5.2 Den praktiske gjennomføringen
5.2.1 Utarbeidelse av intervjuguide og gjennomføring av intervjuene
As quantidades caracterizam as forças dominantes e dominadas; forças que comandam e forças que obedecem; superiores e inferiores; fortes e fracas. Quantidades que se estabelecem a partir do encontro, relativamente a uma e outra; o que não supõe uma determinação intrínseca essencial e anterior, pois a força só existe em relação com outra. A força dominante se exerce ao comandar; a força dominada se exerce ao obedecer, sem deixar de ser força. “O corpo é fenômeno múltiplo, sendo composto por uma pluralidade de forças irredutíveis; sua unidade é a de um fenômeno múltiplo, ‘unidade de dominação’.” (DELEUZE, 1976, p. 21)
Comandar e obedecer são modos de se exercerem que caracterizam e que diferenciam força superior e força inferior a partir da quantidade. Por outro lado, a quantidade e o modo de se exercerem qualificam as forças: ativa é a qualidade da força que comanda; reativa é a qualidade da força que obedece. Todo e qualquer corpo – químico, físico, biológico, político - se constitui a partir dessa relação de forças1.
A partir da quantidade, a força será superior, dominante, forte ou, inferior, dominada e fraca; como qualidade, será ativa ou reativa. São qualidades originais, cuja gênese se dá no encontro de forças, conforme suas quantidades. A partir do encontro das forças tem-se um (corpo) composto de força ativa dominante e reativa dominada; força forte e força fraca (que não deixa de ser força). É próprio da força ativa, comandar e da força reativa, obedecer;
1 Tais afirmações devem causar certo estranhamento entre aqueles que lutaram por uma humanidade sem dominadores e dominados: dizer que a dominação e a obediência são da natureza das coisas, das sociedades e da vida, depois de tanto esforço para demonstrar que são criações históricas do homem. Parece um conformismo que comprovaria a suspeita que se tem de Nietzsche. Que não se perca de vista tal estranhamento; que não se queira solucioná-lo; que não se negue a potência de seus princípios, para confrontar, se necessário, o percurso que se faz aqui.
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melhor dizendo: a força ativa tem a qualidade de comandar, criar, mover e a força reativa tem a qualidade de obedecer, reproduzir, ser movida.
A qualidade da força – ativa ou reativa – é determinada a partir da quantidade que a caracteriza como forte ou fraca. Deve-se, então, perguntar como se quantificam as forças. Considerada de um ponto de vista abstrato, essa pergunta seria formulada de um modo inadequado, tal como: “A partir de que quantidade uma força seria considerada forte?” ou “Como aumentar a quantidade de uma força para que se torne forte?” ou “Como igualar as quantidades das forças para que elas se tornem iguais?”
Desse ponto de vista abstrato, considera-se que a força exista em si mesma com uma quantidade que lhe seria própria, isto é, com uma quantidade que seria uma propriedade predicável da força, anterior a qualquer relação. Mas, a força, qualquer que seja ela, só existe em relação, portanto, a quantidade é sempre diferença de quantidade, relativa às forças em relação, e não pode ser compreendida separada de sua qualidade. As forças não existem em si com suas quantidades traduzíveis em números abstratos a partir de uma régua geral abstrata, ainda que essa régua seja o homem como “medida de todas as coisas”.
Os encontros de forças de tal e tal quantidade são portanto partes concretas do acaso, as partes afirmativas do acaso, como tal estranhas a qualquer lei: os membros de Dionísio. Ora, é neste encontro que cada força recebe a qualidade correspondente à sua quantidade, isto é, a afecção que preenche efetivamente seu poder. Nietzsche pode dizer, portanto, num texto obscuro, que o universo supõe “uma gênese absoluta de qualidades arbitrárias”, mas que a própria gênese das qualidades supõe um gênese (relativa) das quantidades. A inseparabilidade das duas gêneses supõe que não podemos calcular abstratamente as forças; devemos, em cada caso, avaliar concretamente sua qualidade respectiva e a nuança desta qualidade. (DELEUZE, 1976, p. 23.)
