. Em geral, percebe-se que diferentes línguas e variedades usam domínios de origem diferentes, mas congruentes, em níveis específicos da organização conceptual, ao passo que, em níveis mais genéricos, os domínios de origem são mais propensos a ser culturalmente compartilhados. (KÖVECSES, 2005).

Um dos casos em que uma metáfora pode variar dentro da mesma cultura é quando as pessoas têm interpretações distintas sobre o domínio fonte. Por exemplo, a metáfora SOCIEDADE É FAMÍLIA terá usos e, consequentemente, interpretações distintas de acordo com a concepção de família que cada pessoa tem. O mesmo ocorre com o domínio

alvo. Por haver interpretações diferentes sobre um mesmo alvo, abre-se a possibilidade de serem usados diferentes conceitos do domínio de origem para mapeá-lo.

Outro tipo de variação que pode ocorrer tanto entre línguas distintas como na mesma língua, é o uso da mesma metáfora conceptual genérica, mas diferentes metáforas conceptuais específicas. É o caso, por exemplo, da metáfora POLÍTICA É ESPORTE, que é atualizada tanto em inglês como em chinês, porém são usadas metáforas específicas em cada cultura. Na cultura inglesa, o domínio específico utilizado como fonte é o futebol americano ou baseball, enquanto que, na chinesa, o domínio origem utilizado é o tênis de mesa, voleibol ou futebol, conforme explicita Yu (1998 apud KÖVECSES, 2005).

Além dos casos de variação inter e intracultural de metáforas conceptuais, Kövecses (2005) também discute as sutilezas encontradas nas expressões linguísticas entre duas línguas ou variedades, oriundas de traços cultural-ideológicos que caracterizam as diferentes culturas. Dessa forma, o autor defende que o cognitivo e o cultural são fundidos em um único complexo conceitual. Assim, o que chamamos de metáforas conceituais, segundo ele, são tanto entidades culturais como construções cognitivas, permeadas por ideologias que caracterizam cada cultura específica.

Conforme Dijk (2000), o discurso desempenha um papel fundamental na reprodução de ideologias. O autor explica que ideologia é um termo vago e, muitas vezes, controverso, inventado pelo filósofo francês Destutt de Tracy, no final do século XVIII, para se referir à ciência das ideias compartilhadas por um grupo. Desde então, a noção de ideologia vem sendo discutida e estudada em diversas áreas, recebendo conceituações distintas. Uma definição cognitiva do termo é dada em função das cognições sociais que são compartilhadas pelos membros de um grupo.

Sendo assim, o autor entende que as ideologias são as crenças fundamentais de um grupo e seus membros. Ele defende, ainda, que, para a compreensão do papel do discurso na sociedade, é necessário saber o seu papel fundamental na reprodução de representações sociais de uma forma geral e das ideologias, em particular.

No livro Washing the brain - Metaphor and Hidden Ideology, Goatly (2007), discute a relação entre metáfora e ideologia, ressaltando que esta última é tão onipresente em nossas vidas como o ar que respiramos. Para ele, todo pensamento é ideológico, pois cada indivíduo traz consigo as representações que são compartilhadas em sua comunidade.

O autor nos apresenta uma definição interdisciplinar de ideologia, pautada em Dijk (1998), como:

a base das representações sociais compartilhadas por membros de um grupo. Isso significa que as ideologias permitem que as pessoas, como membros do grupo, organizem a multiplicidade de crenças sociais sobre o que é o caso, bom ou mau, certo ou errado, para eles e agem de acordo.39 (DIJK 1998: 8 apud GOATLY, 2007).

Ele defende, ainda, com base em Thompson (1984), que a ideologia está a serviço do poder. Apesar de onipresente no pensamento humano, algumas ideologias podem ser mais úteis do que outras, defende o autor. Uma determinada ideologia pode ter, ao mesmo tempo, efeitos úteis e prejudiciais. Algumas delas permeiam nossas crises sociais e ambientais, acrescenta.

O autor se baseia na análise crítica da metáfora feita por Charteris-Black (2005) e demonstra como alguns padrões metafóricos no vocabulário e na gramática da língua inglesa representam e moldam certas ideologias e práticas sociais. Da mesma forma que a história e a cultura, a ideologia tem um grande papel na produção e elaboração de muitas das metáforas que utilizamos. Podem ser tomadas como exemplo as metáforas TEMPO É DINHEIRO e HOMEM É MÁQUINA, que surgiram durante a Revolução Industrial, influenciando a produtividade econômica e, consequentemente, gerando mais lucro para os donos das fábricas.

Com base em Dijk (2000), acreditamos que o discurso desempenha um papel fundamental na reprodução de ideologias. Através do uso da linguagem, que é metafórica por natureza, são manifestadas as ideologias de cada cultura específica.

No próximo capítulo, apresentamos as considerações metodológicas e as metáforas conceptuais levantadas a partir da leitura do corpus, acompanhadas das expressões linguísticas metafóricas.

39 The basis of the social representations shared by members of a group. This means that ideologies

allow people, as group members, to organize the multitude of social beliefs about what the case, good or bad, right or wrong, for them and to act accordingly.

3 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS E LEVANTAMENTO DO CORPUS

Neste capítulo, apresentamos de forma breve a conceituação de discurso e domínio discursivo, bem como os procedimentos metodológicos usados para a realização desta pesquisa, como a coleta e composição do corpus utilizado para análise dos dados, sua natureza e o ponto de vista adotado para a análise dos textos que o constituem. Por fim, elencamos as expressões linguísticas metafóricas levantadas nos textos investigados, com as respectivas metáforas conceptuais subjacentes.