5. Analyse
5.1 Usikre eller manglende kildedata
TONGUE LYMPHOMA IN A DOG – CASE REPORT
LINFOMA LINGUAL EN UN PERRO – RELATO DEL CASO
José Eduardo Silva Lobo Jr.1 Angela Maria Blotta1 Marta Marani1 Wilma Dias1 Thiago Rinaldi Müller2
Palavras-chave: Linfoma, língua, neoplasia, cão.
INTRODUÇÃO
Linfomas são neoplasias caracterizadas pela proliferação clonal de linfócitos malignos. Também conhecido como linfosarcoma, originam-se de órgãos linfóides, como medula óssea, timo, baço, fígado e linfonodos (1,6). Entretanto, os linfomas podem se desenvolver em praticamente qualquer órgão, pela contínua migração dos linfócitos pelos diferentes tecidos do organismo (1,6). Constitui cerca de 90 % das neoplasias hematopoiéticas nos cães e gatos. A incidência anual é de 6 a 30 casos novos para cada 100.000 cães (1,6). Os animais adultos e idosos são os mais acometidos. As raças de cães que apresentam maior frequência são: Boxer, Rottweiler, Poodle, Chow Chow, Beagle, Basset Hound, Pastor Alemão, São Bernardo, Scottish Terrier, Airedale Terrier e Bulldog (1). Desconhece-se a etiologia do linfoma em cães, porém tem sido associada à exposição de agentes químicos, campos eletromagnéticos, aberrações cromossômicas, aos retrovírus e trombocitopenia imunomediada (1,6). Nos linfomas extranodais os sinais clínicos variam de acordo com o órgão afetado (1,4). O diagnóstico é feito pelo exame histopatológico (1,2,4). O presente relato objetiva descrever uma forma de apresentação rara de linfoma.
RELATO DE CASO
1 Médico veterinário da Clínica Veterinária ―Veterinário 24 horas‖. Mauá – SP.
2 Mestrando do Departamento de Radiologia e Reprodução Animal da Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP – Campus de Botucatu. Distrito de Rubião Jr., s/n, Botucatu/SP. CEP: 18618-970. E-mail: [email protected]
Um canino, SRD, macho, de 15 anos foi atendido com histórico de lesões em cavidade oral, causando hiporexia há mais de 10 dias e emagrecimento progressivo. Ao exame clínico o animal apresentava-se caquético. Chamava a atenção à língua espessada, rugosa e com nodulações medindo aproximadamente 2,5 cm de diâmetro. O animal apresentava secreção oral piosanguinolenta. O hemograma constatou: leucocitose (21.600 leucócitos) por neutrofilia (20,2 neutrófilos segmentados) e linfopenia (700 linfócitos). Perfil hepático: Fosfatase Alcalina 265 UI, ALT 57,6 UI e perfil renal: Creatinina 0,7 mg/dL e Uréia 194 UI. Foi realizado biópsia incisional da língua onde se observou nos cortes histológicos corados em hematoxilina-eosina fragmentos de tumor constituídos por feixes de musculatura esquelética entremeados por inúmeros pequenos linfócitos com núcleo ovalado e citoplasma escasso. Compondo uma população celular homogênea e suportada por escasso estroma fibrovascular. As figuras de mitose eram raras, entretanto notou-se aspecto infiltrativo da neoplasia, caracterizando assim um linfoma. O proprietário optou pelo não tratamento, sendo que o animal foi eutanasiado 30 dias após o diagnóstico inicial. Á necropsia não foram observadas quaisquer outras alterações além das já citadas.
DISCUSSÃO
O linfoma pode apresentar diferentes localizações anatômicas, sendo classificado em multicêntrico (forma mais comum em cães), mediastinal ou tímico, alimentar, cutâneo e extranodal (1). As apresentações extranodais comuns do linfoma incluem sistema nervoso, coração, olhos, nasofaringe, ossos, testículos, vesícula urinária e pênis, entre outros órgãos (1). Por se tratar de uma neoplasia de células circulantes ela pode atingir todos os tipos de tecidos, contudo a cavidade oral e língua parecem ser pouco acometidas. Um caso de linfoma representado por múltiplas massas em cavidade oral, causando osteólise de maxilar, vértebras torácicas e lombares, além de outras regiões do esqueleto do animal, em uma fêmea de Golden Retriever de oito anos foi descrito. Tornando-se o primeiro relato de linfoma em cavidade oral de um cão (2) O hemograma e a albumina estavam normais neste animal, diferindo do presente caso aonde constatou-se leucocitose. A neoplasia mais comum na língua de cães e gatos é o carcinoma de células escamosas. Outros tumores descritos nessa localização em cães incluem mioblastoma de células granulares, rabdomioma, rabdomiossarcoma, hemangioma, hemangiossarcoma, fibrosssarcoma, mastocitoma e melanoma (3-5),
devendo ser incluídos no diagnóstico diferencial. A qualidade de vida e a sobrevida do animal deste relato poderiam ter sido aumentadas caso o proprietário optasse pelo tratamento, visto que o linfoma é uma neoplasia que pode apresentar resultados satisfatórios com poliquimioterapia. Apesar de raro, os linfomas em boca podem ocorrer em cães. O presente caso apresentou-se de uma maneira ainda não relatada na literatura - sobre a forma de nódulos na língua. Esse tipo de apresentação pode estar relacionado com um prognóstico mais desfavorável em relação a outros tipos de linfomas por ocasionar dor e maior dificuldade na alimentação dos animais acometidos.
CONCLUSÃO
O linfoma língual é uma entidade rara em cães. Contudo deve ser incluída no diagnóstico diferencial de massas tumorais da cavidade oral. Por ter poucas informações sobre essa forma de apresentação o prognóstico e resposta ao tratamento ainda são inconclusivos.
REFERÊNCIAS
1. Daleck CR, Calazans SG, De Nardi AB. Linfomas. In: Daleck CR, De Nardi AB, Rodaski S. Oncologia em Cães e Gatos. São Paulo, SP: Roca. 2009.
2. Ito T, Hisasue M, Neo S, Ishikama M, Shida T, Watanabe T, Enomoto T, Okuda M, Tsuchiya N, Madarame H, Ogata M, Yamada T. A Case of Atypical Canine Lymphoma with Oral Mass and Multiple Osteolysis. J Vet Med Sci. 2007; 69(9): 977-80.
3. Lascelles BDX, et al. Rhabdomyosarcoma of the tongue in a dog. J Small Anim Pract. 1998; 39(12): 587-91.
4. Rallis TS, et al. Immunohistochemical study of a granular cell tumor on the tongue of a dog. Vet Clin Pathol. 2001; 30(2): 62-6.
5. Schoofs SH. Lingual hemangioma in a puppy: A case report and literature review. J Am Anim Hosp Assoc. 1997; 33 (2): 161-65.
6. Vail DM, MacEven EG, Young KM. Canine Lymphoma and Lymphoid Leukemias. In: Small Animal Clinical Oncology. St Luis, MS: WB Saunders Company, 2001. p.558-590.
MASTOCITOMA CUTÂNEO EM UM CÃO DOBERMANN – RELATO DE