A diferença entre as forças se dá, então, como quantidade e como qualidade. “Chamar- se-á hierarquia esta diferença das forças qualificadas conforme sua quantidade: forças ativas e reativas.” (Id.Ibid, p. 21)
A força fraca não deixa de ser força, ainda que reativa e se exerça na obediência, pois é esta sua qualidade enquanto força distinta da que comanda, compondo, assim, o poder configurado na relação. Sobre este ponto, Deleuze faz uma citação de Nietzsche que demonstra um aspecto que inspirou as concepções de Foucault sobre o poder: “Nenhuma força renuncia ao seu próprio poder. Do mesmo modo que o comando supõe uma concessão, admite-se que a força absoluta do inimigo não é vencida, assimilada, dissolvida. Obedecer e comandar são as duas formas de um torneio”. (NIETZSCHE, VP II, 91 apud DELEUZE, 1976, p. 22)
Também em Foucault, o poder é caracterizado como um exercício que passa pelo dominado tanto quanto pelo dominador, como as duas faces de um torneio.
Esse poder, por outro lado, não se aplica pura e simplesmente como uma obrigação ou uma proibição, aos que "não tem"; ele os investe, passa por eles e através deles; apóia-se neles, do mesmo modo que eles, em sua luta contra esse poder, apóiam-se por sua vez nos pontos em que ele os alcança. (FOUCAULT, 1986, p. 29)
A força ativa é criadora, agressiva, transformadora; impõe novas direções à vida, decompõe e compõe relações sem buscar razão, consentimento ou finalidade. A força reativa é conservadora, adaptativa, reprodutora; organiza memória, hábitos, funções e finalidades. Duas faces do poder, do corpo e da vida: uma cria formas de vida e a outra as adapta, reproduz, conserva. Duas faces da força de existir (Spinoza).
Nietzsche concentra seus esforços na defesa das forças ativas, embora reconheça que as forças reativas exercem a qualidade que lhes são próprias, nas tarefas de conservação, adaptação, reprodução, segundo a quantidade pelas quais são determinadas – é esse o seu poder. Mas tal poder está subordinado e “destinado” a ser ultrapassado pelas forças ativas que se exercem como poder criativo e transformador.
Disso resulta grande parte da crítica, ou melhor, do combate de Nietzsche às ciências que concentram seus esforços nos mecanismos e finalidades com que as forças reativas organizaram os organismos e suas funções. Quando assim procedem avaliam a vida pela perspectiva reativa e perdem a grandeza da vida quando vista a partir da força ativa, que é criadora de formas e direções da vida, das quais a força reativa tem o poder de organizar as funções de conservação e reprodução. Crítica que dirige, também, à Spinoza que define o
conatus e o desejo como o “esforço que cada coisa faz para perseverar no seu ser”, isto é,
esforço para conservar suas relações características.
Pode parecer estranho desconsiderar a importância das forças reativas, pelas quais se dão a nutrição, a reprodução, a adaptação, a conservação, uma vez que elas são necessárias à própria vida, à manutenção do corpo e à emergência da consciência. Não se trata, no entanto, de negar ou suprimir a existência de forças reativas; o que Nietzsche pretende é denunciar o rebaixamento da vida, quando considerada pelo prisma das forças reativas, nas ciências, na moral, nas religiões, na filosofia. Mesmo a alimentação é considerada por ele como atividade que tende ao poder.
“O que é ativo? Tender ao poder.” Apropriar-se, apoderar-se, subjugar, dominar são os caracteres da força ativa. Apropriar-se, quer dizer impor formas, criar formas explorando as circunstâncias. Nietzsche critica Darwin porque este interpreta a evolução, e o acaso na evolução, de maneira totalmente reativa. Admira Lamarck,
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porque este pressentiu a existência de uma força plástica verdadeiramente ativa, primeira em relação às adaptações, uma força de metamorfose. O poder de transformação, o poder dionisíaco, é a primeira definição de atividade. (DELEUZE, 1976, p. 22)