• No results found

Chapter 2 Socio-political art

2.3. Nails, Knives and Wires – Political Art by Petr Pavlenskii

2.3.3. The Creative Process

2.3.3.3. The Setting

No que se refere especificamente à produção científica, são apresentados na sequência dados relativos à publicação de artigos científicos por autores residentes nas regiões subnacionais dos países aqui avaliados. A Tabela 4 mostra o total de artigos por país, os valores máximo e mínimo obtidos para as regiões consideradas de cada um e a participação percentual do valor máximo no total nacional. Esta coluna permite observar o peso da região com o maior número de artigos no conjunto da produção científica nacional por país.

Tabela 4: Número de artigos científicos publicados por residentes nos países avaliados e números máximo e mínimo de publicações regionais por país – 2010

Total* Máximo Regional Mínimo Regional % do valor máximo em relação ao total África do Sul 8.475 1.581 9 18,7 Brasil 29.958 15.327 27 51,2 China 134.668 41.701 56 31,0 Índia 42.035 5.837 0 13,9 México 8.678 4.346 31 50,1 Alemanha 82.794 13.257 439 16,0 Austrália 52.424 15.628 383 29,8 Canadá 50.153 30.583 27 61,0 Estados Unidos 298.885 51.562 606 17,3 Fonte: Elaboração própria a partir de ISI – Web of Science.

*Sem dupla contagem

A primeira coluna da Tabela permite observar que Brasil, China e Índia demonstram volume total de publicações semelhante ao verificado em alguns dos países desenvolvidos aqui analisados. Observa-se que a China perde apenas para os Estados Unidos em relação ao total de artigos publicados por autores residentes no país em 2010. Brasil e Índia mostram volume de publicações próximo ao que se observa para países como o Canadá e a Austrália.

Contudo, como já mencionado acima, esses países apresentam produção científica abaixo do que demandaria sua dimensão populacional, o que ficou claro quando se analisou a Tabela 3. No que tange aos valores máximo e mínimo regionais observados para cada um dos países em relação aos seus estados, percebe-se em todos os casos uma grande distância entre eles, como já se esperava. Sabe-se que a produção científica realmente tende a ser mais concentrada que outras variáveis como a própria renda, por exemplo. Contudo, espera-se que esta concentração seja menor nos países mais desenvolvidos.

A última coluna da Tabela indica essa concentração ao demonstrar o peso do estado com o maior número de artigos científicos publicados em periódicos indexados pelo ISI no total nacional. Assume-se que uma região subnacional é concentradora da produção científica do país quando apresenta 30%, ou mais, do total dos artigos científicos nacionais publicados por seus residentes. Assim, fica claro que as localidades com maior peso na produção nacional de artigos científicos estão localizadas no Canadá, na Austrália, no Brasil, no México e na China. A participação dos estados com maior número de publicações por país é bem menor em casos como o da Alemanha e dos Estados Unidos, além da África do Sul e da Índia.

Os dados mostram no Brasil o estado de São Paulo com uma participação de mais de 51% no total de artigos publicados por brasileiros, no México o Distrito Federal com 50% e na China a cidade de Beijing com 31%. Nos Estados Unidos a participação da Califórnia, que sozinha teve produção científica superior à da Austrália e à do Canadá em 2010, representa apenas 17% do total norte-americano. Na Alemanha, o estado da Renânia do Norte-Vestfália apresentou um peso de 16% no cenário nacional. No entanto, observam-se alguns resultados que fogem à tendência esperada, a saber, África do Sul, Índia, Austrália e Canadá. Nos dois últimos casos é importante mencionar a existência de forte concentração da população em algumas de suas regiões frente à existência de regiões muito pouco povoadas. Essa condição ocorre especialmente no Canadá, onde algumas das regiões nacionais representam menos de 1% da população nacional. A Tabela 5, que mostra informações similares às da Tabela 4, mas ponderadas pela população nacional e regional, permite perceber tal aspecto.

