computador sobre a forma de hiperlinks, resultando em interatividade entendida como bidirecionalidade (possibilidade de o usuário- consumidor receber, manipular e alterar as informações), está criando uma “cultura de interatividade” (SILVA, 2010, p. 33). A comunicação tradicional, unidirecional, vem sendo substituída pela comunicação interativa, como visto na tabela 1.
Tabela 1: Comunicação unidirecional x comunicação interativa
A Comunicação
Modalidade Unidirecional Modalidade Interativa
MENSAGEM: fechada, imutável,
linear, sequencial. MENSAGEM: modificável, em mutação, na medida em que responde às solicitações daquele que a manipula.
EMISSOR: “contador de histórias”, narrador que atrai o receptor (de maneira mais ou menos sedutora e/ou por imposição) para seu universo mental, seu imaginário, sua récita.
EMISSOR: “designer de software”, constrói uma rede (não uma rota) e define um conjunto de territórios; ele não oferece uma história a ouvir, mas um conjunto intrincado (labirinto) de territórios abertos a navegações e dispostos a interferências, a modificações.
RECEPTOR: assimilador passivo. RECEPTOR: “usuário”, manipula a mensagem com coautor, cocriador, verdadeiro conceptor.
Fonte: Silva (2010)
As discussões sobre o ensino em ambientes on line se pautam pela flexibilidade do sistema, especialmente pela liberdade de tempo e lugar, que é a restrição para aqueles que estudam na escola tradicional. Em pesquisa com alunos da Open University, no Reino Unido, Tait (2003) apontou que apenas 10% dos alunos na modalidade a distância não querem a interação com outros estudantes, tendo, talvez, um tipo de personalidade que os levou a escolher um modo de estudo que reduz ou elimina a necessidade de interação com os outros. Já para os outros 90% de alunos a interação é procurada, embora nem sempre adotada por causa das exigências de tempo e lugar, tão comuns na vida dos adultos. Para Tait e Mills (2002), o desafio está em superar a distância social. Apoiadas pelos ambientes virtuais de aprendizagem, as novas tecnologias trouxeram as possibilidades de diálogos síncronos e assíncronos, transformando a forma com que os programas de educação a distância estão sendo realizados. Conforme Tait (2003), a visão behaviorista de ensino está sendo substituída por visões mais sociais de ensino e aprendizagem, que levam em conta a interação e a colaboração.
O aluno é chamado a participar de comunidades de aprendizagem on line, onde fatores psicológicos, interpessoais, culturais, ambientais e linguísticos, presentes nos encontros face a face, voltam a manifestar-se. Uma vez que foram modificados os processos comunicativos, suas implicações podem ser estendidas aos processos de ensino e aprendizagem. Ao modificar a comunicação altera-se todo um sistema de ensino, não apenas aquilo que se passa na sala de aula, mas a mudança do modelo comunicacional que prevalece nas escolas. “Trata- se de distinguir e não de separar”, a ideia não está em invalidar os processos clássicos de ensino e aprendizagem, mas sim demonstrar que novos processos estão surgindo em função das mudanças nos processos comunicativos, gerando novas formas e processos de aprendizagem, como nos mostra a tabela 2 (SILVA, 2010, p. 113).
Tabela 2: Quadro comparativo de aprendizagem
APRENDIZAGEM
MODALIDADE TRADICIONAL
(Metáfora da árvore) MODALIDADE INTERATIVA (Metáfora do hipertexto)
RACIONAL: organiza, sintetiza,
hierarquiza causaliza, explica. INTUITIVA: conta com o inesperado, o acaso, junções não lineares, o ilógico. LÓGICO-MATEMÁTICA: dedutiva,
sequencial, demonstrável, quantificável.
MULTISSENSORIAL: dinamiza interações de múltiplas habilidades sensórias.
PROCEDIMENTO: transmissão, exposição, leitura linear, livresca, memorização, repetição.
PROCEDIMENTO: navegação, simulação, experimentação, participação, coautoria, bidirecionalidade. CENTRADA: parâmetro, coerência,
delimitação, transcendência. ACENTRADA: coexistem múltiplos centros. REDUCIONISTA-DISJUNTIVA: na
base do ou....ou, separa corpo e mente, razão e objeto, intelectual e espiritual, emissão e recepção, lógico e intuitivo.
CONEXIONAL: na base do e....e, justapõe por algum tipo de analogia, perfazendo roteiros originais (não previstos), colagens, permanente abertura para novas significações, para redes de relações.
Fonte: Silva (2010)
Da combinação de fatores propostos por Silva (2010), a comunicação se dá por processos unidirecionais e/ou bidirecionais e a aprendizagem em processos individualizados e/ou interativos. Assim, tem-se uma matriz de interatividade nos processos de ensino e aprendizagem, como visto na figura 6, onde no primeiro quadrante a aprendizagem é individualizada e os processos comunicativos são
unidirecionais. Valoriza-se a individualidade do aluno, seu ritmo de estudos e sua autonomia para os estudos, foco das primeiras gerações do ensino a distância, onde o aluno com o material didático estudava e era aprendiz por conta própria, situação ainda encontrada em cursos ofertados on line.
