V. Resultados
2. Características de la muestra de los profesionales de enfermería de Brasil y
2.2. Variables laborales analizadas
2.2.4. Unidad de trabajo actual de los encuestados
Hodgson (1998a, 2004b, 2007) retoma o trabalho de Veblen (1898) e o posiciona como o primeiro cientista social a tentar desenvolver uma teoria da evolução econômica em perspectiva darwiniana. A abordagem evolucionária de Hodgson (2004b) e Hodgson e Knudesen (2004) estrutura-se sobre os conceitos de hábitos e rotinas. Por meio destes conceitos, tais autores desenvolvem a noção de Darwinismo Universal. Essa perspectiva emprega analogias biológicas para explicar a evolução através de mecanismos de seleção natural que operam sobre os hábitos individuais e as rotinas organizacionais. A ideia fundamental é o de que os princípios que se aplicam à evolução dos sistemas biológicos são pertinentes aos casos dos sistemas socioeconômicos. Os fenômenos são estruturalmente diferentes, porém os princípios de variação, transmissão, herança e seleção operam sobre ambos, via de mecanismos e elementos próprios de cada sistema.
Os sistemas socioeconômicos evoluem através dos mecanismos proporcionados pela dimensão sociocultural que complementa a sua existência. Neste sentido, os conceitos do Darwinismo Universal aplicam-se aos sistemas socioeconômicos através dos processos socioculturais. Ao tratar-se de fenômenos sociais, os processos análogos aos processos biológicos ocorrem no âmbito da cultura, através do que Boyd e Richerson (1985) denominam evolução através da transmissão cultural. Assim, os mecanismos de evolução, no que diz respeito à mudança econômica e tecnológica, estão intrinsecamente relacionados com a dinâmica aos aspectos socioculturais associados a um grupo social.
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2.2.4.1 O hábito e a mudança institucional
O conceito de hábito emergiu na teoria econômica institucionalista, através de Thorstein Veblen, em seus diálogos com a filosofia pragmatista e a psicologia do instinto de John Dewey e William James. Nessa perspectiva, o hábito é uma propensão, socialmente adquirida pelos indivíduos, a um comportamento particular em situações específicas. Por serem construídos em um contexto sócio-histórico, os hábitos trazem implantados em si regras e normas de conduta através das quais as instituições sociais influenciam a conduta dos indivíduos. Assim, os hábitos são tratados como elementos mediadores entre as estruturas institucionais e a ação individual – individual agency, atuando como mecanismos que reforçam uma propensão à conformidade entre as condutas individuais e as regras e normas sociais. Portanto, os hábitos são constituintes essenciais das instituições, pois lhes asseguram durabilidade, força coercitiva e autoridade normativa. Por sua vez, as instituições induzem a reprodução dos hábitos, criando mecanismos de conformidade e acordos normativos.
As interações entre indivíduos e instituições mediadas pelos hábitos acontecem através de um mecanismo que Hodgson (2007) denomina causação reconstitutiva descendente – reconstitutive downward causation. As instituições agem sobre os hábitos de pensamento e ação, procurando moldar propensões e condutas. Contudo, essa interferência não determina totalmente as condutas e expectativas individuais, causando apenas regularidades parciais e predominantes que asseguram um grau significativo de estabilidade social.
Há uma relação de interdependência entre as instituições e os indivíduos a qual ordena as interações entre as estruturas sociais e ação humana. As instituições dependem dos indivíduos, cujas condutas e expectativas são moldadas e constrangidas por essas mesmas instituições. Quando constrangem as condutas e desenvolvem os hábitos de modos específicos, criam um feedback que lhes conferem capacidades de autorreforço e autoperpetuação social. Deste modo, as instituições são, simultaneamente, estruturas subjetivas internalizadas na mente humana através dos hábitos e estruturas objetivas extrínsecas ao indivíduo que ordenam sua vida social e econômica.
Estas interações entre as instituições e os indivíduos, ordenando e constrangendo condutas causa o surgimento de hábitos e condutas heterogêneos entre os indivíduos, produzindo novas percepções, preferências e tendências. Essas variações no nível dos indivíduos criam a uma variedade de condutas sobre as quais age um mecanismo de seleção. As alterações adotadas com maior frequência pelos indivíduos tornam-se predominantes e são
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incorporadas às estruturas institucionais, modificando as normas e os padrões de conduta. Assim, as instituições se reconstituem a partir dos indivíduos em relações causais que envolvem interações, mediadas pelos hábitos, entre suas estruturas e os indivíduos.
