Chapter 2 Socio-political art
2.3. Nails, Knives and Wires – Political Art by Petr Pavlenskii
2.3.3. The Creative Process
2.3.3.6. The Use of the Mass Media
relativas à atividade científica e tecnológica, e econômico, com base nos PIBs per capita regionais. Nesse caso é proposta uma classificação das regiões segundo seu grau de atividade tecnológica. Finalmente na terceira parte será utilizado o método de análise discriminante como forma de avaliar tal classificação e para que se possa observar um critério alternativo de agrupamento dessas regiões, de acordo com essa metodologia. A análise discriminante se justifica por ser esse um método estatístico multivariado que avalia a classificação de um conjunto de observações e que permite a obtenção de uma classificação alternativa a partir dela. As três análises aqui consideradas têm teor exploratório e visam a identificar possíveis padrões econômicos, científicos e tecnológicos para as regiões consideradas à luz do grau de desenvolvimento dos países a que pertencem.
3.4.1 O desempenho das regiões com atividades científica e tecnológica e uma possível classificação
A seguir é apresentado o número de regiões que realizaram atividades científicas e tecnológicas, segundo os dados de 2010, para os nove países considerados na presente análise. Observou-se que todas as 131 regiões subnacionais que apresentaram atividade tecnológica, mensurada pelo registro de patentes no UPTO, também apresentaram atividade científica. Esse aspecto reafirma a notória importância da ciência para o desenvolvimento tecnológico.
Ademais, pode indicar que a proximidade física entre os atores relacionados à ciência e os ligados à tecnologia seria, de fato, um catalisador para o desenvolvimento da última, não importando o grau de desenvolvimento do país (JAFFE, 1989).
Tabela 7: Número de regiões subnacionais com atividade tecnológica e científica por país - 2010 Regiões com patentes e artigos Regiões apenas com artigos Regiões sem
artigos e patentes Total de Regiões
África do Sul 5 4 0 9 Brasil 4 23 0 27 China 20 11 0 31 Índia 9 22 1 32 México 9 23 0 32 Alemanha 16 0 0 16 Austrália 7 1 0 8 Canadá 10 3 0 13 Estados Unidos 51 0 0 51 Total 131 87 1 219
Fonte: Elaboração própria a partir de USPTO e ISI.
Nos países desenvolvidos a grande maioria das regiões apresentou a realização de atividades científicas e tecnológicas no ano de 2010, tomando como base as fontes de dados internacionais. Apenas na Austrália e no Canadá houve regiões que não registraram patentes no USPTO, sendo no primeiro uma região nessa condição e no segundo três. Essas quatro regiões apresentaram apenas atividade científica, sendo contabilizadas, portanto, na segunda coluna da Tabela 7. Entre os países em desenvolvimento aqui considerados, apenas a China e a África do Sul apresentaram a maioria de suas regiões com atividade tecnológica. No caso dos outros países em desenvolvimento, a maior parte das regiões apresentou apenas atividades científicas. Esse quadro configura um dos principais problemas em SNIs atrasados, que é a falta de sintonia entre as atividades científicas e tecnológicas. Assim, como ocorre no Brasil, por exemplo, há produção científica relevante, mas que é pouco aproveitada pelos setores econômicos internos para a geração de tecnologia (ALBUQUERQUE, 1999).
Cabe ressaltar, ainda, que a Índia foi o único dos nove países considerados para o qual uma de suas regiões não apresentou registro de atividades científicas e tecnológicas em 2010. Trata-se da região de Chandigarh, que é uma cidade-território do país que serve como capital de dois dos estados indianos, Punjab e Haryana.
O Gráfico 3 mostra em três dimensões a hierarquia entre as regiões aqui avaliadas. Nesse caso, são consideradas apenas as 131 regiões que apresentaram artigos e patentes no
ano de 2010. Em cada um de seus eixos o gráfico mostra o logaritmo natural das variáveis PIB per capita regional, artigos por milhão de habitantes e patentes por milhão de habitantes, visando a colocar as informações numa mesma escala de medida. Nesse gráfico estão representadas apenas as regiões que apresentaram registro de atividade científica ou tecnológica, de acordo com os critérios aqui adotados, no ano de 2010.
Gráfico 3: PIB per capita, artigos por milhão de habitantes e patentes por milhão de habitantes regionais (logaritmos) para as regiões avaliadas - 2010
Fonte: Elaboração própria a partir de USPTO, ISI – Web of Science, Statistics Canada, INEGI
– México, Statistics South Africa, Australian Bureau of Statistics, Ministry of Statistics –
India, Federal Statistics Office – Alemanha, National Bureau of Statistics of China, US Bureau of Economic Analysis e IPEADATA-Brasil.
No Gráfico as regiões de países desenvolvidos formam uma nuvem densa, com muitas delas se sobrepondo, localizada na extremidade superior à direita do plano. Já as regiões de países subdesenvolvidos formam uma nuvem bem menos densa com pouca sobreposição entre as observações e maior espalhamento das informações na parte inferior à esquerda. Tal disposição das regiões no Gráfico permite duas observações importantes. A primeira diz a respeito à hierarquia entre economias desenvolvidas e subdesenvolvidas, que prevalece também quando se avaliam as regiões subnacionais. Ou seja, há uma clara separação entre as regiões oriundas de países nesses dois níveis de desenvolvimento. Se estabelecemos o limite
entre os dois grupos (regiões de países subdesenvolvidos e regiões de países desenvolvidos) a partir do ponto onde se encontra o estado alemão de Mecklenburg-Vorpommern, região de país desenvolvido que se encontra no ponto mais baixo do Gráfico, apenas duas regiões localizadas em países subdesenvolvidos estariam acima dele. São elas, o Distrito Federal Mexicano e a cidade de Beijing, na China, que se destacam principalmente por causa de sua renda per capita regional e da produção científica. Mesmo assim, estas regiões, que podem ser consideradas as mais dinâmicas em seus países, se comparam apenas às que têm desempenho apenas intermediário dentre as localizadas em economias desenvolvidas. No caso brasileiro, o estado de São Paulo se encontra no trecho superior da parte onde se verificam predominantemente as regiões de países subdesenvolvidos no plano. Os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande e Minas Gerais se encontram um pouco abaixo.
A outra evidência que se destaca pelo Gráfico 3 é relacionada à maior homogeneidade verificada entre as regiões de países desenvolvidos, sobretudo as que compõem a densa nuvem identificada na parte superior do plano. O fato de várias das regiões localizadas em países desenvolvidos se sobreporem no gráfico, ou se localizarem muito próximas umas das outras, indica que estas apresentam grande similaridade em termos de seus PIBs regionais per capita, e das produções tecnológica e científica ponderadas por suas populações, mesmo se tratando de regiões de países distintos. Por outro lado, as regiões de países menos desenvolvidos apresentam pouca homogeneidade nesse sentido, se mostrando mais dispersas no Gráfico. Essa maior homogeneidade das regiões de países desenvolvidos confirma o que já havia sido capitado pelo uso Coeficiente de Variação de Williamson e pelo Índice de Theil anteriormente.
Considerando apenas as atividades científica e tecnológica, como é feito no Gráfico 4, é possível observar que algumas regiões de países em desenvolvimento, em especial da China, se mostram mais próximas do comportamento de regiões de países desenvolvidos, segundo tais variáveis. No Gráfico que considera apenas as duas dimensões, permanece uma divisão explicita entre as regiões de países menos desenvolvidos, no canto inferior à esquerda, e de países desenvolvidos, no canto superior à direita. Entre as regiões de países desenvolvidos mais próximas às de países subdesenvolvidos, observa-se novamente a região de Mecklenburg-Vorpommern, acompanhada da região de Sachsen-Anhalt, ambas na Alemanha, além das regiões da Tasmânia e Austrália Ocidental, na Austrália. Tomando novamente Mecklenburg-Vorpommern como parâmetro para o estabelecimento de uma linha horizontal imaginária abaixo da qual se encontram apenas as regiões de países subdesenvolvidos, é
possível perceber que acima dela estariam todas as regiões de países desenvolvidos, com exceção da região de Niedersachsen, também na Alemanha, mas que se encontra bastante à direita no gráfico devido ao maior número de patentes.
Gráfico 4: Artigos por milhão de habitantes e patentes por milhão de habitantes regionais (logaritmos) para as regiões avaliadas - 2010
Fonte: Elaboração própria a partir de USPTO, ISI – Web of Science, Statistics Canada, INEGI
– México, Statistics South Africa, Australian Bureau of Statistics, Ministry of Statistics –
India, Federal Statistics Office – Alemanha, National Bureau of Statistics of China, US Bureau of Economic Analysis e IPEADATA-Brasil.
Mais uma vez é possível observar o Distrito Federal mexicano e a municipalidade de Beijing (China) acima da linha que dividiria os dois grupos considerados. A última, especialmente, se destaca ao apresentar comportamento mais próximo ao das regiões de países com maior grau de desenvolvimento. Considerando apenas a atividade tecnológica, também têm posição destacada no Gráfico as regiões chinesas de Guangdong e Shanghai, que figuram, junto à capital chinesa, como as localidades do país com melhor desempenho em termos de registro de patentes no USPTO em 2010. Porém, o desempenho em termos de produção científica faz com que tais regiões figurem abaixo do padrão observado nas regiões dos países de economias mais desenvolvidas.
O Distrito Federal Mexicano que se encontrava também junto ao grupo das regiões de países desenvolvidos, no Gráfico 4, permanece acima da região de Mecklenburg- Vorpommern, mas tal condição somente é possível graças à sua atividade científica. Observa- se que em termos de atividade tecnológica a região mexicana estaria ainda abaixo do padrão das regiões de países desenvolvidos. No que tange ao Brasil, São Paulo se encontra na mesma altura da região alemã, mas ainda à sua esquerda no Gráfico, o que também resulta do seu desempenho tecnológico inferior. De uma forma geral, o Gráfico 4 indica que ao se retirar a variável renda da análise o quadro de diferenciação entre as regiões de países desenvolvidos e em desenvolvimento pouco se altera. A tendência à maior homogeneidade entre regiões de países desenvolvidos se mantém, mas fica clara a liderança das regiões localizadas nos Estados Unidos. Quanto ao Brasil, os quatro estados considerados permanecem abaixo das regiões de países desenvolvidos, mesmo das com desempenho mais baixo em ciência e tecnologia.
A análise conjunta da Tabela 7 e dos Gráficos 3 e 4 para os casos da China e do Brasil, especialmente, indica que a chave para a ampliação da escala científica e tecnológica num país como um todo, e também em suas regiões mais desenvolvidas, pode estar relacionada ao espalhamento territorial das instituições que formam o SNI. Como se viu na Tabela 7, mesmo havendo grande desigualdade regional no país, na China a maior parte das regiões apresentou a realização de atividades científicas e tecnológicas em 2010, enquanto no Brasil a realização simultânea destas atividades se deu por um número pequeno de estados. Acredita-se que a maior integração das regiões ao SNI faria com que tanto as mais desenvolvidas quanto as menos desenvolvidas se beneficiassem conjuntamente de tal processo. Logo, o desenvolvimento de estruturas de ciência e tecnologia em regiões mais pobres possibilitaria a elas gozar dos efeitos de spillovers regionais oriundos das regiões com estruturas de ciência e tecnologia mais avançadas. Os retornos obtidos por meio desses spillovers regionais pelas regiões mais avançadas, em termos econômicos (renda), científicos (publicações e pesquisas conjuntas) e tecnológicos (patentes e contratos), atuariam motivando o desenvolvimento das estruturas de C,T&I nessas regiões mais avançadas. Acredita-se que o caso da China possa servir como exemplo para tal situação. Nesse caso, uma melhor distribuição territorial das atividades de ciência e tecnologia, ou dos entes do SNI, abrangendo um conjunto maior de regiões possibilitaria àquelas mais desenvolvidas, como Beijing e Guangdong, apresentarem desempenho próximo ao de regiões de países de economia avançada, como visto nos Gráficos 3 e 4.
3.4.2 Uma tentativa de classificação das regiões segundo suas estruturas de C,T&I e seu