A primeira coluna da Tabela 5, assim como visto pela Tabela 3, mostra que o número de artigos científicos publicados por milhão de habitantes para os países de menor desenvolvimento se encontra bastante abaixo do verificado nos países mais desenvolvidos. Tem-se, então, que mesmo apresentando volume total de publicações próximo ao de países mais avançados, SNIs como o do Brasil, da China e da Índia, têm produção científica abaixo

das possibilidades permitidas pela sua escala populacional. Verifica-se, por exemplo, que a África do Sul, país com o maior número de artigos por milhão de habitantes dentre os subdesenvolvidos considerados, apresenta um valor para esse indicador cerca de 6 vezes abaixo do que é observado para os Estados Unidos.

Tabela 5: Número de artigos científicos por milhão de habitantes por país e números máximo e mínimo de publicações regionais por milhão de habitantes – 2010

Total Máximo Mínimo % do mínimo em relação ao máximo África do Sul 169,529 139,797 4,951 3,541 Brasil 153,465 418,651 25,248 6,031 China 100,671 2.126,260 9,953 0,468 Índia 34,866 176,988 0,000 0,000 México 73,613 491,014 12,394 2,524 Alemanha 1.012,437 3.018,443 332,269 11,008 Austrália 2.375,857 8.736,866 1.655,636 18,950 Canadá 1.469,618 2.456,623 780,347 31,765 Estados Unidos 966,245 9.865,004 448,427 4,546

Fonte: Elaboração própria a partir de ISI – Web of Science, Statistics Canada, INEGI – México, Statistics South Africa, Australian Bureau of Statistics, Ministry of Statistics – India, Federal Statistics Office – Alemanha, National Bureau of Statistics of China, US Bureau of Economic Analysis e IPEADATA-Brasil.

*Sem dupla contagem

Quando se observam as regiões que apresentaram a maior quantidade de artigos por milhão de habitantes em seus países, deve se levar em conta especialmente a região chinesa que atende a esta condição. Trata-se da municipalidade de Beijing, que apresenta um valor para o indicador considerado que se aproxima do verificável em regiões localizadas em países desenvolvidos, como Canadá e Alemanha. Ao se comparar o valor máximo regional de publicações de residentes na China com o total nacional há uma clara evidência da concentração da atividade científica na capital do país, dado que esta municipalidade se destaca em muito das demais regiões subnacionais. Ao se comparar o valor máximo ao mínimo regional esse quadro é reafirmado. Trata-se da maior distância entre os valores máximo e mínimo nacionais, ponderados pela população, após a Índia, país no qual uma das regiões não apresentou publicações de residentes em 2010. O Brasil foi o país, entre os subdesenvolvidos, em que a distância entre a região com o número máximo de publicações e a região com o número mínimo foi menor, superando inclusive os Estados Unidos nesse aspecto. Este último foi o país que apresentou maior diferença entre os valores máximo e mínimo para as publicações regionais ponderados pela população, dentre os países

desenvolvidos. Por outro lado, verifica-se o Canadá com a menor diferença entre os dois extremos.

A ponderação do número de artigos científicos regionais pela população indica um quadro distinto entre as Tabelas 4 e 5, especialmente para o caso de países como o Canadá e a Austrália. Enquanto na primeira se observava um forte peso de uma única região na atividade científica nacional desses países, pela segunda é possível perceber que, considerando-se as populações regionais, a concentração dessa atividade não é tão elevada, uma vez que estes países foram os que apresentaram a menor distância entre as regiões com o máximo e o mínimo de publicações regionais. A África do Sul, que é um dos países no qual se verificou menor peso de uma única região em sua atividade científica, como visto na Tabela 4, apresenta, ao se ponderar os indicadores científicos pela população, uma distância relativa entre as regiões com melhor e pior desempenho científico acima da média vista nos países desenvolvidos, com exceção dos Estados Unidos.

No caso dos Estados Unidos, a distância relativa entre as regiões subnacionais com os números máximo e mínimo de artigos publicados por milhão de habitantes pode ser explicada pelo descolamento do Distrito de Columbia da média apresentada pelas outras regiões (estados) do país. O Distrito de Columbia configurou, em 2010, um outlier em termos da produção científica ponderada pela população local nos Estados Unidos. O número de artigos científicos por milhão de habitantes identificado para essa região superou em mais de duas vezes o verificado para a região com o segundo maior valor para esse indicador no país, o estado de Massachusetts (4.293,8 artigos por milhão de habitantes). Tal disparidade entre uma região e as demais no cenário nacional somente foi verificável nos países subdesenvolvidos aqui avaliados, mas, obviamente, com valores mínimo e máximo regionais muito inferiores ao observado nos Estados Unidos.

