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The Use of the Terms ‘Sex’, ‘Gender’ and ‘Social Identity’

Na zona norte da Ilha de São Miguel, a organização interior das habitações e, consequentemente, a sua hierarquia, é controlada a partir de um eixo, muitas vezes perpendicular à rua - um corredor que “une” a rua ao quintal e que corta a planta e origina as áreas públicas e privadas (40).

Esta relação espacial é projetada na fachada a partir de um número de elementos dispostos, os vãos. O esquema janela – porta – janela remete-nos para uma planta bipartida e organizada por um eixo central (porta = corredor) que se liga à cozinha e que articula uma sala (janela) e um quarto (janela), sendo estes últimos espaços de caráter público (41). São espaços com uma função simbólica onde a decoração e a mobília mais rica da família estão dispostas23

A cozinha (42) é o espaço mais importante da casa. É o espaço de comunhão permanente e onde toda a família se reúne sendo ele complementado pela presença do forno/lareira. Era aqui que a mulher passava a maior parte do seu tempo, cozendo o pão, o sustento diário e que acompanhava todas a refeições

.

Neste espaço também ocorriam atividades relacionadas com a agricultura devido à proximidade com o quintal. O modelo de cozinha que mais existe na Ribeira Grande é a de cozinha integrada.

23“Portugal, of saints, and other similar subjects, in coarse mahogany frames: the remaining furniture is antique and

massy. In one or more of the bedrooms are seen crucifixes of wood, ivory, or silver, on each side of which are vases filled with the most beautiful flowers of the season. A glass vessel containing holy water is hung up at the bed side, and a rosary on the bed post.” WEBSTER, John, Description of the Island Of St. Michael, Boston, 1821

40 Relação Rua-Tardoz

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José Manuel Fernandes descreve que a “casa tradicional açoriana” pode ser classificada em três grupos devido à relação entre a cozinha e os restantes espaços da casa: 1. Casa com Cozinha Dissociada (43), em que o espaço da cozinha é secundário ao volume principal da habitação; 2. Casa Linear ()44, de frente única, na qual os compartimentos se organizam perpendicularmente à rua, sendo a cozinha o espaço que possui relação com o quintal; 3. Casa com Cozinha Integrada (45), um volume único que abrange todos os compartimento interiores e que segue o esquema de fachada janela-porta-janela (FERNANDES, 1996).

Em alguns casos, e nas casas mais abastadas, o forno alto era marcado por um espaço de passagem, rematado por um arco em pedra. E “ao lado do forno muitas vezes está o pial do

lume, alto, também chamado lareira; ao outro o pial da louça.” (VASCONCELOS, 1992:52).

A divisão interna era conseguida a partir de paredes divisórias, que raramente ultrapassavam os dois metros de altura, mais finas e de outra materialidade, o tabique24.

Estas habitações eram fortemente caraterizadas pela presença da falsa, um espaço elementar, de madeira que ocupa parte da área da habitação e que o seu acesso é feito a partir de uma linha de escadas, em muitas ocasiões situadas na cozinha. Era um “quarto de dormir,

povoado por camas, e geralmente destinado aos filhos mais pequenos, traduzindo na minúscula dimensão das janelas, que lhe dão luz e ar, o universo infantil e a escala de quem o habita”.

24 “O tabique diferencia-se do adobe e da taipa dado que recorre a uma estrutura de madeira, maciça ou reticulada, e

esta, por sua vez, é então preenchida e revestida por um material terroso (i.e. terra simples ou uma argamassa bastarda de terra e cal).” PINTO, Jorge, e outros, Caracterização de paredes tradicionais de tabique, 2011, p. 25

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42 Recriação cozinha micaelense no Museu Carlos Machado

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A Materialidade

Todas as

habitações possuem uma linguagem simples e depurada, cingindo-se ao essencial e à necessidade. A habitação tradicional, possui, na temática da materialidade, uma maior importância a nível estrutural do que ornamental. As casas mais abastadas são aquelas que possuem elementos ornamentais, contudo sempre de forte relação à sua finalidade estrutural e é aqui que, independentemente do seu contexto geográfico e social, a arquitetura partilha características comuns.

Assim, toda a construção estava submetida ao uso da pedra de basalto (46). Um material que está presente em todos os espaços interiores e os detalhes construtivos.

A madeira é o segundo material empregado nas habitações. No exterior Vasconcelos verificou portas de postigo que também eram utilizadas no Continente (VASCONCELOS, 1992). No interior barrotes de madeira eram utilizados na estrutura de suporte do telhado revestido em colmo, nas habitações rurais primitivas, ou em telha de canudo produzida na região. A dimensão desta estrutura variava consoante a complexidade interior sendo que na generalidade suportavam telhados de duas águas (47, 48 e 49).

O pavimento interior quando não era deixado em terra batida à vista era revestido por tábuas de madeira ou um manto vegetal (FERNANDES 1996).

Exteriormente, as paredes da fachada de rua eram revestidas por uma argamassa à base de terra e cal.

Um conjunto de fatores, já referidos anteriormente, favoreceu a conservação e a preservação de modelos e tipologias arquitetónica, da mesma forma que auxiliou a depuração e o aperfeiçoamento da técnica do corte do basalto e dos sistemas construtivos, sendo mesmo possível confirmar in loco exemplos que refletem esta mesma transformação.

46 Casa térrea rural

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47 A falsa

48 Estrutura de cobertura em madeira

49 Estrutura de cobertura em madeira

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