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SAMMEN Alene SAMMEN

5.4.1 URBANT LANDBRUK

Na sua versão inicial, o projeto EduLivre foi apoiado e coordenado pelo Núcleo de Aprendizagem, Trabalho e Entretenimento (NATE), associado ao Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Universidade de São Paulo (USP). Voltado à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias para a Educação, este núcleo de pesquisa tem apoiado a melhoria do ensino brasileiro através de projetos multidisciplinares que aliam principalmente engenharia e pedagogia; ele visa atingir camadas diferenciadas da comunidade digital através da concepção, desenvolvimento e implementação de aplicações associadas a modelos de negócio e sustentabilidade, envolvendo software livre e/ou aberto, em diversos segmentos abrangendo, inclusive, a Educação.

No dia 29 de janeiro de 2008, o Lavid/UFPB decidiu, em reunião de planejamento, orientar atividades no âmbito do projeto Edulivre para o desenvolvimento de um AVA, com o intuito de o mesmo ser utilizado como

ferramenta de ensino–aprendizagem em escolas de ensino fundamental5. Inicialmente, este laboratório participou, implementando uma aplicação para o Internet Cultural Space (ICSpace); este, um ambiente virtual desenvolvido para prover, na Web, um espaço aberto, no qual a comunidade artística exibia e publicava obras de arte e, também, destinado a formar grupos virtuais no qual seus participantes podiam trocar idéias por meio de e-mail, integrando artistas e visitantes do ambiente. Saliento que os grupos virtuais são ferramentas disponibilizadas para aproximar interagentes, com vistas à discussão de um tema específico, por meio de mensagens eletrônicas, havendo a presença de um moderador que administra a discussão e gerencia os membros.

Sob os moldes do ambiente ICSpace, os programadores de software do Lavid/UFPB voltaram, inicialmente, esforços para o desenvolvimento de um AVA que possibilitasse a criação e a publicação de conteúdos escolares para serem exibidos na Web. Para tanto, reuniu-se um grupo multidisciplinar composta por um programador de software, um designer gráfico, uma comunicóloga e uma engenheira elétrica.

Segundo os relatórios de atividades do projeto Edulivre, o grupo do Lavid/UFPB, aproveitando a experiência do ICSpace para a produção de conteúdos digitais adaptou, para os seus propósitos e sob o formato de um festival de contos e estórias infantis, a metodologia de trabalho utilizada no Festival Garagem, que consistiu de um festival de música promovido pelo laboratório Natalnet6 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); ademais e aproveitando a funcionalidade do ICSpace para promover a formação de grupos virtuais, o ambiente virtual preterido buscava, também, aproximar e promover o intercâmbio em rede de aprendentes e visitantes do ambiente.

Em fevereiro de 2008 o grupo do Lavid/UFPB selecionou duas escolas para participarem do projeto: uma particular e a outra da rede pública municipal de ensino. Com a definição das escolas, esforços foram orientados para definição, seleção e produção dos conteúdos digitais a serem disponibilizados no AVA.

A produção dos conteúdos digitais se deu por meio de oficinas pedagógicas, denominadas “Cantos&Contos”. Das oficinas, participaram alunos e

5Relatório de atividades projeto Edulivre, produzido por Deisy Fernanda Feitosa, João Pessoa, PB,

em 19 de fevereiro de 2009

professores de ambas as escolas, além do grupo do Lavid/UFPB. Optou-se por aproveitar os trabalhos desenvolvidos e valorizados em sala de aula, os quais podiam ser paródias, literatura de cordel, poesias trabalhadas, lidas e recitadas com os alunos, redações e desenhos por eles elaborados ou quaisquer outros projetos e/ou trabalhos aplicados pelas escolas ou professores, estando eles concluídos ou em andamento.

A seleção dos temas e conteúdos ficou sob a responsabilidade das professoras, com cada escola seguindo um rito diferenciado. Na produção da escola particular participaram alunos dos terceiros anos do ensino fundamental e nos conteúdos produzidos se pôde ler e ouvir poemas. Na escola municipal Prof. Agostinho Fonseca Neto não houve restrições quanto à participação de aluno ou professor nas oficinas; bastava-lhes, para tanto, ter demonstrado interesse no projeto. Devido à boa receptividade na escola, participaram grupos do pré-escolar ao quinto ano do ensino fundamental, o que possibilitou a diversidade de temas e conteúdos produzidos. Nas oficinas, os aprendentes produziram desenhos, realizaram leituras, ensaiaram recitação de poesias, canções e performances para serem digitalizadas.

