• No results found

4.4 Behovet i anskaffelsesprosessen og dets betydning

4.4.3 Usikkerhet i anskaffelsesprosessen

Ainda no primeiro ano, os aviadores cumprirão algumas disciplinas do campo técnico-especializado (Aerodinâmica, Instrução Técnica da Aeronave T-25 e Navegação Aérea 1), ao contrário dos cursos de intendência e infantaria, que cumprem as mesmas disciplinas básicas aos três cursos e que contemplam, em grande parte, o conjunto de disciplinas da Administração. As disciplinas técnico-especializadas cursadas no 1º ano pelos aviadores são pré-requisitos necessários para o cumprimento da atividade aérea prevista para o 2º ano.

Durante as férias, entre os meses de dezembro e janeiro, os cadetes precisam cumprir uma outra tarefa: estudar os manuais do avião para que estejam aptos, quando retornarem à AFA, a realizarem as provas teóricas referentes ao conteúdo. Alguns, inclusive, permanecem na AFA e estudam dentro das naceles das aeronaves, preparando-se para o cheque de olhos vendados. É comum os instrutores afirmarem que o cadete que tira uma nota inferior a 9.0 (nove) nessas provas já apresenta certa dificuldade e essa irá refletir-se no vôo.

O Manual de Procedimentos (MAPRO), como visto no capítulo 1, contém informações referentes ao comportamento dos cadetes no âmbito do Esquadrão de Instrução Aérea (EIA), como por exemplo: em quais áreas pode transitar, como proceder diante de um oficial, como será realizado o briefing e o debriefing das instruções de vôo, o que fazer em caso de vôo deficiente ou de sentir-se mal durante uma missão, dentre outros. Dessa forma, o cadete, ao chegar no EIA para instrução, sabe exatamente como se comportar e quais são seus deveres, com pena de ser punido se descumprir o que prevê o MAPRO. Neste manual, constam ainda as normas e procedimentos referentes às instruções de vôo, como: áreas de instrução, vôo isolado diurno, pré-solo, aproximação de precisão, manobras e acrobacias, formatura 2 aviões e navegação por contato. Nestes itens, o cadete irá encontrar a descrição exata de todo o ritual a ser seguido para o cumprimento adequado da missão, como por

O sonho feminino de Ícaro 117

exemplo: o que deve observar na saída para o vôo, como deve se posicionar dentro da nacele, quais inspeções e cheques devem ser rigorosamente seguidos (check list), como dar a partida na aeronave, como estacioná-lo e em que box, etc. Reafirma-se nesse Manual a possibilidade de prever todos os pormenores da instrução, o que é típico no modelo tecnicista de educação.

É importante destacar que esse manual é justamente a teoria da qual necessita o cadete para iniciar suas atividades práticas referentes à instrução de vôo e, além de serem cobrados quanto à sua memorização, sua função mnemônica determina realmente a consecução das manobras e a assertividade dos procedimentos. O cadete não pode demonstrar desconhecimento dentro da nacele e, muito menos durante o vôo, ficar preocupado com o procedimento correto a seguir. O aviador necessita do automatismo no controle da aeronave para poder raciocinar externamente, na missão que precisa desempenhar, e por isso toda a aprendizagem começa com a memorização, mas visando à compreensão, como uma passagem do modelo behaviorista para o gestaltista no que diz respeito à compreensão de como ocorre a aprendizagem do sujeito.

Também estudam durante as férias o manual técnico do avião, onde estão descritos os sistemas elétrico, hidráulico, mecânico, etc., bem como todas as informações técnicas relativas à aeronave que irá comandar. Com base nessa teoria, o cadete deve reconhecer as partes principais da aeronave, bem como apontar na nacele, com os olhos vendados, onde se localizam os diversos instrumentos de navegação do painel, como botões, relógios, bússola, altímetro, dentre outros.