No segundo quadrante os processos de aprendizagem são individualizados e os processos comunicativos são bidirecionais. O aluno interage com o ambiente virtual, lendo materiais de estudo, assiste vídeos, realiza atividades avaliativas e posta trabalhos e atividades. Preserva-se a individualidade do aluno e valoriza-se a interatividade do sistema em atender a essa personalização.
No terceiro quadrante os processos de aprendizagem são interativos e a comunicação unidirecional, o aluno é convidado a participar de fóruns, chats, videoconferências e outras atividades de acordo com suas necessidades individuais de aprendizagem. A individualidade do aluno ainda é a principal característica do modelo, criam-se momentos para a realização da interação, o aluno decide se participa ou não dessas atividades.
Figura 6: Matriz de interatividade nos processos educativos
No quarto quadrante os processos de aprendizagem são interativos e a comunicação deve ser bidirecional. Nele, o aluno/aprendiz é estimulado a realizar atividades em contextos sociais, atividades em grupo, projetos colaborativos, realização de pesquisas e estágios, produção de textos em equipe, utilizando para tal os recursos tecnológicos existentes nos ambientes virtuais de aprendizagem, para interações síncronas e assíncronas, para que surjam efetivamente comunidades de prática virtuais.
A questão da interatividade tem sido discutida em “discursos contraditórios e ambivalentes”, Silva (2010, p. 100 -101), onde as apropriações mais comuns do termo envolvem:
a) intervir, intervenção sobre o conteúdo, intervenção da parte do espectador;
b) transformação do espectador em ator, parte integrante da interação;
c) diálogo individualizado com os serviços conectados;
d) ações recíprocas em modo dialógico com os utilizadores, ou em tempo real, com os aparelhos (cada um responde ao outro e aos outros); e) cada um dos espectadores recebe mensagens produzidas pelos outros e responde a elas. A importância de se definir de que forma os processos colaborativos acontecerão deriva do fato de que em algumas propostas de EAD a formatação das interações faz com que surjam respostas aos mecanismos do ambiente, favorecendo as experiências em fazer postagens no espaço certo, na hora certa, na medida e periodicidade certas (MARASKIN; TANIKADO; TSCHIEDL, 2010). Aparia e Acedo (2010) complementam, afirmando que a aprendizagem colaborativa implica deixar a responsabilidade principal da aprendizagem aos alunos, enquanto o professor passa a ser um mediador do processo de aprendizagem e, também, como membro que é dessa comunidade, passa a ser um aprendiz.
Para Beloni (2009, p. 58), as TIC apresentam novas possibilidades de interação e interatividade, definidas como:
•Interação: ação recíproca entre dois ou mais atores onde ocorre a intersubjetividade, isto é, o encontro de dois sujeitos;
•Interatividade: termo que pode ser utilizado em dois sentidos, de um lado possibilidade técnica oferecida por um meio e, de outro, atividade humana do usuário de agir sobre a máquina, de receber em troca uma retroação.
Silva (2010) entende que a interação envolve o diálogo, a comunicação, a troca entre interlocutores humanos, entre interlocutores e máquinas, entre usuários e serviços, entre o assinante de uma lista de discussão e seu ‘cabeça’ de rede, entre professor e aluno. Já interatividade envolve a possibilidade de intervir sobre o programa ou conteúdo que está sendo aprendido, apresentado, discutido. Okada (2006) reforça que em ambientes interativos onde as pessoas trabalham colaborativamente adquirem conhecimentos de modo mais consistente, desenvolvendo habilidades intra e interpessoais em conjunto com uma interdependência de ações.
Para Correa (2006) e Primo (2003) a interação é entendida como uma “ação entre” os participantes de um encontro, desta forma, a interação é estabelecida entre os indivíduos que interagem e não sobre as partes, conteúdos ou dispositivos que compõem o sistema como um todo. A interação é entendida pelo ponto de vista de Morin (2002), onde interação é um processo que comporta diversidade, multiplicidade, solidariedade, antagonismos e complementariedade. No contexto atual de múltiplas interpretações para o termo interação, Lemos (2002) identifica níveis de interação não excludentes que envolvem: (1) a interação social, existente entre os homens em sociedade; (2) interação analógico-mecânica, existente entre homens e máquinas, como em um fliperama, um computador ou um carro; (3) interação eletrônica/digital existente na relação entre o homem os sistemas digitais, interação com a informação e conteúdos na internet.
Já para Primo (2007) a interatividade desenvolveu-se como um derivado de interação sugerindo uma analogia entre trocas do tipo humano-humano e humano-máquina, é mais reativa e limitada a certas determinações. Já a interação pode ser caracterizada como baseada em relações mútuas, interdependentes e em processos de negociação, onde cada indivíduo participa da construção inventiva da interação, sendo afetados mutuamente.
Para efeitos da TCS e das CoPs interessam os aspectos da interação social caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas entre os membros da comunidade, ou pelas possibilidades de encontros virtuais entre pessoas distantes no espaço e no tempo, interessam os relacionamento criados a partir do contexto, da prática e do domínio da comunidade. São valorizados os aspectos do estar-entre, do agir-entre, do aprender-entre, gerados e disseminados pelos membros da comunidade durante o processo de interação social.
2.4.3 Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) Acessíveis