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55 A busca por uma economia mais verde, baseada na sustentabilidade, reserva um papel de destaque para as florestas, a silvicultura e os produtos florestais e arbóreos (FAO, 2011). Segundo o PNUMA (2011) uma economia verde resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e em menores níveis de desigualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez de recursos de origem ecológica. A diminuição dos riscos ambientais contribui consequentemente, para a conservação da biodiversidade e preservação das florestas.

A biodiversidade é um dos recursos mais valiosos e para a sua manutenção e melhor aproveitamento, é preciso que a mesma seja mais bem conhecida, com base em levantamentos e estudos taxonômicos (Goulart, 2007).

O Brasil possui a maior biodiversidade do planeta distribuída em seus sete biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Costeiro, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal,

Dentre estes biomas merece destaque a Amazônia. A floresta Amazônica é considerada a maior floresta tropical úmida do mundo e possui em torno de 5,5 milhões de quilômetros quadrados e um terço de todas as espécies vivas do planeta. A estimativa existente é de que a Floresta Amazônica abrigue mais de cinco milhões de espécies vegetais, das quais apenas 30.000 foram identificadas.

Outro BIoma que merece destaque é o Cerrado. Este Bioma também recebe o nome de „savana brasileira‟ e engloba os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Bahia e São Paulo.

O Bioma Cerrado é considerado um „hotspot’ mundial da biodiversidade com cerca de 11.627 espécies de plantas vasculares catalogadas e em torno 90.000 espécies de insetos. O Cerrado vem sofrendo forte pressão pela expansão de fronteiras agropecuárias, refletindo em uma redução de aproximadamente 50% de sua cobertura

56 vegetal nativa (MMA, 2013). Essa pressão agrícola torna o ambiente no Bioma Cerrado propício ao surgimento de novos patógenos, incluindo patógenos virais.

Além da importância do ponto de vista de biodiversidade, áreas florestais compreendidas nos sete biomas, apresentam também grande importância econômica.

Em nível mundial a área florestal compreende pouco mais de quatro bilhões de hectares, o que corresponde a aproximadamente um terço da área terrestre (FAO, 2010). O setor florestal é responsável por uma média de 2% do PIB mundial (FAO, 2012) e os produtos advindos deste setor são classificados em produtos florestais madeireiros (PFMs) e produtos florestais não madeireiros (PFNMs) (FAO, 1998 e MMA, 2014).

No Brasil, os PFMs, em grande parte, vêm de florestas plantadas em monocultivos principalmente com as espécies de Eucaliptus e Pinus. Os PFNMs, em sua maioria, são retirados das florestas nativas e usados na indústria alimentícia: açaí (Euterpe oleracea), araçá (Psidium araca), úmbu (Spondias tuberosa) e palmito (Syagrus oleracea); na indústria cosmética: cupuaçu (Theobroma grandiflorum), castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), açaí, andiroba (Carapa guianensis), buriti (Mauritia flexuosa), pariparoba (Piper peltatum); indústria farmacêutica: copaíba (Copaifera langsdorfii), jenipapo (Genipa americana), sucupira (Pterodon spp.), barbatimão (Stryphnodendron adstringens) e na indústria de limpeza: eucalipto e côco (Cocos nucifera).

No presente trabalho optou-se pelo uso de espécies arbóreas em substitiuição ao termo espécies florestais principalmente pelo fato de que de acordo com termos conceituais da área todas as espécies florestais são arbóreas, entretanto nem todas as espécies tidas como arbóreas são florestais.

Algumas espécies arbóreas principalmente do Cerrado, já são amplamente utilizadas na arborização de parques e jardins no Distrito Federal e entorno. Dentre elas

57 podem ser citadas: mulungu (Erytrhina velutina), paineira branca ou barriguda (Ceiba glaziovii), paineira rosa (Ceiba speciosa), ipê (Handroanthus spp., Zeyhera spp., Tabebuia spp.), pata de vaca (Bahuinia spp), cumbuca de macaco (Lecithys pisonis), mutamba (Guazuma ulmifolia), jenipapo (Genipa americana), ingá (Inga spp.), dentre outras. Outras espécies vêm sendo introduzidas na alimentação através de sucos, sorvetes, bolos, geléias e doces pequi - Caryocar brasiliensis, cagaita, baru, araticum, araçá, pitanga (Eugenia uniflora) e murici (Byrsonima crassifolia), dentre outras.