Dejours destaca a importância dessa parte do treinamento dos aviadores:

Toda a atividade do piloto no solo visa a lhe dar os meios não só de limitar ao máximo os acasos de sua missão, mas também de corrigir as eventuais anomalias que poderiam acontecer no vôo: aprender a usar os instrumentos e as novas aparelhagens, verificar os procedimentos correspondentes a cada incidente, recitar e

repetir as sucessivas etapas de cada procedimento53, preparar minuciosamente as

missões, levar em consideração os dados meteorológicos, treinar em simuladores etc. Que nós saibamos, não existe situação de trabalho comparável em outro ramo onde o nível de formação dos operados seja mantido com tanta assiduidade.

O sonho feminino de Ícaro 118

Toda a atividade no solo, além de seu valor técnico, real e concreto, desempenha um papel fundamental do ponto de vista psíquico a serviço do equilíbrio e da estabilidade da personalidade. (1992, p. 84 – grifo no original)

Nacele do T-27 Tucano

Com essa grande e complexa carga de informações e cercados de muita ansiedade chegam ao segundo ano que é, portanto, decisivo na vida acadêmica de muitos cadetes, visto que o maior percentual de desligamento ocorre nesse ano por causa da inaptidão para o vôo. De acordo com o Plano de Avaliação, o cadete será conduzido ao Conselho de Desempenho Acadêmico (CDA) sempre que não obtiver aprovação em qualquer fase ou estágio da instrução aérea. O CDA será responsável pelo desligamento do cadete ou por proporcionar-lhe uma outra oportunidade, para isto destinando-lhe missões extras, caso detecte-se que a sua deficiência se deve a fatores que não comprometem conclusivamente a função aérea, como nervosismo, ansiedade, pouco estudo, etc.

Os cadetes do segundo ano irão cumprir suas missões de vôo no 2º Esquadrão de Instrução Aérea (2º EIA), sendo estas destacadas a seguir:

O sonho feminino de Ícaro 119

TABELA 6 - FASES DA INSTRUÇÃO AÉREA NO T -25

FASE MISSÕES POR ALUNO QUANTIDADE DE SAÍDAS POR ALUNO QUANTIDADE DE 54

Pré-solo 17 18

Manobras e Acrobacias 10 10

Formatura 2 aeronaves 12 24

Navegação 6 9

TOTAL 45 61

FONTE: Plano de Instrução Aérea (PIA 2007).

No ano letivo de 2007, 153 (cento e cinqüenta e três) alunos cumpriram suas missões no T-25, iniciando a instrução aérea no dia 29 de janeiro e encerrando no dia 14 de julho, num total de 104 dias inteiros de instrução. Prevendo-se uma perda de 10% de dias úteis em função das condições meteorológicas, tem-se um total de 94 dias de instrução, para dar conta de 8.874 saídas dos cadetes com

os instrutores. Neste ano cumpriram a escala de instrutor de vôo no 2º EIA 20 oficiais orgânicos e 30 não orgânicos, num total de 50 aviadores, número consideravelmente inferior ao necessário estipulado no PIA.

TABELA 7 - CÁLCULO DA NECESSIDADE DIÁRIA DE INS TRUTORES PARA O 2O CFOAV

Quantidade de saídas DC + saídas de liderança por aluno 58

Quantidade de alunos 153

Quantidade de saídas com instrutores no estágio 8.874

Total de dias de instrução de vôo 94

Quantidade diária de saídas com instrutores 94,40

Quantidade desejável de duplos por instrutor 1,5

Necessidade diária de instrutores para o 2o EIA 62,93

FONTE: PIA 2007

Podemos perceber então que, para um curto período de tempo, correspondente a menos que um semestre letivo, os instrutores terão que despender um enorme esforço para concluir todo o estágio no T-25 com todos os cadetes, o que muitas vezes significa instruções

54 Cada saída equivale a uma hora de vôo.

O sonho feminino de Ícaro 120

aos sábados e instrutores atingindo um nível de cansaço e stress que não é aconselhável para esse tipo de trabalho. Há realmente uma dedicação muito grande por parte tanto dos instrutores quanto dos cadetes, que sabem da necessidade de se cumprir as missões programadas, visto que sua quantidade já foi reduzida com o passar dos anos e especialmente com a implantação do curso de Administração na AFA, bem como foi concentrada em apenas um semestre letivo.

