6.2 Simulations with extensions
6.2.1 Using the IG-process as a degradation model
boca
As representações são geradas e expressadas no processo de comunicação, através da linguagem. Como toda emissão linguística está baseada em uma intenção persuasiva, e gera a mudança das pessoas. As mídias produzem, conservam e fazem circular informações, repercutindo na significação dada pelas pessoas à realidade social. Elas produzem e reproduzem esta realidade absorvendo o imaginário social e dando-lhe uma formatação específica para atingir variados seguimentos sociais e guiar a atenção do receptor para determinados aspectos do texto. Isto é atingido por meio de uma preocupação estética com o formato e o tipo de linguagem que atuam na circulação da informação e na construção de representações sociais relativas aos objetos em exposição (Santos, Aléssio & Silva, 2008).
Os meios de comunicação se tornaram constitutivos da vida social, influenciando seus modos de interação e o consumo de bens simbólicos. Sua tendência para produzir significados
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hegemônicos não deve ser subestimada, pois a mídia é um ator chave no exercício do poder. Ela pode manipular a memória social ao descolar símbolos e sentidos do contexto em que são produzidos (Jovchelovitch, 2000). Mas, apesar da força da mídia e da hierarquização dos saberes, numa perspectiva psicossocial não cabe colocar o poder e o controle social como obra de um grupo dominante restrito que atua sobre as massas reduzidas a meros receptores passivos da cultura, ciência ou ideologia. No processo midiático, existe um movimento de reação a partir dos grupos populares, que participam ativamente na assimilação do discurso dominante, constituindo um processo de trocas sociais. Além de ressignificar a informação recebida, a audiência atua como moeda de troca. Esta garante o valor de uso de determinado meio de comunicação, que lucra com a venda de seu produto/informação ou com a venda de espaço para publicidade, sendo, então, a audiência necessária a sua manutenção (Marcondes Filho, 1990). Desta forma, mais que criar novos anseios, os meios de comunicação oferecem informação e entretenimento que vão ao encontro dos anseios de seu público alvo. Caso contrário, a informação seria recusada e o veículo não se sustentaria.A mídia transforma a circulação de bens simbólicos na sociedade contemporânea, criando canais de comunicação e funcionando como mediação. Por isso, ela deve ser objeto da TRS, a qual estuda como as diversas formas de comunicação repercutem nas pessoas. Em sua obra seminal Moscovici (1978/1961), distinguiu três gêneros de comunicação por meio dos quais a psicanálise circulava na sociedade francesa: difusão, propagação e propaganda. A difusão seria característica dos meios de comunicação de massa e teria a função de criar um interesse comum sobre o objeto, sem deixar de adaptar-se ao interesse dos consumidores, corresponderia à formação de opiniões. Já a propagação teria como objetivo expandir uma dada visão de mundo e acomodar os conteúdos do objeto seletivamente, adaptando-os a uma ideologia. Foi o caso da comunicação institucionalizada da igreja sobre a psicanálise e corresponderia às atitudes. A propaganda, por sua vez, se relacionaria com os estereótipos e
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visaria criar um antagonismo entre ideias propondo-as como verdadeiras ou falsas. Seria o caso da imprensa comunista no estudo da psicanálise.Apesar da importância da comunicação de massa, a conversação é o principal meio pelo qual as representações são construídas e comunicadas. Ela consiste no veículo mais importante para a preservação da realidade, como também da sua modificação e reconstrução. É na conversação que se transmitem os discursos e cada um sensibiliza-se para o que lhe é estranho e apropria-se dos elementos que lhe convém (Moscovici, 1961).
A diversidade de formas de saber deve ser relacionada com a interação social e a cultura. O saber não se define por uma lógica transcendental, é dinâmico, heterogêneo e só pode ser entendido em relação a um contexto do qual deriva sua lógica e racionalidade. Segundo Jovchelovitch (2004), o estudo do saber implica uma concepção da representação como um sistema de relações psicossociais que envolvem: a) os produtores do saber, envolvidos em identidades, interesses, acesso a recursos e poder; b) os meios de produção do saber, que envolvem os tipos de reações sociais no dado contexto; c) os produtos ou objetos do saber, que formam o ambiente simbólico e material de uma comunidade.
A proliferação da comunicação de massa gera questões sobre possibilidade de comunicação entre diferentes saberes diante da assimetria em sua valorização. A assimetria no status de formas diferentes de saber reverbera na forma como este é comunicado e na sua consideração de veracidade e autoridade, podendo o saber adquirir a legitimidade da universalidade ou ser considerado um saber menor e localizado (Jovchelovitch, 2004). É nesta perspectiva que retomamos a importância de abordamos como diferentes saberes em circulação sobre a família são implicados, numa análise foucaultiana, em relações estratégicas e móveis de poder. Cabe-nos, então, considerar a existência de assimetrias de poder entre os discursos sobre a família mesmo quando vindos de uma única fonte ou de diferentes parcelas do senso comum. Devemos, então, abordar a gênese da representação social da família, questionando as implicações dos discursos correntes sobre o tema e questionar como