Durante o mês de maio de 2008 ocorreu a apreensão, em formato digital, dos conteúdos produzidos. O trabalho foi realizado pelo grupo do Lavid/UFPB e consistiu não apenas na digitalização de textos e desenhos produzidos pelos alunos mas também na gravação no recinto das escolas, dos conteúdos ensaiados, incluindo as poesias, músicas e paródias produzidas e narradas por alunos das escolas. A figura 2, a seguir, apresenta momentos dos trabalhos de gravação dos conteúdos digitais realizados na Escola Agostinho Fonseca Neto.

FIGURA 2- A experiência das Oficina “Cantos & Contos” na escola Prof. Agostinho Fonseca Neto FONTE:Dados da pesquisa, 2010.

Como resultado das oficinas nas duas escolas foram produzidas, ao todo, trinta poesias, quinze paródias e músicas, onze redações, seis estórias além de trinta e seis desenhos. Após a produção/digitalização dos conteúdos, iniciou-se a etapa de modelagem do ambiente virtual.

A etapa de modelagem consistiu na criação de um modelo de interface e na organização da arquitetura informacional e navegacional do AVA, da qual participaram o grupo do Lavid/UFPB (programadores de software e o designer de interface) e as professoras das escolas, opinando, estruturando e adequando o ambiente virtual ao contexto das comunidades escolares. O trabalho interdisciplinar, envolvendo conhecimentos da áreas de Informática e Educação, com programadores, designers e professoras trabalhando colaborativamente na implementação do sistema computacional, possibilitou a construção de um “design pedagógico” para a interface do AVA, adequado ao contexto das escolas e ao mundo das crianças (Figura 3).

FIGURA 3– Interfaces para o ambiente, projetadas com a colaboração das professoras

FONTE: OLIVEIRA, F. S. de; CHAGAS, A. A.; BRENNAND, E. G. et al. Ambiente Multiusuário com Suporte Multimídia em Atividades Escolares no Ensino Fundamental: uma Experiência de Uso. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO (SBIE), 2008, Fortaleza. Anais... Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008. p. 04.

Buscando adequar o ambiente virtual ao mundo infantil, optou-se por uma interface lúdica que se reportasse a um ambiente semelhante ao de jogos eletrônicos (figura 3(d)); neste, cada criança era representada por uma identidade digital (avatar), tornando a interação com o ambiente mais descontraída e divertida.

Preocupado com o uso amigável do AVA, o projeto da interface desenvolvido priorizou sua usabilidade; este, um atributo de qualidade do sistema relacionado à eficiência e facilidade de uso do ambiente com vistas a oferecer, aos interagentes, uma experiência estética agradável e uma navegação fácil, intuitiva e rápida, eficiente, atraente, respeitando as capacidades dos aprendentes das escolas envolvidas (AGNER, 2009; CYBIS, 2007; DIAS, 2003; MORAES, 2002).

A análise ergonômica do protótipo do AVA foi realizada em parceria com o Laboratoire Language, Mémorie et Développement Cognitif. Université de Poiters – France. Os trabalhos se estenderam por todo o mês de julho de 2008 e foram efetivados nas dependências do Lavid/UFPB, com o protótipo do software disponibilizado em CD-ROM. Este trabalho foi realizado a partir dos critérios de

Bastien e Scapin (2001), com vistas a analisar os diferentes aspectos da interface do AVA. A inspeção realizada permitiu pôr em evidência as vantagens e os inconvenientes da interface do protótipo desenvolvido conduzindo a melhoria da usabilidade da sistema; colocada à disposição do grupo de programadores e designers do Lavid/UFPB, originou o segundo protótipo do AVA7, específicado para a Web com uma nova interface, forma de apresentação dos conteúdos, funcionalidades e objetos de interação (Figura 4).

FIGURA 4– Interface gráfica do segundo protótipo do AVA desenvolvido8 FONTE: http://www.lavid.ufpb/edulivre (2010)