Em cada uma dessas fases acima descritas, o cadete é avaliado em diversos quesitos. São itens de avaliação do desempenho geral do aluno, nas fases de Pré-Solo, Manobras e Acrobacias e Navegação:

a) conhecimento da aeronave; b) conhecimento de emergências; c) conhecimento da instrução; d) aplicação de NPA; e) correções; f) iniciativa; g) interesse na instrução; h) reação aos comentários; i) progresso na instrução; e j) adaptação à atividade aérea.

Também é item de avaliação de desempenho geral do aluno, quando na fase de Formatura com Duas Aeronaves, além dos descritos:

k) conhecimento das emergências do vôo de formatura.

Além desses itens, que estão relacionados às características individuais e à personalidade de cada cadete, outros itens relativos à instrução prática em si também são avaliados nas fases. Assim, por serem muito exigidos durante o estágio do vôo, muitas vezes a

O sonho feminino de Ícaro 121

dedicação dos cadetes a esta atividade torna-se um obstáculo para as aulas da Divisão de Ensino. É comum os cadetes, em sala de aula, demonstrarem uma atitude de total concentração em outra atividade que realizam muito durante esta etapa do curso: o vôo mental. É freqüente a queixa de professores que afirmam que o cadete está em sala, mas pensando completa e visivelmente na atividade aérea, visto que realiza no ar com os dedos, as manobras que precisará aplicar no EIA durante a semana. Os próprios cadetes afirmam que preterem o estudo na DE durante este período, porque sabem que uma reprovação em vôo pode significar o desligamento do curso, enquanto as disciplinas da DE ele poderá tentar recuperar depois, caso fique em Exame ou Segunda Época. Também entendem que o vôo é a razão e a atividade fim para a qual se destinam, e a ela se dedicam com mais prazer e vigor.

E os dados confirmam a percepção dos cadetes. De fato, de 2002 até 2006, durante o segundo ano, foram desligados por vôo 420 (quatrocentos e vinte) cadetesenquanto nenhum foi desligado no quarto ano durante o mesmo período e apenas 01 (um) no ano de 2007. No mesmo período letivo de 2002 a 2006, no segundo ano foram desligados 10 (dez) cadetes por motivos diversos relacionados à DE e no quarto ano nenhum cadete foi desligado. Conseguindo superar com aproveitamento as dificuldades do segundo ano, os cadetes ingressam no terceiro ano, ou 3º esquadrão, no qual deverão cumprir basicamente disciplinas do campo geral. Prosseguem

com a rotina diária, com os treinamentos físicos e militares, e cumprem novamente algumas disciplinas do campo técnico- especializado (Aerodinâmica 2 e Instrução Técnica da Aeronave T-27) que será pré- requisito para o vôo na aeronave T-27, para

a qual deverão estar teoricamente preparados no início do quarto ano. Para alguns, esse

O sonho feminino de Ícaro 122

intervalo de um ano no vôo é favorável, porque permite um descanso de uma atividade tão exaustiva, ao mesmo tempo que lhes possibilita aproveitarem o período de férias escolares. Para outros, é negativa essa pausa, visto que ficar um ano sem voar pode comprometer o treinamento e a coordenação motora adquirida, para a qual têm que estar aptos novamente no ano seguinte. De qualquer forma, no último ano do curso, os cadetes do CFOAV retomam o vôo no 1º EIA, voando a aeronave T-27 Tucano.

Durante este 2º Estágio de Instrução Aérea no T-27, os cadetes cumprem uma fase de Instrução em Simulador de T-27, onde podem testar os procedimentos na nacele sem, entretanto, sofrerem a pressão de uma missão real. Esta etapa, no ano de 2007, teve início em 05 de fevereiro e encerramento previsto para 15 de novembro, contando com 150 dias inteiros de instrução, num total de 22 missões por cadete.

TABELA 8 - FASES DA INSTRUÇÃO AÉREA NO SIMULADOR

VI VI VI