A aplicação do conceito de hábito ao estudo das UPC visa à compreensão do modo como os aspectos socioculturais, especificamente, os hábitos e costumes familiares influenciam as mudanças no padrão reprodutivo. As instituições, neste caso, são as rotinas de trabalho que constituem os sistemas produtivos na condição de regras que ordenam o emprego do trabalho familiar em atividades produtivas. Os membros mais novos das famílias camponesas têm seus hábitos formados num ambiente institucional criado por seus genitores. Essa habituação é realizada através do trabalho familiar empregado em rotinas de trabalho ensinadas pelos membros mais antigos da família. Os mais jovens desenvolvem uma diversidade de hábitos influenciados não apenas pela cultura familiar, mas também pelo ambiente institucional envolvente. Assim, a formação dos seus hábitos envolve diversas influências intra e extrafamiliares, que provocam a diversificação dos hábitos e condutas. No prolongamento do tempo, a ação do mecanismo de causação reconstitutiva descendente produz alterações consideráveis nas rotinas de trabalho da família.
2.2.4.2 As rotinas de trabalho e a evolução socioeconômica
Hodgson e Knudsen (2004) definem rotinas como disposições – ou propensões – organizacionais para determinados padrões de comportamento em um grupo organizado de indivíduos. Tal como os hábitos, as rotinas são elementos humanos de cognição e aprendizado. Assim, a construção de rotinas envolve aprendizado organizacional e a transmissão de conhecimento. Estes autores introduzem os conceitos de replicators e
interactors14 como análogos das rotinas de trabalho e das organizações, respectivamente, propondo uma estrutura analítica para explicar a evolução socioeconômica.
As organizações assumem o papel de interactors cujo modo de interação com o ambiente produz diferentes possibilidades de replicação das suas rotinas. Assim, geram uma diversidade de replicators – ou rotinas, cuja frequência na população é determinada pela
14 A proposta destes conceitos é de Hull (1988, 2001). Os replicators são entidades que transmitem aos seus
sucessores informações relativas à sua estrutura; os interactors são entidades que interagem com o ambiente e entre si, facilitando a reprodução do replicatores. Hodgson e Knudesen (2004) utilizam esses conceitos como analogias para explicar a seleção natural em fenômenos socioeconômicos.
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seleção à qual estão sujeitas. Consequentemente, os mecanismos de seleção agem sobre as rotinas, que ordenam e regem o funcionamento das organizações, durante a interação dessas com o ambiente natural e institucional, causando as mudanças características da sua evolução. O conceito segue o estabelecido por Cohen et al (1996) que definem as rotinas como capacidade executável – um conhecimento tácito – aprendida por uma organização em resposta a pressões seletivas ao repetir uma conduta, um desempenho ou uma atividade em um contexto específico.
Este caminho teórico metodológico aproxima Hodgson e Knudsen (2004) da abordagem de Nelson e Winter (2005), na medida em admitem que as rotinas estejam relacionadas a grupos de indivíduos habituados cujas ações produtivas dependem da sua memória rotineira – procedural memory. Este atributo torna a organização um ambiente onde diversos indivíduos interagem mediados por seus hábitos, bem como por artefatos e tecnologias específicas. Este ambiente físico e social produz as orientações que acionam os comportamentos pelos quais se reproduzem ou modificam partes deste mesmo ambiente, isto é, seus aspectos tecnológicos ou sociais. Portanto, devido à existência dessa memória rotineira, a organização possui propriedades e capacidades que os indivíduos que a constituem isolados não podem ter.
As rotinas são replicadas entre grupos e organizações através do movimento de indivíduos ou da contratação de consultorias, aspectos que permitem a transferência de tecnologias, conhecimentos e experiência entre um contexto e outro. Outros mecanismos de replicação envolvem a imitação ou a cópia de rotinas de modo planejado em nível organizacional. O mecanismo de seleção entre rotinas é definido por Hodgson e Knudsen (2004, p. 293) da seguinte maneira:
[…] Selection involves an anterior set of entities, each interacting with their environment, thereby being transformed into a posterior set, where all members of the posterior set are sufficiently similar to some members of the anterior set, and where the resulting frequencies of posterior entities depend upon the properties of the members of the anterior set evaluated in their environmental context. The environment of any entity can in principle include other existing entities.
Conforme tal pressuposto, este processo implica no surgimento de variações que conservam certas propriedades das rotinas originais, ampliando a população de organizações e rotinas sobre os quais operam os mecanismos de seleção que estabelecem as variações de frequência destes replicators na sua população. Esses mecanismos são os mais diversos e estão relacionados com a especificidade do contexto em que ocorrem inclusive ao ambiente de mercado, à institucionalidade e mesmo ao ecossistema.
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Há, contudo, certas divergências entre Hodgson (2003) e Nelson e Winter (2005) quanto ao conceito de rotina. Os autores da Teoria da Mudança Econômica Evolucionária consideram a rotina um comportamento pré-concebido e estruturado que estabelece as etapas e atividades de um processo produtivo; Em The mystery of routine, Hodgson ressalta a analogia entre os hábitos (individuais) e as rotinas (organizacionais), tratando ambos como predisposições a condutas e não as condutas em si. A questão, neste sentido, é a origem da variação nos sistemas produtivos.
