O documento de conceito é feito durante um estágio muito inicial do desenvolvimento de um projeto e tem, como principal propósito, apresentar de forma concisa o conceito e os objetivos do jogo que está sendo proposto. Rogers (2014) aconselha que esse documento não deve ultrapassar a extensão de uma única página.
Esse documento, mais focado na viabilidade comercial do produto do que nas suas características técnicas de desenvolvimento, ajuda a mensurar se o projeto que está sendo proposto é viável em termos financeiros e temporais, antes mesmo que seja demandado tempo em seu desenvolvimento. Outro objetivo do documento é o de convencer uma possível publicadora ou investidor a investir no desenvolvimento do produto (NOVAK, 2008).
Para o desenvolvimento do documento de conceito, Novak (2008) pontua alguns elementos que devem ser apresentados:
Premissa: A premissa, que também é popularmente conhecida como high concept, é a ideia básica de um jogo e consiste em um texto curto, contendo no máximo duas sentenças, que descreve o diferencial do produto.
Motivação do jogador: Nesta seção do documento, devem estar explicitadas as condições de vitória do jogador, de forma que fiquem claros os meios pelos quais o jogador vence e o que o motivará a seguir no jogo até o final, explicando, brevemente, o que o jogador encontrará no caminho através do gameplay. Diferenciais de venda: o diferencial de venda do projeto explicita o que torna o jogo “único” em relação aos concorrentes e o que faz
com que o jogador seja atraído para ele. Esta seção do documento não deve ocupar mais de um parágrafo do documento e precisa pontuar brevemente as razões pelas quais o projeto deve ser desenvolvido e seus principais diferenciais de sucesso, como uma lista com as características que tornam o produto especial, desde o estilo de arte até alguma inovação tecnológica. A autora sugere pensar no texto dos diferenciais de venda do jogo como o texto que caberia na parte de trás da caixa do produto final.
Estudo do público-alvo: Esta seção explicita qual é a população para a qual o jogo será focado. Nesta seção, o conhecimento sobre dados demográficos acerca do público ao qual o jogo se destina devem ser aplicados, pois é necessário focar em uma faixa etária específica. O público-alvo deve prever também o gênero para o qual se pretende desenvolver o jogo. Esta seção não deve extrapolar um parágrafo do documento.
Gênero de jogo: Esta seção do documento deve explicitar o gênero do jogo a ser desenvolvido, baseado no seu gameplay. É recomendável colocar uma breve descrição do gênero escolhido ou uma justificativa, caso o gênero seja uma combinação de gêneros, ou mesmo a proposta de um novo gênero, pois esses dois últimos aspectos podem ser considerados fatores de risco para o projeto. Classificação etária: Esta seção do documento indica a faixa
etária para a qual o jogo é destinado e deve observar o sistema de classificação de cada país em que o jogo será publicado. No Brasil, as faixas indicadas pelo Ministério da Justiça29 são: classificação
livre (L), 10 anos, 12 anos, 14 anos, 16 anos e 18 anos ou mais. Os critérios de classificação variam de acordo com conteúdos relacionados à violência, sexo e nudez e drogas. O país adota, ainda, o padrão internacional IARC30– International Age Rating
Coalition (Coalisão Internacional de Classificação Etária) para a classificação de jogos digitais e aplicativos para dispositivos móveis de distribuição exclusivamente digital. Esse sistema unificado permite que os jogos recebam a classificação de forma rápida e, ao mesmo tempo, respeita as particularidades culturais de cada país.
Plataforma e requisitos de hardware: Em jogos digitais, o software depende do tipo de hardware para o qual o jogo está sendo desenvolvido. No caso de computadores pessoais, não existe
29 Disponível em: <http://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao>. 30 Disponível em: <https://www.globalratings.com>.
uma preocupação com a produtora do hardware, mas, ao se desenvolver para dispositivos móveis ou console, é necessário se ater aos requisitos exigidos pelos proprietários dos sistemas. Os sistemas para dispositivos móveis 31 possuem uma série de
requisitos para que um jogo possa ser oferecido em sua plataforma. A plataforma-alvo, assim como o estudo da viabilidade técnica, devem aparecer neste documento, bem como o plano de posterior portabilidade para outras plataformas, se necessário. Isso permite, por parte de desenvolvedores, publicadoras e investidores, a análise de mercado e viabilidade técnica do projeto. A escolha da plataforma está diretamente ligada ao público-alvo escolhido. É necessário assegurar que o projeto explicite o alcance dos requisitos técnicos mínimos para a plataforma escolhida.
Licença: Se o jogo será desenvolvido sobre uma propriedade intelectual já existente, é necessário explicitar esta informação e anexar os documentos de autorização de uso da PI (propriedade intelectual).
Análise competitiva: Descreve a seleção de três a quatro títulos disponíveis no mercado e discute como o jogo que está sendo proposto possui condições de competir com os títulos existentes. É importante, nesta seção, fazer a relação com os diferenciais de mercado elaborados anteriormente, argumentar como o jogo a ser desenvolvido competirá com cada título relatado, descrever o que ele apresenta de melhor e como se distingue dos demais.
Objetivos: Explicitar as expectativas em relação à experiência que o jogador irá experimentar ao jogar o jogo, relatando suas características, além da simples diversão. Nesta seção, podem ser utilizados termos como: tensão, empolgação, suspense, desafio, humor, nostalgia, tristeza, medo etc., para descrever a experiência que se pretende com o jogo. Descrever, por exemplo, o papel do jogador durante o gameplay, se ele estará habilitado a criar suas próprias histórias/personagens, ou se seguirá um roteiro fixo em busca do alcance de objetivos preestabelecidos.