Na arborização do Distrito Federal também podem ser encontradas espécies introduzidas como jambo rosa (Syzygum malacense) e resedá (Lagestroemia indica) introduzidas da Polinésia e Ásia (Silva Jr, 2010).

Os problemas fitossanitários no cultivo destas espécies podem ocorrer em pré- ou pós-emergência, destacando-se principalmente problemas com pragas e patógenos fúngicos (Alfenas et al., 2004). Fungos causadores de „damping-off’ correspondem a um dos principais problemas nesta fase de desenvolvimento da planta. Quanto às pragas, principalmente em ambientes tropicais, os principais problemas ocorrem devido as formigas cortadeiras e os lepidópteros desfolhadores (Zanúncio et al., 1992; 1993; Della Lucia, 1996), bem como os coleópteros (Gray, 1972).

Estudos de vírus em espécies arbóreas são raros no país. Este fato pode ser explicado pelas características intrínsecas dos vírus.

Em outros países existem vários estudos mostrando que as viroses estão relacionadas a declínios de florestas européias e norte americanas (Nienhaus & Castello, 1989; Jamalainen, 1957; Kegler et al., 1996; Arndt et al., 2007). Algumas espécies virais são específicas de plantas arbóreas e florestais e outras correspondem a vírus importantes de espécies cultivadas.

58 Entre os vírus encontrados infectando espécies arbóreas estão o Elm mottle virus - EMV (Jones & Mayo, 1973; Schmelzer et al., 1966), Cherry leaf roll virus - CLRV (Ford et al., 1972), Tomato bushy stunt virus - TBSV (Novak & Lanzova, 1980) Arabis mosaic virus - ArMV (Thomas, 1970), Tobacco ringspot virus - TRSV (Fulton, 1969) e European mountain ash ringspot-associated virus - EMARaV (Jamalainen, 1957; Kegler et al., 1996; Mielke & Muehlbach, 2007).

Algumas espécies virais importantes para a agricultura apresentam ampla gama de hospedeiras entre angiospermas e gminospermas. De acordo com Scholthof et al. (2011) merecem destaque algumas espécies virais classificadas nos gêneros Begomovirus, Cucumovirus, Potyvirus, Tobamovirus e Tospovirus.

Algumas espécies virais importantes no país classificadas nestes cinco gêneros são listadas a seguir: gênero Cucumovirus (Cucumber mosaic virus - CMV), Tospovirus (Groundnut ringspot virus - GRSV, Tomato chlorosis spot virus - TCSV, Tomato spotted wilt virus - TSWV e Zucchini lethal chlorosis virus - ZLCV), Potyvirus (Potato virus Y- PVY, Watermelon mosaic virus - WMV, Papaya ringspot virus - PRSV, Zucchini yellow mosaic virus - ZYMV e Pepper yellow mosaic virus - PepYMV), Tobamovirus (Pepper mild mottle virus - PMMoV) e Begomovirus.

De acordo com Farias (2012) plantas nativas do Cerrado são hospedeiras de importantes espécies virais classificadas nos gêneros Tospovirus (GRSV e TSWV), Potyvirus (PVY) e uma espécie de Begomovirus

Estes resultados refletem a necessidade e importância do estudo de espécies virais na interface vegetação nativa e áreas cultivadas. Grande parte dos vírus de plantas é disseminada através de vetores, principalmente insetos e ácaros, facilitando o trânsito de vírus entre ecossistemas naturais e agrícolas.

59 Neste contexto este trabalho foi realizado visando analisar amostras coletadas em Área de Proteção Ambiental (APA) localizada na Estação Experimental de Biologia (EEB) - Universidade de Brasília, viveiro do CRAD (Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas) e NOVACAP (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) quanto à presença de 12 importantes espécies virais distribuídas nos gêneros Begomovirus, Cucumovirus, Potyvirus, Tobamovirus e Tospovirus.

Um total de 148 amostras (distribuídas em 78 espécies botânicas) foi analisado. Várias destas espécies, nativas do Bioma Cerrado, são importantes e amplamente utilizadas como alimento, fonte de madeira, subprodutos para fármacos e arborização do Distrito Federal e Entorno.