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A suinocultura, a exemplo de outras cadeias produtivas, também cresceu significativamente, o que pode ser notado ao se analisar os indicadores econômicos e sociais do setor, tais como: volume das exportações, participação no mercado mundial e número de empregos. A atividade evoluiu em termos técnicos e no modelo de coordenação das atividades entre fornecedores de insumos, produtores rurais, agroindústrias, atacado, varejo e consumidores (GONÇALVES e PALMEIRA, 2006 apud ANTONELLI, 2014). Na Tabela 3.2, pode ser observada a evolução do rebanho de suínos no Brasil.

Tabela 3.2- Rebanho Efetivo de Suínos no Brasil

Rebanho (milhões de cabeça/ano) 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Suinocultura 36,82 38,05 38,96 39,31 38,79 36,74

Fonte: Pesquisa Pecuária Municipal- IBGE, 2014.

A crise oriunda da barreira comercial imposta pela Rússia e a Argentina, gerou uma crise sem precedentes para suinocultura, o que não deixou alternativa para os produtores além de disponibilizar o produto no mercado interno, aumentando a oferta. O aumento dos custos

de produção, em função principalmente da alimentação, entretanto, é considerada a maior causa da crise (SCOT, 2012).

A suinocultura quando integrada na agroindústria desenvolve os seus modelos de produção em sistemas produtivos de animais confinados (SPAC), cujo manejo diário pelos produtores está associado aos procedimentos de limpeza e desinfecção das granjas (TAVARES, 2013). De acordo com Bley Junior et al. (2009), o atual modelo da suinocultura brasileira mostra uma redução do número de suinocultores com aumento efetivo de rebanho por unidade de produção, isso se traduz em um aumento da produção de dejetos por área.

Os dejetos produzidos são indicados como a principal causa dos problemas ambientais quando liberados sem controle no meio receptor natural (TAVARES, 2013).

No Brasil, os dejetos produzidos são armazenados em canaletas externas aos edifícios de produção ou, em fossas/valas localizadas internamente, em posição inferior aos animais localizados nas baias, sendo conduzidos por gravidade para os tanques de armazenamento/esterqueiras ou para os biodigestores (TAVARES, 2013).

A destinação e gestão inadequação dos sistemas de manejo e armazenamento da água residuária, levam ao lançamento errôneo dos dejetos em cursos de água, ou no solo, gerando problemas de poluição, podendo comprometer água de consumo humano e animal (AMARAL et al., 2005 apud ANTONELLI, 2014).

Segundo Konzen (2003), a utilização dos dejetos de suínos pode ser feita de forma integral ou com separação de sólidos. O líquido resultante do processo separatório pode-se destinar à fertirrigação, açudes de criação de peixes ou, ainda, como água reciclada para higienização, desde adequadamente tratado. Kunz et al. (2004) afirma que, no Brasil a forma mais utilizada de manejo de dejetos suínos é o armazenamento em esterqueiras ou em lagoas, sendo esta uma opção de menor custo para o produtor e posterior aplicação no solo com fertirrigação. No entanto, a sua utilização posterior deve considerar a necessidade da cultura e dos nutrientes no solo, uma vez que em excesso, pode causar problemas como perda de qualidade tanto no solo quanto na vegetação. Além disso, se não for bem tratado o efluente pode acarretar na contaminação do lençol freático, afetando a qualidade da água subterrânea.

No entanto, a utilização de biodigestores é uma alternativa tecnológica para o gerenciamento dos dejetos de suínos, o que permite a agregação de valor ao resíduo mediante a utilização do biogás produzido em sistemas de geração de energia e calor (PERDOMO et al., 2003). O sistema anaeróbio é mais utilizado no mundo, isto é, sistemas automatizados, resíduos com maiores teor de sólidos, com elevado índice de conversa de biogás, entre outros

(biodigestores de alta tecnologia) diferindo do Brasil que é de média e pequena tecnologia (ABIOGAS, 2015).

As granjas de suinocultura são as que mais utilizam os resíduos para geração de biogás, devido à alta carga orgânica do efluente além do sistema produtivo ser por confinamento, o que facilita o gerenciamento e manejo dos resíduos.

As águas residuárias provenientes da suinocultura, quando comparadas com o efluente doméstico possuem concentração de DBO de até 260 vezes superior. Enquanto a DBO para esgoto doméstico é de 200 mg/litro, a DBO dos dejetos de suínos oscila entre 30.000 e 52.000 mg/litro (GALBIATTI et al., 2010).

Quando comparado com bovinos e considerando a mesma base (kg de peso vivo), os suínos excretam 1,9 vezes mais dejetos que um bovino de corte e 1,3 vezes mais que um bovino leiteiro (aproximadamente 16 t/cabeça.ano) (ENSMINGER; OLDFIELD; HEINEMANN, 1990).

Um exemplo de utilização dos dejetos da suinocultura é a Granja São Pedro Colombari, localizada em São Miguel do Iguaçu, Oeste do Paraná, sendo que o seu foco econômico é a suinocultura em terminação.

A propriedade é pioneira no auto-abastecimento energético no país. Em 2006, foi instalado um biodigestor para tratar a biomassa residual das granjas, produzir biogás e gerar energia elétrica. Após dois anos, a unidade já operava em Geração Distribuída (GD), ou seja, estava conectada à Companhia Paranaense de Energia (Copel) para fornecer energia para a rede. Em 2010, aumentou-se a produção de suínos e, consequentemente, o volume de efluente gerado. Por isso, instalou-se mais um biodigestor para atender à demanda de biomassa residual produzida pelos animais (CIBiogas, 2016).

A granja tem cinco mil suínos, produzindo cerca de 45 m³ por dia de efluentes líquidos, que são direcionados a dois biodigestores de lagoa coberta, que operam em série. O plantel atual possibilita a produção diária de 750 m³ de biogás. Devido as impurezas do biogás (alta concentração de gás sulfídrico), é direcionado para um filtro de absorção com reação química em solução de Fe/EDTA (solução catalítica). Após ser filtrado, ele é aproveitado para geração de energia elétrica por meio de um grupo motogerador de 100 kVA, possui potencial de produção de 50 kWh, convertendo o biogás em mil kWh/dia (CIBiogas, 2016).

Outra iniciativa interessante utilizando os resíduos provenientes da suinocultura foi desenvolvida pelo CIBiogás, por meio do projeto intitulado Cooperativa Agroenergética de Agricultura Família na Bacia Hidrográfico do Ajuricaba, no Município de Marechal Cândido

Rondon, no Estado do Paraná, no qual foram instalados biodigestores individuais em 33 pequenas propriedades rurais. O biogás produzido é transportado por 22 quilômetros até uma planta localizada centralmente entre as propriedades para produção de eletricidade, calor e biometano para utilização veicular (IEA, 2013).