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5. ULF forsøksvirksomhet – struktur og organisering

5.3. Umeånoden

Observar a maneira como as pessoas se misturam e se agrupam é fundamental para se compreender a estrutura social dinâmica. Psicológica e socialmente, as fotografias fornecem um diagrama das relações espaciais das aglomerações. [...] Cada cultura tem determinados modos estabelecidos de lidar com o espaço. (COLLIER JR., 1973, p. 56).

Os espaços podem nos mostrar como as pessoas se comunicam dentro de suas culturas, seus costumes e filosofias de vida. Os hábitos desenvolvidos dentro de uma comunidade podem ser compreendidos quando se adentra na vida cotidiana do local estabelecendo uma relação de intimidade. A construção social do homem se dá através, antes de tudo, da relação que existe entre ele e o universo que habita, numa interrelação entre os dois mundos, o do indivíduo e o do mundo exterior, em que cada um influencia diretamente no outro.

Os estudos fotográficos podem mostrar esses hábitos a que são referidos em relação ao objeto estudado de uma cultura por um pesquisador. A fotografia tem a característica ímpar de representar a natureza espontânea do homem em habitat natural. Cartier Bresson, o pai do fotojornalismo, defendia “o instante fotográfico” como momento decisivo, em que propunha uma tomada fotográfica no seu gesto instantâneo em que o fotógrafo capturava a essência do momento decisivo de uma fotografia pelo surpreendente clique fotográfico. É claro que na fotografia é importante perceber variadas maneiras do “fazer fotográfico” entre o espontâneo e a foto produzida. Mas aqui é feita uma referência ao instante genuíno da espontaneidade no flagra de uma cena. A etnografia oscila entre as duas possibilidades, a pose e o flagrante. A natureza espontânea da realidade que está inserido o indivíduo é rica em dados para construção da investigação do pesquisador.

Os elementos visuais deflagram os hábitos, valores e comportamentos do homem na sociedade. A observação da cultura dar-se-á, na antropologia visual, com a máquina fotográfica como instrumento de escrita e coleta de dados representados nas imagens.

A vida social do sujeito está representada nas imagens produzidas pelo etnógrafo por meio dos símbolos e ícones encontrados nas fotografias produzidas em campo. Mais uma vez a fotografia cumpre o seu papel de ser etnográfica e desempenha sua função dentro das ciências sociais.

A câmera nos oferece frações de tempo que podem ser avaliadas e acrescentadas ao fluxo rápido do tempo. Diversas interações momentâneas podem ser avaliadas e comparadas, interação de minutos, hora, dias, semanas e mesmo um ano inteiro, podem ser calculadas a partir de observação cronometradas do fluxo de vida numa rua de um povoado. O grande valor de uma câmera é que ela pode fazer um registro repetitivo, cobrindo muitas combinações de intervalos. (COLLIER JR., 1973, p. 52).

A fotografia como instrumento de pesquisa social nos guia a um universo cultural rico, oferecendo a experiência de conhecer por meio de detalhes congelados em instantes a realidade do objeto estudado. Ela representa a interação social do homem por meio de sua linguagem visual, ela flagra, registra, coleta e mostra os dados a que tanto o antropólogo se refere em seus textos descritivos de campo.

A fotografia apresentada pelo pesquisador somente mostra aquele instante exato flagrado, outras informações certamente ficam de fora neste momento do clique, informações que certamente existem não entram dentro de cena. A imagem apenas indica a situação específica daquele instante. A realidade ora registrada pode mudar, aliás, certamente mudará, tudo flui, as águas do rio mudam e nenhum sociedade é estática. As sociedades evoluem, os hábitos se reconfiguram, mudando a realidade daquela cultura, ainda que traço tradicionais permaneçam sempre numa mesma história sociocultural de uma comunidade. A fotografia capta apenas alguns dados que são utilizados em pesquisa. Mas nem por isto ela se torna menor e perde a sua força e rica contribuição na pesquisa etnográfica. Ela ainda é um forte instrumento na coleta de dados numa demonstração social dos aspectos de vida do indivíduo.

Há ainda que se considerar o uso da fotografia como arquivo e como esta pode ser utilizada como dado comparativo das transformações sociais que passam uma sociedade. Ela, a fotografia, nunca perde o significado se bem utilizada pelo antropólogo. Manter viva a cultura dos povos é sem dúvida, uma característica da imagem fotográfica.

A câmera oferece ao pesquisador a análise da construção de realidades, mostra como uma família se comporta, como os grupos e subgrupos sociais interagem entre si, e como a sociedade se constrói a partir da postura desses grupos e suas realidades.

Para John Coolier Jr. a câmera reúne milhares de elementos concretos a serem interpretados na comunidade pesquisada, ao contrário do olhar humano que registra momentaneamente perdendo a minuciosidade dos elementos visuais a serem estudados. Assim estes elementos, com o passar do tempo, perdem-se na memória do pesquisador ou ainda mudam ou desaparecem. Acredito que a memória fotográfica difere muito da memória humana tendo a capacidade da fidelidade na captura de dados, e precisão. Os milhares de elementos visuais que estão representados numa fotografia podem ser melhor utilizados

dentro da pesquisa se ficarem estaticamente registrados num estrutura visível e palpável, ao contrário de uma memória humana escorregadia.

Para que a fotografia cumpra o seu destino no fazer etnográfico é necessário saber ler e reconhecer elementos visuais para compreender traços de uma cultura representados numa escrita imagética. Ler imagens é imprescindível neste momento da pesquisa. Como o antropólogo irá analisar as imagens produzidas em campo se não tiver domínio do texto visual? Reconhecer o homem representado em imagens e decodificar seus elementos culturais por meio de fotografias é sem dúvida uma capacidade que pertence ao pesquisador.

Cabe ao pesquisador, além de ler imagens, saber eticamente representar realidades com ela. Uma construção mal elaborada por parte de um etnógrafo pode por em cheque toda pesquisa e comprometer a análise do trabalho. Os cuidados a que devem ser elaborados os dados de uma pesquisa etnográfica visual são de extrema relevância nos processos investigativos. Gisèle Freund (1995, p. 159) destaca que “A utilização da imagem fotográfica torna-se um problema ético a partir do momento em que podemos deliberadamente servir-nos dela para falsificar os factos.” Mas defende em seu livro Fotografia e Sociedade que a fotografia conquistou um lugar de extrema relevância cultural e poder na sociedade contemporânea sendo uma das maiores linguagens representativas socioculturais. Ela afirma que

Graças a fotografia, a Humanidade adquiriu o poder de aperceber-se, com outros olhos, do seu ambiente e da sua existência. Ao verdadeiro fotógrafo cabe uma grande responsabilidade social. Deve trabalhar com os meios técnicos que se encontram à sua disposição, e esse trabalho é a reprodução exacta dos fatos de todos os dias, sem distorções nem alterações. O valor, na fotografia, não pode apenas ser medido a partir de um ponto de vista estético, mas pela intensidade humana e social da sua representação óptica. A fotografia não é apenas um meio de descobrir a realidade. A natureza, vista pela câmera, é diferente da natureza vista pelo olho humano. A câmera influencia a nossa maneira de ver e cria a nova visão. (FREUND, 1995, p. 188).

Me utilizo neste projeto da linguagem suigeneris da fotografia para realizar etnografia. Compreender a natureza humana por meio de uma escrita visual, permite com que meus olhos ampliem a sua visão de mundo, ora mergulhando nos detalhes, ora se expandindo para um universo cultural mais amplo.