Na sequência, o uso do índice de Theil permitirá alcançar resultados mais claros sobre os possíveis padrões de concentração regional da produção científica entre os nove países avaliados. Nesse contexto, é importante salientar que ao se considerar o peso populacional das localidades avaliadas é possível evitar maiores distorções acerca da análise da concentração espacial da renda ou de ativos de C,T&I, como já é adiantado pela Tabela 5. Para esse cálculo do índice de Theil a variável PIB per capita dará lugar ao número de artigos per capita para que se possa avaliar específicamente a concentração espacial da produção científica nos países avaliados.

Os resultados do índice de Theil para a produção científica regionalizada nos nove países considerados são apresentados por meio do Gráfico 1, no qual também estão dispostos os valores do indicador para a renda regional. Assim é possível avaliar possíveis relacionamentos entre a concentração regional da renda e da produção científica nos países avaliados.

Gráfico 1: Índice de Theil para a renda e produção científica regional nos países avaliados - 2010

Fonte: Fonte: Elaboração própria a partir de ISI – Web of Science, Statistics Canada, INEGI – México, Statistics South Africa, Australian Bureau of Statistics, Ministry of Statistics – India, Federal Statistics Office – Alemanha, National Bureau of Statistics of China, US Bureau of Economic Analysis e IPEADATA-Brasil.

O Gráfico 1 mostra claramente uma maior homogeneidade entre os países mais desenvolvidos. Alemanha, Austrália, Canadá e Estados Unidos mostram níveis muito pequenos de concentração regional da renda e também muito próximos. Observa-se que todos os países apresentam níveis de concentração da produção científica maiores que de concentração de renda. Ainda assim, é observável para os países de economia avançada um padrão de concentração da produção científica bastante inferior ao observado nos países em desenvolvimento. A Alemanha foi o país, dentre os considerados desenvolvidos, com o maior

valor para o índice de Theil em relação aos artigos científicos, 0,16. O Brasil foi o país, dos considerados em desenvolvimento, com o menor valor para tal indicador, 0,22.

No caso dos cinco países em desenvolvimento avaliados, é possível observar menor homogeneidade em relação à concentração regional da renda e da produção científica. Seria possível falar sobre três comportamentos diferenciados. Um primeiro, presente nos casos do Brasil e da Índia, mostra menor concentração regional da produção científica, comparado aos outros países em desenvolvimento, e maior concentração da renda. Já no caso de China e África do Sul, principalmente, há maior concentração regional da produção científica, na comparação com os outros países em desenvolvimento, e menor concentração regional da renda. Por fim, observa-se o México com tendência a grandes concentrações na renda e na produção científica simultaneamente.

Como mencionado acima, algumas distorções verificadas pela Tabela 4 foram corrigidas pelo índice de Theil para a produção científica dos países avaliados, o que se deve ao fato de o indicador considerar o peso da população local em sua metodologia e observar como a distribuição da produção científica interna a cada país desvia de uma distribuição perfeitamente igualitária. Assim, por meio desse índice é possível corrigir possíveis imperfeições numa análise mais simplificada, como a apresentada nas Tabelas 4 e 5. Ademais, observa-se que uma análise da distribuição espacial da produção científica deve levar em conta o peso das populações locais para que se possa, de fato, avaliar o grau de concentração existente no país.

De uma forma geral, os resultados obtidos, sobretudo com a utilização do índice de Theil, mostram uma maior tendência à concentração da produção científica nas economias menos desenvolvidas, condizendo com a maior concentração regional da renda nesses países, já verificada anteriormente. Tal resultado indicaria um possível desequilíbrio na distribuição espacial dos entes do sistema nacional de inovação nessas economias, pautado na distribuição da estrutura local de pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, a hipótese aqui defendida, acerca da relação entre a concentração regional da renda e os desequilíbrios regionais no SNI em economias menos desenvolvidas parece se confirmar para os casos avaliados nesse trabalho.