• No results found

Universell utforming av IKT

In document Årsrapport 2016 (sider 67-73)

Del III: Årets aktiviteter og resultater

3.3 Fagområder

3.3.9 Universell utforming av IKT

Conclui-se, portanto, que os dados coletados na Libras apontam para a existência tanto de delimitadores quanto de marcadores discursivos. Identificamos dois tipos de delimitadores, que correspondem a pausas ou silêncio e não constituem itens lexicais propriamente ditos, ou seja, não são sinais passíveis de serem glosados. Nos nossos dados, ocorrem duas formas: BLC – braços ao longo do corpo – e JMC – junção das mãos em frente ao corpo. O primeiro

indica uma pausa relativamente maior e é mais frequente no início e no final do discurso. JMC também pode ocorrer nessas situações, mas ocorre igualmente na delimitação de atos de fala no interior de um discurso mais complexo.

Já os marcadores constituídos por sinais específicos podem ser de dois tipos: marcadores dos atos de fala e de mudanças (mudança de palavra ou de assunto). Os primeiros, glosados, como ENTENDEU? e OK, ocorrem opcionalmente no final de unidades discursivas de naturezas variadas, enquanto MUDE-1 e MUDE-2 ocorrem em posição de coordenação, entre dois constituintes de mesma natureza, dentro de um mesmo ato de fala.

Quanto aos atos de fala, além dos declarativos próprios da narrativa, que constituem o núcleo do discurso aqui analisado, há outros, periféricos, que têm suas ocorrências hierarquizadas de acordo com sua maior ou menor ligação com o núcleo narrativo. Esses atos periféricos são caracterizados (1) por suas constituições internas particulares – ou sinais específicos – como os cumprimentos, ou (2) por uma estrutura do tipo X-Y, na qual X anuncia uma informação e Y constitui a informação nova.

CAPÍTULO 4 – ANÁLISE E DESCRIÇÃO: A CONSTRUÇÃO DO CENÁRIO

Em Libras, antes de se iniciar uma narrativa, é necessário situar os personagens e outros objetos que serão referidos ao longo da história, em uma espécie de cenário, no espaço de sinalização. Esse procedimento constitui a introdução da cena na qual se desenrola a ação e onde ficam localizados os personagens, que são, nesse momento, plenamente descritos por meio de características físicas.

A construção de um cenário anterior à narrativa propriamente dita constitui, de certa forma, uma ampliação da topicalização, própria de línguas com proeminência do tópico (Sp), na medida em que anuncia um contexto no qual as ações vão se desenrolar. Como veremos adiante, essa introdução à narrativa pode incluir orações com núcleo verbal transitivo, o que exclui a possibilidade da interpretação como uma listagem de tópicos, constituídos apenas por nomes. Essa análise alternativa poderia ser considerada, pois muitas orações do cenário são do tipo existencial, equativa ou estativa, constituídas apenas por um predicado nominal. No entanto, a presença de orações com núcleo verbal transitivo leva-nos a preferir a primeira alternativa, uma vez que sugere uma ampliação dos casos documentados na literatura.

Consideramos que esse componente, ao lado das evidências da análise sintática apresentadas no capítulo 5, reforça a interpretação da Libras como uma língua que tem um “espírito de proeminência de tópico” (ao lado de uma proeminência de sujeito, ou seja, uma língua do tipo 3 de Li e Thompson (1976, p. 460).

Esse cenário apresenta características comuns aos atos de fala, como se pode ver na interseção do gráfico 1, no qual está representado o conjunto de atos de fala examinados no capítulo 3 representado pelo primeiro conjunto (em verde amarelado): “Cumprimentos” ou “Anúncio da informação”. No entanto, a construção do cenário distingue-se dos demais atos de fala examinados até agora, porque essa construção tem uma ligação direta com o texto narrativo propriamente dito, representado pelo segundo conjunto (em azul). Ou melhor, a narrativa depende sintaticamente dos elementos “situados no cenário” para as manifestações anafóricas. Assim, na narrativa, as relações sintáticas dos sujeitos e dos objetos flexionados nos verbos passam a ser indicadas por morfemas que se referem a características marcantes dos personagens ou dos objetos físicos colocados no cenário, seja por meio de formas reduzidas dos sinais, seja por meio de classificadores.

Gráfico 1: Intersecção dos constituintes dos atos de fala

O cenário situa-se, portanto, na intersecção dos atos de fala pré-textuais com a narrativa propriamente dita, representado no gráfico pelo terceiro conjunto, correspondente à intersecção (em verde azulado). As características do cenário comuns aos dos atos de fala baseiam-se na estrutura interna de seus predicados, de natureza existencial34, o que os distingue da narrativa propriamente dita, que se caracteriza pela presença de verbos de ação.

Convém notar que, assim como o ato de fala “Eu explico”, a introdução de novos personagens ou objetos físicos secundários no cenário não se limita à posição pré-textual, podendo ocorrer incidentalmente também no interior da narrativa.

4.1 Componentes do cenário

Os componentes dos cenários são os personagens mais importantes da história e algum elemento locativo relevante no contexto. No exemplo (11), a seguir, para situar o interlocutor no contexto inicial da narrativa baseada no filme Pear Film, introduz-se, na foto 1, a árvore ao redor da qual a história se desenvolve.

34

Esse tema requer ainda uma pesquisa mais aprofundada. Por enquanto, observa-se que as sentenças encontradas nesses componentes são traduzidas, em português, por exemplo, por meio de verbos de ligação como ser ou estar, ou ainda com verbos existenciais como haver e ter, refletindo o caráter existencial dessas estruturas, que possivelmente serão identificadas como equativas ou estativas. Excepcionalmente, ocorrem orações com verbos de movimento na descrição do cenário, como “Há um homem pegando frutas”.

In document Årsrapport 2016 (sider 67-73)