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5.3 La tolérance

5.3.4 Une affaire difficile: les juifs

Como discutido anteriormente, o ambiente de trabalho – a rua –, aparentemente, está do lado oposto ao espaço restritivo de um escritório ou de uma empresa. A organização de trabalho em que estão inseridas não se caracterizam como uma organização taylorista,

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fordista, artesanal, em que uma máquina dita o ritmo corporal de trabalho ou em que há a liberdade de criação e o respeito ao tempo do próprio artesão. Tampouco se iguala na ruptura que passa a existir dentro indústria entre concepção e execução do trabalho, em que a trabalhadora se vê desapropriada de seu conhecimento e experiência. Neste espaço da indústria é “proibido” conversar, rir, brincar, pois dessa forma não há produção (SANTOS, 1999).

Aparentemente, o espaço da rua se contrapõe ao restrito da organização industrial. Proporcionando maior liberdade de movimentos, de interação, de alternativas, de tempo, assim como a rua se apresenta, como um espaço de liberdade, onde cada um cuida de si. Sendo assim uma parte da representação do ambiente de trabalho no discurso das trabalhadoras garis.

Entretanto, a visão sobre o seu trabalho é ambígua. Ao mesmo tempo que o discurso ressalta o caráter libertário de trabalhar na rua e a contraposição à uma fábrica ou um escritório, espaços fechados, em que há “encheção de saco” de superiores, também é presente no mesmo discurso o incômodo relativo a rotina do trabalho. De forma menos direta, em alguns casos, o desconforto relativo a pressão sofrida pelos fiscais é constante.

Este desconforto pode ser observado quando a entrevista se alongava por mais tempo que o esperado, ou por eu interrompê-las durante o trabalho para tentar conversar. Em diversos desses momentos, olhos atormentados procuravam ao redor se o ou a fiscal estavam por perto, ou relógios e celulares eram consultados para saberem se estava na hora do ou da fiscal passar para inspecionar o trabalho.

Ao falar sobre a rotina do labor existiam duas possibilidades de inspeção ou acompanhamento do trabalho por fiscais. Ou o/a fiscal passava pelos trechos uma ou duas vezes por dia, ou estavam rondando o trecho de forma frequente durante o dia. No primeiro caso, o trabalho parecia mais agradável para as trabalhadoras, pois a vigilância não é constante, o/ fiscal comparece aos trechos mais ou menos no mesmo horário todos os dias, então, as trabalhadoras garis se organizavam para o período de tempo que o/a fiscal iria passar. Assim, não existia uma sensação (grande) de vigilância e de pressão, mas de um acompanhamento do trabalho. Porém, mesmo assim, o ritmo de trabalho não segue o da própria trabalhadora, uma vez que o aceleram para estarem no lugar previsto quando a

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fiscalização passar. Contudo, depois disso, sentem-se mais tranquilas para continuar a jornada seguindo um ritmo mais confortável para elas.

A dupla de trabalho Clarice e Amanda, cujo fiscal passa apenas de manhã, conta que o trajeto que devem percorrer é de duas quadras residenciais do Recanto das Emas mais a estrada do Núcleo Rural Vargem da Benção, que está localizada à margem da BR-60 e utilizada para a entrada ao Recanto das Emas, mais conhecido pelos moradores como “Fazendinha”. O comprimento desta estrada é de aproximadamente dois quilômetros e sua forma aparenta um vale, sendo assim, existe uma descida e subida acentuadas, e deve ser limpa dos dois lados da estrada, assim, as trabalhadoras vão por um lado e voltam pelo outro lado da pista, somando quase quatro quilômetros. Entretanto, não são todos os dias que elas devem limpar este local, e são avisadas quando chegam para bater o ponto caso precisem limpar a “Fazendinha”. Já, a distância entre as quadras, em linha reta, é de aproximadamente um quilômetro, porém, elas devem limpar todas as ruas entre as casas, o que aumenta muito esta distância.

Clarice diz que nos dias que precisam limpar a “Fazendinha”, já fazem este percurso antes das quadras, para quando o fiscal passar não reclamar. Dessa forma, este dia além de ser mais cansativo fisicamente por ser uma distância maior e possuir mais subidas e descidas, ainda também é mais cansativo emocionalmente, já que devem trabalhar mais rápido para cumprir a meta do trabalho todo.

Já o grupo que descreve a atuação de fiscais como contínua e frequente durante a jornada são as que aparentaram maior ansiedade e medo durante as entrevistas. E esta situação está relacionada ao turno de trabalho. As trabalhadoras que atuam no turno noturno são as que mais são vigiadas por fiscais. No Setor Comercial Sul, por exemplo, o fiscal fica do outro lado da rua, sentado em um banco, observando o trabalho. As trabalhadoras sequer paravam o trabalho por um instante para conversar comigo, para logo em seguida, negar responder perguntas por medo de represálias, com os olhos sempre atentos ao fiscal.

A pressão a que trabalhadores e trabalhadoras estão submetidos para cumprirem metas, tempos, produção, etc. pode comprometer o bem-estar durante o trabalho e até a saúde mental e física. Já que os níveis de ansiedade, de auto-cobrança, de velocidade para cumprir o trabalho aumentam.

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Sendo assim, tendo o arcabouço apresentado, foi possível apreender como as condições de trabalho, assim como sua organização influenciam nos estados de saúde e bem- estar das trabalhadoras garis. E como também cumprem papeis ambíguos e contraditórios, em que ora, este trabalho e suas condições, como o ambiente em que ele é executado – rua - , é sentido como positivo e gerador de maior liberdade, como também o é como o local que oferece perigo para as trabalhadoras.

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4. CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE E OS PROCESSOS DE