• No results found

Utdanning er et individuelt og et samfunnsmessig gode

In document Utdanning og arbeidsmarked 1998 (sider 53-66)

O quarto pilar da educação consiste num princípio educativo que de forma mais profunda aproxima-se do princípio fundamental a ser perseguido na educação, que é contribuir para o desenvolvimento total da pessoa (espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade). No Relatório Delors (2006, p. 99-100) encontra-se expresso:

[...] todo o ser humano deve ser preparado, especialmente graças à educação que recebe na juventude, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida [...] Mais do que nunca a educação parece ter, como papel essencial, conferir a todos os seres humanos discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos do seu próprio destino.

Este ser complexo é biológico, psicológico e histórico. O ser humano, na concepção de Freire (1996) e Morin (2000) é, dialeticamente, unidade na diversidade, na medida em que a identidade única da espécie humana, dada pela cultura, não consegue apagar a multiplicidade das culturas. O homem se realiza plenamente como ser humano, com competência para agir, perceber, saber, aprender, mas não há mente (mind), isto é, capacidade de consciência e pensamento, sem cultura. A mente humana é uma criação que emerge e se afirma na relação cérebro-cultura. Há, portanto, uma tríade em circuito entre

85 cérebro/mente/cultura, em que cada um dos termos é necessário ao outro (MORIN, 2000, p. 53).

As interações entre indivíduos produzem a sociedade, que testemunha o surgimento da cultura e que retroage sobre os indivíduos pela cultura. Nesta perspectiva, Freire (1979) enfatiza que o sujeito humano faz parte do mundo vivido, que age e constrói uma cultura e sua história, que cria valores e determina os seus rumos e os da sociedade. Portanto, é necessário pensar numa educação que situe o ser humano como sujeito do processo educativo

um ser ativo, dinâmico e participativo no processo de sua formação.

Este sujeito, caracterizado pelos seus poderes, suas capacidades, seus projetos e conduzido pela sociedade a responder aos desafios do mundo, vai fazendo história pela sua própria atividade criadora. Está no ser humano o poder de reflexão sobre si mesmo, de colocar-se numa certa realidade e buscar constantemente ser mais. Ao experienciar a auto- reflexão, pode descobrir-se inacabado permanecendo em constante busca. Aqui está a raiz da educação. E o ser humano deve ser o sujeito de sua própria educação.

Aprender a Ser pode ser o resultado de um processo educativo que desenvolve na pessoa a capacidade de dizer a sua palavra, o seu pensar, de assumir sua condição humana que, mediatizada pelo diálogo, permite ao ser humano criar a sua identidade, expressar o seu ser; inserir-se no mundo inteligível e humano.

A educação é, desta forma, uma busca realizada por um sujeito que é o homem, uma busca permanente de si mesmo com outras pessoas que também procuram ser mais e em comunhão com outras consciências (FREIRE, 1979).

O desenvolvimento do ser humano, que se desenrola desde o nascimento até a morte, é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro. Neste sentido, a educação é antes de mais nada uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade (DELORS, 2006).

A perspectiva de uma educação que se configure planetária deve ser orientada por bases que estejam para além dos modelos educativos tradicionais; que promova a reforma do pensamento, no sentido de considerar a complexidade que envolve a condição de ser humano, de religar saberes para construir conhecimentos pertinentes; que ultrapasse a esfera do individual para dar lugar ao coletivo, ao solidário; que reconheça o outro na sua uno/diversidade e que transcenda do local ao global para a construção de uma sociedade- mundo.

Este é o indício deste modelo de educação que, apesar de recomendado pelas propostas oficiais de educação, não alcançou, até então, sua materialidade efetivamente. Esta

86 já se revela, nesta era planetária, em alguns espaços educativos da sociedade como, por exemplo, nos espaços não formais que se inserem no grupo do terceiro setor, cujas ações são orientadas tendo como eixos-guias o contexto, a pluralidade, a subjetividade, o global e o complexo. Neste contexto, em evidência, situam-se as ONGs, consideradas entidades pioneiras no processo de articulação e difusão de uma educação global (SANTOS, 2006).

Para este fim, na luta por uma sociedade-mundo, mais justa e plenamente democrática, Freire (1996) aposta na possibilidade de concretização do que foi negado pela modernidade às camadas populares e no rechaço do absolutismo da razão técnico-econômica-instrumental, que atrofiou as possibilidades concretas da hominização. Portanto, os processos político- pedagógicos devem ser conduzidos pelos eixos da solidariedade, do coletivo, do diálogo como pedagogia, do respeito às diferenças, da criticidade do conhecimento docente.

87 5 A SUSTENTABILIDADE NO FOCO DAS ONGS

O ideal da sustentabilidade é uma das expectativas que alimenta o pensamento e o agir humano na busca de sociedades mais justas. Neste sentido, várias entidades concentram esforços para implementar atividades de intervenção social como forma de alcançar mudanças em realidades indesejadas. No texto deste capítulo, apresentamos as ONGs como expressão da uma sociedade civil que é re-significada ao longo da história, cujo desenvolvimento conceitual está ligado à noção de igualdade de direitos, autonomia, participação e cidadania. Refletimos acerca dos múltiplos cenários que envolvem as ONGs, discutindo sobre sua estrutura, funcionamento e tendências ideológicas. Destacamos, ainda, as organizações com projetos de ação social, voltados à sustentabilidade humana e planetária como objeto desta investigação. Situamos, por fim, de modo específico, a Ação Social da Diocese de Cajazeiras - ASDICA como agente social que contribui para a construção de processos educativos não convencionais, alternativos e compatíveis às demandas das sociedades contemporâneas.

In document Utdanning og arbeidsmarked 1998 (sider 53-66)