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6. RESULTAT

6.1 V URDERING AV SONEINNDELING

Com os dados obtidos foram efetuadas análises, assumindo a postura fenomenológica, conforme explicitado no primeiro item deste capítulo, visando a destacar o que de significativo emerge na leitura dos textos obtidos dos encontros com os professores, coordenadores e alunos.

Pela postura fenomenológica47, nossa intencionalidade está direcionada atentamente à interrogação formulada, buscando ouvir o que é dito nos documentos estudados, nas entrevistas efetuadas e nos encontros realizados. Isso quer dizer que não nos propomos basear-nos em teorias prévias que expliquem o que poderia se mostrar nesses dados por meio dos textos obtidos. Ao contrário, intencionamos compreender o fenômeno, formação inicial de

47 Mediante postura fenomenológica, a intenção da pesquisadora é olhar atentivamente o que se mostra nos

professores de Matemática, indo-à-coisa-mesma, ou seja, aos envolvidos, professores, alunos e coordenadores, no processo dessa formação.

Para irmos a campo fizemos uma leitura atenta do projeto pedagógico de ambos os cursos, a nós enviados pelos coordenadores. Essa leitura dos projetos foi o que nos direcionou para o endereçamento das perguntas que guiaram a entrevista. Tais perguntas almejavam, de um modo direto, compreender o que estava ali exposto no projeto e como na prática as atividades se desdobravam. No entanto, o diálogo estabelecido foi aberto, no sentido de que durante a entrevista, enquanto entrevistadora pudesse fazer perguntas, visando a esclarecimentos e avanços na temática abordada.

Os encontros com os sujeitos foram realizados na Faculdade de Educação e no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal de Goiás. As falas dos coordenadores e professores foram gravadas em áudio, enquanto que a fala dos alunos foram registradas em vídeo, pois como a entrevista se dava em grupo, o vídeo proporcionaria um trabalho de transcrição mais fidedigno com o que ocorreu no momento da entrevista, não correndo riscos de, porventura, não identificar e atribuir a fala ao sujeito que a pronunciou. Foi solicitado a cada depoente que assinasse um documento, autorizando que as entrevistas fossem gravadas e suas falas retomadas com finalidades acadêmicas.

Todas as entrevistas, em seguida, foram transcritas na íntegra, realizando, assim, a descrição do modo pelos quais o fenômeno se mostra. Entendendo que a descrição toma a forma de um texto, este fica, então, à espera de ser interpretado. A descrição é efetuada por meio da linguagem, a qual, na postura investigativa assumida, exige um olhar fenomenológico que solicita uma análise interpretativa e reflexiva.

Cada entrevista transcrita foi tratada como texto, de modo que as dez entrevistas (6 com sujeitos professores (incluindo aqui os dois coordenadores) e 4 com os grupos de alunos) – uma com cada sujeito/grupo da pesquisa – se converteram em dez textos, os quais foram analisados hermeneuticamente, um a um, de modo separado.

Cada um dos seis sujeitos professores entrevistados foi identificado da seguinte formar: primeiramente com a letra inicial do curso a que pertencia (P – Pedagogia ou M – Matemática), em seguida com a identificação se era professor (P) ou coordenado (C) do curso e por último atribuímos um número a esse sujeito. Assim, levando em consideração que o coordenador é também um professor, mesmo distinguindo-os, os numeramos dando sequência ao grupo de sujeitos professores. Desse modo nossos professores foram identificados da seguinte maneira:

• PP2 (Pedagogia-Professor / segundo sujeito); • MC3 (Matemática-Coodenador / terceiro sujeito); • MP4 (Matemática-Professor / quarto sujeito); • MP5 (Matemática-Professor / quinto sujeito); • MP6 (Matemática-Professor / sexto sujeito).

Como já dito, os alunos de ambos os cursos foram entrevistados coletivamente. Responderam positivamente ao nosso convite 27 alunos que compuseram os seguintes grupos: Grupo1 (G1), Grupo2 (G2), Grupo3 (G3) e Grupo4 (G4), sendo que o G1 e G2 são formados por alunos do curso de Pedagogia e o G3 e G4 por alunos da Licenciatura em Matemática. Decidimos identificar cada aluno dentro dos grupos, pois nos ajudaria a compreender, caso necessário, para além das concepções construídas coletivamente, ou seja, olhar a linha de raciocínio e as concepções individuais. Desse modo, escolhemos as quatro primeiras letras do alfabeto (A, B, C e D), e cada uma delas juntamente com um número identificador foi atribuído aos membros de cada um dos grupos. Abaixo mostramos a codificação utilizada para cada grupo e seus membros:

• G1 – 3 Alunos do 8º período do curso de Pedagogia matutino: A1, A2 e A3;

• G2 – 6 Alunos do 8º período do curso de Pedagogia noturno: B1, B2, B3, B4, B5 e

B6;

• G3 – 13 Alunos do 6º período do curso de Licenciatura em Matemática noturno: C1, C2, C3, C4, C5, C6, C7, C8, C9, C10, C11, C12, C13;

• G4 – 5 Alunos do 8º período do curso de Licenciatura em Matemática noturno: D1,

D2, D3, D4, D5.

As codificações dos professores e dos grupos foram também reutilizadas no momento da designação das Unidades de Significado, mas voltaremos a falar nessa codificação em breve, na análise idiográfica.

5.3.1 A Análise Idiográfica

Cada texto, em sua íntegra, foi organizado em quadros que têm o objetivo de explicitar a Unidade de Sentido, a busca da abertura de compreensões por meio do enxerto hermenêutico, e a fala articulada ou Unidades de Significado (US).

O enxerto hermenêutico foi feito seguindo algumas orientações. Em geral, as explicações de termos foram extraídas de dicionários da língua portuguesa, utilizamos

também explicações buscadas em páginas da web e, em determinados casos, a abertura de compreensões veio do trabalho efetuado sobre os cursos, mediante o estudo dos projetos pedagógicos realizado em nossa pesquisa de mestrado (BAUMANN, 2009). Não fizemos diferenciações no modo da escrita de cada um dos enxertos, mas, de certo modo, fica evidente quando se trata de uma explicação oriunda de dicionários ou de páginas da web ou do trabalho de mestrado.

As Unidades de Significado buscam dizer, de modo tematizado, do sentido que fazem para nós pesquisadores, ou seja, é uma explicitação da compreensão do dito e de modo algum é uma tradução do que foi expresso pelos nossos sujeitos entrevistados. Como já explicitado no item anterior, nesse movimento, ocorre um diálogo entre a interrogação da pesquisa, o contexto da entrevista, os significados abertos pelo enxerto hermenêutico, as experiências do pesquisador, seja de qual ordem forem, pois entendemos que o “modo como vemos o mundo é muito mais complexo do que racionalmente podemos conceber” (MIARKA, 2011, p.42).

Quadro 01 - Exemplo da análise idiográfica realizada com a entrevista dos alunos

Linguagem do sujeito Unidades de Sentido Enxerto Hermenêutico US Asserções articuladas na linguagem da pesquisadora Unidades de Significado (US)

AP: Como percebem a atividade formadora do professor de

matemática dos anos inicias do Ensino Fundamental no curso de Licenciatura em Pedagogia?