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Procedencia del hostigamiento psicológico percibida por el personal

II. Marco Teórico

11. Hostigamiento psicológico en personal de enfermería

11.2. Procedencia del hostigamiento psicológico percibida por el personal

O método científico é um conjunto de procedimentos que operacionalizam conceitos através de uma estrutura analítica criada para compreender um fenômeno, identificando as relações causais que o subjazem. Deste modo, constrói-se um objeto de estudo e desenvolvem-se hipóteses a serem testadas com a finalidade de descrever e explicar tal objeto. Portanto, a escolha do método deve basear-se em dois critérios fundamentais: a natureza do objeto e às restrições epistemológicas que ele impõe para os diferentes modos de análise e representação da realidade.

A problemática metodológica gira basicamente em torno de dois eixos. O primeiro, no nível mais aparente, é a construção dos arranjos conceituais e das estruturas analíticas empregadas em procedimentos sobre o objeto de estudo. O segundo eixo, em nível mais abstrato, é formado pelas questões epistemológicas que subjazem à construção do objeto de estudo e pelas eventuais consequências da pesquisa nos campos da ciência onde essa se situa. Kocka (1994, p. 32), apresenta a questão deste modo:

Nada é mais importante para a fixação da posição teórico-científica e metodológica de um cientista social ou de um historiador do que a maneira como ele concebe a relação entre o objeto de pesquisa, os conceitos/a teoria e os interesses (extra- científicos). Com base neste ponto central pode-se – uma vez que se esteja diante de uma posição teórico-metodológica mais ou menos explicitada – descobrir e determinar as ideias que ele tem do relacionamento correto entre teoria e empiria, objetividade e parcialidade, ciência e prática.

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Nestes termos, as soluções metodológicas encontradas pelo pesquisador acentuam a sua subjetividade e extrapolam os limites do campo científico, na medida em que apresentam interpretações peculiares e em diferentes perspectivas sobre o objeto de estudo com consequências tanto científicas quanto sociopolíticas.

A preocupação apresentada no parágrafo anterior orientou a opção pelas teorias econômicas institucionalista e evolucionária como eixo central da estrutura analítica. Tais abordagens baseiam-se no princípio de que a ação humana – human agency – e as estruturas institucionais são interdeterminantes e possibilitam a ocorrência de diversas trajetórias no mesmo território. Essa abordagem possibilita tratar as UPC como uma instituição econômica que evolui de modo diversificado em diferentes frações do mesmo território, exigindo tratamentos específicos para cada caso e recusando abordagens homogeneizantes e unidisciplinares. Portanto, atende-se à preocupação de Kocka (1994), quando este adverte o pesquisador para legitimar suas escolhas teóricas e procedimentos através de argumentos construídos ao longo da própria pesquisa, num constante processo de renovação das categorias e conceitos constituintes da estrutura analítica em função das especificidades do objeto de estudo.

A constante renovação do pensamento na condução do processo de pesquisa assemelha-se ao movimento do pensamento e à relação dialética entre a análise do objeto e a sua reconstituição através da síntese (LEFEBRVRE, 1983). Trata-se de um movimento que, no dizer do Lefebvre (1983, p. 183), “[...] analisa, disseca e destrói” o objeto de estudo a fim de compreendê-lo. No entanto, em seguida tem que reconstruí-lo através de uma síntese, para que, enfim, possa realizar a compreensão pretendida. Nessa segunda fase do movimento, o pensamento emprega conceitos e categorias analíticas a fim de esclarecer a natureza, a essência e a dinâmica do objeto observado.

Esta é a estratégia da racionalidade para compreender o fenômeno com o qual se confronta: “Compreender um ser, um ser vivo ou um objeto, é ver o detalhe no conjunto, o elemento no todo, o órgão no funcionamento do mesmo. Por conseguinte, é preciso reunir a essas duas atividades que, em certo sentido, são opostas: o entendimento e a razão” (LEFEBVRE, 1983, p. 104). Estruturado deste modo, o pensamento torna-se capaz de perscrutar o real, alcançando a totalidade através de agrupamentos sempre mais amplos de detalhes sobre as relações existentes entre os seus elementos. Exatamente, neste aspecto reside o movimento do pensamento, um constante ir e vir entre a análise e a síntese que permite a reconstrução compreensiva do objeto estudado.

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Marx (1996) através da aplicação do seu materialismo dialético deu bom exemplo desta estratégia de abordagem. Este autor compreendeu a dinâmica do fenômeno socioeconômico através do seu movimento histórico e em sua totalidade, indo além da metodologia da economia política centrada na formulação de leis econômicas universais e a- históricas. Assim, preocupou-se em aplicar uma estrutura analítica para observar a totalidade de relações inerentes à sociedade capitalista e, posteriormente, expor a dinâmica dessas relações através de um elemento sintético: o movimento do capital.

O próprio Marx, ao refutar a acusação de idealista que lhe faziam seus críticos, adverte sobre sua estratégia de pesquisa:

É, sem dúvida, necessário distinguir o método de exposição formalmente do método de pesquisa. A pesquisa tem de captar detalhadamente a matéria, analisar as suas várias formas de evolução e rastrear sua conexão íntima. Só depois de concluído este trabalho é que se pode expor adequadamente o movimento real. Caso se consiga isso, e espelhada idealmente agora a vida da matéria, talvez possa parecer que se esteja tratando de uma construção a priori (MARX, 1996, p. 140).

O autor ressalta bem a diferença entre a análise e a síntese, isto é, entre a realização da pesquisa sobre o fenômeno e a reconstrução da sua estrutura e da sua dinâmica. A sua opção por essa estratégia de análise fez com que Marx iniciasse sua investigação através das relações de produção para compreender o movimento do capital. Porém, a exposição do fenômeno foi iniciada através do conceito de mercadoria, pois o mesmo permitiu-lhe expor claramente o encadeamento de relações contraditórias que está na essência da reprodução do sistema socioeconômico.

Por fim, um último aspecto do método de Marx (1996), percebido pelo crítico que este autor cita longamente no posfácio da segunda edição de O Capital indica uma característica da pesquisa em Economia:

[...] a vida econômica oferece-nos um fenômeno análogo ao da história da evolução em outros territórios da Biologia. [...] Os antigos economistas confundiram a natureza das leis econômicas quando as compararam às leis da Física e da Química. [...] Uma análise mais profunda dos fenômenos demonstrou que organismos sociais se distinguem entre si tão fundamentalmente quanto organismos vegetais e animais. [...] Sim, um mesmo fenômeno rege-se por leis totalmente diversas em consequência da estrutura diversa destes organismos, da modificação em alguns de seus órgãos, das condições diversas em que funcionam etc. [...] Marx, ao se colocar a meta de pesquisar e esclarecer, a partir desta perspectiva, a ordenação econômica do capitalismo, apenas formula, com todo rigor científico, a meta que deve ter qualquer investigação exata da vida econômica. [...] O valor científico de tal pesquisa reside no esclarecimento das leis específicas que regulam nascimento, existência, desenvolvimento e morte de dado organismo social e a sua substituição por outro, superior (MARX, 1996, p. 140).

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A considerar-se os argumentos apresentados nessa passagem pelo crítico anônimo de Marx, e contrapondo-as às preocupações de Veblen (1998), quando indaga por que a Economia não é uma ciência evolucionária, pode-se conjecturar que se trata de uma questão de opção metodológica. Logo, o desafio está em definir uma abordagem que, respeitando as limitações impostas pelo objeto de estudo, permita avanços teoricometodológicos que ampliem a sua compreensão.