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Os conteúdos propostos nas unidades didáticas foram projetados para planos de aula, nos quais pretendemos operacionalizá-los, ou seja, planear a forma como seriam apresentados aos alunos, tendo em atenção os objetivos, tarefas, metodologias de ensino e capacidades dos alunos. Este plano de aula acabou por ser uma base, um documento orientador, mas depois, ao longo das aulas, era por vezes necessário ajustá-lo, consoante as respostas motoras e não motoras por parte dos alunos, as suas motivação e os objetivos da aula.

2.2.1. Estrutura do Plano de Aula

A aula é caracterizada, pelos autores Conceição e colaboradores (2009), como uma unidade pedagógica básica do processo de ensino, um elo decisivo do processo de educação e formação.

O plano de aula, segundo Mendes (2011), será um instrumento que visa orientar o professor na sua atuação pedagógica (na aula) e também considerado por Bento (1998, s.p., cit. por Mendes, 2011, p. 19) “o verdadeiro ponto de convergência do pensamento e da acção do professor”. Segundo Abreu (2010), o plano de aula, apresenta a dimensão mais operacional de todo o processo de tomada de decisão de pré-impacto/pré-ação ou de fase pré-ativa. O mesmo autor (Abreu, 2010) também evidência que o plano de aula não deve estar desligado da sua UD e/ou de outros documentos orientadores da prática pedagógica, de modo a manter a coerência do processo pedagógico. E ainda refere que existem inúmeras formas de estruturar um plano de aula contudo, a sua essência deverá ter o cunho pessoal do utilizador para que se torne mais funcional.

A estrutura do plano de aula elaborado durante a prática letiva sofreu algumas alterações, com o objetivo de simplificá-lo e torná-lo um documento mais operacional para o professor (ver anexos B e C).

Inicialmente o plano de aula estava estruturado da seguinte forma:

No cabeçalho constava: ano, turma, número de alunos, número da aula, hora, duração, local, o material necessário, objetivos da aula e o sumário da aula;

No corpo, em formato tabela, apresentava: a estrutura da aula, o tempo acumulado, o tempo previsto para o exercício, os objetivos comportamentais e os objetivos operacionais (descrição do exercício e organização);

Na parte de trás do plano, existia uma tabela com a listagem dos alunos da turma onde era anotado os responsáveis pelo material e alongamentos, a assiduidade o empenho na aula e tinha espaço para colocar pequenas observações.

Posteriormente, deste plano retirou-se: no cabeçalho - o número de alunos (visto que se mantinha ao longo do ano) e o sumário continuou a figurar para posterior transcrição para a Plataforma Place; no corpo - a estrutura, uma vez que uma aula é um continuum e os objetivos comportamentais. Com as supracitadas alterações o plano de aula ficou mais operacional e também permitiu ganhar algum tempo na sua elaboração. Outro ponto que possivelmente seria alterado, em próximo ano: na parte de trás do plano, onde tem a listagem dos alunos, que apresenta três colunas de registo - uma do material, outra da assiduidade e outra do empenhamento nas matérias de ensino, retirar-se-ia do plano e faríamos outras tês listagens, uma para cada fator. Assim teríamos a realização de um registo continuo, que por exemplo ao nível de empenho motor nos permitiria ver mais facilmente as oscilações da turma ao longo das aulas.

2.2.2. Intervenção do Professor

O professor, segundo Sousa (1991, cit. por Gomes 2004, p. 18), é alguém que “deverá estar preparado para um mundo e para um saber em constante evolução, e que, para além de um informador/comunicador seja também um organizador de situações de aprendizagem, um observador, um gestor e um avaliador”. O mesmo deverá, através do

ato de ensinar, englobar as atividades interativas de ensino, as decisões prévias de preparação e planeamento das unidades didáticas e aulas, e, as decisões de ensino posteriores à aula resultantes do balanço da atividade (Gomes, 2004, p. 29).

No processo de preparação das aulas, o docente deverá corresponder a um conjunto de exigências didáticas, nomeadamente (Matos, 1992 in Gomes & Matos, 1992; Piéron, 1992; e Olímpio Bento, 1998 citados por Gomes, 2004, pp. 63-64):

“Garantir um elevado tempo de empenhamento motor por parte dos alunos;

Motivar e estimular os alunos, de modo a que tenham uma atitude activa e crítica em relação a si mesmos;

Apresentar os objectivos de uma forma clara e motivante, indicando apenas o essencial, para que os alunos não se percam com coisas superficiais.”

Atendendo aos requisitos exigidos ao professor no processo de lecionação, a intervenção do professor durante o processo de estágio não foi sempre a mesma, sofreu alterações e esteve dependente do contexto (matéria, aluno, recursos, etc.). Em termos de metodologia, utilizou maioritariamente metodologias democráticas e algumas vezes mais autoritárias, atendo às matérias, situações de segurança e/ou comportamentos dos alunos. O método de ensino foi maioritariamente misto, quando necessário parcial ou global. Na lecionação das matérias utilizou estratégias de vários modelos e outras que pareceram mais ajustadas aos objetivos. Por exemplo: do modelo de ensino através do jogo (TGfU) - identificação do aluno como construtor ativo do seu processo de aprendizagem valorizando fatores como a compreensão, a tomada de decisão, e os aspetos tático-estratégicos presentes na dinâmica de jogo (Graça & Mesquita, 2007); do modelo de Educação Desportiva de Siendentop - a constituição de grupos que se mantêm por algum tempo, alguns alunos terem oportunidade de desempenharem papéis de árbitros e treinadores, realização de torneios intra-turma nas várias matérias; A constituição de grupos de níveis e grupos mistos; a introdução de conteúdos por nível de complexidade; a utilização de competição, não só tendo como referência o melhor resultado mas também quem consegue melhorar mais; a permissão e criação de situações que o aluno selecionasse e tomasse decisões dentro de determinados contextos promovendo capacidade de iniciativa e criatividade (ex.: construção de sequências em Ginástica, de coreografias em ARE); e principalmente, a promoção de um clima em que

os alunos se sentissem motivados, compreendidos, seguros, que soubessem que podiam falhar, sendo apenas lhes exigido que se empenhassem e que não desistissem, e que perspetivassem sempre a melhoria do seu desempenho.

Esta pluralidade de formas de intervenção está em consonância com o que nos refere Jacinto e colaboradores (2001), que afirma que o professor deve encontrar as soluções pedagógicas mais vantajosas para os seu alunos, de modo a promover os princípios fundamentais da EF que constam no PNEF (2001).

Seguidamente enumeramos os referido princípios, os quais foram balizadores da intervenção do professor ao longo do processo de estágio (Jacinto et al., 2001, p. 5):

1. Garantir atividade física motivadora, adequada e em quantidade suficiente; 2. Promover a autonomia, através do reconhecimento e exigência de responsabilidades efetivas aos alunos, em termos organizativos e de tratamento das matérias;

3. Valorizar a criatividade, pela promoção e aceitação da iniciativa dos alunos; 4. Orientar a sociabilidade no sentido de uma cooperação efetiva entre os alunos, associando-a não só à melhoria da qualidade das prestações mas também ao clima relacional.

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