A metodologia de I-A só se realiza se consideramos algumas técnicas de recolha de dados. Neste contexto, é necessário recolher informações sobre a intervenção, ou seja, terá de ser efetuado um trabalho de campo, sobre a práxis de forma refletiva. E de acordo com Bogdan e Biklen (1994), é com este o trabalho de campo que, “a maioria dos investigadores qualitativos utiliza para recolher os seus dados. Encontram-se com os sujeitos, passando muito tempo juntos no território destes – escolas, recreios, outros locais por eles frequentados” (p.113). Ainda como refere Almeida e Pinto (1976), “as técnicas de investigação são conjunto de procedimentos bem definidos e transmissíveis, destinados a produzir certos resultados na recolha e tratamento de informação requerida pela atividade de pesquisa” (p.78).
Assim, para a realização desta investigação recorreu-se as técnicas documentais e não documentais. Foi utilizada a observação participante, muito recorrente nesta metodologia de I-A, inserida nas técnicas não documentais. E como técnica documental recorreu-se a análise de documentos.
Análise de documentos: Implica uma pesquisa e uma leitura de documentos escritos (oficiais ou pessoais). Foi assim analisado os PEE das instituições com a finalidade de compreender o contexto em que os grupos estavam inseridos, bem como sobre os seus projetos educativos, pois cada instituição conhece a sua realidade e é com base nesta que desenvolve o seu PEE. Ao analisar os objetivos traçados pelo PEE compreendeu-se às necessidades dos diferentes grupos em estudo neste relatório. Ainda foi analisado as fichas individuais dos alunos de forma a poder caraterizar o grupo.
Observação participante: Esta é uma forma muito dinâmica de recolher sistematicamente dados. Bogdan e Taylor (1975) “descrevem a observação participante como uma investigação que se caracteriza por um período de interações sociais intensas entre o investigador e os sujeitos, no meio destes, durante o qual os dados são recolhidos de forma sistemática” (citado por Fino, 2008, p.4). Ainda para Georges Lapassade (1991,1992,2001), a expressão “observação participante” designa o trabalho de campo no seu todo, ou seja desde a chegada do investigador ao local de observação até ao seu término (citado por Fino,2008,p.4).
Spradley (1980) vai mais longe afirmando que esta observação participante permite- nos observar as atividades das pessoas, as características físicas da situação, do ponto de vista social, integrando o investigador no contexto observado (citado por Máximo-Esteves, 2008,p.88).
Desta forma, a observação participante constituiu sem dúvida um bom instrumento de recolha de dados, mas não se pode deixar de referir que aliada a este tipo de observação estão as entrevistas informais.
4.2.1. Instrumentos de recolha de dados
Foi necessário selecionar criteriosamente os instrumentos que fossem eficazes, a dinâmica desta investigação. Recorreu-se, assim aos instrumentos metodológicos tais como os registos fotográficos, artefactos e guiões de entrevistas. Em relação as notas de campo e ao
diários de bordo, surgem na sequência da técnica não documental, a observação participante, estes constituíram uma mais valia para a reflexão de toda esta investigação.
Diário de Bordo: O investigador/professor deverá ter um diário de bordo que servirá para recolher observações, efetuar reflexões e desenvolver diversas hipóteses/estratégias, o que permitirá através deste tipo de registo, desenvolver um pensamento crítico, contribuindo assim para melhorar a sua práxis e responder à questão ou questões da investigação.
Os diários são instrumentos que permitem um registo de dados de situações surgidas na ação pedagógica. Que segundo Zabalza (1994), são instrumentos adequados para “veicular o pensamento dos professores”, pois através destes o profissional de educação pode tomar consciência individual da sua própria prática (p.10). Pois nestes registos contêm descrições e sequências explicativas, salientando um conjunto de notas pessoais, que decorrem na sua prática. As sequências descritivas devem revelar os pormenores não apenas um resumo do geral. Estes devem conter registos pessoais, datados e referenciados em relação ao local ocorrido. Ainda de acordo com este autor, refere que o diário é “a virtualidade mais interessante do diário (…) é o diálogo que o professor, através da leitura e da reflexão, trava consigo mesmo acerca da sua actuação nas aulas” (Zabalza, 1994, p. 95).
Spradley (1980) recorda que os diários devem abarcar sentimentos, emoções e as reações do profissional/investigador. Hobson (2001) refere ainda que é com base nestes registos “pessoais e personalizados” sobre a prática que irão analisar, avaliar e reconstruir as suas ações de aperfeiçoamento com intuito de uma melhoria na sua prática (citado por Máximo-Esteves, 2008, p. 89).
Máximo-Esteves (2008) apresenta os diários de bordo como compilações das anotações expositivas acerca do ocorrido em contexto pedagógico, sob a forma de “notas de campo ou memorandos” realizados com base em observações organizadas.
Após a leitura minuciosa das notas de campo efetuava as reflexões ao longo do dia e da constante luta diária em tentar observar tudo. Era neste diário ao fim do dia que interagia com a minha consciência.
Notas de Campo: São os dados de observação. As minhas notas de campo foram registadas por ordem cronológica e menciona pormenores das minhas observações, no entanto, é após ler minuciosamente as notas que era efetuado o meu diário de bordo, bem com a parte reflexiva.
Registos fotográficos: Estes registos foram utlizados, não com muita regularidade, para a recolha de dados no âmbito da observação participante. Tal como todos os registos efetuados devem conter a essencialmente a data. Este instrumento revelou-se pertinente sempre que se considerou registar com maior fidelidade as situações ocorridas no contexto da intervenção pedagógica.
No entanto, concorda-se com a perspetiva de Bogdan e Biklen (1994), que este tipo de registo aliado à observação participante é “um meio de lembrar e estudar detalhes que poderiam ser descurados se uma imagem fotográfica não estivesse disponível para reflectir” (p.189). Pactua-se ainda como os autores citados quando referem que a utilização da câmara fotográfica é prejudicial ao trabalho de campo, “a câmara enfatiza o papel do investigador como um membro exterior ou dá a impressão que ou ela são espiões” (p.189). No entanto, este tipo de registo permite captar elementos que ocorram na impossibilidade de registo escrito. Foi assim que neste contexto que usei a fotografia para posteriormente analisar e interpretar, pois este instrumento permitiu rever algumas situações da prática, que não foram registadas de imediato.
Artefactos: A análise de artefactos produzidos pelas crianças também é uma fonte de riqueza, pois permite verificar a aprendizagem/evolução das crianças. Estes documentos devem ser organizados de forma cuidada, com a sua respetiva data de forma sequencial. Pois, parafraseando Máximo-Esteves (2008):
(…) é também uma prática comum dos bons professores, interessados na avaliação do sentido do ritmo de aprendizagem dos seus alunos (…) Um processo de organização cuidada, com datação sistemática, transforma os arquivos dos trabalhos das crianças em bases de dados fecundas para compreender as transformações através do tempo (p.92).
Com a combinação dos diferentes instrumentos procura-se que este projeto de investigação seja sólido, não esquecendo de efetuar uma triangulação dos diferentes instrumentos de recolha de dados, pois só assim será possível estabelecer um maior rigor em toda esta investigação efetuada. Esta triangulação é imprescindível nas investigações qualitativas interpretativas, pois só efetuando este cruzamento de dados é possível compreender se a problemática em questão segue a sua melhor estratégia de resolução.
Entrevistas informais: De acordo Máximo-Esteves (2008), as entrevistas informais “aproximam-se da conversação do quotidiano, distinguindo-se desta pela sua
intencionalidade, uma vez que são usadas para obter informações que complementam os dados da observação” (p.93). Neste contexto, foram efetuadas várias conversações informais com os diversos intervenientes educativos, de forma a recolher dados cruciais para tentar solucionarem as questões desta investigação. Que ainda segundo Fino (2008), as entrevistas:
(…) são conversações ocasionais no terreno, portanto não estruturadas, e mediante o estudo, quer de documentos “oficiais”, quer, sobretudo, de documentos pessoais, nos quais os nativos revelam os seus pontos de vista pessoais sobre a sua vida ou sobre eles próprios, e que podem assumir a forma de diários, cartas, autobiografias. (pp.4-5).