Nelson e Winter (2005) afirmaram que a variedade decorre das buscas por práticas mais eficientes como enfrentamento das adversidades existentes na trajetória da organização. Hodgson (2003), através de uma abordagem orientada pelo Darwinismo universal, considera as rotinas como predisposições organizacionais que estimulam padrões de comportamento em grupos organizados, envolvendo respostas sequenciais a indicações do ambiente que predispõe as organizações a determinadas condutas. Assim, as rotinas podem ser tratadas como replicators que são copiados através das interações entre as organizações e o ambiente institucional. Deste modo, surge uma variedade de rotinas sobre a qual age a seleção natural. As rotinas mais eficientes tornam-se mais frequentes no ambiente o que culmina na formação de nichos onde essas rotinas se tornam predominantes.
A estrutura analítica de Hodgson (2002, 2003) baseia-se no Darwinismo Universal, partindo do princípio que os conceitos inerentes à evolução, isto é, variação, herança e seleção, são aplicáveis tanto aos sistemas biológicos quanto aos socioculturais e econômicas. Nelson (2006) e Witt (2007) opõem ressalvas a tais analogias, ressaltando as particularidades dos processos de mudança sociocultural e, portanto, dificultam analogias simplificadoras. Contudo, Vromen (2008) argumenta que tanto o Darwinismo Universal de Hodgson (2002) quanto a Hipótese de Continuidade de Witt (2007) são passiveis de aplicação à análise da evolução sociocultural e econômica, pois essas abordagens não se excluem, mas tratam de dimensões diferentes do problema dos processos evolucionários.
Nelson (2006) opõe diversas objeções à abordagem do Darwinismo Universal, argumentando que não há como fazer analogias completas entre a evolução biológica e a evolução socioeconômica. A critica de Nelson (2006) é direcionada à tentativa de Hodgson e Knudsen (2004, 2007) para transpor para as ciências sociais conceitos como replicators e
interactors. As barreiras existentes decorrem das diferenças entre os mecanismos,
características e variáveis concernentes aos dois tipos de fenômenos. Tais especificidades exigem uma análise própria das ciências sociais, considerando as especificidades da evolução sociocultural e socioeconômica, mas sem recorrer às analogias da teoria da evolução da
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Biologia. Nelson (2006) admite as possibilidades do Darwinismo Universal, desde que as abordagens estejam abertas ao estudo detalhado dos mecanismos envolvidos na mudança econômica.
A crítica de Nelson (2006) enumera quatro aspectos fundamentais inter- relacionados que diferem a evolução cultural da biológica:
They are, first, the often major role of human purpose, intelligence, and intellectual interaction, both in the generation of variety, and in the selection process. Second, selection criteria and mechanisms seldom involve directly issues of human survival or reproduction. The well being of certain kinds of organizations may be at stake, but often not. Third, the entity that is evolving – aspect of human culture – is a phenomenon that cannot simply be characterized as the aggregation of the population of traits possessed by individuals, but has a collective property. These aspects of the evolution of human culture all are involved in a fourth important difference; the way human individuals and groups are involved with culture and its evolution is different in many ways from the manner in which genes and living entities are related in the evolution of species. (NELSON, 2006, p. 498, grifo meu)
A crítica de Nelson (2006) destaca as especificidades socioculturais da evolução, enfatizando as influências significativas dos sistemas de crenças, preferências e valores sobre as trajetórias de mudanças. Além deste fator, há o papel fundamental da intencionalidade e da inteligência humanas em ação sobre os processos de concepção e seleção de rotinas de trabalho no âmbito das organizações e no ambiente externo. Por sua vez, os aspectos institucionais, especialmente, as relações de poder e influências alteram consideravelmente os mecanismos de seleção. Por fim, o emprego de métodos gene-like, que introduzem os conceitos de
replicators e interactors, de modo generalizado, encontra problemas de aplicabilidade em
função da diversidade de características específicas entre os ambientes socioculturais.
A contribuição da abordagem neo-vebleniana para a estrutura analítica desta tese reside em dois aspectos. Primeiramente, está a função do hábito na dinâmica das instituições menos formais, especialmente, as rotinas de trabalho. A perspectiva de Hodgson (1998a, 2004b, 2007) abre espaço para a inserção dos aspectos socioculturais na estrutura analítica através do conceito de hábito como um elemento explicativo da relação entre a cultura e a atividade econômica. Em segundo lugar, o conceito de organização como uma totalidade composta de indivíduos habituados executando rotinas de trabalho através das quais a organização interage com seu ambiente – natural e institucional – é crucial para compreender as relações entre a UFPC e o contexto onde existe.
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