Na intervenção educativa tentou-se abordar a matemática de forma lúdica, através de material manipulável e jogos. De acordo com Silva e Kodama (2004), é aconselhado “conseguir conciliar a alegria da brincadeira com a aprendizagem escolar” (p.3). Estes autores citados consideram ainda que a “atividade lúdica é, essencialmente, um grande laboratório em que ocorrem experiências inteligentes e reflexivas e essas experiências produzem conhecimento” (Ibidem,p.3).
A Matemática possui um papel fundamental ao ajudar as crianças a transformarem-se em indivíduos competentes, críticos e ativos nas situações reais. Na faixa etária em que os alunos do 1.º CEB se encontram, a maioria dos seus interesses passa pelo desenvolvimento de atividades lúdicas e para tal cabe ao professor estimular este género de atividades para a aquisição de novos conhecimentos. Não podemos esquecer ainda que está enraizada a crença que a Matemática é difícil e cabe ao professor desmistificar esta crença. Durante a intervenção pedagógica tentou-se sempre uma interdisciplinaridade nos diferentes conteúdos e promover a matemática através de jogos. No entanto, realço aqui essencialmente as atividades no domínio de Números e Operações, dentro do subdomínio do sistema de numeração decimal, em que os alunos construíram o seu próprio material para trabalhar números e operações. Esta construção incentivou o aluno na resolução das atividades propostas. Este tipo de atividade reuniu um conjunto de atividades potencializadoras de estratégias criativas, desenvolvendo aptidões no que diz respeito a este domínio. Valorizar e interligar o conhecimento que o aluno possui, resultantes da vivência de situações
quotidianas, com os conceitos matemáticos é fundamental no sentido de ajudar as crianças a perceberem a utilidade prática da Matemática na vida. Ela está presente no nosso quotidiano e em todos os ramos da ciência e da tecnologia. É essencial que o ensino proporcione ao aluno uma formação sólida em Matemática. O ensino da matemática não se limita a um conjunto de conteúdos matemáticos específicos, mas contribui para a formação geral do aluno. Neste contexto, cabe à escola promover uma relação positiva com a Matemática, interligá-la com outras áreas disciplinares e reconhecer o seu contributo no desenvolvimento científico, tecnológico e cultural. Segundo o programa de Matemática do Ensino Básico, o aluno quando chega ao 1.ºCEB já possuí alguns conhecimentos sobre os números e as suas representações, desenvolvidos informalmente na experiência do quotidiano e no EPE, ou seja, identificam e estabelecem relações simples entre números, sendo esta a base que permitirá desenvolver nos alunos o sentido do número. Assim, podemos dizer que o sentido do número é a capacidade para decompor números e será esta capacidade de cálculo mental e escrito que permitirá resolver problemas em contextos diversificados, sendo nestes contextos que o professor tem um papel muito importante. Desta forma, a utilização de materiais manipuláveis assume-se como indispensável ao ensino e aprendizagem da Matemática, na medida que permite envolver os alunos ativamente, respeitando as diferenças individuais de cada aluno, beneficiando o ritmo particular de aprendizagem e aumentando a sua motivação. Tal como afirma Borin (1996):
Um bom motivo para a introdução de jogos nas aulas de matemática é a possibilidade de diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos alunos que temem a Matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo, onde é impossível uma atitude passiva e a motivação é grande, notamos que, ao mesmo tempo em que estes alunos falam Matemática, apresentam também um melhor desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem (p.9).
É essencial compreender a adição, como uma operação de acrescentar e a subtração, como uma operação de retirar. Para melhor compreender estas operações e tornar a aula mais dinâmica e participativa por parte dos alunos, foi sugerido a construção de dois materiais manipuláveis. A construção de barras de feijão e duas roletas com pratos de papel.
Para a realização desta tarefa distribuiu-se os alunos por grupos com quatro elementos aleatoriamente, pois privilegiou-se sempre os trabalhos cooperativos (ver figura 27).
Figura 27. Construção de material manipulável com feijão
O material construído serviu para trabalhar o domínio de números e operações e tornar a aula mais interativa. A construção do material não só contribuiu para a aprendizagem de conteúdos, como também permitiu desenvolver o trabalho em grupo, pois nesta idade ainda não estão muito aptos a cooperar com os colegas, sendo necessário estimulá-los. Percebi que para o material manipulável obtivesse sucesso na sua aprendizagem, era necessário ter uma explicação exaustiva sobre a sua finalidade, só assim os alunos perceberiam o porquê da construção deste material didático. No caso da construção das barras de feijão foi necessário explicar muito bem o significado da barra de 10 feijões, que correspondia à dezena, os feijões soltos correspondiam à unidade e o cartão de 10 barras de feijões juntos correspondia à centena. Não foi fácil inicialmente iniciar toda esta explicação às crianças, pois para nós adultos que já temos estes conceitos enraizados é difícil desligar desses conceitos, por isso os trabalhos de grupo nestes casos funcionam muito bem, visto terem sempre um colega que consegue explicar o seu raciocínio de forma percetível aos restantes colegas.
Eis alguns exemplos realizados na aula com a utilização das barras de feijão:
4 barras e 6 feijões soltos, qual o número que está a ser representado para que as crianças associem a quantidade ao número.
Sugeriu-se que se junte:
Uma barra de feijões ao 46 e questionar o número que se obteve;
8 Feijões ao 59 e questionar que número se obteve (ao concretizar a operação com os feijões, o aluno sentirá a necessidade de agrupar feijões que serão transportados para a ordem imediatamente superior aquela que está a trabalhar, isto é, os feijões soltos 9 e 8 perfazem 17, que são 1 dezena (nova barra) e 7 unidades.
E por último, trabalhar a adição com transporte. O objetivo é trabalhar o algoritmo da adição, os alunos devem ser incentivados a resolver a adição. Colocou-se a seguinte questão.
O Rui tinha 32 feijões, deram-lhe mais 15. Com quantos feijões ficou o Rui? (D.B. 3.º Semana de estágio de 21 a 23 de outubro de 2013, Apêndice B).
Para construção da atividade da roleta organizou-se a turma em grupos de quatro elementos e distribuiu-se a cada grupo dois pratos de cartolina, uma régua, um lápis e dois ataches para fixar as setas. Os alunos dividiram por 10 espaços (1 a 10) num prato e no outro prato a mesma coisa, mas de 10 em 10 (10 a 100). Depois em grupo elaboraram várias tentativas de adição e subtração, registando no caderno os resultados obtidos, de forma a explorar o material construído.