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Grande parte da população mundial vive hoje em cidades, com acesso contínuo a serviços públicos essenciais, fundamentais para o conforto e a qualidade de vida das pessoas. Em um mundo globalizado e altamente competitivo, a disponibilidade de serviços com a qualidade necessária passa a representar um diferencial estratégico e de desenvolvimento. Neste sentido, a implantação e o manejo da arborização das cidades constituem-se em mais um serviço público ofertado, como estratégia de amenização de impactos ambientais adversos devido às condições de artificialidade do meio urbano, além dos aspectos ecológico, histórico, cultural, social, estético e paisagístico, que influenciam a sensação de conforto ou desconforto das pessoas (CEMIG, 2011).

A arborização urbana consiste na cobertura vegetal de porte arbóreo existente nas cidades, a qual ocupa três espaços distintos: as áreas livres de uso destinado ao público; as áreas livres de uso particular e aquelas que acompanham o sistema viário. De acordo com o IBGE (2013), no Brasil, os domicílios mais arborizados (árvores em volta de quarteirões, calçadas ou canteiros), com exceção de Goiânia, concentram-se nas regiões Sul e Sudeste do país. Nas regiões Norte e Nordeste, as capitais Belém, com 22,4%, e Manaus, no meio da Floresta Amazônica, com 25,1%, têm os menores percentuais de arborização. Já Brasília ficou na 12ª posição no ranking. A cidade foi concebida com parques e jardins entre as quadras do Plano Piloto, entretanto as condições de infraestrutura das cidades satélites reduzem consideravelmente o índice de arborização do Distrito Federal (DF) como um todo.

A escolha de árvores mais adaptadas ao meio urbano deve ser muito criteriosa. Cuidados imprescindíveis em projetos de arborização incluem a correta escolha da espécie de acordo com suas particularidades e condições do local, bem como valores culturais e ambientais da cidade (Schuch, 2006; Gonçalves et al., 2004; Copel, 2007). Pivetta & Silva

19 Filho (2002) apontam ainda vários fatores a serem considerados no processo de arborização, dentre eles a rede aérea de energia é o fator importante que interfere de forma decisiva no plano de arborização das cidades. Para Milano & Dalcin (2000) a explosão imobiliária na década de 1960 propiciou a perda dos jardins privados, contribuindo para a impermeabilização do solo e o patrimônio das áreas verdes das cidades ficou cada vez mais restrito à arborização de ruas, praças, parques e maciços florestais.

Na escolha de espécies para arborização, recomenda-se a diversificação das espécies por dois motivos básicos. O primeiro deles é evitar a monotonia na paisagem e o segundo é evitar problemas de pragas e doenças (IPEF, 2006). O recomendado é que populações individuais não ultrapassem 10 ou 15% da população total, no entanto é conhecido que em muitas situações ocorre a prevalência de uma única espécie. Um levantamento de espécies arbóreas realizado por Graziano et al. (1987) em Jaboticabal (SP) mostrou que Nectandra saligna (canela-preta, família Lauraceae) correspondia a 43% do número total de plantas usadas na época para arborização. Anos mais tarde, Freitas et al. (1992) relataram a ocorrência de uma coleobroca (Cratosomus curassaviensis) o que acarretou o decréscimo na porcentagem de indivíduos de plantas para 7,8% . Pivetta & Silva Filho (2002) reúnem alguns dados de Freitas et al. (1992); Machado et al. (1992) e Sousa et al. (1997) ao relatar várias pragas e doenças ocorrendo em espécies arbóreas usadas no Distrito Federal. O tema é preocupante, tendo em vista que o controle químico de pragas e doenças no ambiente urbano não é recomendado por razões de segurança da população.

1.5.1. Espécies indicadas para arborização: Brasil e Distrito Federal

Várias espécies de árvores são indicadas por Santos & Teixeira (1991), Guia (1988) e Pivetta & Silva Filho (2002) para arborização. Dentre elas podem ser citadas: acácia mimosa (Acacia podaliriaefolia), bauínia blaqueana (Bauhinia blakeana), unha-de-vaca (Bauhinia

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variegata), manacá de jardim (Brunfelsia uniflora), pau-brasil, outras espécies do gênero Caesalpinia, pau-mulato (Calycophyllum spruceanum), várias espécies de Cassia, cedro-rosa (Cedrela fissilis), paineira (Chorisia speciosa), flamboyant (Delonix regia), mulungu (Erythrina verna), espécies de Hybiscus, jacarandá de jardim (Jacaranda brasiliana), Jacaranda spp, mirindiba rosa (Lafoensia glyptocarpa), resedá (Lagerstroemia indica), sapucaia (Lecythis pisonis), ipês (Handroanthus spp.) e quaresmeira-rosa (Tibouchina granulosa), dentre outras.

Espécies provenientes do bioma Cerrado vêm sendo amplamente utilizadas na arborização de praças, parques e jardins do Distrito Federal (DF) e entorno, devido a sua adaptabilidade e qualidade estético-visuais. Entre as comumente utilizadas estão: a sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), amburana (Amburana cearenses), ipês, pequi, feijão-cru (Lonchocarpus muehlbergianus), ingá (Inga spp.), angico, jamelão (Syzygium cumini) e quaresmeira. A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), criada em 1956, tinha como finalidade única gerenciar e coordenar a construção de Brasília. Atualmente a NOVACAP atua na manutenção das vias e áreas verdes do DF e entorno. A NOVACAP possui dois viveiros. O Viveiro I foi criado em 1960 e produz arbustos, palmáceas, herbáceas e flores, folhagens e plantas ornamentais, utilizadas no plantio dos canteiros da cidade. O outro, o Viveiro II, foi fundado em 1971, para produção de mudas de árvores, com capacidade total de 300 mil unidades/ano. O Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas - CRAD é um centro de caráter multidisciplinar da Universidade de Brasília. O objetivo do CRAD é promover e divulgar cientificamente, os estudos e pesquisas, atividades de extensão em conservação da natureza e recuperação de áreas degradadas, visando aprofundar os conhecimentos relativos a este setor.

21 Dentre os principais problemas no cultivo de espécies árboreas em ambientes tropicais estão as formigas cortadeiras e os lepidópteros desfolhadores (Zanúncio et al., 1992; 1993; Della Lucia, 1996), bem como os coleópteros (Gray, 1972). Na arborização urbana do Distrito Federal, de acordo com Machado et al. (1992); Wielewski & Auer (1997) e Pivetta & Silva Filho (2002) as principais pragas são as formigas (principalmente as saúvas: Atta sexdens rubropilosa), brocas, cochonilhas e lagartas.

Quanto aos patógenos, fungos, nematoides, bactérias e vírus podem acometer estas espécies árboreas. De acordo com Machado et al. (1992); Wielewski & Auer (1997) e Pivetta & Silva Filho (2002), os principais patógenos ocorrendo em arbóreas do DF foram espécies de oídios (forma sexuada e assexuada); ferrugens e Alternaria. Nada foi mencionado sobre bactérias e vírus. Machado et al. (1992) relataram ainda a ocorrência de Meloidogyne spp. em ipê. Algumas espécies virais podem infectar espécies florestais e arbóreas. Segundo Lass (1985) o Cacao swollen-shoot virus - CSSV (gênero Badnavirus, família Caulimoviridae) pode causar doença em plantas de cacau e em plantas da família Malvaceae. Exemplo importante a ser citado também refere-se a morte de várias plantas da espécie Cassia macranthera acometida pelo Cassia mild mosaic virus (CMMV) no DF e entorno (Lin et al, 1980).