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Univariate distributions of fault core and displacement data

4. Discussion

4.3. Discussion on statistical analysis of data

4.3.1. Univariate distributions of fault core and displacement data

Um dos desafios para o funcionamento da Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia foi a composição do corpo docente, conforme um depoimento do médico José Olympio de Freitas Azevedo, que presidiu a comissão para a criação da EMECIU:

[...] porque os médicos de Uberlândia se prontificaram todos a assumir as cadeiras clínicas, nenhum estava preparado para assumir magistério, alguns tinham lecionado fora, tinham sido monitores assistentes. Mas haviam rompido com a vida universitária para fazer clínica no interior. E não houve, portanto, continuidade do seu trabalho docente (Caetano & Dib, 1988, p.68).

Percebe-se que entre os ideais expressos em discursos entusiasmados e a realidade material de se fazer funcionar uma escola de medicina há gritantes diferenças e

enfrentamentos muito exigentes. E a natureza do curso de medicina exige um magistério específico, portanto

Essa constituição do corpo docente foi realmente muito difícil porque as áreas básicas do curso de medicina exigiam muitos profissionais que tivessem habilitação e um trabalho continuados nessas áreas. Anatomia, por exemplo, tem que ser dada por anatomista, não adianta o cirurgião querer dar anatomia, ortopedista querer dar anatomia (Caetano & Dib, 1988, p.68).

Diante desses enfrentamentos de falta de professores habilitados para assumir disciplinas no curso de medicina que acabara de ser implementado,

Alguns médicos da cidade se dispuseram a sair para fazer estágio, fazer treinamento intensivo para assumir algumas disciplinas, mas a grande maioria não queria romper com a clínica porque precisava da clínica para sobreviver, para tratar da família, já que a Escola, inclusive, não podia pagar (Caetano & Dib, 1988, p.68).

Essa situação sugere uma descontinuidade ou desconexão do projeto de se fundar uma escola médica em Uberlândia, porque, como é possível apreender a partir desse depoimento, o apoio do governo central não era total, visto que a Escola era um estabelecimento isolado, com reconhecimento governamental, porém, por ser uma instituição de ensino pago, as providências relativas ao funcionamento ficava a cargo do fundadores e isso incluía a busca por recursos financeiros e humanos. Mas, por outro lado,

Alguns realmente se afastaram da clínica para conseguir essa titulação, fazer um estágio intensivo, mas a grande maioria não podia, não queria sair. Muitos, por causa disso, deixaram o curso, não se tornaram professores. E como trazer pessoas do ciclo básico para Uberlândia, sem muita fonte de renda e sem garantia de continuidade do curso de Medicina, uma obra que era apenas uma promessa, um sonho? (Caetano & Dib, 1988, p.68).

De acordo com o Regimento da Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia (1971,p.19), nas contratações dos professores era observada a regra de que para admissão de professores para regência de disciplina havia o critério de ser aprovado pela Congregação; para os professores adjuntos ou assistentes, o que se exigia era a aprovação pelo Conselho Departamental.

Com a construção do hospital-escola, a EMECIU passou a dispor de um locus de aprendizagem, porém, sua manutenção trouxe impactos nos recursos da mantenedora, significa dizer que, conforme o depoimento do médico José Olympio de Freitas Azevedo, “Quando chegamos à fase clínica, com o funcionamento do hospital, a Escola não teve condições de

continuar porque o pagamento das mensalidades dos alunos não dava para cobrir os gastos com medicamentos, alimentos, instrumental cirúrgico, etc” (Caetano & Dib, 1988, p.68).

Uma das alternativas para atravessar a desafiadora situação financeira da Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia e o hospital-escola, foi um convênio com o Instituto Nacional da Previdência Social, INPS, porém, de acordo com José Olympio,

A campanha de alguns setores médicos particulares, que estavam com medo da concorrência do hospital, continuou para que nós não nos credenciássemos junto ao INPS. A classe médica, inclusive, muitos professores que estavam dentro da Escola de Medicina, não aceitavam que atendêssemos pacientes particulares, que tivéssemos credenciamento do INPS, porque eram sócios dos hospitais da cidade e achavam que tínhamos que atender somente indigentes (Caetano & Dib, 1988, p.70).

Nota-se que havia um conflito de interesses entre muitos médicos e que isso gerava divisão entre os profissionais que, por um lado, queriam continuar na escola médica recém criada, por outro, procuravam resguardar seus interesses particulares no que diz respeito aos atendimentos em suas próprias clínicas e hospitais. Ressalte-se também que nos discursos para justificar a criação da EMECIU estava presente a ideia de se atender à população. Um hospital-escola ter alas de atendimento particular, embora tivesse sustentação porque pertencia a uma instituição particular de ensino médico, estava na contramão da expectativa gerada na sociedade local, afinal, onde estava a coerência com parte do discurso proferido no ato da inauguração da escola médica? No discurso:

Ali, Excia, deverá ser plantado, e plantar é bem o verbo pelos frutos que dará, um Hospital de Clínicas. A Escola de Medicina será dele apenas um curador, no sentido lato e no estrito também, porque as necessidades maiores que reclamam são as de algumas centenas de milhares de brasileiros para os quais a assistência hospitalar tem sido, também e até agora insuficiente, sofrida e pobre (Teixeira, 1968, p.159).

Ainda sobre a composição do quadro de docentes, um depoimento de outro médico, Arnaldo Godoy Souza, um dos fundadores da EMECIU que veio a exercer a função de diretor da escola médica, informa que

Éramos médicos práticos e não tínhamos professores de cadeira básica, então trouxemos quase todos de fora. E na parte clínica dividimos por especialidades, mas também não deu certo pelos afazeres da cidade. Assim, trouxemos de Ribeirão Preto a turma da cirurgia, a clínica médica de Belo Horizonte, a pediatria de Goiânia e Brasília (Caetano & Dib, 1988, pp.71-72).

Essas questões ligadas à organização do corpo docente somente viriam a ser parcialmente contornadas com o fim do processo de federalização, por conta dos salários mais

atrativos e pela regularidade dos pagamentos, o que antes de 1978 era um desafio para os gestores da Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia.